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Resenha: As Mil Partes do Meu Coração

setembro 18, 2020

É sempre muito prazeroso ler algo da Colleen Hoover e via os leitores comentado deste livro antes de ele ser lançado no Brasil (e seu título original eu adoro), dai quando saiu aqui eu fui logo lendo, mas a resenha demorou para sair no meu blog pois acabei colocando outras coisas na frente (tipo mais de um ano). De todo modo eu estava esperando um romance mas ela me proporcionou um drama, uma história de auto-reconhecimento, uma família, que eu nunca imaginei que leria nesses últimos tempos.

Merit é uma adolescente que se sente completamente excluída da sua família e até mesmo da sociedade. Um dia ela decide simplesmente abandonar a escola e não se surpreende quando se da conta que ninguém em sua casa (no caso os adultos) notou essa decisão. No meio de tudo isso ela conhece Sagan, que é o suposto novo namorado de sua irmã (gêmea) e Luck, o irmão da sua madrasta — que por acaso se chama Victoria, assim como a mãe de Merit (que mesmo sendo divorciada do pai ainda mora sob o mesmo teto). Sério, lendo assim parece uma confusão daquelas de sessão da tarde mas garanto que o buraco é muito mais em baixo.

E eu amo a Colleen Hoover por fazer esses dramas que confundem nossa cabeça de inicio mas que tudo vai se encaixando ao longo da história. Ela é a autora que sabe como prender um leitor até mesmo no tipo de história que esse leitor não está tão interessado (na época eu nem curtia drama familiar). O desenvolvimento que os personagens tem nessa obra é excelente, principalmente Merit, que ao longo do livro vai descobrindo coisas sobre si mesma que antes negava completamente e dessa forma ela percebe que parte do problema de sua família também é ela e sua personalidade e, claro, tenta reverter um pouco dessa situação, mas como as coisas não acontecem por um milagre é claro que no final envolve ajuda de profissional nisso tudo.

Eu não gostei muito da tradução do livro para o português. Pode-se ver que o nome original tem o nome da protagonista que também há uma tradução literal para nosso idioma (assim como a irmã dela, que se chama Honor). E combina muito mais com a história. Mesmo que houvesse uma tradução literal e que alguns iriam reclamar iria ficar perfeito com os acontecimentos do livro. Enfim, um assunto polemico de tradução e que não faz diferença no prazer da leitura.

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Título: As Mil Partes do Meu Coração (Without Merit) • Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera Record • Tradução: Ryta Vinagre
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Uma graphic novel sangrenta: Lady Killer

setembro 10, 2020
Editora darkside, Darkside books

Apesar de não ser uma leitora de graphic novels é impossível não querer ler essa edição de Lady Killer lançada pela Darkside. As ilustrações estão maravilhosas e as cores super chamativas, é basicamente tudo que um bom encadernado precisa ter para, no minimo, chamar a atenção.

Nesta obra temos Josie, uma dona de casa bem sessentista que é o tempo todo vigiada pela mãe de seu esposo, uma velha alemã rabugenta. Nada do que Josie faz está certo ou bom. O que a velha não sabe é que além de dona de casa Josie é uma assassina de aluguel há mais de quinze anos e ama essa profissão que esconde de todos.

No inicio eu achei que a história seria de uma serial killer que vive se escondendo na fachada de uma família perfeita, mas fico feliz por estar enganada. A trama segue muito mais a questão de profissão x família que, até hoje, temos nas pautas femininas e é super bem abordado na obra. Como disse anteriormente há a sogra chata que julga o tempo inteiro as habilidades de mãe e esposa de Josie, assim como temos um companheiro de trabalho "garanhão" que acha que tem liberdade com a moça, fazendo algumas insinuações sexuais e, claro, aquele chefe machista que acredita que uma mulher não pode fazer o seu trabalho corretamente simplesmente porque tem uma família e filhos. Essas abordagens são sutis na obra e não é o foco, porém se continuar essa abordagem nos próximos volumes irei gostar bastante.

Além do background tem a história de Josie, que começa com uma bela moça se passando por vendedora de Avon e matando uma senhora em sua cozinha. À partir dai acompanhamos a missão que Josie terá de matar uma criança, cujo os pais já foram assassinados, e sua luta interior em decidir se irá ou não cumprir essa ordem. Neste ponto fiquei curiosa para saber o motivo dos pais do garoto terem morrido e a necessidade de a própria criança ter que morrer. Talvez seja explorado, ou talvez não seja um ponto tão importante, já que tudo diz respeito as atitudes de Josie com sua missão.

Existe uma grande quantidade de sangue, obviamente, e nessas horas eu fiquei muito maravilhada com as ilustrações. É tudo muito bem feito e as cores são incríveis. Adoro ilustrações bem contrastadas quando devem ser e claro que Lady Killer pede esse tipo de pintura pela história que nos dá. A edição é linda e vale por si só; no final temos alguns esboços da autora e capas alternativas. Vale a leitura.

Título: Lady Killer (Lady Killer) • Autores: Joëlle Jones e Jamie S. Rich
Editora: Darkside Books • Tradução: Raquel Moritz 

"Um Amor Incômodo" e as lembranças da primeira infância

setembro 04, 2020
Pode ter certeza que a primeira infância é uma das épocas mais nebulosas de nossas vidas. Muitas vezes acreditamos ter passado por alguma experiencia, mas que não tenha passado de uma peça pregada por nossa mente. Em alguns casos há traumas, medo de algum bicho, ou pessoa, só pelas lembranças estranhas que temos dessa época. Apesar de nem todas as lembranças ou medos fazerem sentido é na primeira infância que está um marco do desenvolvimento do ser humano, seja o motor ou psicológico, e é justamente sobre isso que o livro Um Amor Incômodo da autora Elena Ferrante irá tratar.

Na primeira obra escrita pela enigmática autora italiana somos apresentados a uma mulher de meia idade que logo nas primeiras páginas percebemos que tem uma relação conturbada com a mãe. Para mim deu a impressão da filha ter um desprezo pela mulher, mas que não entende muito bem o motivo. Entretanto com a morte de sua mãe ela precisa cuidar dos ajustes do velório e a desocupação da casa em que ela morava sozinha. Parece ser uma obra dramática essa morte, porém Amalia (a mãe) morreu de uma forma um tanto misteriosa e em busca de respostas Délia (a filha) terá que buscar em suas memórias mais antigas lembranças sobre essa mulher que lhe parecia tão repugnante.

Após a leitura da obra procurei algumas resenhas para assistir no ytube e vi pessoas falando sobre essa livro de uma forma não tão positiva. Talvez por essas pessoas conhecerem outros livros da Elena Ferrante ou por simplesmente não terem gostado, mas particularmente eu amei o livro. Uma mistura de drama com suspense que até onde eu me lembro nunca li antes e principalmente que me deixou presa nessa história com medo do que poderia acontecer com Delia ou pior ainda, uma descoberta totalmente inesperada. Acho que quando pensamos em suspense sempre esperamos um plot twist, mas isso não ocorre aqui, apesar de ter sim uma surpresa no final que alguns poderiam até prever (mas eu não, sou lerda). Este é um livro que irá falar muito sobre relacionamento entre mãe e filha e mais ainda sobre como as filhas se espelham nas mães, desejam ser suas mães, e não entendem (ainda mais na infância) que nós não somos nossas mães.

A história se passa em meados dos anos 90, mas alguns fatos se passam em meados dos anos 50 em uma cidade no interior da cidade onde vemos personagens muito característicos do esteriótipo italiano que conhecemos hoje em dia. O marido de Amalia era um homem extremamente violento e o medo dele era visível em Delia mesmo na vida adulta; Era um homem que desconfiava da própria sombra e descontava tudo na esposa, acreditando que ela era a culpada de seus erros, de sua desgraça, e principalmente acreditando que ela era uma adultera. Enquanto Amalia era somente uma jovem que queria ser feliz, que sentia vontade de socializar com outras pessoas e rir livremente; Mas sofrendo tanto nas mãos desse homem em certo momento foi embora com as três filhas para tentar ser feliz. Não acho que Delia seja ressentida da mãe por isso, mas ela se ressentiu da mãe por outra coisa que nem ela se lembra, e mais do que isso ela se ressente por ter desejado ser sua mãe quando na verdade deveria ser apenas uma criança de 5 anos.

Para ele, aquela risada parecia açúcar espalhado de propósito para humilha-lo. Na realidade, Amalia só procurava dar vozes as mulheres de aparência feliz fotografadas ou desenhadas nos cartazes e revistas dos anos quarenta: boca larga pintada, todos os dentes cintilantes, olhar vivaz. Era assim que imaginava ser, e dera a si mesma a risada adequada. Deve ter sido difícil para ela escolher o riso, as vozes, os gestos que o marido podia tolerar. Nunca era possível saber o que era permitido ou não.

