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Resenha: As Mil Partes do Meu Coração

setembro 18, 2020

É sempre muito prazeroso ler algo da Colleen Hoover e via os leitores comentado deste livro antes de ele ser lançado no Brasil (e seu título original eu adoro), dai quando saiu aqui eu fui logo lendo, mas a resenha demorou para sair no meu blog pois acabei colocando outras coisas na frente (tipo mais de um ano). De todo modo eu estava esperando um romance mas ela me proporcionou um drama, uma história de auto-reconhecimento, uma família, que eu nunca imaginei que leria nesses últimos tempos.

Merit é uma adolescente que se sente completamente excluída da sua família e até mesmo da sociedade. Um dia ela decide simplesmente abandonar a escola e não se surpreende quando se da conta que ninguém em sua casa (no caso os adultos) notou essa decisão. No meio de tudo isso ela conhece Sagan, que é o suposto novo namorado de sua irmã (gêmea) e Luck, o irmão da sua madrasta — que por acaso se chama Victoria, assim como a mãe de Merit (que mesmo sendo divorciada do pai ainda mora sob o mesmo teto). Sério, lendo assim parece uma confusão daquelas de sessão da tarde mas garanto que o buraco é muito mais em baixo.

E eu amo a Colleen Hoover por fazer esses dramas que confundem nossa cabeça de inicio mas que tudo vai se encaixando ao longo da história. Ela é a autora que sabe como prender um leitor até mesmo no tipo de história que esse leitor não está tão interessado (na época eu nem curtia drama familiar). O desenvolvimento que os personagens tem nessa obra é excelente, principalmente Merit, que ao longo do livro vai descobrindo coisas sobre si mesma que antes negava completamente e dessa forma ela percebe que parte do problema de sua família também é ela e sua personalidade e, claro, tenta reverter um pouco dessa situação, mas como as coisas não acontecem por um milagre é claro que no final envolve ajuda de profissional nisso tudo.

Eu não gostei muito da tradução do livro para o português. Pode-se ver que o nome original tem o nome da protagonista que também há uma tradução literal para nosso idioma (assim como a irmã dela, que se chama Honor). E combina muito mais com a história. Mesmo que houvesse uma tradução literal e que alguns iriam reclamar iria ficar perfeito com os acontecimentos do livro. Enfim, um assunto polemico de tradução e que não faz diferença no prazer da leitura.

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Título: As Mil Partes do Meu Coração (Without Merit) • Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera Record • Tradução: Ryta Vinagre
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Uma graphic novel sangrenta: Lady Killer

setembro 10, 2020
Editora darkside, Darkside books

Apesar de não ser uma leitora de graphic novels é impossível não querer ler essa edição de Lady Killer lançada pela Darkside. As ilustrações estão maravilhosas e as cores super chamativas, é basicamente tudo que um bom encadernado precisa ter para, no minimo, chamar a atenção.

Nesta obra temos Josie, uma dona de casa bem sessentista que é o tempo todo vigiada pela mãe de seu esposo, uma velha alemã rabugenta. Nada do que Josie faz está certo ou bom. O que a velha não sabe é que além de dona de casa Josie é uma assassina de aluguel há mais de quinze anos e ama essa profissão que esconde de todos.

No inicio eu achei que a história seria de uma serial killer que vive se escondendo na fachada de uma família perfeita, mas fico feliz por estar enganada. A trama segue muito mais a questão de profissão x família que, até hoje, temos nas pautas femininas e é super bem abordado na obra. Como disse anteriormente há a sogra chata que julga o tempo inteiro as habilidades de mãe e esposa de Josie, assim como temos um companheiro de trabalho "garanhão" que acha que tem liberdade com a moça, fazendo algumas insinuações sexuais e, claro, aquele chefe machista que acredita que uma mulher não pode fazer o seu trabalho corretamente simplesmente porque tem uma família e filhos. Essas abordagens são sutis na obra e não é o foco, porém se continuar essa abordagem nos próximos volumes irei gostar bastante.

