Mostrando postagens com marcador Resenha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Resenha. Mostrar todas as postagens

Resenha: O Dia em que Selma Sonhou com um Ocapi

julho 27, 2020

Ano passado recebi um presentinho de aniversário: Uma caixa da TAG inéditos. Como boa leitora que sou procrastinei por quase um ano até ler o livro da minha caixinha, mas agora que o fiz eu só posso dizer que deveria ter lido antes, pois assim estaria amando essa história há mais tempo.


Quando Selma disse que tinha sonhado com um ocapi durante a noite, estávamos certos de que um de nós haveria de morrer, provavelmente nas vinte e quatro horas seguintes.

O Dia em que Selma Sonhou com um Ocapi é um livro sobre relações e em como essa rede de pessoas que vivem ao nosso redor nos fazem ser quem somos, nos fazem ser pessoas melhores ou simplesmente não nos mudam. Este é um livro emocionante como nenhum outro que eu tenha lido, pois ele não precisa de uma carga dramática para mexer com o leitor (apesar de ter essa carga dramática, afinal alguém morre), ele simplesmente mexe com o leitor pois podemos perceber ali naquelas histórias um pouco de nós mesmos.

O livro é narrado por Luise, neta de Selma, desde a infância até a vida adulta. Ela é uma pessoa que foi moldada após ter perdido alguém ainda na infância,logo depois da terceira vez que Selma sonha com um ocapi. Então vemos uma moça tímida, travada como ela mesma diz, que sente um certo abandono por parte dos pais, mas muito amada por Selma e o oculista, um senhor que é secretamente apaixonado por Selma e pode-se dizer que ele representa a figura de um avô para Luise.

Quanto mais velho fico, mais acredito que fomos inventado apenas para você.

A cidade ficticia onde Luise vive é no interior da Alemanha, então todos ali se conhecem. Quando Selma sonha com um Ocapi a fofoca corre pela cidade e todos se preparam para o pior. Segredos são revelados, os apaixonados se declaram, e quem tem medo de morrer tenta nem sair do lugar no dia, mas quem quer morrer fica esperando a morte entrar pela porta e deixa uma janelinha aberta para a alma conseguir ir para o céu de forma tranquila. Quando o pior acontece todos ficam devastados, principalmente Luise, pois era alguém tão próximo a ela que essa morte sempre será carregada em sua vida, essa pessoa sempre será lembrada em seus melhores e piores momentos. É muito triste pensar que tão jovem ela tenha passado por algo tão terrível e por mais que o livro já avise na primeira frase de que alguém irá morrer ainda assim não tem como se preparar para algo tão terrível.

Apesar de Luise ser a narradora da história e a personagem principal o que eu senti que é que toda a cidade é protagonista desse livro, pois eles são muito descritos quando se trata de suas histórias pessoas, sentimentos e até algumas atividades do dia a dia. É como se Luise fosse uma narradora onipresente e onisciente da vida e dos sentimentos das pessoas ali. Pode parecer estranho um pouco, mas gosto da forma como ela nos dava as informações, pois não dava a impressão de que ela só sabia do fato mas sim que quem viveu aquilo contou a ela em algum momento. Então não foi estranho, por assim dizer.

Outra coisa que eu amei muito na história foram os diálogos. Acho lindo diálogos entre jovens e adultos, adultos e idosos, e jovens e idosos. Todos ali conversam de igual para igual e eu sei que isso foge da realidade, mas gosto muito da forma como o oculista fala com Luise sobre coisas da vida como se ele também estivesse aprendendo com ela enquanto ela aprende com ele, sabe? Pois eu acredito que a vida é assim: um constante aprendizado. Sem falar que os diálogos tem um jeito filosófico que eu adoro.

Okapi: O ocapi, é um mamífero artriodáctilo nativo do nordeste da República Democrática do Congo na África Central. Embora o ocapi tenha marcas listradas reminiscentes de zebras, é mais estreitamente relacionado com a girafa. O ocapi e a girafa são os únicos membros vivos da família Giraffidae.

O Dia em que Selma Sonhou com um Ocapi já se tornou um dos meus favoritos do ano e espero que em breve esteja disponível para compra para quem outras pessoas conheçam essa história.