Além do relacionamento familiar de Delia um paralelo é sobre um homem misterioso que seria amigo intimido de Amalia e com quem ela estaria no momento de sua morte: Caserta. Delia lembra dele de sua infância e acredita que tenha visto os dois juntos naquela época então saber que esse homem está de volta na vida da sua mãe é muito perturbador, principalmente porque só a menção do nome dela era causa de tantas e tantas vezes que Amalia foi espancada pelo marido. De modo geral o livro é uma caçada de Delia até encontrar esse homem e confronta-lo para saber o que havia entre ele e sua mãe, só que mais do que isso são as lembranças de Delia retornando aos poucos sobre aquela época. Caserta é um homem misterioso e em poucos momentos sabemos realmente o papel dele na vida de Delia, considerando a sua infância, mas ao mesmo tempo ele é extremamente importante com tudo vindo a tona.

Eu não sei se esse é ou não o pior livro da autora, pois ainda não tive outras experiencias, mas posso afirmar que gostei muito dessa obra e principalmente sobre essa premissa de trabalhar com as lembranças da primeira infância, que muitas vezes não lembramos de nada e quando as coisas vem a tona acabamos ficando surpresos com o que nossa mente esconde para nos proteger.

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Título: Um Amor Incômodo (L'amore Molesto) • Autora: Elena Ferrante
Editora: Intrínseca • Tradução: Marcello Lino

Resenha: Passarinha

setembro 02, 2020

Há um bom tempo queria ler Passarinha, mas nunca surgiu a oportunidade. Quando fui parceira da Valentina o livro não estava disponível para solicitação e acabei que nunca comprei, até que assinei o KU e vi que ele estava disponível e para unir o útil ao agradavel o livro foi a escolha do mês para a leitura coletiva da Abandonados da LC.

Passarinha é um livro emocionante e que não da margem para o leitor se sentir despreparado, até pelo contrário. Caitlin tem 10 anos e é portadora de Síndrome de Asperger e recentemente perdeu seu irmão mais velho, o único que a entendia e a ajudava a compreender melhor o significado das palavras e atitudes das pessoas.


Quando iniciei a leitura de Passarinha achei que ser um livro triste sobre a condição da protagonista e principalmente sobre a morte de seu irmão, mas me surpreendi ao ver uma história delicada sobre uma criança aprendendo a lidar com o luto não apenas pessoalmente, mas de seu pai e de toda uma cidade. Caitlin está sempre aprendendo coisas novas, como a sentir empatia, palavras de educação e o quanto essas coisas podem ser benéficas para a sua convivência em sociedade, mas infelizmente nem sempre funciona como ela planejava já que sua maneira de entender tudo tão literalmente pode atrapalhar ao conversar com as crianças que não tem asperger. Enquanto lida com o luto Caitlin perceber que precisa encontrar um desfecho, não apenas para saber o significado dessa palavra mas para a vida e assim poder seguir em frente junto de seu pai.

O livro é lindo, delicado e um grande aprendizado. Foi minha primeira experiencia lendo uma obra onde a protagonista tem asperger e mesmo sabendo como é a síndrome é diferente ao ler algo em primeira pessoa. O modo como eles vêem e entendem o mundo é tão diferente e única e ao mesmo tempo difícil de compreender para quem esta de fora (nisso eu entendo um pouco o pai dela) que eu cheguei a conclusão que quem precisa ter empatia somos nós "normais" (entre aspas, pois Síndrome De Asperger não é nada anormal) para entender melhor as outras pessoas e todas as suas diferenças.

Passarinha é um livro curtinho e de fácil leitura, apesar de parecer que tem um tema mais pesado a autora soube deixar a história leve para quem quer se emocionar e ao mesmo tempo se sentir feliz pelos personagens. Uma leitura indispensável.

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Título: Passarinha (Mockingbird) • Autora: Kathryn Erskine
Editora: Valentina • Tradução: Heloisa Leal

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Resenha: A Elegância do Ouriço

agosto 26, 2020

A Elegância do Ouriço é um livro que estava em minha de leitura há alguns meses e pensa na minha tristeza após a finalização desse livro me dar conta que eu demorei demais para inicia-lo? Ficou estranha frase, né? Mas acho que deu para entender.

Esse livro é incrível. Posso ter falado isso de outros livros e juro que foi de coração, mas agora sei que poucos livros superam esse livro que eu vou categorizar como "dramédia". Pode parecer meio boba assim, mas vai por mim, A Elegância do Ouriço é tipo de livro que irá  fazer o leitor rir e se sentir triste por saber o quanto a elite é ridícula, preconceituosa e presunçosa (não que não saibamos disso, mas parece que não nos importamos no dia a dia).

O livro é narrado por duas personagens: Reneé, a concierge de um condomínio de luxo em Paris e Paloma, uma jovem de 12 anos que mora nesse condomínio. Reneé é uma mulher extremamente simples, mas muito, muito inteligente. Ela ama ler romances, livros de história e filosofia. Uma mulher extremamente culta, mas que esconde isso de todas as pessoas que moram no condomínio. Ela quer que eles a vejam apenas como a porteira, a mulher de recados, e não se imagina nem perdendo tempo com essas pessoas que são tão mesquinhas que nunca nem imaginariam que ela é mil anos mais inteligente do que todos eles juntos; Assim como Paloma, que com apenas 12 anos se faz de débil para seus familiares e na escola pois sabe que a sua inteligencia ali naquele meio só irá chamar a atenção das pessoas de uma forma errada, além do mais pelas suas observações acredita que a vida adulta é extremamente chata e desprezível e por isso planeja se matar no dia de seu aniversário de 13 anos.

A Elegância do Ouriço vai falar sobre como a elite acredita estar no topo da cadeia alimentar e que claramente, principalmente por meio da narração de Reneé, estão longe de ser isso. Reneé vê aquelas pessoas diariamente a tratando como nada somente por ela ser uma funcionária do codomínio; pedem para ela fazer trabalhos que não lhe pertencem e até em horários que ela esta fora de trabalho, sem falar que vão toda hora no apartamento dela para tratar de assuntos irrelevantes. Honestamente, se eu fosse Reneé eu teria dado no pé ao invés de ficar aguentando aquelas pessoas, mas apesar dos pesares ela gosta da sua vida ali e tem por perto uma amiga muito querida, com quem compartilha seus pensamentos sem medo de ser feliz e apesar de Manuela não entender muito das coisas que ela fala as duas se dão super bem.

O ponto em que a história vai para um novo caminho é quando um novo morador se estabelece no condomínio e atiça a curiosidade de todos ali. Paloma ama cultura japonesa então vê essa oportunidade de conversar com alguém que pode compartilhar desse mesmo gosto (o novo morador é japonês) e Reneé, que inicialmente não demonstra interesse no homem acaba deslizando em seus disfarces e descobrindo ai uma nova amizade, que por sinal se torna uma amizade muito linda entre os três.


Uma obra que me emocionou e me alegrou, que me botou para refletir sobre o quanto a vida adulta é um pouco chata e principalmente em como gostamos de achar que sabemos mais do que realmente sabemos sobre as coisas. Além de ser muito rico em cultura e diálogos divertidos.

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Título: A Elegância do Ouriço (L'élégance du hérisson) • Autora: Muriel Barbery
Editora: Companhia das Letras • Tradução: Rosa Freire Aguiar

Primeiras impressões de Sol da Meia-Noite

agosto 13, 2020

 

Livro Sol da Meia-Noite, saga Crepúsculo 2020
Não tenho costume de fazer postagem para primeiras impressões de livro, mas como ando em um ritmo de leitura tão lento acabei optando por testar esse tipo de post com alguns livros específicos. Sol da Meia-Noite parece ser um livro interessante, já que há uma grande parte de pessoas que compraram e devoraram e outra que ainda não decidiu, ou acabaram dando ouvidos para criticas sobre a qualidade física do livro. 

Eu nunca falei de Crepúsculo aqui no blog pois quando o criei eu já tinha "passado" da minha fase Srta. Cullen, entretanto sempre tive um carinho especial por essa Saga pois foi com ela que acabei, de verdade, me interessando pelos livros fora do ambiente escolar (não que a minha escola exigisse livros para leitura, mas ainda havia uma certa pressão). Ainda me lembro de quando conheci o livro através de uma comunidade de Orkut onde as fãs estavam loucas pois tinha sido divulgada a primeira imagem oficial do filme. Eu tinha 16 anos e mesmo sendo uma jovem fã de metal eu me vi viciada no vampiro brilhante por alguns anos. Então é claro que fiquei feliz por, finalmente, Steph resolver finalizar e lançar esse livro. A nostalgia e a necessidade que muitos fãs daquela época tem de sentir novamente aquele amorzinho é muito bom e mesmo com todas as problemáticas da história ainda podemos exaltar essa Saga que fez parte da vida de tantas pessoas.

Li um pouco mais de 120 páginas até o momento, então nada muito relevante aconteceu na história. Digo isso pois até o momento foram páginas e mais páginas de Edward pensando e se lamentando por não escutar Bella, chorando as mágoas pois o sangue dela tem o melhor cheiro, com medo de ela morrer, descobrir que a ama e pedir para ela ficar longe dele. Não necessariamente nessa ordem, mas esses são os eventos principais. Claro que a escrita de Steph está ótima, pois sempre que pego o livro na mão acabo lendo sem parar por uma hora, mas esse meu ranço por Edward (sempre foi uma relação de amor e ódio entre nós dois) vai me deixando irritada com a história que pode se desenrolar. Ainda não cheguei na parte favorita dos fãs, como a cena da campina, mas já tô imaginando como vai ser essas páginas e mais páginas de monólogo do Edward sobre o perigo que Bella corre por ele ser um vampiro. Apesar de fazer uns 10 anos desde que li Crepúsculo pela última vez eu ainda lembro que a narração de Bella era muito mais interessante e dinâmica.

