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Resenha: A Tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca

junho 08, 2020
Livro teatral

Hamlet é uma das peças mais famosas de William Shakespeare e ainda hoje é grande influencia para livros, filmes e adaptações teatrais, sem mencionar na cultura pop no geral; Assim como qualquer outra obra dele. Justamente por isso eu decidi, há algum tempo, ler algo do autor e a oportunidade surgiu quando a Oasys Cultural me fez esse convite. A edição, publicada pela Chiado Books, conta com a tradução de Leonardo Afonso (escritor e pesquisador acadêmico em estudos Shakespearianos) e um linguagem mais acessível, o que para uma leitora de teatro e William Shakespeare de primeira viagem foi excelente.

Hamlet é um jovem que perdeu o pai recentemente, o rei da Dinamarca, e poucos meses após a morte de seu pai vê sua mãe casando com seu próprio tio que acaba se tornando o novo rei. Para ele nada naquilo é normal e quando reconhece seu pai em um fantasma ele percebe que tinha razão em seus pensamentos e passa a planejar sua vingança. O problema é que a vida dele não é tão simples quanto só uma vingança, já que Hamlet é um garoto mórbido que, de certa forma, contempla a morte ao mesmo tempo que a deseja para si. Eu não sei, de verdade, se essa minha opinião tem alguma relação com a obra em si, com o que Shakespeare queria dizer ao retrata-lo dessa forma, mas me pareceu muito uma pessoa depressiva caminhando para a decisão de tirar a própria vida. Mesmo fazendo parte da elite ao perceber que seu pai foi assassinado e sua mãe logo foi se casando com outro, que além de tudo possivelmente é o assassino de Hamlet pai, ele se deu conta de que ali há um jogo também de poder.

HAMLET
A Dinamarca é uma prisão
(...)
Uma bela  prisão, na qual há muitas celas, alas e masmorras, a Dinamarca sendo uma das piores.

Uma coisa que me intrigou muito na história foi a relação de Hamlet e sua mãe, pois é extremamente conturbada principalmente com o casamento dela antes mesmo de deixar o corpo do falecido rei esfriar. Ele carrega uma grande magoa de sua mãe e isso me fez questionar, por exemplo, a questão de liberdade feminina. Certo ou errado o que ela fez? A rainha tem um grande amor por seu filho, mas diante das demonstrações dele de loucura e da influencia que o novo rei exerce nela mãe e filho se afastam cada vez mais.

Apesar de ser uma tragédia eu posso dizer que teve certos momentos que me diverti muito com os diálogos, principalmente aqueles carregados de dramas, pois são dramas tão profundos que foi difícil eu até crer neles em alguns momentos. Sendo bem honesta eu não acho que tenha entendido a obra muito bem, pois em vários momentos durante a leitura eu me vi perdida nos diálogos e principalmente nos monólogos do personagem, que sempre é repleto de pensamentos mais filosóficos. Infelizmente não posso dizer que me adaptei a leitura de uma peça tentando criar todas as imagens em minha mente sem auxilio de descrições. Mesmo com meus altos e baixos como leitora ao realizar essa leitura é uma obra que gostei de conhecer e que valeu a pena a experiencia.

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Título: A Tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca (The Tragedy of Hamlet Prince of Denmark)
Autor: William Shakespeare • Editora: Chiado Books • Tradução: Leonardo Afonso


Resenha: Amor(es) Verdadeiro(s)

junho 01, 2020
Foto do Kindle

Que a autora Taylor Jenkins Reid se tornou a favorita do universo literário no último ano não é segredo algum. São vários elogios aos seus livros e a própria autora. Eu, tentando evitar um pouco a fama de Evelyn Hugo optei então por ler Amor(es) Verdadeiro(s) lançado recentemente pela Paralela e acabei me apaixonando.