Título: O Dia em que Selma Sonhou com um Ocapi (Was Man Von Hier Aus Sehen Kann)
Autora: Mariana Leky • Editora: TAG Livros / Planeta • Tradução: Claudia Abeling

Resenha: Daqui a Cinco Anos

julho 22, 2020

Há alguns anos tive a oportunidade de ler um livro da Rebecca Serle do qual gostei muito e então quando vi esse anuncio da editora sobre Daqui a Cinco Anos fiquei curiosa com esse novo livro. Vou dizer que Daqui a Cinco Anos tem seu mérito, já que é um livro fácil e rápido de ler, mas no quesito história para mim deixou a desejar. Cheguei a bater um papo sobre ele com meu amigo Alisson do Eita, Já Li e ele me fez até ter um novo ponto de vista sobre o livro que mesmo sendo muito bom ainda não me fez gostar dele tanto quanto eu gostaria.

Dannie é uma mulher bastanta organizada, pragmática até. Tudo na sua vida precisa ser planejado nos mínimos detalhes e nada de surpresas, ela odeia esse tipo de coisa. Há cerca de 3 anos ela namora com David e ele irá pedi-la em casamento em um dia especial, pois Dannie sabe que irá conseguir o emprego de seus sonhos em uma grande firma jurídica. Estava tudo indo muito bem, obrigada, até que ela tem um sonho completamente estranho onde está em um apartamento com um homem estranho e ele é seu namorado. As coisas ali para Dannie parecem totalmente fora dos eixos e ela não consegue viver com essa ideia, acaba procurando até uma terapia para conversar a respeito disso. Os anos se passam e ela nunca planejou seu casamento, mesmo que a vida esteja indo bem no meio profissional em seu relacionamento Dannie ainda está estagnada.Um belo dia sua melhor amiga, Bella, diz que está apaixonada e ao conhecer o rapaz Dannie se depara com o homem de seus sonhos.

Eu não sou de fazer resumos dos livros nas minhas resenhas, mas eu sinto que precisei nesse para tentar expôr de verdade o que senti ao ler esse livro. Dannie é uma boa protagonista, apesar de ser o tipo de protagonista que me irrita pelo seu jeito todo metódico, mas até tudo bem pois ela tem a qualidade de ser uma mulher que corre atrás do que quer, que planeja e faz, sabe? Mas só no trabalho... Em seu relacionamento as coisas estão tão frias que é até triste ver ela e David juntos durante essa história e sinceramente eu não sei se fiquei mais triste por ela ou por ele, pois David é o tipo de namorado/noivo que está ali para tudo sem reclamar, ele apoia, ele torce por ela, ele a ajuda em tudo que ela precisa sem nem ao menos pensar em si mesmo e talvez esse tenha sido o erro do rapaz: deixar de pensar em si em um noivado infinito. O negócio é que Dannie se prendeu nesse sonho por anos, de alguma forma aquilo a afetou que estagnou seu relacionamento com David, o que é uma pena, pois quando ela conhece Aaron (o homem do sonho) ele é o namorado de sua melhor amiga. Mais do que isso, já que ela e Bella se conhecem desde a infância e são praticamente irmãs.

Tudo seria muito mais fácil para os leitores se Bella fosse aquele tipo de amiga manipuladora e/ou abusiva, mas ao contrário, ela é uma personagem espontânea, engraçada, que ama e se preocupa com Dannie. Quando ela apresenta esse novo namorado a Dannie torcemos muito por ela, pois houve um histórico de boy lixo na vida dessa moça então acho que está mais do que na hora de tudo dar certo, e a história passou a desandar a partir desse ponto. Claro que esse não seria um livro de drama e romance se não acontecessem coisas dramáticas, né? Só faltou mesmo o romance, mas nesse ponto vou considerar que a autora quis passar alguma lição aos leitores que eu, aparentemente, não entendi.

Como eu disse anteriormente o livro é bem fácil de ler e por isso eu estava levando a leitura numa boa até cerca de 70% da história, só que a partir dai para mim foi ladeira abaixou por conta de umas decisões que a autora tomou para finalizar a história. Eu, Silviane, fiquei com raiva. Juro. Não tô feliz de admitir isso depois de tantas pessoas elogiando livro então eu sei que o problema é comigo e não com o livro. Vou deixar uma coisa clicável para quem quiser saber o que eu odiei tanto e que me fez odiar o livro.



Enfim, é isso... a resenha não é da melhor e da mais positiva, mas eu não poderia me expressar de forma diferente após o livro não ter mesmo funcionado para mim. Conversei com outras meninas que leram e algumas coisas pensamos semelhantes, mas no geral todas gostaram da história; Então isso só concluo que o problema foi mais comigo e com minha forma de pensar do que com o livro em si. De qualquer maneira é uma leitura a ser feita em um dia.