Provavelmente ainda vou levar um bom tempo para finalizar a leitura, pois tô com uns textos da faculdade para ler e o Edward não tá me ajudando muito. Mas tô bastante feliz por viver na mesma era de Steph Meyer e poder contemplar essa Saga simultaneamente.

"Verity" e a manipulação da verdade

agosto 05, 2020

Colleen Hoover é uma autora amada por muitos e odiada por alguns. Seus livros sempre tratam de temas polêmicos e incômodos, isso em livros de romance. Como uma grande fã da autora eu nunca imaginaria que poderia ler um thriller psicológico de sua autoria e quando soube sobre Verity fiquei com receio de acabar me decepcionando com a autora e torcendo para ela nunca mais se arriscar fora dos romances, entretanto minhas expectativas foram superadas e eu afirmo desde já que Verity é um ótimo suspense e que tem todas as caracteristicas da CoHo que seus leitores já conhecem.

Lowen é uma escritora de suspenses que não faz muito sucesso e foi convidada a ser co-autora dos dois últimos livros da série de sucesso escrita por Verity, uma renomada autora que está em estado vegetativo após um acidente de carro. Para poder fazer esse trabalho ela passa alguns dias na casa de Verity, onde estão o marido e filho além das lembranças doloridas do falecimento das duas filhas (gêmeas). Entre um desejo de terminar tudo logo, somente para pegar a grana que ela tanto precisa, e atração que sente por Jeremy (marido de Verity), Lowen acaba encontrando um manuscrito de uma autobiografia de Verity que irá revelar alguns segredos da autora e de seu casamento que ninguém esperaria encontrar.

O livro é narrado entre o presente, pelo ponto de vista de Lowen, e pela autobiografia de Verity. De certo modo em alguns momentos durante a leitura eu senti uma certa semelhança com Garota Exemplar, com a ideia de manipulação e nos guiar para um caminho que pode ou não ser o correto. Verity é uma personagem muito assustadora, seja em seu texto ou em suas raras aparições pela casa quando a enfermeira a leva para dar uma volta. Sua presença, por si só, pode assustar pelo modo como ela está doente, causando uma sensação de empatia e ao mesmo repulsa dependendo de qual nível de leitura você esteja. Eu amei esse elemento neste livro, pois tudo que eu desejo quando leio um suspense é justamente a apreensão dos próximos acontecimentos, a antecipação de qual momento será até mesmo assustador. Acho que CoHo deveria escrever mais suspenses daqui em diante.


Como eu disse no início CoHo sempre escreve sobre temas polêmicos e incômodos e aqui não foi diferente, principalmente na parte que nos incomoda. A leitura dos textos de Verity causam enjoo e ódio, cheios de passagens de sexo (não do jeito que as leitoras gostam) e principalmente sobre seu ressentimento em relação as filhas por terem "roubado" Jeremy e seu amor. Verity é extremamente obcecada pelo seu marido e até certo ponto odeia suas filhas. Quando passa a gostar de uma acaba menosprezando a outra até chegar a um ápice trágico.

É claro que minhas partes favoritas foram do manuscrito de Verity, mas é justamente o presente que da todo o tom do livro. Lowen tem problemas com sonambulismo, toma xanax, e sua falta de sono acaba prejudicando seu raciocínio lógico para algumas coisas. Sua atração por Jeremy também não é nada bacana e é muito estranho mesmo o que acontece entre eles enquanto a esposa dele está praticamente a beira da morte no andar de cima. Contudo isso nos obriga a ver a história de um modo diferente, pois como sabemos tudo é sempre culpa do marido, certo? Aqui Lowen nos faz ver Jeremy como um homem perfeito e devoto a sua família, que ainda sofre pela perda das gêmeas e lida com a esposa como se ainda a amasse apesar de sua condição. Honestamente eu adoraria ver a história nos guiando para odiar Jeremy, mas seria tão previsível que amei o modo como CoHo conduziu esse aspecto da história.

Acredito que o livro teria sido muito melhor se um certo suspense da trama não tivesse sido descartado tão cedo, (apesar de a autora não ter descartado de cara, ainda era óbvio que acabaria acontecendo isso). Um bom livro de suspense não é nada sem um final surpreendente e por eu não ter gostado de uma coisinha no final eu acabei não dando 5 estrelas no Skoob, mas é todas as minhas teorias estavam erradas e fico feliz por isso.

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Título: Verity (Verity) • Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera Record • Tradução: Thais Britto

"Misto Quente" e problematização dos clássicos

agosto 04, 2020

Eu nunca imaginei que um dia em minha vida leria Bukowski, isso porque sempre achei as capas de seus livros nada interessantes e os títulos também. Eu comprei Misto Quente para meu namorado há uns dois anos e ele nunca finalizou a leitura por ser mais fã de jogos do que de livros, e ai então eu acabei lendo ele por uma mini dele. De início achei a leitura bastante tranquila, apesar de uma problemática familiar absurda na história. Ao ler algumas coisas sobre o autor vi que esse livro tem uma pincelada autobiográfica, então o livro teve seus pontos interessantes. Infelizmente Misto Quente não é livro que eu indicaria aos meus amigos, mas eu indico para quem precisa sair um pouco da zona de conforto. Até mesmo por que foi justamente o que aconteceu comigo, mesmo sem eu saber até uns 30% do livro.

O livro irá contar a infância e adolescência de Henry Chinaski, um jovem alemão que vive nos Estados Unidos no período da depressão e pré Segunda Guerra. Sua família é rude em todos os aspectos que se possa imaginar. Com um pai extremamente abusivo Henry acaba passando grande parte de sua infância sendo açoitado por motivos mais absurdos, como não cortar a grama na milimetrarem que seu pai exige. Sua mãe é uma mulher submissa ao marido e por esse motivo nunca se impôs a respeito do que ele fazia com seu filho e tantas vezes o apoiava (não soube identificar se era por medo ou por concordância). Então não é nenhuma novidade falar que Henry não cresceu em um ambiente acolhedor e amoroso, um ambiente em que os pais prezam pelos filhos e sua felicidade. Esse comportamento de seus pais acabou se refletindo então na pessoa que Henry foi se tornando conforme seu desenvolvimento, na infância e pré-adolescência principalmente. Ele era um jovem que não sentia afeto por ninguém e por isso nunca teve um amigo de verdade; Todos os garotos que tentavam se aproximar dele de alguma forma em algum momento eram afastados pelo jeito brigão do garoto.

Particularmente gosto de histórias assim, pois vejo como uma critica e um reflexo de uma sociedade em que eu não conhecia, ainda mais em um período tão difícil quanto as consequências da crise de 29. Por um lado é curioso colocar em comparação a infância de Henry (que por acaso é a infância de Bukowski) e a infância de Maya Angelou (que foi mais ou menos na mesma época, e eu estou usando a Maya como referencia pois eu li a autobiografia dela então é o que eu posso comparar no momento). Os dois tiveram uma infância extremamente complicada. Ele por ter uma família abusiva e Maya por ter sofrido abuso, além de ser negra e não ter sua família respeitada por isso. E para mim é até bizarro pensar que pessoas como Henry e sua família eram justamente o tipo de pessoas que oprimiam pessoas como Maya Angelou. E eu falo isso já afirmando que o livro irá ter muitos diálogos racistas, passagens em que um detalhe pode passar despercebido mas que podemos ver o racismo ali. Tem também homofobia e muito, mas muito, muito machismo. 

Eu não sei dizer até que ponto a problematização de um livro com teor autobiográfico pode ser feita e vou dizer que entendo que naquela época era muito comum esse tipo de atitude das pessoas em geral, não somente desse autor mas também de muitos outros. Só que não muda o fato de que é incomodo. Principalmente falando como mulher e lendo todas as vezes que Henry afirma que uma mulher (adulta ou não) quer ele, que ela tem intenções com ele, ou que ela é uma puta só por que está usando saia ou algo assim. Para mim foi horrível ler uma passagem onde um amigo de Henry irá transar com uma garota e bate nela, do nada, provavelmente por achar que é assim que os homens fazem sexo (nessa época eles tinham mais ou menos uns 12 anos). 

Me sinto culpada pelos momentos em que o livro me fez rir com as situações absurdas. Vi algumas criticas e em uma delas a booktuber dizia que morria de rir, que o livro é hilário e eu fiquei muito chocada com isso. Pois por mais que tenha sim alguns momentos engraçados, e esses momentos geralmente são quando Henry faz alguma merda no trabalho, ou bebe além da conta e arruma briga por motivos idiotas, ele não é um livro "hilário". Misto Quente não é um livro com intenção de ser engraçado, pelo menos ao meu ver, mas um livro que deseja tirar todas as máscaras de uma sociedade doente, uma família que sendo parte dessa sociedade ela é tão doente quanto e o circulo vicioso poderá se repetir eternamente e no meio de tudo isso há um jovem que (sendo ele o autor) irá se salvar com alguma forma de arte (Henry acaba escrevendo poemas, contos e tenta escrever romances).