Emma é uma mulher de 31 anos que está noiva do perfeito Sam, sua vida não poderia estar melhor até que ela recebe uma ligação de seu marido. Sim, marido e não ex-marido. Parece estranho, mas a questão é que Jesse estava desaparecido há cerca de quatro anos, inclusive sendo dado como morto, entretanto não foi isso que aconteceu com ele após um acidente de helicóptero. A vida de Emma se torna nesse momento um caos, onde ela não sabe o que fazer, como fazer e muito menos o que sentir. É uma premissa que pode despertar aos leitores a impressão de ser somente um triangulo amoroso, porém o livro está longe de ser isso. Emma é uma personagem cativante, pois para mim ela é um reflexo até mesmo de quem eu costumava ser em alguns aspectos aos 18 anos: odiava sua cidade natal, gostaria de conhecer o mundo, fazer coisas inimagináveis e ser livre. E ela fez isso isso ao lado de Jesse, seu amor da adolescência. Eles tinham uma vida muito feliz juntos e eu amei tanto quando ela nos conta como eles se conheceram na adolescência e como foi surgindo o sentimento entre eles, pois nada daqui me deu a impressão de ser uma história perfeita, sabe? Mas uma história bonita em que duas pessoas que se apaixonam decidem construir juntas. E é triste ver que essa história foi interrompida por um trágico acidente.

Após um longo período de luto, em que decide voltar para sua cidade natal e ajudar a sua família a cuidar da livraria Emma reencontra Sam, um amigo da infância e percebe que precisa se dar uma nova chance de ser feliz e de amar novamente e então uma nova história ela passa a construir ao lado dele. E clara a mudança de Emma ao longo da história e eu também gostei muito de sua versão ao lado de Sam, sabe? Uma versão calma, que deseja uma família, e ama uns pets, além de estar mais tranquila em relação a loucura das viagens e trabalho. Sem entrar em detalhes que Sam também é um ótimo noivo e o relacionamento deles é tão fofo, mas tão fofo, que parece até um romance água com açúcar.
Que engraçado, né? Os homens costumam ver a traição nas coisas que fazemos e não naquilo que sentimos.

Emma sabe que ama os dois homens, cada um de uma forma diferente, mas sabe que é amor verdadeiro, entretanto precisa fazer uma escolha. Ficar com seu marido ou se casar com Sam? Neste momento pode parecer que o livro gira em torno dessa escolha que ela precisa fazer, e de certo aspecto sim, mas não há um drama em torno disso. Emma é tão racional que mesmo no ápice de suas emoções ela consegue fazer a coisa certa, o que é até estranho quando estamos acostumadas com personagens que se levam o tempo todo pela emoção. A autora vai nos entregar uma grande história de amadurecimento e a percepção de que os relacionamentos passam por fases e que nem sempre essas fases precisam nos machucar ou machucar ao outro.

Em livros onde a protagonista gosta/ama duas pessoas ao mesmo tempo, geralmente, acabamos escolhendo um deles e eu não consegui escolher nenhum dos dois nessa trama, o que me fez gostar mais ainda de ter conhecido essa autora que está sendo tão aclamada nos blogs e intagrams literários. Não acho que teria uma escolha certa ou errada para ela, apesar de entender o que a levou a escolher quem ela escolheu. Qualquer um dos dois é uma representação de algo para Emma, assim como qualquer um dos dois a fariam feliz como ela merece. É um livro que eu amei muito e, claramente, vai me fazer ler outras obras dessa autora.

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Título: Amor(es) Verdadeiro(s) (One True Loves) • Autora: Taylor Jenkins Reid 
Editora: Paralela • Tradução: Alexandre Boide
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Resenha: Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola

maio 27, 2020
Autora Maya Angelou


Não conhecia Maya Angelou até ver a capa deste livro e me apaixonar muito por ela. Achava que era uma obra de ficção e tive uma baita surpresa quando li a sinopse e descobri que é a autobiografia de uma atriz, poetisa, além de ter sido a primeira mulher negra a roteirizar e dirigir um filme em Hollywood, além de ser amiga de Martin Luther King e Malcolm X era também ativista, dançarina, jornalista e professora. E para acabar ela recitou um de seus poemas na posse do presidente Bill Clinton lá em 1993. Claro que tem outras coisas, mas acho que já deu para entender que a mulher é foda, né? Apesar de ser tudo isso e muito mais o livro não faz falar sobre isso e sim sobre infância. Cada capítulo vai contar de algo e eu já aviso que é bom você estar preparada para sorrir e chorar, logo de  uma página para outra. Sua vida foi extremamente difícil, ainda mais sendo de um país tão racista nos século passado (como se ainda não fosse).