Além do background tem a história de Josie, que começa com uma bela moça se passando por vendedora de Avon e matando uma senhora em sua cozinha. À partir dai acompanhamos a missão que Josie terá de matar uma criança, cujo os pais já foram assassinados, e sua luta interior em decidir se irá ou não cumprir essa ordem. Neste ponto fiquei curiosa para saber o motivo dos pais do garoto terem morrido e a necessidade de a própria criança ter que morrer. Talvez seja explorado, ou talvez não seja um ponto tão importante, já que tudo diz respeito as atitudes de Josie com sua missão.

Existe uma grande quantidade de sangue, obviamente, e nessas horas eu fiquei muito maravilhada com as ilustrações. É tudo muito bem feito e as cores são incríveis. Adoro ilustrações bem contrastadas quando devem ser e claro que Lady Killer pede esse tipo de pintura pela história que nos dá. A edição é linda e vale por si só; no final temos alguns esboços da autora e capas alternativas. Vale a leitura.

Título: Lady Killer (Lady Killer) • Autores: Joëlle Jones e Jamie S. Rich
Editora: Darkside Books • Tradução: Raquel Moritz 

"Um Amor Incômodo" e as lembranças da primeira infância

setembro 04, 2020
Pode ter certeza que a primeira infância é uma das épocas mais nebulosas de nossas vidas. Muitas vezes acreditamos ter passado por alguma experiencia, mas que não tenha passado de uma peça pregada por nossa mente. Em alguns casos há traumas, medo de algum bicho, ou pessoa, só pelas lembranças estranhas que temos dessa época. Apesar de nem todas as lembranças ou medos fazerem sentido é na primeira infância que está um marco do desenvolvimento do ser humano, seja o motor ou psicológico, e é justamente sobre isso que o livro Um Amor Incômodo da autora Elena Ferrante irá tratar.

Na primeira obra escrita pela enigmática autora italiana somos apresentados a uma mulher de meia idade que logo nas primeiras páginas percebemos que tem uma relação conturbada com a mãe. Para mim deu a impressão da filha ter um desprezo pela mulher, mas que não entende muito bem o motivo. Entretanto com a morte de sua mãe ela precisa cuidar dos ajustes do velório e a desocupação da casa em que ela morava sozinha. Parece ser uma obra dramática essa morte, porém Amalia (a mãe) morreu de uma forma um tanto misteriosa e em busca de respostas Délia (a filha) terá que buscar em suas memórias mais antigas lembranças sobre essa mulher que lhe parecia tão repugnante.

Após a leitura da obra procurei algumas resenhas para assistir no ytube e vi pessoas falando sobre essa livro de uma forma não tão positiva. Talvez por essas pessoas conhecerem outros livros da Elena Ferrante ou por simplesmente não terem gostado, mas particularmente eu amei o livro. Uma mistura de drama com suspense que até onde eu me lembro nunca li antes e principalmente que me deixou presa nessa história com medo do que poderia acontecer com Delia ou pior ainda, uma descoberta totalmente inesperada. Acho que quando pensamos em suspense sempre esperamos um plot twist, mas isso não ocorre aqui, apesar de ter sim uma surpresa no final que alguns poderiam até prever (mas eu não, sou lerda). Este é um livro que irá falar muito sobre relacionamento entre mãe e filha e mais ainda sobre como as filhas se espelham nas mães, desejam ser suas mães, e não entendem (ainda mais na infância) que nós não somos nossas mães.