– Você vai comer sua comida! – disse meu pai – Sua mãe preparou essa comida! Você vai comer cada cenoura e cada ervilha em seu prato!
(…)
Comecei a comer. Era terrível. Sentia como se os estivesse comendo, comendo as coisas em que acreditavam, aquilo que eles eram.”

Misto Quente é um bom livro? Bom, não sou uma critica profissional, mas como opinião pessoal eu honestamente não me senti realmente apaixonada pelo livro. Mas talvez seja isso mesmo, um livro em que você não goste, você não se apaixone, mas que você leia e sinta raiva das pessoas e da sociedade que há corrompe, um livro em que todos os confortos serão deixados de lado.

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Título: Misto Quente (Ham on Rye) • Autor: Charles Bukowski
Editora: L&PM Pocket • Tradução: Pedro Gonzaga

Resenha: O Dia em que Selma Sonhou com um Ocapi

julho 27, 2020

Ano passado recebi um presentinho de aniversário: Uma caixa da TAG inéditos. Como boa leitora que sou procrastinei por quase um ano até ler o livro da minha caixinha, mas agora que o fiz eu só posso dizer que deveria ter lido antes, pois assim estaria amando essa história há mais tempo.


Quando Selma disse que tinha sonhado com um ocapi durante a noite, estávamos certos de que um de nós haveria de morrer, provavelmente nas vinte e quatro horas seguintes.

O Dia em que Selma Sonhou com um Ocapi é um livro sobre relações e em como essa rede de pessoas que vivem ao nosso redor nos fazem ser quem somos, nos fazem ser pessoas melhores ou simplesmente não nos mudam. Este é um livro emocionante como nenhum outro que eu tenha lido, pois ele não precisa de uma carga dramática para mexer com o leitor (apesar de ter essa carga dramática, afinal alguém morre), ele simplesmente mexe com o leitor pois podemos perceber ali naquelas histórias um pouco de nós mesmos.

O livro é narrado por Luise, neta de Selma, desde a infância até a vida adulta. Ela é uma pessoa que foi moldada após ter perdido alguém ainda na infância,logo depois da terceira vez que Selma sonha com um ocapi. Então vemos uma moça tímida, travada como ela mesma diz, que sente um certo abandono por parte dos pais, mas muito amada por Selma e o oculista, um senhor que é secretamente apaixonado por Selma e pode-se dizer que ele representa a figura de um avô para Luise.

Quanto mais velho fico, mais acredito que fomos inventado apenas para você.

A cidade ficticia onde Luise vive é no interior da Alemanha, então todos ali se conhecem. Quando Selma sonha com um Ocapi a fofoca corre pela cidade e todos se preparam para o pior. Segredos são revelados, os apaixonados se declaram, e quem tem medo de morrer tenta nem sair do lugar no dia, mas quem quer morrer fica esperando a morte entrar pela porta e deixa uma janelinha aberta para a alma conseguir ir para o céu de forma tranquila. Quando o pior acontece todos ficam devastados, principalmente Luise, pois era alguém tão próximo a ela que essa morte sempre será carregada em sua vida, essa pessoa sempre será lembrada em seus melhores e piores momentos. É muito triste pensar que tão jovem ela tenha passado por algo tão terrível e por mais que o livro já avise na primeira frase de que alguém irá morrer ainda assim não tem como se preparar para algo tão terrível.

Apesar de Luise ser a narradora da história e a personagem principal o que eu senti que é que toda a cidade é protagonista desse livro, pois eles são muito descritos quando se trata de suas histórias pessoas, sentimentos e até algumas atividades do dia a dia. É como se Luise fosse uma narradora onipresente e onisciente da vida e dos sentimentos das pessoas ali. Pode parecer estranho um pouco, mas gosto da forma como ela nos dava as informações, pois não dava a impressão de que ela só sabia do fato mas sim que quem viveu aquilo contou a ela em algum momento. Então não foi estranho, por assim dizer.

Outra coisa que eu amei muito na história foram os diálogos. Acho lindo diálogos entre jovens e adultos, adultos e idosos, e jovens e idosos. Todos ali conversam de igual para igual e eu sei que isso foge da realidade, mas gosto muito da forma como o oculista fala com Luise sobre coisas da vida como se ele também estivesse aprendendo com ela enquanto ela aprende com ele, sabe? Pois eu acredito que a vida é assim: um constante aprendizado. Sem falar que os diálogos tem um jeito filosófico que eu adoro.

Okapi: O ocapi, é um mamífero artriodáctilo nativo do nordeste da República Democrática do Congo na África Central. Embora o ocapi tenha marcas listradas reminiscentes de zebras, é mais estreitamente relacionado com a girafa. O ocapi e a girafa são os únicos membros vivos da família Giraffidae.

O Dia em que Selma Sonhou com um Ocapi já se tornou um dos meus favoritos do ano e espero que em breve esteja disponível para compra para quem outras pessoas conheçam essa história.

Título: O Dia em que Selma Sonhou com um Ocapi (Was Man Von Hier Aus Sehen Kann)
Autora: Mariana Leky • Editora: TAG Livros / Planeta • Tradução: Claudia Abeling

Resenha: Daqui a Cinco Anos

julho 22, 2020

Há alguns anos tive a oportunidade de ler um livro da Rebecca Serle do qual gostei muito e então quando vi esse anuncio da editora sobre Daqui a Cinco Anos fiquei curiosa com esse novo livro. Vou dizer que Daqui a Cinco Anos tem seu mérito, já que é um livro fácil e rápido de ler, mas no quesito história para mim deixou a desejar. Cheguei a bater um papo sobre ele com meu amigo Alisson do Eita, Já Li e ele me fez até ter um novo ponto de vista sobre o livro que mesmo sendo muito bom ainda não me fez gostar dele tanto quanto eu gostaria.

Dannie é uma mulher bastanta organizada, pragmática até. Tudo na sua vida precisa ser planejado nos mínimos detalhes e nada de surpresas, ela odeia esse tipo de coisa. Há cerca de 3 anos ela namora com David e ele irá pedi-la em casamento em um dia especial, pois Dannie sabe que irá conseguir o emprego de seus sonhos em uma grande firma jurídica. Estava tudo indo muito bem, obrigada, até que ela tem um sonho completamente estranho onde está em um apartamento com um homem estranho e ele é seu namorado. As coisas ali para Dannie parecem totalmente fora dos eixos e ela não consegue viver com essa ideia, acaba procurando até uma terapia para conversar a respeito disso. Os anos se passam e ela nunca planejou seu casamento, mesmo que a vida esteja indo bem no meio profissional em seu relacionamento Dannie ainda está estagnada.Um belo dia sua melhor amiga, Bella, diz que está apaixonada e ao conhecer o rapaz Dannie se depara com o homem de seus sonhos.

Eu não sou de fazer resumos dos livros nas minhas resenhas, mas eu sinto que precisei nesse para tentar expôr de verdade o que senti ao ler esse livro. Dannie é uma boa protagonista, apesar de ser o tipo de protagonista que me irrita pelo seu jeito todo metódico, mas até tudo bem pois ela tem a qualidade de ser uma mulher que corre atrás do que quer, que planeja e faz, sabe? Mas só no trabalho... Em seu relacionamento as coisas estão tão frias que é até triste ver ela e David juntos durante essa história e sinceramente eu não sei se fiquei mais triste por ela ou por ele, pois David é o tipo de namorado/noivo que está ali para tudo sem reclamar, ele apoia, ele torce por ela, ele a ajuda em tudo que ela precisa sem nem ao menos pensar em si mesmo e talvez esse tenha sido o erro do rapaz: deixar de pensar em si em um noivado infinito. O negócio é que Dannie se prendeu nesse sonho por anos, de alguma forma aquilo a afetou que estagnou seu relacionamento com David, o que é uma pena, pois quando ela conhece Aaron (o homem do sonho) ele é o namorado de sua melhor amiga. Mais do que isso, já que ela e Bella se conhecem desde a infância e são praticamente irmãs.

Tudo seria muito mais fácil para os leitores se Bella fosse aquele tipo de amiga manipuladora e/ou abusiva, mas ao contrário, ela é uma personagem espontânea, engraçada, que ama e se preocupa com Dannie. Quando ela apresenta esse novo namorado a Dannie torcemos muito por ela, pois houve um histórico de boy lixo na vida dessa moça então acho que está mais do que na hora de tudo dar certo, e a história passou a desandar a partir desse ponto. Claro que esse não seria um livro de drama e romance se não acontecessem coisas dramáticas, né? Só faltou mesmo o romance, mas nesse ponto vou considerar que a autora quis passar alguma lição aos leitores que eu, aparentemente, não entendi.

Como eu disse anteriormente o livro é bem fácil de ler e por isso eu estava levando a leitura numa boa até cerca de 70% da história, só que a partir dai para mim foi ladeira abaixou por conta de umas decisões que a autora tomou para finalizar a história. Eu, Silviane, fiquei com raiva. Juro. Não tô feliz de admitir isso depois de tantas pessoas elogiando livro então eu sei que o problema é comigo e não com o livro. Vou deixar uma coisa clicável para quem quiser saber o que eu odiei tanto e que me fez odiar o livro.