Maya morava com a avó, seu irmão mais velho e seu tio em uma casa com um mercadinho na frente. O negócio era da sua avó e era bastante próspero naquela vila, tanto é que quando veio a crise de 29 a avó de Maya era quem ajudava as pessoas a não passarem fome. Mas mal recebia um agradecimento, já que a maioria das pessoas que ela ajudavam eram brancos que a tratavam como lixo por sua cor de pele. Apesar dessas coisas Maya era uma criança feliz, mesmo com saudades da mãe e do pai. Havia um sentimento de abandono muito grande em relação a eles e sua avó não era tão carinhosa assim, apesar de cuidar muito bem dos netos. Seu relacionamento com o irmão era maravilhoso e apesar de tomarem umas surras, às vezes, eles se divertiam aprontando.

Essa alegria não durou muito tempo. A mãe de Maya resolveu que era hora de cuidar dos filhos e os levou embora. Sua família era um pouco mais bem de vida do que a família do pai e pela primeira vez ela teve o conhecimento do que era luxo. Maya odiava morar com sua mãe, a cidade nova, as pessoas que as rondam e quando teve uma figura masculina que ela poderia considerar como paterna ele a estupra. Maya tinha apenas 8 anos quando isso aconteceu e seu medo já era maior que qualquer coisa. Ela não contou para sua mãe com medo de ser apontada como a culpada pelo que houve, mas ela descobriu de qualquer maneira e tomou uma atitude. Depois disso Maya ficou sem falar por anos. Nem uma única palavra saia da boca da mulher que recitaria seu próprio poema na posse de um presidente.

Eu sei que até esse ponto eu jé contei muito da história do livro mas gente, como não? Olha o que essa mulher passou e olha o quem ela se tornou. A história dela é tão triste pelas coisas ruins e tão inspiradoras pois ele nunca desistiu de nada, nem de si mesma quando passou a entender a vida. A Maya tinha tudo para ser só mais uma mulher, só mais uma mulher negra nesse mundo racista, mas ele fez muito mais. Ela foi atrás de tudo o que queria, tanto é que com 15 anos ela se tornou a primeira pessoa negra a trabalhar em um daqueles bondinhos que tinha na época. Você consegue imaginar no contexto histórico disso? Me apaixonei muito por ela, além de amar sua forma de escrever. Ela deixa uma biografia ser legal e às vezes até parece um pouco de ficção.

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Título: Eu sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola (I Know Why the Caged Bird Sings)
Autora: Maya Angelou • Editora: Astral Cultural • Tradução: Regina Winarski
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Resenha: Quem tem Medo do Feminismo Negro?

maio 25, 2020
Djamila Ribeiro Livros

Acho que a Djamila foi super legal com esse título. Na realidade ele deveria ser "Porquê brancos tem medo do feminismo negro?" e eu falo isso não somente pelos textos que tem neste livro, mas por minha experiencia com clientes na livraria onde trabalho (onde uma mulher branca, classe média alta, pediu livros sobre feminismo e quando eu mostrei esse ela fez cara de desdém), além do fato de ouvir um "Porquê tem que ser negro?". Infelizmente vivemos em um mundo até onde pessoas inteligentes são burras.

God me free de pagar de super sabidona aqui. É justamente por isso que eu leio livros: para aprender cada vez mais e é claro que é por isso que eu quis ler esta obra. Já seguia e conhecia um pouco do trabalho da Djamila nas redes sociais e amo a força que ela tem, a forma como ela inspira outras pessoas e principalmente mulheres negras. Eu sei que meu lugar como pessoa branca não é lutar contra o racismo como se ele fosse parte da minha rotina e sim dar respeito e a visibilidade que essas pessoas merecem. Então sim eu li esse livro para entender um contexto social que não faz parte de mim, mas que envolve a sociedade em que eu vivo; Eu li esse livro para poder militar quando alguém me perguntar os motivos de um mulher negra merecer uma atenção especial no feminismo; e nesse ponto do texto vocês já entenderam o recado.