A história se passa em meados dos anos 90, mas alguns fatos se passam em meados dos anos 50 em uma cidade no interior da cidade onde vemos personagens muito característicos do esteriótipo italiano que conhecemos hoje em dia. O marido de Amalia era um homem extremamente violento e o medo dele era visível em Delia mesmo na vida adulta; Era um homem que desconfiava da própria sombra e descontava tudo na esposa, acreditando que ela era a culpada de seus erros, de sua desgraça, e principalmente acreditando que ela era uma adultera. Enquanto Amalia era somente uma jovem que queria ser feliz, que sentia vontade de socializar com outras pessoas e rir livremente; Mas sofrendo tanto nas mãos desse homem em certo momento foi embora com as três filhas para tentar ser feliz. Não acho que Delia seja ressentida da mãe por isso, mas ela se ressentiu da mãe por outra coisa que nem ela se lembra, e mais do que isso ela se ressente por ter desejado ser sua mãe quando na verdade deveria ser apenas uma criança de 5 anos.

Para ele, aquela risada parecia açúcar espalhado de propósito para humilha-lo. Na realidade, Amalia só procurava dar vozes as mulheres de aparência feliz fotografadas ou desenhadas nos cartazes e revistas dos anos quarenta: boca larga pintada, todos os dentes cintilantes, olhar vivaz. Era assim que imaginava ser, e dera a si mesma a risada adequada. Deve ter sido difícil para ela escolher o riso, as vozes, os gestos que o marido podia tolerar. Nunca era possível saber o que era permitido ou não.

Além do relacionamento familiar de Delia um paralelo é sobre um homem misterioso que seria amigo intimido de Amalia e com quem ela estaria no momento de sua morte: Caserta. Delia lembra dele de sua infância e acredita que tenha visto os dois juntos naquela época então saber que esse homem está de volta na vida da sua mãe é muito perturbador, principalmente porque só a menção do nome dela era causa de tantas e tantas vezes que Amalia foi espancada pelo marido. De modo geral o livro é uma caçada de Delia até encontrar esse homem e confronta-lo para saber o que havia entre ele e sua mãe, só que mais do que isso são as lembranças de Delia retornando aos poucos sobre aquela época. Caserta é um homem misterioso e em poucos momentos sabemos realmente o papel dele na vida de Delia, considerando a sua infância, mas ao mesmo tempo ele é extremamente importante com tudo vindo a tona.

Eu não sei se esse é ou não o pior livro da autora, pois ainda não tive outras experiencias, mas posso afirmar que gostei muito dessa obra e principalmente sobre essa premissa de trabalhar com as lembranças da primeira infância, que muitas vezes não lembramos de nada e quando as coisas vem a tona acabamos ficando surpresos com o que nossa mente esconde para nos proteger.

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Título: Um Amor Incômodo (L'amore Molesto) • Autora: Elena Ferrante
Editora: Intrínseca • Tradução: Marcello Lino

Resenha: Passarinha

setembro 02, 2020

Há um bom tempo queria ler Passarinha, mas nunca surgiu a oportunidade. Quando fui parceira da Valentina o livro não estava disponível para solicitação e acabei que nunca comprei, até que assinei o KU e vi que ele estava disponível e para unir o útil ao agradavel o livro foi a escolha do mês para a leitura coletiva da Abandonados da LC.

Passarinha é um livro emocionante e que não da margem para o leitor se sentir despreparado, até pelo contrário. Caitlin tem 10 anos e é portadora de Síndrome de Asperger e recentemente perdeu seu irmão mais velho, o único que a entendia e a ajudava a compreender melhor o significado das palavras e atitudes das pessoas.


Quando iniciei a leitura de Passarinha achei que ser um livro triste sobre a condição da protagonista e principalmente sobre a morte de seu irmão, mas me surpreendi ao ver uma história delicada sobre uma criança aprendendo a lidar com o luto não apenas pessoalmente, mas de seu pai e de toda uma cidade. Caitlin está sempre aprendendo coisas novas, como a sentir empatia, palavras de educação e o quanto essas coisas podem ser benéficas para a sua convivência em sociedade, mas infelizmente nem sempre funciona como ela planejava já que sua maneira de entender tudo tão literalmente pode atrapalhar ao conversar com as crianças que não tem asperger. Enquanto lida com o luto Caitlin perceber que precisa encontrar um desfecho, não apenas para saber o significado dessa palavra mas para a vida e assim poder seguir em frente junto de seu pai.