Enfim, é isso... a resenha não é da melhor e da mais positiva, mas eu não poderia me expressar de forma diferente após o livro não ter mesmo funcionado para mim. Conversei com outras meninas que leram e algumas coisas pensamos semelhantes, mas no geral todas gostaram da história; Então isso só concluo que o problema foi mais comigo e com minha forma de pensar do que com o livro em si. De qualquer maneira é uma leitura a ser feita em um dia.

Título: Daqui a Cinco Anos (In Five Years) • Autora: Rebecca Serle
Editora: Paralela • Tradução: Alexandre Boide

Resenha: Um Mar de Segredos

julho 13, 2020


Ao contrário de 2019, meu ano de 2020 não foi cheio de livros de suspense, então quando acabei vendo esse livro me interessei pelo que ele poderia me proporcionar de acordo com esse tema que eu estava com tanta saudade de ler. Infelizmente a leitura não funcionou para mim como deveria, já que ao meu ver a trama não conseguiu se sustentar o teve um final previsível.

Erin é uma documentarista que esta trabalhando em seu primeiro projeto grande, sua carreira está ótima e seu relacionamento amoroso melhor ainda. Ela está prestes a se casar com Mark e terá a lua de mel dos sonhos, entretanto alguns problemas financeiros começou a prejudicar um pouco do relacionamento deles. Tudo parece que poderia melhorar quando eles encontram uma mala no meio do oceano durante a viagem dos sonhos. Nessa mala encontraram cerca de um milhão de dólares em dinheiro e em diamantes, além de um pendrive suspeito, um iPhone e uma arma. A viagem dos sonhos acabou naquele momento, pois a partir dai o casal apaixonado só pensava no que fazer em relação a isso.

Pessoalmente acho que a trama tinha tudo para dar certo a partir desse ponto, pois a autora soube criar uma história sobre como a mala foi parar no meio do oceano e como os donos desse conteúdo foram atrás do que tinha ali, mas ela se perdeu ao criar a trama de Erin com seu marido e com seu trabalho. Por algum motivo o trabalho dela era importante para o desenvolvimento da história, mas no final não nos levou a lugar nenhum com exceção de um personagem que ali foi inserido. Como leitora lendo isso me senti enganada, mas não do jeito certo que os livros de suspense devem nos enganar.

O pior de tudo foi o relacionamento do casal, que entraram nisso juntos mas ao vê-los intimamente percebemos que a perfeição era somente uma fachada. Mark era abusivo, mas não daquele tipo descarado, sabe? Ele sabia usar as palavras certas, ele sabia como manipular Erin de um jeito que ela ficasse inteira nas mãos dele, da mesma forma que fazia ela se desculpar por coisas que ela não tinha culpa. Foram coisas que nem todo mundo pode acabar percebendo, ainda mais por ser um livro narrado em primeira pessoa e Erin idolatrar esse homem, mas ele é de fato um péssimo companheiro. Começando por destruir seu sonho do casamento perfeito, depois por questionar suas decisões, questionar seu trabalho, manipula-la para que ela acabasse sentindo que estava fazendo as coisas erradas, que estava levando eles diretamente para as mãos da policia e coisas desse tipo. Nesse aspecto a autora não pecou se queria realmente mostrar esse tipo de relacionamento de uma forma diferente.

É uma pena que no meio de uma premissa tão promissora ela não tenha aproveitado melhor as oportunidades de fazer com que fiquemos realmente focados na história. Como eu disse o livro tem um final previsível e os próprios pensamentos de Erin nos entregaram isso durante toda a narrativa enquanto ela se questiona sobre o que esta acontecendo, as pessoas ao seu redor, e suas possíveis paranoias. Talvez o livro funcione melhor para outras pessoas, mas no meu caso infelizmente não deu muito certo.

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Título: Um Mar de Segredos (Something in the Water) • Autora: Catherine Steadman
Editora: Record • Tradução: Clóvis Marques

Um papo sincero sobre "A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes"

julho 06, 2020
A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes

É claro que o anuncio de um novo livro da saga Jogos Vorazes não iria passar batido pelos fãs... exceto que passou. Não como se os fãs da saga não estivessem ansiosos por essa nova experiencia de uma distopia juvenil que fez tanto sucesso, mas convenhamos que ninguém está vendo por ai um "boom" de gente comentando sobre esse livro (provavelmente não tanto quanto a editora gostaria, né?). E o motivo para mim ficou até meio óbvio após minha leitura do livro que se mostrou fraco e desnecessário, mesmo com novas informações.

A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes se passa 10 anos após a primeira edição dos Jogos Vorazes, onde um jovem Snow (aquele que conhecemos como Presidente Snow) está ainda na escola e acabará fazendo parte dos jogos como mentor de uma tributo do Distrito 12, Lucy Gray. No meio de tudo isso Snow acaba se apaixonado por Lucy Gray, que faz parte de um grupo chamado "Bando" que em um comparativo com o que nós conhecemos é quase uma companhia de teatro. A história poderia ser maravilhosa caso não soubéssemos quem Snow irá se tornar, mas é interessante pensar nesse personagem com uma nova perspectiva, principalmente após vê-lo vulnerável, faminto, apaixonado, e na beira da ruína com a pobreza de sua família que ainda tenta manter algum status.

O livro não me deixou feliz e nem surpresa como a trilogia original me deixou há alguns anos quando meu primo falou tanto, tanto, tanto sobre ele que eu acabei cedendo para ler; muito pelo contrário: eu me senti muito decepcionada. É um livro longo que poderia facilmente ser bem mais curto, pois existem tantos momentos que eu senti que houve aquela enrolação que eu sentia sono em vários momentos de leitura. Talvez os capítulos longos tenham influenciado um pouco, mas a forma como a história nos foi apresentada realmente não me satisfez como leitora, sabe? E eu nem vou falar que estava com expectativa altas para a leitura porque seria uma mentira. Eu evitei ler resenhas, assistir a vídeos e comentários sobre a obra para começar a ler isenta de opinião de terceiros e no fim acabei sentido o que algumas pessoas também sentiram: O livro não é necessário para os fãs. Ele tem algumas informações interessantes como a ideia dos mentores nos jogos e da fascinação de Snow por rosas, e até mesmo pode explicar o motivo de ele ter tanto ódio do Distrito 12 e a proibição da música The Hanging Tree, mas essas são informações não necessárias, né? A trilogia estava perfeita sem essas informações.

Infelizmente o novo livro não agrada tanto quanto deveria e, para mim, é mais como um livro para fazer dinheiro encima de algo que já foi muito lucrativo. A fonte não é eterna, então...

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Título: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes (The Ballad Of Songbirds And Snakes)
Autora: Suzanne Collins • Editora: Rocco • Tradução: Regiane Winarski

Resenha: Teto para Dois

junho 29, 2020

Imagem de um livro

Eu morro de medo de um livro ser muito hypado pois, as vezes, ele entra para a minha lista de odiados. Então quando vi a respeito de Teto Para Dois quando ele foi lançado no final de 2019 por mais que estivesse curiosa com a leitura eu evitei ler por mais de 7 meses. Este mês ele entrou para a leitura do Abandonados da LC e então usei essa desculpa para finalmente ler e acho que tenho uma opinião razoável.

Acredito que não vi ninguém criticando o livro de uma forma negativa, o que já é algo para me deixar com pé atrás, mas mesmo assim eu queria fazer essa leitura pois a premissa do livro é muito boa. O que eu não esperava eram elementos na obra que a fizessem ser importante, como o relacionamento abusivo da Tiffy. Eu sempre me lamento por alguns livros não abordarem esse tema quando tem oportunidade ou até mesmo por abordar de uma forma ruim e o que acontece nesse romance é que o relacionamento de Tiffy foi bem abordado para que as leitoras pudessem até mesmo se identificar, caso tenham algum namorado abusivo. Primeiro Tiffy não sabia o que era isso, não entendia o poder que seu ex tinha sobre si e muito menos percebia os pequenos sinais de que o cara é problemático, mas aos poucos e, principalmente, após algumas sessões de terapia ela pôde cair na real sobre o que ela viveu por alguns anos com um boy lixo. Sério, isso no livro me agradou muito mesmo pois, como já disse, pode servir de alerta para algumas leitoras.

Agora sobre a história em um geral: Sim, o romance é super fofo e natural. Acho até estranho usar a palavra natural para descrever um romance, mas às vezes sinto que o casal meio que se força a estar juntos, sabe? E aqui não aconteceu isso. Não sei se foram as trocas de bilhetes ou a reação que ambos tinham a esses bilhetes, porém quando eu percebi eles já estavam juntos e eu achando aquilo tudo muito lindo. Leon é um personagem bastante resguardado, até mesmo extrovertido, e é claro sentir isso com a seus capítulos, mas acima de tudo ele é divertido de ser ler. Tiffy já é bem louquinha, tem um estilo diferentão e assim como eu ela ama DIY (mas ao contrário de mim ela, de fato, faz esses DIY). Os dois são o casal mais improvável e que ficam lindos juntos.