"Quem tem medo do Feminismo Negro?" reúne artigos que Djamila escreveu, em sua maioria, para o jornal Carta Capital e no inicio ela faz um pequeno apanhado da sua vida. Eu ainda não conhecia a história dela e fiquei curiosa por mais. Tem tantas coisas que essa mulher passou para poder chegar onde está que nós nem temos noção de como foi um caminho difícil. Os artigos todos falam sobre racismo e principalmente sobre mulheres negras. Antes desta obra eu tinha um visão muito limitada a respeito do feminismo negro (não era tão ignorante quanto as pessoas citadas acima, mas não entendia muito a respeito dele) e agora consigo refletir um pouco mais sobre o meu papel na sociedade como mulher branca e o quanto mulheres como eu, por mais feministas que se dizia, ajudaram o racismo a se propagar diminuindo outras apenas pela cor de sua pele. É um livro de história, é um livro que joga coisas na nossa cara sem medo (e que esta certíssima em fazer isso). Mais do que tudo é um livro para te tirar da zona de conforto e não apenas durante a leitura, mas também no dia a dia.

Um livro que trás fatos a respeito da mulher negra sendo sempre vista como a empregada, ou quando convém a sociedade, sendo vista como a musa do carnaval; Trás fatos a respeito da meritocracia, que não funciona nunca em uma sociedade de classe baixa. Um livro que irá te explicar que piada a respeito da cor da pele do amiguinho branco não mata cerca de 75% das vitimas de homicido no Brasil, irá te explicar o motivo que piadas na escola acabam com a auto estima de dezenas, milhares, de meninas que tem o cabelo crespo e entram em uma luta para ser padrão em uma sociedade onde só é bonito ter o cabelo liso. Enfim, eu fiquei muito satisfeita com essa leitura e com o que ela me proporcionou.

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Título: Quem tem Medo do feminismo Negro? • Autora: Djamila Ribeiro • Editora: Cia das Letras
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Resenha: A Prometida

maio 20, 2020


Kiera Cass anuncia um novo livro, do nada, e claro que a internet vai praticamente abaixo. Expectativas foram criadas e elevadas a cada dia após a revelação de capa e sinopse e o hype da editora, não é para menos... uma autora muito querida pelas leitoras de YA e fantasia não poderíamos esperar outra coisa. Então imaginem a minha surpresa quando a Seguinte liberou o e-book do livro para seu parceiros e os que finalizavam a leitura não estavam felizes com a história que a autora nos entregou? Eu como não sou boba e nem nada fui logo lendo para tirar minhas próprias conclusões.
O que é uma amiga senão alguém que acredita que você consegue mais do que imagina? 

A Prometida, assim como o grande primeiro sucesso da autora A Seleção, se passa em um mundo de monarquia e, consequentemente, patriarcado. Hollis, a protagonista, é uma jovem que vive no palácio e chamou a atenção do rei Jameson após ele se cansar de outras garotas que estava cortejando. Pessoalmente ela não acredita que chamaria a atenção do rei mas ao mesmo tempo deseja toda essa atenção pois quer ser respeitada como uma rainha e fazer parte da história de Coroa (o nome do país deles) como as outras rainhas da história. E isso é basicamente tudo o que vimos de Hollis durante uma grande parte da história, infelizmente. Eu gosto muito quando leio um livro e, mesmo não amando a protagonista, ou algo assim, eu ainda sinto empatia e simpatia por ela e no fim das contas torço para que ela seja feliz, mas com Hollis foi diferente. Claro que não fiquei torcendo para ela se dar mal, mas eu não consegui me conectar de verdade com ela. Enquanto Hollis dizia estar apaixonada pelo rei eu nunca senti de verdade lendo suas palavras de paixão e sensações que isso era real, da mesma forma que eu também não senti isso quando ele teve Silas (sim, temos novamente um triangulo amoroso). Apesar de a sinopse prometer uma personagem de opiniões fortes ela foi somente uma personagem comum, principalmente se colocarmos em contraste com Delia Grace (a melhor amiga e dama de companhia das Hollis); que sempre foi vista a margem daquela sociedade e sempre se dedicou para ser uma pessoa bem vista conforme suas virtudes. Delia Grade estudava línguas, politica, história e tudo o mais e ela sim poderia ter nos apresentado opiniões fortes, mas foi ofuscada pela sua amiga que era preguiçosa e só pensava em vantagens que a realeza poderia lhe dar.