O livro é lindo, delicado e um grande aprendizado. Foi minha primeira experiencia lendo uma obra onde a protagonista tem asperger e mesmo sabendo como é a síndrome é diferente ao ler algo em primeira pessoa. O modo como eles vêem e entendem o mundo é tão diferente e única e ao mesmo tempo difícil de compreender para quem esta de fora (nisso eu entendo um pouco o pai dela) que eu cheguei a conclusão que quem precisa ter empatia somos nós "normais" (entre aspas, pois Síndrome De Asperger não é nada anormal) para entender melhor as outras pessoas e todas as suas diferenças.

Passarinha é um livro curtinho e de fácil leitura, apesar de parecer que tem um tema mais pesado a autora soube deixar a história leve para quem quer se emocionar e ao mesmo tempo se sentir feliz pelos personagens. Uma leitura indispensável.

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Título: Passarinha (Mockingbird) • Autora: Kathryn Erskine
Editora: Valentina • Tradução: Heloisa Leal

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Resenha: A Elegância do Ouriço

agosto 26, 2020

A Elegância do Ouriço é um livro que estava em minha de leitura há alguns meses e pensa na minha tristeza após a finalização desse livro me dar conta que eu demorei demais para inicia-lo? Ficou estranha frase, né? Mas acho que deu para entender.

Esse livro é incrível. Posso ter falado isso de outros livros e juro que foi de coração, mas agora sei que poucos livros superam esse livro que eu vou categorizar como "dramédia". Pode parecer meio boba assim, mas vai por mim, A Elegância do Ouriço é tipo de livro que irá  fazer o leitor rir e se sentir triste por saber o quanto a elite é ridícula, preconceituosa e presunçosa (não que não saibamos disso, mas parece que não nos importamos no dia a dia).

O livro é narrado por duas personagens: Reneé, a concierge de um condomínio de luxo em Paris e Paloma, uma jovem de 12 anos que mora nesse condomínio. Reneé é uma mulher extremamente simples, mas muito, muito inteligente. Ela ama ler romances, livros de história e filosofia. Uma mulher extremamente culta, mas que esconde isso de todas as pessoas que moram no condomínio. Ela quer que eles a vejam apenas como a porteira, a mulher de recados, e não se imagina nem perdendo tempo com essas pessoas que são tão mesquinhas que nunca nem imaginariam que ela é mil anos mais inteligente do que todos eles juntos; Assim como Paloma, que com apenas 12 anos se faz de débil para seus familiares e na escola pois sabe que a sua inteligencia ali naquele meio só irá chamar a atenção das pessoas de uma forma errada, além do mais pelas suas observações acredita que a vida adulta é extremamente chata e desprezível e por isso planeja se matar no dia de seu aniversário de 13 anos.

A Elegância do Ouriço vai falar sobre como a elite acredita estar no topo da cadeia alimentar e que claramente, principalmente por meio da narração de Reneé, estão longe de ser isso. Reneé vê aquelas pessoas diariamente a tratando como nada somente por ela ser uma funcionária do codomínio; pedem para ela fazer trabalhos que não lhe pertencem e até em horários que ela esta fora de trabalho, sem falar que vão toda hora no apartamento dela para tratar de assuntos irrelevantes. Honestamente, se eu fosse Reneé eu teria dado no pé ao invés de ficar aguentando aquelas pessoas, mas apesar dos pesares ela gosta da sua vida ali e tem por perto uma amiga muito querida, com quem compartilha seus pensamentos sem medo de ser feliz e apesar de Manuela não entender muito das coisas que ela fala as duas se dão super bem.