Ao contrário do que parece eu não amei o livro. Amei sim alguns pontos dele, mas no geral não foi um livro que eu acabei favoritando, pois acho que para mim não bastava só ter um elemento de relação abusiva, mas talvez explorar mais isso... Claro que a intenção não era essa, então eu não deveria exigir isso, mas quando a autora decide colocar algumas situações com o ex-namorado louco fazendo umas coisas até criminosas eu achei que a atitude dos personagens foram totalmente superficiais e os diálogos bem teen, sabe?  Além disso tem uma outra situação envolvendo o irmão de Leon que me incomodou bastante. O personagem foi inserido para dar um plot maior ao Leon, mas achei um pouco perdido na história de um modo geral. Houve sim uma tentativa de nos fazer ter empatia por Richie mas para mim não funcionou por mais que ele seja um personagem divertido.

Teto para Dois é um livro divertido de ler sim, mas algumas coisas deixaram a desejar em um contexto geral da história. Se você procura só um casal super fofo então esse livro é 100% para você.

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Título: Teto Para Dois (The Flatshare) • Autora: Beth O'leary
Editora: Intrínseca • Tradução: Carolina Selvatici

Resenha: (Des)conectados

junho 12, 2020

Quando li a sinopse de (Des)conectados pela primeira vez achei que seria um livro distópico com uma pegada mais adulta, entretanto ao iniciar a leitura já percebi que estava de longe de ser o que imaginei. Apesar de conter tecnologias que não existem, ou não conhecemos, o livro é bastante contemporâneo ao lidar com o tema tecnologia e seres humanos. 


Sloane tem um profissão peculiar: Ela prevê quais são as próximas tendencias tecnológicas mundiais, um dos exemplos foi o touch screen, no inicio dos anos 2000. Além de tudo ela é uma mulher contra maternidade e por isso também tem uma fama polêmica, já que sempre discursou sobre isso e defendeu seu ponto de vista, além de ter um relacionamento sério com um homem francês que, além de concordar com ela, atualmente defende uma politica contra sexo sem penetração. Sim, parece tudo bem estranho, mas o livro não foca nessa parte da vida de Sloane e sim quando ela volta para os Estados Unidos para um novo trabalho e sente que não é mais a mulher que já foi um dia.

Cortar o cordão umbilical nem sempre se trata de se separar completamente de alguém, mas de nos separarmos da repetição de um relacionamento que não enriquece mais nossa vida. 

A proposta do livro é maravilhosa, pois é muito fácil observar nos dias atuais essa ideia de que as pessoas não se relacionarão pessoalmente da mesma forma que sempre se relacionaram, seja sexualmente, com família ou amigos. Nós temos as redes sociais e apps em nossas mãos e acreditamos fielmente que eles são o futuro e que eles vieram para nos ajudar em tudo; Mas infelizmente não é bem assim, por mais que há benefícios em todas as tecnologias nós não sabemos usa-la sem afetar nossos relacionamentos interpessoais e o livro, no caso, falha em tentar mostrar isso. Primeiro com o relacionamento de Sloane, onde eles não fazem sexo há quase dois, onde não há palavras de amor, apesar de Roman admirar a mulher que está a seu lado e defender suas ideias. Segundo com o relacionamento familiar de Sloane, que ruiu completamente com ela sempre agindo na defensiva e evitando sua mãe e sua irmã. Ela percebe que foi deixada de lado mas nunca tentou mudar isso.

Eu gostei bastante da temática do livro, porém o decorrer da história me fez sentir que não havia nada crível ali. A personagem não é cativante e senti uma falta de narração em primeira pessoa para tentar entender um pouco mais suas ideias, tanto as antigas quanto as atuais. A autora quis contar uma boa história, mas não soube desenvolver a personagem que nos faria conhecer essa história, então como leitora senti mais o livro só tentou criticar a evolução tecnológica e a falta de conexão entre as pessoas, mas não se sustentou ao exemplificar com uma pessoa.

Leitores desse blog sabem que o que mais aprecio na literatura são os personagens, inclusive os secundários; E eu odeio quando os autores não desenvolvem um único personagem direito. Falo isso agora pois nesta obra nem os personagens secundários acabam cativando os leitores. Ela colocou ali um carro tecnológico com uma IA chamada Anastacia e que poderia ter uma relevância na discussão e a única coisa que ela faz é "medir a pressão" de Sloane e fazer café no carro. Exemplos na literatura de relacionamento entre IA e ser humano não faltam e infelizmente a autora não soube desenvolver com base nesses exemplos (tô supondo que ela tenha essas referencias).

Enfim, gente... O livro é muito interessante, principalmente pensando no contexto pré-pandemia onde algumas coisas dali realmente estavam a ponto de acontecer. Com a quarentena acho que nossas relações pessoais vão mudar de acordo com a nova previsão de Sloane e isso é uma coisa boa. Podemos usar tecnologias mas de forma consciente, né?

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Título: (Des)conectados (Touch) • Autora: Courtney Maum
Editora: Record • Tradução: Caroline Simmer

Resenha: Do que Estamos Falando Quando Falamos de Estupro

junho 10, 2020

Sohaila Abdulali  é a primeira mulher indiana que em meados dos anos 80 foi estuprada por quatro homens desconhecidos na frente de seu melhor amigo e teve coragem de falar sobre isso. Como bem exemplifica a autora uma semana após ela ter sido estuprada leu uma história no jornal sobre uma mulher que também foi vitima de estupro coletivo, enquanto estava passeando com o marido, e no dia seguinte ao voltar para a casa se matou para não desonrar a sua família e o próprio nome. Situações como essas são bem comuns em países do oriente, entretanto Sohaila tem o que a maioria das mulheres não tem: uma família que a apoia sem julgamentos. Pode parecer estranho, por se tratar de uma família religiosa e conservadora, mas apesar disso eles sabem que a culpa não é da vítima pelo abuso sofrido.
Na Índia, o estupro em comunidades fechadas é, na realidade, uma das justificativas para o casamento de crianças. É melhor que a garota vá morar com os pais e parentes do noivo enquanto ainda é virgem, e que seja legalmente estuprada, do que um tio ou vizinho chegar primeiro.

Por mais que Sohaila tenha uma história para contar ela não passa o livro focando em si mesma, pois existem tantas nuances e diferenças de estupros, abusos e vitimas que poderiam ser escritos vários e vários livros para abordar cada um dos temas. Um ponto especifico que eu poucas vezes havia parado para refletir é a respeito dos homens que são estuprados e em como isso afeta sua vida. Há neste livro um homem especifico que levou anos para superar seu abuso e enfim construir sua vida e uma afamilia de forma saudável e uma tragédia acabou levando a filha dele, de apenas 9 anos. Este homem, apesar de sofrer tanto pela sua perda ainda explica que o abuso foi muito pior, pois ele não tinha ninguém para consola-lo, ele não tinha ninguém para dividir essa tristeza. Claro que em nenhum momento ele disse que não sofre pela morte de sua filha, mas que neste caso a dor é dividida com sua esposa, parentes e amigos, é uma rede de apoio com essa tragédia e nós sabemos que muitas vitimas de estupro nunca contam a ninguém que foram estupradas, entende?

A autora pode, para alguns, criar uma pequena polemica ao falar sobre a humanidade dos estupradores, mas ao argumentar conosco ela é muito especifica sobre o que quer dizer e, mais uma vez, é um ponto de vista que eu nunca tinha refletido. Nós temos costume de enxergar esses homens como monstros, mas o que eles são é nada mais do que seres humanos que tem uma escolha a ser feita: estuprar ou não estuprar. E eles escolhem a primeira alternativa, isso não faz deles monstros, mas fazem deles pessoas más que precisam ser julgadas como tal. Presumir que eles são monstros é tirar a responsabilidade deles como seres humanos ao tomar uma decisão. Seu embasamento se da, principalmente, com o relatos do caso Thordis e Tom (resumindo Thordis foi estuprada por Tom quando tinha 16 anos e 9 anos depois eles passaram a se corresponder por e-mail onde ele admitiu o que fez com ela e contou sobre o quanto isso o assombra; eles escreveram um livro juntos).

Esse é um livro importante para o contexto social e mesmo que ali não tenha nenhuma história de uma brasileira ainda assim devemos considerar todos os casos próximos a nós, já que no Brasil a cada 11 minutos há uma denuncia de estupro e nós temos aqui nossa própria cultura de estupro, além de atualmente um governo que claramente não respeita das mulheres e suas decisões. É um livro muito necessário para exemplificar todas as formas de estupro e abusos, e todas as formas que os estupradores e abusadores são visto na sociedade. As únicas que, raramente, são vistas com ambiguidade são as vitimas, não importa em qual situação.

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Título: Do que Estamos Falando Quando Falamos de Estupro (What We Talk About When We Talk About Rape)
Autora: Sohaila Abdulali • Editora: Vestígio • Tradução: Luis Reyes Gil

Resenha: A Tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca

junho 08, 2020
Livro teatral

Hamlet é uma das peças mais famosas de William Shakespeare e ainda hoje é grande influencia para livros, filmes e adaptações teatrais, sem mencionar na cultura pop no geral; Assim como qualquer outra obra dele. Justamente por isso eu decidi, há algum tempo, ler algo do autor e a oportunidade surgiu quando a Oasys Cultural me fez esse convite. A edição, publicada pela Chiado Books, conta com a tradução de Leonardo Afonso (escritor e pesquisador acadêmico em estudos Shakespearianos) e um linguagem mais acessível, o que para uma leitora de teatro e William Shakespeare de primeira viagem foi excelente.