Sobre os demais personagens, infelizmente, também não tem profundidade. Eu me pergunto como um livro com cerca de 350 páginas conseguiu não se aprofundar em nada na história de seus personagens. Mesmo quando Silas apareceu com sua família, sendo refugiados de um reino vizinho, demorou muito tempo para uma pequena explicação sobre eles ser dadas a nós e o que me deu mais raiva nisso foi a falta de curiosidade Hollis, mesmo percebendo que tinha algo errado. Talvez isso prove o ponto que eu disse no paragrafo anterior a respeito dela. Mesmo a história do rei Jameson, que teoricamente ela deveria saber por viver dentro do palácio ainda assim foi um mistério grande parte da obra (mesmo que não tenha grandes coisas a serem reveladas nesse quesito). E por falar no rei eu preciso aplaudir a Kiera por saber fazer reis tão insuportáveis em seus livros. O rei Jameson até parece ser um homem legal no inicio do livro, mas aos poucos algumas de suas falas revelam parte da sua personalidade, que por acaso é a personalidade que um rei deve ter ainda mais em uma sociedade patriarcal como Coroa é, então não deveria haver surpresas nisso, entretanto por ser um romance é claro que eu queria ele fosse um fofo.
O amor é a sobremesa de um banquete para o qual e ainda estou esperando convite. 

Ao contrário do que parece, em um contexto geral, eu gostei do livro. Mesmo sem nos mostrar muito sobre os personagens a autora me conquistou com a história em si, mostrando um preconceito que as pessoas tem por estrangeiros e com desejo de ser algo maior do que é. O livro em si tem um clima bastante alegre e é muito gostoso de ler (eu terminei em um dia), e por se tratar de uma duologia é claro que o final tem surpresas que abrem debates para as leitoras criar teorias sobre o futuro das personagens. Eu vou sim ler a sequencia quando sair e vou torcer para que a autora não volte atrás em algumas decisões, mas que ainda assim seja um final digno de princesa para Hollis.

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Título: A Prometida (The Betrothed) • Autora: Kiera Cass
Editora: Seguinte • Tradução: Cristian Clemente

Resenha: Mentirosos

maio 18, 2020

Em meados de 2014 eu li Mentirosos pela primeira vez. Lembro-me que na época houve grande falatório a respeito da obra pois muitas pessoas se surpreenderam com o final e eu, claro, não fiquei imune a surpresa. Gostei tanto do livro que favoritei no Skoob e guardei a minha cópia cheia de post-its com carinho na estante, anos depois presenteei uma amiga com o livro com a promessa de que ela iria amar e dito e feito, a menina ficou maravilhada com a história e hoje, após 5 anos eu reli essa obra por causa de uma leitura coletiva maravilhosa.

Na primeira vez que li Mentirosos eu me surpreendi tanto com a história que deixei alguns elementos de lado, ou talvez porque naquela época eu não era uma leitora tão critica quanto sou hoje em dia; Principalmente pelas questões de privilégios e preconceitos e acredito que por isso acabei gostando muito mais do livro hoje. Isso não muda o fato de que ele é um YA, mas muda um pouco mais a minha visão sobre esses livros serem importantes para a construção do pensamento critico dos jovens leitores. Infelizmente eu não tive essa experiencia, mas posso imaginar como é para os mais novos hoje em dia lerem algo como Mentirosos e refletirem sobre questões sociais dentro daquele enredo.
Meu avô é muito mais parecido com a minha mãe do que comigo. Ele apagou a antiga vida gastando dinheiro em outra para substitui-la.

Mas vamos lá, o livro conta a história da família Sinclair, onde todos são perfeitos, brancos, inteligentes e muito ricos. Pelo menos é o que eles demonstram o tempo todo. Não há margem para defeitos, não há perdão para qualquer atitude que não seja considerada de pessoa de bem e de classe e é assim que vive Cady, uma jovem de 17 anos que há dois anos sofreu um trauma e está com perda de memória seletiva além de outros problemas de saúde. Ela narra um pouco da sua infância e como era suas férias de verão na ilha pessoal da família e em como ela conheceu Gat, o garoto com descendência indiana que passa as férias  ali e não faz parte da família. Além de Gat ela passa seu tempo das férias com seus primos Johnny e Mirren. Todos ali tem a mesma idade e portanto são bastante próximos, são chamados pela família por Mentirosos.

Justamente por Gat ser a única pessoa ali que não faz parte da família e não é rico ele acaba questionando aos outros sobre as questões de privilégios e principalmente preconceito por parte do patriarca da família, o avô de Cady e dono de todo aquele império. Gosto bastante dos diálogos que os jovens tem ali, pois apesar de parecer profundo ele é tratado com muita inocência já eles ainda não entendem muito bem isso em uma questão social maior e algumas coisas eles vão percebendo ao observar suas mães vivendo juntas ali naquele ilha brigando por causa de herança antes mesmo do pai morrer.