O ponto em que a história vai para um novo caminho é quando um novo morador se estabelece no condomínio e atiça a curiosidade de todos ali. Paloma ama cultura japonesa então vê essa oportunidade de conversar com alguém que pode compartilhar desse mesmo gosto (o novo morador é japonês) e Reneé, que inicialmente não demonstra interesse no homem acaba deslizando em seus disfarces e descobrindo ai uma nova amizade, que por sinal se torna uma amizade muito linda entre os três.


Uma obra que me emocionou e me alegrou, que me botou para refletir sobre o quanto a vida adulta é um pouco chata e principalmente em como gostamos de achar que sabemos mais do que realmente sabemos sobre as coisas. Além de ser muito rico em cultura e diálogos divertidos.

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Título: A Elegância do Ouriço (L'élégance du hérisson) • Autora: Muriel Barbery
Editora: Companhia das Letras • Tradução: Rosa Freire Aguiar

Primeiras impressões de Sol da Meia-Noite

agosto 13, 2020

 

Livro Sol da Meia-Noite, saga Crepúsculo 2020
Não tenho costume de fazer postagem para primeiras impressões de livro, mas como ando em um ritmo de leitura tão lento acabei optando por testar esse tipo de post com alguns livros específicos. Sol da Meia-Noite parece ser um livro interessante, já que há uma grande parte de pessoas que compraram e devoraram e outra que ainda não decidiu, ou acabaram dando ouvidos para criticas sobre a qualidade física do livro. 

Eu nunca falei de Crepúsculo aqui no blog pois quando o criei eu já tinha "passado" da minha fase Srta. Cullen, entretanto sempre tive um carinho especial por essa Saga pois foi com ela que acabei, de verdade, me interessando pelos livros fora do ambiente escolar (não que a minha escola exigisse livros para leitura, mas ainda havia uma certa pressão). Ainda me lembro de quando conheci o livro através de uma comunidade de Orkut onde as fãs estavam loucas pois tinha sido divulgada a primeira imagem oficial do filme. Eu tinha 16 anos e mesmo sendo uma jovem fã de metal eu me vi viciada no vampiro brilhante por alguns anos. Então é claro que fiquei feliz por, finalmente, Steph resolver finalizar e lançar esse livro. A nostalgia e a necessidade que muitos fãs daquela época tem de sentir novamente aquele amorzinho é muito bom e mesmo com todas as problemáticas da história ainda podemos exaltar essa Saga que fez parte da vida de tantas pessoas.

Li um pouco mais de 120 páginas até o momento, então nada muito relevante aconteceu na história. Digo isso pois até o momento foram páginas e mais páginas de Edward pensando e se lamentando por não escutar Bella, chorando as mágoas pois o sangue dela tem o melhor cheiro, com medo de ela morrer, descobrir que a ama e pedir para ela ficar longe dele. Não necessariamente nessa ordem, mas esses são os eventos principais. Claro que a escrita de Steph está ótima, pois sempre que pego o livro na mão acabo lendo sem parar por uma hora, mas esse meu ranço por Edward (sempre foi uma relação de amor e ódio entre nós dois) vai me deixando irritada com a história que pode se desenrolar. Ainda não cheguei na parte favorita dos fãs, como a cena da campina, mas já tô imaginando como vai ser essas páginas e mais páginas de monólogo do Edward sobre o perigo que Bella corre por ele ser um vampiro. Apesar de fazer uns 10 anos desde que li Crepúsculo pela última vez eu ainda lembro que a narração de Bella era muito mais interessante e dinâmica.

Provavelmente ainda vou levar um bom tempo para finalizar a leitura, pois tô com uns textos da faculdade para ler e o Edward não tá me ajudando muito. Mas tô bastante feliz por viver na mesma era de Steph Meyer e poder contemplar essa Saga simultaneamente.