Título: Daqui a Cinco Anos (In Five Years) • Autora: Rebecca Serle
Editora: Paralela • Tradução: Alexandre Boide

Resenha: Um Mar de Segredos

julho 13, 2020


Ao contrário de 2019, meu ano de 2020 não foi cheio de livros de suspense, então quando acabei vendo esse livro me interessei pelo que ele poderia me proporcionar de acordo com esse tema que eu estava com tanta saudade de ler. Infelizmente a leitura não funcionou para mim como deveria, já que ao meu ver a trama não conseguiu se sustentar o teve um final previsível.

Erin é uma documentarista que esta trabalhando em seu primeiro projeto grande, sua carreira está ótima e seu relacionamento amoroso melhor ainda. Ela está prestes a se casar com Mark e terá a lua de mel dos sonhos, entretanto alguns problemas financeiros começou a prejudicar um pouco do relacionamento deles. Tudo parece que poderia melhorar quando eles encontram uma mala no meio do oceano durante a viagem dos sonhos. Nessa mala encontraram cerca de um milhão de dólares em dinheiro e em diamantes, além de um pendrive suspeito, um iPhone e uma arma. A viagem dos sonhos acabou naquele momento, pois a partir dai o casal apaixonado só pensava no que fazer em relação a isso.

Pessoalmente acho que a trama tinha tudo para dar certo a partir desse ponto, pois a autora soube criar uma história sobre como a mala foi parar no meio do oceano e como os donos desse conteúdo foram atrás do que tinha ali, mas ela se perdeu ao criar a trama de Erin com seu marido e com seu trabalho. Por algum motivo o trabalho dela era importante para o desenvolvimento da história, mas no final não nos levou a lugar nenhum com exceção de um personagem que ali foi inserido. Como leitora lendo isso me senti enganada, mas não do jeito certo que os livros de suspense devem nos enganar.

O pior de tudo foi o relacionamento do casal, que entraram nisso juntos mas ao vê-los intimamente percebemos que a perfeição era somente uma fachada. Mark era abusivo, mas não daquele tipo descarado, sabe? Ele sabia usar as palavras certas, ele sabia como manipular Erin de um jeito que ela ficasse inteira nas mãos dele, da mesma forma que fazia ela se desculpar por coisas que ela não tinha culpa. Foram coisas que nem todo mundo pode acabar percebendo, ainda mais por ser um livro narrado em primeira pessoa e Erin idolatrar esse homem, mas ele é de fato um péssimo companheiro. Começando por destruir seu sonho do casamento perfeito, depois por questionar suas decisões, questionar seu trabalho, manipula-la para que ela acabasse sentindo que estava fazendo as coisas erradas, que estava levando eles diretamente para as mãos da policia e coisas desse tipo. Nesse aspecto a autora não pecou se queria realmente mostrar esse tipo de relacionamento de uma forma diferente.

É uma pena que no meio de uma premissa tão promissora ela não tenha aproveitado melhor as oportunidades de fazer com que fiquemos realmente focados na história. Como eu disse o livro tem um final previsível e os próprios pensamentos de Erin nos entregaram isso durante toda a narrativa enquanto ela se questiona sobre o que esta acontecendo, as pessoas ao seu redor, e suas possíveis paranoias. Talvez o livro funcione melhor para outras pessoas, mas no meu caso infelizmente não deu muito certo.

📚

Título: Um Mar de Segredos (Something in the Water) • Autora: Catherine Steadman
Editora: Record • Tradução: Clóvis Marques

Um papo sincero sobre "A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes"

julho 06, 2020
A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes

É claro que o anuncio de um novo livro da saga Jogos Vorazes não iria passar batido pelos fãs... exceto que passou. Não como se os fãs da saga não estivessem ansiosos por essa nova experiencia de uma distopia juvenil que fez tanto sucesso, mas convenhamos que ninguém está vendo por ai um "boom" de gente comentando sobre esse livro (provavelmente não tanto quanto a editora gostaria, né?). E o motivo para mim ficou até meio óbvio após minha leitura do livro que se mostrou fraco e desnecessário, mesmo com novas informações.

