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Resenha: Vox

abril 13, 2020

Quando VOX foi lançado houve um grande murmurio em relação a este livro, divulgação pesada e muitas blogueiras resenhando e falando bem desta obra, que falando a grosso modo pode ser vista como O Conto da Aia desse inicio de século. Sim, pode falar que estou sendo presunçosa, eu até estou um pouco (até porque, vamos combinar, que O Conto da Aia é um clássico muito, mas muito, bom). O negócio é que VOX tem uma premissa muito forte, uma premissa que pode chocar mulheres como eu (feminista, com opiniões sobre o patriarcado, e uma "estudante" do feminismo, por assim dizer), uma premissa que por mais absurda que seja ainda assim pode acontecer em algum momento (ou algo semelhante). Tá, tá, pode me chamar do que quiser, mas é só olhar para o mundo e ver como algumas posições politicas conservadoras estão cada vez mais em ascensão, é só olhar para a maior potencia mundial (que inclusive é onde a história do livro se passa) e você irá entender um pouco. Maaaaas vamos ao que interessa, né?

Em VOX, após uma eleição democrática onde a extrema-direita conservadora (e religiosa, diga-se de passagem) assume o poder um novo decreto é estabelecido, onde as mulheres devem deixar de trabalhar para cuidar da casa e da família e são impedidas de falar através de um contador de palavras que fica no braço como uma pulseira. As mulheres podem falar somente 100 palavras por dia e caso exceda esse número um pequeno choque que aumenta a freqüência a cada conjunto de palavras é ativado. Assim como as mulheres, os homossexuais também tem seus direitos tomados, indo em prisões-colonias sem poder falar uma única palavra. A protagonista era uma Dra em Neurociência e tinha um estudo sobre afasia e após um ano de sua pesquisa interrompida o governo a procura para continuar seus estudos e assim poder curar o irmão do presidente.

Jean sempre foi uma mulher comum. Ela estudou, se esforçou muito para chegar até onde chegou, tem um bom marido e bons filhos, mas Jean nunca foi uma mulher que se preocupou com questões politicas. Ela nunca questionou o governo, nunca exerceu seu direito de votar (lembrando que nos EUA o voto é facultativo) e tudo isso a assombra agora que ela vê todos seus direitos sendo tomados. Sim, ela se sente culpada de uma certa forma pois sabe que se tivesse lutado no passado possivelmente a situação não teria chego ao extremo como chegou. Jean é uma mulher imperfeita, assim como todos nós, e acredito que por isso que a autora colocou um aspecto negativo dela que pode "chocar" as leitoras. Não vou falar o que é, pois seria um spoiler, mas é algo que é ruim para uma pessoa ser, mesmo que a vida seja toda uma merda (e não era para Jean antes do decreto).

Bom, deixando a protagonista de lado, a autora soube elaborar uma boa história, apesar de ter dado a impressão de ter se perdido no meio do caminho por causa dos conflitos pessoais de Jean, e não de tudo o que estava acontecendo do governo/país. Pode ser sido a sua intenção, mas para mim não funcionou muito bem, pois ao abordar mais questões pessoais de Jean e deixar as questões politicas de lado ela esqueceu de que os leitores procuram informações sobre esse sistema, procuram entender de verdade o porque de ele funcionar e como foi que as pessoas passaram a aceitar isso (no caso do livro a autora já pressupôs que todos os homens héteros vão simplesmente aceitar que calem as mulheres, o que não é bem assim, já que mesmo que a maioria seja macho escroto, como gostamos de chamar, muitos ainda seriam contra). À partir desse meu ponto de vista eu senti que a obra estava lenta no inicio e corrida no final, o que foi péssima escolha, pois o final em que precisávamos de mais informações e detalhes sobre os acontecimentos e ela cortou esses detalhes na mudança de capítulo. Então veja bem, ao final de um capítulo o personagem X estava vivo e no inicio do próximo já estava sendo enterrado, entende? Acredito que nenhum leitor gosta de ler algo assim.

Concluindo, com uma premissa incrível VOX é um livro que deve sim ser lido, principalmente por pessoas céticas em relação a politica e governo conservador,  mas que em contrapartida tem algumas falhas em sua execução e pode desagradar aos leitores mais exigentes. De qualquer forma é um livro necessário pela sua abordagem principal e nos mostrar uma realidade que poderá nos tomar aos poucos.

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Título: Vox (Vox) • Autora: Christina Dalcher
Editora: Arqueiro • Tradução: Alves Calado

Livros para começar a entender o feminismo

fevereiro 17, 2020

Olá, vocês que ainda param um minutinho do seu dia lendo blogs. Hoje vou falar sobre um dos meus assuntos favoritos: feminismo. E melhor ainda: Vou indicar livros feministas para você que quer entender um pouco da causa mas não sabe por onde começar. Agora é a hora de você abrir o seu carrinho da Amazon e fazer uma listinha bacana.