"Verity" e a manipulação da verdade

agosto 05, 2020

Colleen Hoover é uma autora amada por muitos e odiada por alguns. Seus livros sempre tratam de temas polêmicos e incômodos, isso em livros de romance. Como uma grande fã da autora eu nunca imaginaria que poderia ler um thriller psicológico de sua autoria e quando soube sobre Verity fiquei com receio de acabar me decepcionando com a autora e torcendo para ela nunca mais se arriscar fora dos romances, entretanto minhas expectativas foram superadas e eu afirmo desde já que Verity é um ótimo suspense e que tem todas as caracteristicas da CoHo que seus leitores já conhecem.

Lowen é uma escritora de suspenses que não faz muito sucesso e foi convidada a ser co-autora dos dois últimos livros da série de sucesso escrita por Verity, uma renomada autora que está em estado vegetativo após um acidente de carro. Para poder fazer esse trabalho ela passa alguns dias na casa de Verity, onde estão o marido e filho além das lembranças doloridas do falecimento das duas filhas (gêmeas). Entre um desejo de terminar tudo logo, somente para pegar a grana que ela tanto precisa, e atração que sente por Jeremy (marido de Verity), Lowen acaba encontrando um manuscrito de uma autobiografia de Verity que irá revelar alguns segredos da autora e de seu casamento que ninguém esperaria encontrar.

O livro é narrado entre o presente, pelo ponto de vista de Lowen, e pela autobiografia de Verity. De certo modo em alguns momentos durante a leitura eu senti uma certa semelhança com Garota Exemplar, com a ideia de manipulação e nos guiar para um caminho que pode ou não ser o correto. Verity é uma personagem muito assustadora, seja em seu texto ou em suas raras aparições pela casa quando a enfermeira a leva para dar uma volta. Sua presença, por si só, pode assustar pelo modo como ela está doente, causando uma sensação de empatia e ao mesmo repulsa dependendo de qual nível de leitura você esteja. Eu amei esse elemento neste livro, pois tudo que eu desejo quando leio um suspense é justamente a apreensão dos próximos acontecimentos, a antecipação de qual momento será até mesmo assustador. Acho que CoHo deveria escrever mais suspenses daqui em diante.


Como eu disse no início CoHo sempre escreve sobre temas polêmicos e incômodos e aqui não foi diferente, principalmente na parte que nos incomoda. A leitura dos textos de Verity causam enjoo e ódio, cheios de passagens de sexo (não do jeito que as leitoras gostam) e principalmente sobre seu ressentimento em relação as filhas por terem "roubado" Jeremy e seu amor. Verity é extremamente obcecada pelo seu marido e até certo ponto odeia suas filhas. Quando passa a gostar de uma acaba menosprezando a outra até chegar a um ápice trágico.

É claro que minhas partes favoritas foram do manuscrito de Verity, mas é justamente o presente que da todo o tom do livro. Lowen tem problemas com sonambulismo, toma xanax, e sua falta de sono acaba prejudicando seu raciocínio lógico para algumas coisas. Sua atração por Jeremy também não é nada bacana e é muito estranho mesmo o que acontece entre eles enquanto a esposa dele está praticamente a beira da morte no andar de cima. Contudo isso nos obriga a ver a história de um modo diferente, pois como sabemos tudo é sempre culpa do marido, certo? Aqui Lowen nos faz ver Jeremy como um homem perfeito e devoto a sua família, que ainda sofre pela perda das gêmeas e lida com a esposa como se ainda a amasse apesar de sua condição. Honestamente eu adoraria ver a história nos guiando para odiar Jeremy, mas seria tão previsível que amei o modo como CoHo conduziu esse aspecto da história.

Acredito que o livro teria sido muito melhor se um certo suspense da trama não tivesse sido descartado tão cedo, (apesar de a autora não ter descartado de cara, ainda era óbvio que acabaria acontecendo isso). Um bom livro de suspense não é nada sem um final surpreendente e por eu não ter gostado de uma coisinha no final eu acabei não dando 5 estrelas no Skoob, mas é todas as minhas teorias estavam erradas e fico feliz por isso.

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Título: Verity (Verity) • Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera Record • Tradução: Thais Britto



 
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