A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes se passa 10 anos após a primeira edição dos Jogos Vorazes, onde um jovem Snow (aquele que conhecemos como Presidente Snow) está ainda na escola e acabará fazendo parte dos jogos como mentor de uma tributo do Distrito 12, Lucy Gray. No meio de tudo isso Snow acaba se apaixonado por Lucy Gray, que faz parte de um grupo chamado "Bando" que em um comparativo com o que nós conhecemos é quase uma companhia de teatro. A história poderia ser maravilhosa caso não soubéssemos quem Snow irá se tornar, mas é interessante pensar nesse personagem com uma nova perspectiva, principalmente após vê-lo vulnerável, faminto, apaixonado, e na beira da ruína com a pobreza de sua família que ainda tenta manter algum status.

O livro não me deixou feliz e nem surpresa como a trilogia original me deixou há alguns anos quando meu primo falou tanto, tanto, tanto sobre ele que eu acabei cedendo para ler; muito pelo contrário: eu me senti muito decepcionada. É um livro longo que poderia facilmente ser bem mais curto, pois existem tantos momentos que eu senti que houve aquela enrolação que eu sentia sono em vários momentos de leitura. Talvez os capítulos longos tenham influenciado um pouco, mas a forma como a história nos foi apresentada realmente não me satisfez como leitora, sabe? E eu nem vou falar que estava com expectativa altas para a leitura porque seria uma mentira. Eu evitei ler resenhas, assistir a vídeos e comentários sobre a obra para começar a ler isenta de opinião de terceiros e no fim acabei sentido o que algumas pessoas também sentiram: O livro não é necessário para os fãs. Ele tem algumas informações interessantes como a ideia dos mentores nos jogos e da fascinação de Snow por rosas, e até mesmo pode explicar o motivo de ele ter tanto ódio do Distrito 12 e a proibição da música The Hanging Tree, mas essas são informações não necessárias, né? A trilogia estava perfeita sem essas informações.

Infelizmente o novo livro não agrada tanto quanto deveria e, para mim, é mais como um livro para fazer dinheiro encima de algo que já foi muito lucrativo. A fonte não é eterna, então...

📚
Título: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes (The Ballad Of Songbirds And Snakes)
Autora: Suzanne Collins • Editora: Rocco • Tradução: Regiane Winarski

Resenha: Teto para Dois

junho 29, 2020

Imagem de um livro

Eu morro de medo de um livro ser muito hypado pois, as vezes, ele entra para a minha lista de odiados. Então quando vi a respeito de Teto Para Dois quando ele foi lançado no final de 2019 por mais que estivesse curiosa com a leitura eu evitei ler por mais de 7 meses. Este mês ele entrou para a leitura do Abandonados da LC e então usei essa desculpa para finalmente ler e acho que tenho uma opinião razoável.

Acredito que não vi ninguém criticando o livro de uma forma negativa, o que já é algo para me deixar com pé atrás, mas mesmo assim eu queria fazer essa leitura pois a premissa do livro é muito boa. O que eu não esperava eram elementos na obra que a fizessem ser importante, como o relacionamento abusivo da Tiffy. Eu sempre me lamento por alguns livros não abordarem esse tema quando tem oportunidade ou até mesmo por abordar de uma forma ruim e o que acontece nesse romance é que o relacionamento de Tiffy foi bem abordado para que as leitoras pudessem até mesmo se identificar, caso tenham algum namorado abusivo. Primeiro Tiffy não sabia o que era isso, não entendia o poder que seu ex tinha sobre si e muito menos percebia os pequenos sinais de que o cara é problemático, mas aos poucos e, principalmente, após algumas sessões de terapia ela pôde cair na real sobre o que ela viveu por alguns anos com um boy lixo. Sério, isso no livro me agradou muito mesmo pois, como já disse, pode servir de alerta para algumas leitoras.

Agora sobre a história em um geral: Sim, o romance é super fofo e natural. Acho até estranho usar a palavra natural para descrever um romance, mas às vezes sinto que o casal meio que se força a estar juntos, sabe? E aqui não aconteceu isso. Não sei se foram as trocas de bilhetes ou a reação que ambos tinham a esses bilhetes, porém quando eu percebi eles já estavam juntos e eu achando aquilo tudo muito lindo. Leon é um personagem bastante resguardado, até mesmo extrovertido, e é claro sentir isso com a seus capítulos, mas acima de tudo ele é divertido de ser ler. Tiffy já é bem louquinha, tem um estilo diferentão e assim como eu ela ama DIY (mas ao contrário de mim ela, de fato, faz esses DIY). Os dois são o casal mais improvável e que ficam lindos juntos.