Esse é o primeiro livro da lista, apesar de eu não ter lido ainda. Ele é um grande almanaque que fala sobre o assunto de forma simples e direta, com fatos históricos, nomes importantes e os principais movimentos até os dias atuais. É um bom livro para iniciar no assunto pois à partir dele outros rumos podem ser tomados
.

Esse livro é o mais óbvio da lista, sim! Mas ele é extremamente didático. O discurso de Chimamanda no TEDx serve para abrir a mente de várias pessoas, eu mesma vi isso, que sempre se disseram não feministas ou anti feministas e que em alguns momentos do texto se reconheceram como feministas. É um livro super curto, da para ler em no máximo uma hora e o melhor de tudo é que o e-book é gratuito na Amazon. Ah! Aproveite a leitura deste para ler também Para Educar Crianças Feministas, que fala sobre a importância da criação de crianças que vejam as outras como iguais independente de gênero e que isso, claro, acontece da forma como essa criança é criada pelos pais. Logo crianças com uma educação não sexista será um adulto não sexista.

O Feminismo é para Todo Mundo


Se você leu a pequena bíblia da Chimamanda e agora quer se aprofundar no assunto então é a hora de ler esse da bell hooks, pois ele vai aprofundar a respeito do feminismo em todos os principais âmbitos sociais, ou seja, família, trabalho relacionamentos, escola/faculdade e até na sociedade em geral, ou seja (novamente): TUDO. Esse livro é extremamente importante pois ele desmistifica coisas que crescemos acreditando sobre o feminismo e mulher feministas. 

Profissões para Mulheres e Outros Artigos Feministas


Apesar de conter textos do inicio do século XX acho esse livro importante para entender a respeito da evolução que o feminismo teve ao longo dos anos de uma forma direta. O que está escrito nele pode não fazer sentido na nossa realidade atual, mas é um estudo sobre a própria evolução do feminismo e tudo que conquistamos e também como ainda temos um longo caminho a percorrer. 

Quem tem Medo do Feminismo Negro? 


Eu nem preciso falar que eu, como uma mulher branca, me identifico muito mais com o feminismo "branco", certo? Mas não sou hipócrita a ponto de não entender que existe diferença entre o feminismo e o feminismo negro e posso dizer com certeza que aprendi todas essas diferenças com a Djamila Ribeiro (que me apresentou outras autoras através deste mesmo livro). E sim, é muito importante entendermos além do que nos convém a luta de outras realidades, pois se queremos um mundo justo e igualitário temos que aprender sobre todos que vivem nele. Então leiam sobre feminismo negro, entendam o porque de mulheres negras não terem os mesmos privilégios que as brancas. 


Infelizmente eu ainda não li todos os livros ou autoras feministas que gostaria e sinceramente me considero uma ignorante sobre o assunto, pois há tantas coisas para aprender e principalmente para colocar em prática que talvez eu nunca seja uma mulher cem por cento feminista; Mas quis compartilhar um pouco sobre essas leituras por acreditar que tudo há um ponto de partida quando temos interesse no assunto e no aprendizado.


Você costuma ler livros feministas? Pode ser teóricos ou romances, mas fala ai nos comentários qual seus favoritos!!

Resenha: O Feminismo é para todo mundo

janeiro 31, 2020

Boa tarde, pessoal. Por aqui seguimos sem nenhuma novidade com a Silviane lendo livros sobre feminismo, não é mesmo? Pois será assim por muito tempo ainda, já que eu ADOOOORO demais. O livro da vez é O Feminismo é Para Todo Mundo da bell hooks que li em Janeiro na leitura coletiva de #LendoAutorasNegras. Eu já tinha esse livro parado na estante há uns meses e estava ensaiando para ler e este não poderia ser um momento melhor, pois com esse grupo pude ter várias perspectivas diferentes do mesmo livro.

Bom, quem está um pouquinho engajada em leituras feministas com certeza já ouviu falar sobre a bell hooks em algum momento, mesmo que nunca tenha lido nada dela. Uma mulher que participou ativamente do movimento feminista nas universidades nos anos 70 não poderia deixar de ter publicações tão relevantes a respeito desse assunto e com essa obra ela fala sobre o feminismo de um jeito que foge um pouco do linguajar da academia.
A sororidade não seria poderosa enquanto mulheres estivesse em guerra, competindo umas com as outras.