Aliás, esses jovens... Eu acho que a única coisa que eu realmente queria ter igual a Cady é a tradição de passar tanto tempo com seus primos nas férias e ter a liberdade de fazer o que quiserem em um local seguro. Quando mais nova eu sempre tive muito contato com meus primos, mas alguns moram na mesma casa que eu, então tínhamos muito mais momentos de tretas do que qualquer outra coisa kkkk e infelizmente meus primos tem idades diferentes da minha, então haviam coisas que não conversávamos.



Fiquei muito feliz com essa releitura e com todas as marcações que fiz no livro (o amarelo são de 2014 e o laranja de 2020), pois agora pude refletir sobre outras questões das quais não tinha prestado atenção anteriormente e que fazem muita diferença para a resolução da história antes e depois do plot twist.

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Título: Mentirosos (We Were Liars) • Autora: E. Lockhart
Editora: Seguinte • Tradução: Flávia Souto Maior

Resenha: Não me Abandone Jamais

maio 15, 2020

Na minha postagem sobre autores vendedores do Nobel citei o livro Não me Abandone Jamais, do japonês Kazuo Ishiguro; que eu havia assistido a adaptação há alguns anos. Então aproveite o entusiamos que a postagem me deu para ler o livro e posso afirmar que foi a melhor decisão tomada, pois me deparei com um livro profundo e muito, mas muito lindo. Uma leitura para quem gosta de romance, drama, ficção cientifica e até mesmo infanto-juvenil. Pode parecer estranho, mas eu me senti muito a vontade com todos esses gêneros misturados nesta obra.

Apesar disso Não me Abandone Jamais é um livro muito melancólico e que me deixou bastante triste ao pensar em seus personagens conforme as revelações iam acontecendo. A obra é narrada pelo ponto de vista da jovem Kathy H., uma cuidadora de aproximadamente 30 anos, e em um contexto até mesmo biográfico somos apresentados a pequenos acontecimentos de sua primeira infância, infância e adolescência em Hailsham (uma especie de internato),  junto de seus amigos Ruth e Tommy, assim como a saída deles dali e o entendimento do que eles são de verdade e como eles se sentem em relação a isso.

Sem dar spoilers sobre o enredo, mas ainda assim usando de seus argumentos para falar sobre o livro, ao concluir a leitura pensei muito sobre o que é a arte em nossas vidas? Quais as artes que produzimos, mesmo que não sejamos um grande pintor ou musicista, que refletem quem somos; Que refletem até mesmo a nossa alma? Esses questionamentos surgem sutilmente com as revelações da obra e mesmo que ali não tenha nenhum efeito grandioso ainda assim para nós passar a ser a maior reflexão que o livro nos dá.
Quando me lembro daquele momento, hoje em dia, eu parada ao lado de Tommy numa ruazinha estreita, prestes a dar inicio à busca, sinto um calor bom me invadir o corpo. De repente, tudo parecia perfeito: uma hora inteira a nossa frente e nenhum jeito melhor de gasta-las. Tive de me controlar para não sair rindo feito uma boba nem começar a dar pulos na calçada como uma criança pequena. 

Kathy é uma personagem muito passiva e como narradora ela mesma entende essa característica ao nos contar sobre sua vida. Muitas vezes me irritei com sua passividade e em como ela permitia que as pessoas abusassem dela da forma como abusavam, mas ela era uma boa amiga e foi para todos até o final, com uma ponta de esperança que as coisas poderiam dar certo e as teorias da infância fossem reais e ao vê-la se decepcionando em contraste com outro personagem é muito ruim e como leitora me senti impotente em não ajuda-la.

Tenho certeza que esse livro irá te emocionar de alguma forma e te fazer repensar em conceitos sobre o ser humano e sua essência, assim como irá de fazer pensar em novos conceitos sobre a humanidade. Uma leitura bastante pesada no que diz respeito ao seu conteúdo mas necessária em paralelo com os rumos que a humanidade está tomando.

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Título: Não me Abandone Jamais (Never Let me Go) • Autor: Kazuo Ishiguro
Editora: Companhia das Letras • Tradução: Beth Vieira


 
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