Ao contrário do que parece eu não amei o livro. Amei sim alguns pontos dele, mas no geral não foi um livro que eu acabei favoritando, pois acho que para mim não bastava só ter um elemento de relação abusiva, mas talvez explorar mais isso... Claro que a intenção não era essa, então eu não deveria exigir isso, mas quando a autora decide colocar algumas situações com o ex-namorado louco fazendo umas coisas até criminosas eu achei que a atitude dos personagens foram totalmente superficiais e os diálogos bem teen, sabe?  Além disso tem uma outra situação envolvendo o irmão de Leon que me incomodou bastante. O personagem foi inserido para dar um plot maior ao Leon, mas achei um pouco perdido na história de um modo geral. Houve sim uma tentativa de nos fazer ter empatia por Richie mas para mim não funcionou por mais que ele seja um personagem divertido.

Teto para Dois é um livro divertido de ler sim, mas algumas coisas deixaram a desejar em um contexto geral da história. Se você procura só um casal super fofo então esse livro é 100% para você.

📚
Título: Teto Para Dois (The Flatshare) • Autora: Beth O'leary
Editora: Intrínseca • Tradução: Carolina Selvatici

Resenha: (Des)conectados

junho 12, 2020

Quando li a sinopse de (Des)conectados pela primeira vez achei que seria um livro distópico com uma pegada mais adulta, entretanto ao iniciar a leitura já percebi que estava de longe de ser o que imaginei. Apesar de conter tecnologias que não existem, ou não conhecemos, o livro é bastante contemporâneo ao lidar com o tema tecnologia e seres humanos. 


Sloane tem um profissão peculiar: Ela prevê quais são as próximas tendencias tecnológicas mundiais, um dos exemplos foi o touch screen, no inicio dos anos 2000. Além de tudo ela é uma mulher contra maternidade e por isso também tem uma fama polêmica, já que sempre discursou sobre isso e defendeu seu ponto de vista, além de ter um relacionamento sério com um homem francês que, além de concordar com ela, atualmente defende uma politica contra sexo sem penetração. Sim, parece tudo bem estranho, mas o livro não foca nessa parte da vida de Sloane e sim quando ela volta para os Estados Unidos para um novo trabalho e sente que não é mais a mulher que já foi um dia.

Cortar o cordão umbilical nem sempre se trata de se separar completamente de alguém, mas de nos separarmos da repetição de um relacionamento que não enriquece mais nossa vida. 

A proposta do livro é maravilhosa, pois é muito fácil observar nos dias atuais essa ideia de que as pessoas não se relacionarão pessoalmente da mesma forma que sempre se relacionaram, seja sexualmente, com família ou amigos. Nós temos as redes sociais e apps em nossas mãos e acreditamos fielmente que eles são o futuro e que eles vieram para nos ajudar em tudo; Mas infelizmente não é bem assim, por mais que há benefícios em todas as tecnologias nós não sabemos usa-la sem afetar nossos relacionamentos interpessoais e o livro, no caso, falha em tentar mostrar isso. Primeiro com o relacionamento de Sloane, onde eles não fazem sexo há quase dois, onde não há palavras de amor, apesar de Roman admirar a mulher que está a seu lado e defender suas ideias. Segundo com o relacionamento familiar de Sloane, que ruiu completamente com ela sempre agindo na defensiva e evitando sua mãe e sua irmã. Ela percebe que foi deixada de lado mas nunca tentou mudar isso.

Eu gostei bastante da temática do livro, porém o decorrer da história me fez sentir que não havia nada crível ali. A personagem não é cativante e senti uma falta de narração em primeira pessoa para tentar entender um pouco mais suas ideias, tanto as antigas quanto as atuais. A autora quis contar uma boa história, mas não soube desenvolver a personagem que nos faria conhecer essa história, então como leitora senti mais o livro só tentou criticar a evolução tecnológica e a falta de conexão entre as pessoas, mas não se sustentou ao exemplificar com uma pessoa.

Leitores desse blog sabem que o que mais aprecio na literatura são os personagens, inclusive os secundários; E eu odeio quando os autores não desenvolvem um único personagem direito. Falo isso agora pois nesta obra nem os personagens secundários acabam cativando os leitores. Ela colocou ali um carro tecnológico com uma IA chamada Anastacia e que poderia ter uma relevância na discussão e a única coisa que ela faz é "medir a pressão" de Sloane e fazer café no carro. Exemplos na literatura de relacionamento entre IA e ser humano não faltam e infelizmente a autora não soube desenvolver com base nesses exemplos (tô supondo que ela tenha essas referencias).