Hamlet é um jovem que perdeu o pai recentemente, o rei da Dinamarca, e poucos meses após a morte de seu pai vê sua mãe casando com seu próprio tio que acaba se tornando o novo rei. Para ele nada naquilo é normal e quando reconhece seu pai em um fantasma ele percebe que tinha razão em seus pensamentos e passa a planejar sua vingança. O problema é que a vida dele não é tão simples quanto só uma vingança, já que Hamlet é um garoto mórbido que, de certa forma, contempla a morte ao mesmo tempo que a deseja para si. Eu não sei, de verdade, se essa minha opinião tem alguma relação com a obra em si, com o que Shakespeare queria dizer ao retrata-lo dessa forma, mas me pareceu muito uma pessoa depressiva caminhando para a decisão de tirar a própria vida. Mesmo fazendo parte da elite ao perceber que seu pai foi assassinado e sua mãe logo foi se casando com outro, que além de tudo possivelmente é o assassino de Hamlet pai, ele se deu conta de que ali há um jogo também de poder.

HAMLET
A Dinamarca é uma prisão
(...)
Uma bela  prisão, na qual há muitas celas, alas e masmorras, a Dinamarca sendo uma das piores.

Uma coisa que me intrigou muito na história foi a relação de Hamlet e sua mãe, pois é extremamente conturbada principalmente com o casamento dela antes mesmo de deixar o corpo do falecido rei esfriar. Ele carrega uma grande magoa de sua mãe e isso me fez questionar, por exemplo, a questão de liberdade feminina. Certo ou errado o que ela fez? A rainha tem um grande amor por seu filho, mas diante das demonstrações dele de loucura e da influencia que o novo rei exerce nela mãe e filho se afastam cada vez mais.

Apesar de ser uma tragédia eu posso dizer que teve certos momentos que me diverti muito com os diálogos, principalmente aqueles carregados de dramas, pois são dramas tão profundos que foi difícil eu até crer neles em alguns momentos. Sendo bem honesta eu não acho que tenha entendido a obra muito bem, pois em vários momentos durante a leitura eu me vi perdida nos diálogos e principalmente nos monólogos do personagem, que sempre é repleto de pensamentos mais filosóficos. Infelizmente não posso dizer que me adaptei a leitura de uma peça tentando criar todas as imagens em minha mente sem auxilio de descrições. Mesmo com meus altos e baixos como leitora ao realizar essa leitura é uma obra que gostei de conhecer e que valeu a pena a experiencia.

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Título: A Tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca (The Tragedy of Hamlet Prince of Denmark)
Autor: William Shakespeare • Editora: Chiado Books • Tradução: Leonardo Afonso


Resenha: Amor(es) Verdadeiro(s)

junho 01, 2020
Foto do Kindle

Que a autora Taylor Jenkins Reid se tornou a favorita do universo literário no último ano não é segredo algum. São vários elogios aos seus livros e a própria autora. Eu, tentando evitar um pouco a fama de Evelyn Hugo optei então por ler Amor(es) Verdadeiro(s) lançado recentemente pela Paralela e acabei me apaixonando.

Emma é uma mulher de 31 anos que está noiva do perfeito Sam, sua vida não poderia estar melhor até que ela recebe uma ligação de seu marido. Sim, marido e não ex-marido. Parece estranho, mas a questão é que Jesse estava desaparecido há cerca de quatro anos, inclusive sendo dado como morto, entretanto não foi isso que aconteceu com ele após um acidente de helicóptero. A vida de Emma se torna nesse momento um caos, onde ela não sabe o que fazer, como fazer e muito menos o que sentir. É uma premissa que pode despertar aos leitores a impressão de ser somente um triangulo amoroso, porém o livro está longe de ser isso. Emma é uma personagem cativante, pois para mim ela é um reflexo até mesmo de quem eu costumava ser em alguns aspectos aos 18 anos: odiava sua cidade natal, gostaria de conhecer o mundo, fazer coisas inimagináveis e ser livre. E ela fez isso isso ao lado de Jesse, seu amor da adolescência. Eles tinham uma vida muito feliz juntos e eu amei tanto quando ela nos conta como eles se conheceram na adolescência e como foi surgindo o sentimento entre eles, pois nada daqui me deu a impressão de ser uma história perfeita, sabe? Mas uma história bonita em que duas pessoas que se apaixonam decidem construir juntas. E é triste ver que essa história foi interrompida por um trágico acidente.

Após um longo período de luto, em que decide voltar para sua cidade natal e ajudar a sua família a cuidar da livraria Emma reencontra Sam, um amigo da infância e percebe que precisa se dar uma nova chance de ser feliz e de amar novamente e então uma nova história ela passa a construir ao lado dele. E clara a mudança de Emma ao longo da história e eu também gostei muito de sua versão ao lado de Sam, sabe? Uma versão calma, que deseja uma família, e ama uns pets, além de estar mais tranquila em relação a loucura das viagens e trabalho. Sem entrar em detalhes que Sam também é um ótimo noivo e o relacionamento deles é tão fofo, mas tão fofo, que parece até um romance água com açúcar.
Que engraçado, né? Os homens costumam ver a traição nas coisas que fazemos e não naquilo que sentimos.

Emma sabe que ama os dois homens, cada um de uma forma diferente, mas sabe que é amor verdadeiro, entretanto precisa fazer uma escolha. Ficar com seu marido ou se casar com Sam? Neste momento pode parecer que o livro gira em torno dessa escolha que ela precisa fazer, e de certo aspecto sim, mas não há um drama em torno disso. Emma é tão racional que mesmo no ápice de suas emoções ela consegue fazer a coisa certa, o que é até estranho quando estamos acostumadas com personagens que se levam o tempo todo pela emoção. A autora vai nos entregar uma grande história de amadurecimento e a percepção de que os relacionamentos passam por fases e que nem sempre essas fases precisam nos machucar ou machucar ao outro.

Em livros onde a protagonista gosta/ama duas pessoas ao mesmo tempo, geralmente, acabamos escolhendo um deles e eu não consegui escolher nenhum dos dois nessa trama, o que me fez gostar mais ainda de ter conhecido essa autora que está sendo tão aclamada nos blogs e intagrams literários. Não acho que teria uma escolha certa ou errada para ela, apesar de entender o que a levou a escolher quem ela escolheu. Qualquer um dos dois é uma representação de algo para Emma, assim como qualquer um dos dois a fariam feliz como ela merece. É um livro que eu amei muito e, claramente, vai me fazer ler outras obras dessa autora.

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Título: Amor(es) Verdadeiro(s) (One True Loves) • Autora: Taylor Jenkins Reid 
Editora: Paralela • Tradução: Alexandre Boide
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Resenha: Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola

maio 27, 2020
Autora Maya Angelou


Não conhecia Maya Angelou até ver a capa deste livro e me apaixonar muito por ela. Achava que era uma obra de ficção e tive uma baita surpresa quando li a sinopse e descobri que é a autobiografia de uma atriz, poetisa, além de ter sido a primeira mulher negra a roteirizar e dirigir um filme em Hollywood, além de ser amiga de Martin Luther King e Malcolm X era também ativista, dançarina, jornalista e professora. E para acabar ela recitou um de seus poemas na posse do presidente Bill Clinton lá em 1993. Claro que tem outras coisas, mas acho que já deu para entender que a mulher é foda, né? Apesar de ser tudo isso e muito mais o livro não faz falar sobre isso e sim sobre infância. Cada capítulo vai contar de algo e eu já aviso que é bom você estar preparada para sorrir e chorar, logo de  uma página para outra. Sua vida foi extremamente difícil, ainda mais sendo de um país tão racista nos século passado (como se ainda não fosse).

Maya morava com a avó, seu irmão mais velho e seu tio em uma casa com um mercadinho na frente. O negócio era da sua avó e era bastante próspero naquela vila, tanto é que quando veio a crise de 29 a avó de Maya era quem ajudava as pessoas a não passarem fome. Mas mal recebia um agradecimento, já que a maioria das pessoas que ela ajudavam eram brancos que a tratavam como lixo por sua cor de pele. Apesar dessas coisas Maya era uma criança feliz, mesmo com saudades da mãe e do pai. Havia um sentimento de abandono muito grande em relação a eles e sua avó não era tão carinhosa assim, apesar de cuidar muito bem dos netos. Seu relacionamento com o irmão era maravilhoso e apesar de tomarem umas surras, às vezes, eles se divertiam aprontando.

Essa alegria não durou muito tempo. A mãe de Maya resolveu que era hora de cuidar dos filhos e os levou embora. Sua família era um pouco mais bem de vida do que a família do pai e pela primeira vez ela teve o conhecimento do que era luxo. Maya odiava morar com sua mãe, a cidade nova, as pessoas que as rondam e quando teve uma figura masculina que ela poderia considerar como paterna ele a estupra. Maya tinha apenas 8 anos quando isso aconteceu e seu medo já era maior que qualquer coisa. Ela não contou para sua mãe com medo de ser apontada como a culpada pelo que houve, mas ela descobriu de qualquer maneira e tomou uma atitude. Depois disso Maya ficou sem falar por anos. Nem uma única palavra saia da boca da mulher que recitaria seu próprio poema na posse de um presidente.