O livro tem vários tópicos, desde relacionamento familiar, religião, classe, racismo, sexualidade, etc etc e mais um etc. Em cada tópico ela aponta seus argumentos que nos fazem refletir sobre a importância de feminismo, relacionando a sua história e principalmente a ideia de que sim: o feminismo é para todo mundo. Ainda hoje (e talvez principalmente hoje, com a era da internet e da direita) o feminismo é visto como um movimento anti-homem e bell hooks diz várias vezes que muito pelo contrário, o feminismo está muito longe de ser um movimento de ser anti-homens, ele é um movimento anti-sexismo, anti patriarcal, um movimento que luta pelos direitos iguais entre homens e mulheres. Particularmente eu nunca consegui aceitar a ideia de que não precisamos de homens no feminismo e a bell hooks fez com que eu me sentisse aliviada em ter esse pensamento e expressou em palavras o que eu não conseguia expressar quando pensava que os homens também são importantes na nossa luta.
"'Feminismo é um movimento para acabar com sexismo, exploração sexista e opressão'... Adoro essa frase porque afirma de maneira muito clara que o movimento não tem a ver com ser anti-homem. Deixa claro que o problema é o sexismo. E essa clareza nos ajuda a lembrar que todos nós, mulheres e homens, temos sido socializados desde o nascimento para aceitar pensamentos e ações sexistas."

Além de abordagens já conhecidas a obra tem outras que eu nunca tinha imaginado como o relacionamento familiar, como o feminismo funciona dentro de casa, principalmente com os filhos. A autora defende a tese de que até mesmo relacionamentos abusivos entre mães e filhos, pais e filhos, estão diretamente relacionados ao sexismo, a cultural patriarcal em que vivemos. O que mais me surpreendeu foi o fato de ela relacionar diretamente o feminismo ao capitalismo e principalmente a luta de classes. Quem já leu algo sobre feminismo negro entende que o feminismo da mulher branca funciona de forma diferente com o feminismo da mulher negra e mais uma autora coloca seu ponto de vista nesse tópico de uma forma que é impossível não falar que existe racismo nesse mundo e que a vida da mulher negra é muito mais difícil do que a da mulher branca; Além do mais ela ainda nos coloca em um entendimento entre a mulher rica e a mulher pobre, pois sim... claro que existem diferenças ainda hoje.

Este livro é uma grande lição de feminismo e história a qualquer pessoa que se interesse a ler e eu acho que todos deveriam ler, pois além de ser uma leitura enriquecedora é também esclarecedora sobre um movimento que é, infelizmente, tão mal visto na nossa sociedade. Se as pessoas se interessassem um pouco sobre esse assunto muitas brigas nem se quer existiriam e teríamos pessoas vivendo melhor. Leia bell hooks, leia "O Feminismo é para todo mundo".

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Título: O Feminismo é para todo mundo: politicas arrebatadoras (Feminism is for everybody: passionate politics)Autora: bell hooks
Editora: Rosa dos Ventos • Tradução: Bhuvi Libânio
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Essa leitura faz parte da LC #LendoAutorasNegras

Resenha TBT: O Poder

outubro 24, 2019



Você já imaginou como o mundo seria se fosse totalmente dominado por mulheres? Bom, Naomi Alderman imaginou e nos presenteou com esse livro incrível.

Em O Poder a autora nos da um vislumbre de uma sociedade onde as mulheres desenvolvem uma "trama" relacionada a eletricidade e com consciência desse poder, literalmente, nas mãos, elas passam a dominar o mundo de uma forma que nem nos nossos melhores sonhos imaginamos. É obvio que a obra é feminista, mas mais do que isso ela é um deboche a nossa sociedade patriarcal atual. E porque isso? Bom, vou explicar: Ao iniciar a leitura e com o decorrer dos acontecimentos eu passei a julgar a obra como femista, mas como toda leitura requer uma grande reflexão por parte do leitor, algum tempo depois eu percebi que ela usa de todos os exemplos que temos nos dias atuais em mãos para colocar nas mão das mulheres. Mulheres são estupradas? Lá estão mulheres estuprando homens com sua trama. Mulheres são proibidas de dirigir? Agora nós dominamos, vamos proibir os homens. E olha que esses dois exemplos são os mais óbvios.  

O livro é narrado em terceira pessoa e nos mostra diversos lados desse novo mundo. Mulheres que se tornam lideres, lideres que descobrem o quanto a liderança realmente é valida com o poder em mãos, homem que está no centro dos acontecimentos do lado das mulheres mas que depois temem a presença dela e crianças que junto com seu medo e coragem (sim, os dois juntos) vão descobrir como dominar as pessoas ao seu redor. Sério, é um livro incrível pra caralho que vale a leitura. 

Nem tudo são flores. Apesar de eu ter amado demais o livro eu achei a passagem de tempo dele confusa. Mas não atrapalhou, necessariamente, a minha leitura e entendimento. Foi só algumas momentos que me senti perdida com os acontecimentos mas logo tudo se acertava após alguns diálogos que acontecimentos. 

Você, mulher, que quer ler obras feministas não pode deixar de ler O Poder e refletir sobre como seria caso nós dominássemos o mundo.

Título: O Poder (The Power) • Autora: Naomi Alderman
Editora: Planeta de Livros • Tradução: Rogério Galindo
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Resenha originalmente publicada por mim no blog Pobre Leitora



 
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