Enfim, gente... O livro é muito interessante, principalmente pensando no contexto pré-pandemia onde algumas coisas dali realmente estavam a ponto de acontecer. Com a quarentena acho que nossas relações pessoais vão mudar de acordo com a nova previsão de Sloane e isso é uma coisa boa. Podemos usar tecnologias mas de forma consciente, né?

📚
Título: (Des)conectados (Touch) • Autora: Courtney Maum
Editora: Record • Tradução: Caroline Simmer

Resenha: Do que Estamos Falando Quando Falamos de Estupro

junho 10, 2020

Sohaila Abdulali  é a primeira mulher indiana que em meados dos anos 80 foi estuprada por quatro homens desconhecidos na frente de seu melhor amigo e teve coragem de falar sobre isso. Como bem exemplifica a autora uma semana após ela ter sido estuprada leu uma história no jornal sobre uma mulher que também foi vitima de estupro coletivo, enquanto estava passeando com o marido, e no dia seguinte ao voltar para a casa se matou para não desonrar a sua família e o próprio nome. Situações como essas são bem comuns em países do oriente, entretanto Sohaila tem o que a maioria das mulheres não tem: uma família que a apoia sem julgamentos. Pode parecer estranho, por se tratar de uma família religiosa e conservadora, mas apesar disso eles sabem que a culpa não é da vítima pelo abuso sofrido.
Na Índia, o estupro em comunidades fechadas é, na realidade, uma das justificativas para o casamento de crianças. É melhor que a garota vá morar com os pais e parentes do noivo enquanto ainda é virgem, e que seja legalmente estuprada, do que um tio ou vizinho chegar primeiro.

Por mais que Sohaila tenha uma história para contar ela não passa o livro focando em si mesma, pois existem tantas nuances e diferenças de estupros, abusos e vitimas que poderiam ser escritos vários e vários livros para abordar cada um dos temas. Um ponto especifico que eu poucas vezes havia parado para refletir é a respeito dos homens que são estuprados e em como isso afeta sua vida. Há neste livro um homem especifico que levou anos para superar seu abuso e enfim construir sua vida e uma afamilia de forma saudável e uma tragédia acabou levando a filha dele, de apenas 9 anos. Este homem, apesar de sofrer tanto pela sua perda ainda explica que o abuso foi muito pior, pois ele não tinha ninguém para consola-lo, ele não tinha ninguém para dividir essa tristeza. Claro que em nenhum momento ele disse que não sofre pela morte de sua filha, mas que neste caso a dor é dividida com sua esposa, parentes e amigos, é uma rede de apoio com essa tragédia e nós sabemos que muitas vitimas de estupro nunca contam a ninguém que foram estupradas, entende?

A autora pode, para alguns, criar uma pequena polemica ao falar sobre a humanidade dos estupradores, mas ao argumentar conosco ela é muito especifica sobre o que quer dizer e, mais uma vez, é um ponto de vista que eu nunca tinha refletido. Nós temos costume de enxergar esses homens como monstros, mas o que eles são é nada mais do que seres humanos que tem uma escolha a ser feita: estuprar ou não estuprar. E eles escolhem a primeira alternativa, isso não faz deles monstros, mas fazem deles pessoas más que precisam ser julgadas como tal. Presumir que eles são monstros é tirar a responsabilidade deles como seres humanos ao tomar uma decisão. Seu embasamento se da, principalmente, com o relatos do caso Thordis e Tom (resumindo Thordis foi estuprada por Tom quando tinha 16 anos e 9 anos depois eles passaram a se corresponder por e-mail onde ele admitiu o que fez com ela e contou sobre o quanto isso o assombra; eles escreveram um livro juntos).

Esse é um livro importante para o contexto social e mesmo que ali não tenha nenhuma história de uma brasileira ainda assim devemos considerar todos os casos próximos a nós, já que no Brasil a cada 11 minutos há uma denuncia de estupro e nós temos aqui nossa própria cultura de estupro, além de atualmente um governo que claramente não respeita das mulheres e suas decisões. É um livro muito necessário para exemplificar todas as formas de estupro e abusos, e todas as formas que os estupradores e abusadores são visto na sociedade. As únicas que, raramente, são vistas com ambiguidade são as vitimas, não importa em qual situação.

📚
Título: Do que Estamos Falando Quando Falamos de Estupro (What We Talk About When We Talk About Rape)
Autora: Sohaila Abdulali • Editora: Vestígio • Tradução: Luis Reyes Gil


 
Copyright © @kzmirobooks. Designed by OddThemes