Eu sei que até esse ponto eu jé contei muito da história do livro mas gente, como não? Olha o que essa mulher passou e olha o quem ela se tornou. A história dela é tão triste pelas coisas ruins e tão inspiradoras pois ele nunca desistiu de nada, nem de si mesma quando passou a entender a vida. A Maya tinha tudo para ser só mais uma mulher, só mais uma mulher negra nesse mundo racista, mas ele fez muito mais. Ela foi atrás de tudo o que queria, tanto é que com 15 anos ela se tornou a primeira pessoa negra a trabalhar em um daqueles bondinhos que tinha na época. Você consegue imaginar no contexto histórico disso? Me apaixonei muito por ela, além de amar sua forma de escrever. Ela deixa uma biografia ser legal e às vezes até parece um pouco de ficção.

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Título: Eu sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola (I Know Why the Caged Bird Sings)
Autora: Maya Angelou • Editora: Astral Cultural • Tradução: Regina Winarski
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Resenha: Quem tem Medo do Feminismo Negro?

maio 25, 2020
Djamila Ribeiro Livros

Acho que a Djamila foi super legal com esse título. Na realidade ele deveria ser "Porquê brancos tem medo do feminismo negro?" e eu falo isso não somente pelos textos que tem neste livro, mas por minha experiencia com clientes na livraria onde trabalho (onde uma mulher branca, classe média alta, pediu livros sobre feminismo e quando eu mostrei esse ela fez cara de desdém), além do fato de ouvir um "Porquê tem que ser negro?". Infelizmente vivemos em um mundo até onde pessoas inteligentes são burras.

God me free de pagar de super sabidona aqui. É justamente por isso que eu leio livros: para aprender cada vez mais e é claro que é por isso que eu quis ler esta obra. Já seguia e conhecia um pouco do trabalho da Djamila nas redes sociais e amo a força que ela tem, a forma como ela inspira outras pessoas e principalmente mulheres negras. Eu sei que meu lugar como pessoa branca não é lutar contra o racismo como se ele fosse parte da minha rotina e sim dar respeito e a visibilidade que essas pessoas merecem. Então sim eu li esse livro para entender um contexto social que não faz parte de mim, mas que envolve a sociedade em que eu vivo; Eu li esse livro para poder militar quando alguém me perguntar os motivos de um mulher negra merecer uma atenção especial no feminismo; e nesse ponto do texto vocês já entenderam o recado.

"Quem tem medo do Feminismo Negro?" reúne artigos que Djamila escreveu, em sua maioria, para o jornal Carta Capital e no inicio ela faz um pequeno apanhado da sua vida. Eu ainda não conhecia a história dela e fiquei curiosa por mais. Tem tantas coisas que essa mulher passou para poder chegar onde está que nós nem temos noção de como foi um caminho difícil. Os artigos todos falam sobre racismo e principalmente sobre mulheres negras. Antes desta obra eu tinha um visão muito limitada a respeito do feminismo negro (não era tão ignorante quanto as pessoas citadas acima, mas não entendia muito a respeito dele) e agora consigo refletir um pouco mais sobre o meu papel na sociedade como mulher branca e o quanto mulheres como eu, por mais feministas que se dizia, ajudaram o racismo a se propagar diminuindo outras apenas pela cor de sua pele. É um livro de história, é um livro que joga coisas na nossa cara sem medo (e que esta certíssima em fazer isso). Mais do que tudo é um livro para te tirar da zona de conforto e não apenas durante a leitura, mas também no dia a dia.

Um livro que trás fatos a respeito da mulher negra sendo sempre vista como a empregada, ou quando convém a sociedade, sendo vista como a musa do carnaval; Trás fatos a respeito da meritocracia, que não funciona nunca em uma sociedade de classe baixa. Um livro que irá te explicar que piada a respeito da cor da pele do amiguinho branco não mata cerca de 75% das vitimas de homicido no Brasil, irá te explicar o motivo que piadas na escola acabam com a auto estima de dezenas, milhares, de meninas que tem o cabelo crespo e entram em uma luta para ser padrão em uma sociedade onde só é bonito ter o cabelo liso. Enfim, eu fiquei muito satisfeita com essa leitura e com o que ela me proporcionou.

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Título: Quem tem Medo do feminismo Negro? • Autora: Djamila Ribeiro • Editora: Cia das Letras
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Resenha: A Prometida

maio 20, 2020


Kiera Cass anuncia um novo livro, do nada, e claro que a internet vai praticamente abaixo. Expectativas foram criadas e elevadas a cada dia após a revelação de capa e sinopse e o hype da editora, não é para menos... uma autora muito querida pelas leitoras de YA e fantasia não poderíamos esperar outra coisa. Então imaginem a minha surpresa quando a Seguinte liberou o e-book do livro para seu parceiros e os que finalizavam a leitura não estavam felizes com a história que a autora nos entregou? Eu como não sou boba e nem nada fui logo lendo para tirar minhas próprias conclusões.
O que é uma amiga senão alguém que acredita que você consegue mais do que imagina? 

A Prometida, assim como o grande primeiro sucesso da autora A Seleção, se passa em um mundo de monarquia e, consequentemente, patriarcado. Hollis, a protagonista, é uma jovem que vive no palácio e chamou a atenção do rei Jameson após ele se cansar de outras garotas que estava cortejando. Pessoalmente ela não acredita que chamaria a atenção do rei mas ao mesmo tempo deseja toda essa atenção pois quer ser respeitada como uma rainha e fazer parte da história de Coroa (o nome do país deles) como as outras rainhas da história. E isso é basicamente tudo o que vimos de Hollis durante uma grande parte da história, infelizmente. Eu gosto muito quando leio um livro e, mesmo não amando a protagonista, ou algo assim, eu ainda sinto empatia e simpatia por ela e no fim das contas torço para que ela seja feliz, mas com Hollis foi diferente. Claro que não fiquei torcendo para ela se dar mal, mas eu não consegui me conectar de verdade com ela. Enquanto Hollis dizia estar apaixonada pelo rei eu nunca senti de verdade lendo suas palavras de paixão e sensações que isso era real, da mesma forma que eu também não senti isso quando ele teve Silas (sim, temos novamente um triangulo amoroso). Apesar de a sinopse prometer uma personagem de opiniões fortes ela foi somente uma personagem comum, principalmente se colocarmos em contraste com Delia Grace (a melhor amiga e dama de companhia das Hollis); que sempre foi vista a margem daquela sociedade e sempre se dedicou para ser uma pessoa bem vista conforme suas virtudes. Delia Grade estudava línguas, politica, história e tudo o mais e ela sim poderia ter nos apresentado opiniões fortes, mas foi ofuscada pela sua amiga que era preguiçosa e só pensava em vantagens que a realeza poderia lhe dar.

Sobre os demais personagens, infelizmente, também não tem profundidade. Eu me pergunto como um livro com cerca de 350 páginas conseguiu não se aprofundar em nada na história de seus personagens. Mesmo quando Silas apareceu com sua família, sendo refugiados de um reino vizinho, demorou muito tempo para uma pequena explicação sobre eles ser dadas a nós e o que me deu mais raiva nisso foi a falta de curiosidade Hollis, mesmo percebendo que tinha algo errado. Talvez isso prove o ponto que eu disse no paragrafo anterior a respeito dela. Mesmo a história do rei Jameson, que teoricamente ela deveria saber por viver dentro do palácio ainda assim foi um mistério grande parte da obra (mesmo que não tenha grandes coisas a serem reveladas nesse quesito). E por falar no rei eu preciso aplaudir a Kiera por saber fazer reis tão insuportáveis em seus livros. O rei Jameson até parece ser um homem legal no inicio do livro, mas aos poucos algumas de suas falas revelam parte da sua personalidade, que por acaso é a personalidade que um rei deve ter ainda mais em uma sociedade patriarcal como Coroa é, então não deveria haver surpresas nisso, entretanto por ser um romance é claro que eu queria ele fosse um fofo.
O amor é a sobremesa de um banquete para o qual e ainda estou esperando convite. 

Ao contrário do que parece, em um contexto geral, eu gostei do livro. Mesmo sem nos mostrar muito sobre os personagens a autora me conquistou com a história em si, mostrando um preconceito que as pessoas tem por estrangeiros e com desejo de ser algo maior do que é. O livro em si tem um clima bastante alegre e é muito gostoso de ler (eu terminei em um dia), e por se tratar de uma duologia é claro que o final tem surpresas que abrem debates para as leitoras criar teorias sobre o futuro das personagens. Eu vou sim ler a sequencia quando sair e vou torcer para que a autora não volte atrás em algumas decisões, mas que ainda assim seja um final digno de princesa para Hollis.

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Título: A Prometida (The Betrothed) • Autora: Kiera Cass
Editora: Seguinte • Tradução: Cristian Clemente


 
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