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Um papo sincero sobre "A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes"

julho 06, 2020
A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes

É claro que o anuncio de um novo livro da saga Jogos Vorazes não iria passar batido pelos fãs... exceto que passou. Não como se os fãs da saga não estivessem ansiosos por essa nova experiencia de uma distopia juvenil que fez tanto sucesso, mas convenhamos que ninguém está vendo por ai um "boom" de gente comentando sobre esse livro (provavelmente não tanto quanto a editora gostaria, né?). E o motivo para mim ficou até meio óbvio após minha leitura do livro que se mostrou fraco e desnecessário, mesmo com novas informações.

A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes se passa 10 anos após a primeira edição dos Jogos Vorazes, onde um jovem Snow (aquele que conhecemos como Presidente Snow) está ainda na escola e acabará fazendo parte dos jogos como mentor de uma tributo do Distrito 12, Lucy Gray. No meio de tudo isso Snow acaba se apaixonado por Lucy Gray, que faz parte de um grupo chamado "Bando" que em um comparativo com o que nós conhecemos é quase uma companhia de teatro. A história poderia ser maravilhosa caso não soubéssemos quem Snow irá se tornar, mas é interessante pensar nesse personagem com uma nova perspectiva, principalmente após vê-lo vulnerável, faminto, apaixonado, e na beira da ruína com a pobreza de sua família que ainda tenta manter algum status.

O livro não me deixou feliz e nem surpresa como a trilogia original me deixou há alguns anos quando meu primo falou tanto, tanto, tanto sobre ele que eu acabei cedendo para ler; muito pelo contrário: eu me senti muito decepcionada. É um livro longo que poderia facilmente ser bem mais curto, pois existem tantos momentos que eu senti que houve aquela enrolação que eu sentia sono em vários momentos de leitura. Talvez os capítulos longos tenham influenciado um pouco, mas a forma como a história nos foi apresentada realmente não me satisfez como leitora, sabe? E eu nem vou falar que estava com expectativa altas para a leitura porque seria uma mentira. Eu evitei ler resenhas, assistir a vídeos e comentários sobre a obra para começar a ler isenta de opinião de terceiros e no fim acabei sentido o que algumas pessoas também sentiram: O livro não é necessário para os fãs. Ele tem algumas informações interessantes como a ideia dos mentores nos jogos e da fascinação de Snow por rosas, e até mesmo pode explicar o motivo de ele ter tanto ódio do Distrito 12 e a proibição da música The Hanging Tree, mas essas são informações não necessárias, né? A trilogia estava perfeita sem essas informações.

Infelizmente o novo livro não agrada tanto quanto deveria e, para mim, é mais como um livro para fazer dinheiro encima de algo que já foi muito lucrativo. A fonte não é eterna, então...

📚
Título: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes (The Ballad Of Songbirds And Snakes)
Autora: Suzanne Collins • Editora: Rocco • Tradução: Regiane Winarski

"Cujo" e o monstro da ressaca literária

junho 17, 2020
Autor Stephen King e o livro Cujo

No dia 3/06 eu iniciei a leitura de Cujo e desde então tenho lutado para conseguir terminar esse livro. Faltando um pouco mais de 100 páginas para o fim eu sinto que eu nunca mais conseguir terminar essa leitura e muito menos conseguir ler qualquer outra coisa nesse mundo. Pois é, eu estou vivendo o que nós chamamos de ressaca literária e não está sendo legal. Acredito que até hoje essa tem sido a minha pior crise e o que me deixa mais frustrada é por ser com um livro de um autor que eu gosto e admiro muito. Infelizmente Cujo não é um livro para mim ou é um livro que decidi ler na hora errada da minha vida. Acabei de sair da quarentena falsa do interior de São Paulo e voltei a trabalhar, tirando o fato de as aulas não terem voltado ainda a vida está bastante normal aqui em Marília.

Quando eu era criança assisti a adaptação de Cujo e morria de medo, inclusive minhas lembranças do filme só era das cenas em que o São Bernardo estava alucinado tentando matar uma mulher e uma criança no carro; Então quando  decidi ler o livro que deu origem ao filme esperava algo nesse sentido, a sensação de medo e pavor por toda a trama, e assim como tantos outros livros do Stephen King escritos no século passado Cujo é muito mais sobre o ser humano do que o monstro em si. E é claro que isso não é uma coisa ruim, desde que você esteja preparada para  cenas "enroladas" de acontecimentos que passam a impressão de serem aleatórios dentro da história, assim como personagens coadjuvantes que só deixaram de fazer uma única coisa e ainda assim ganharam algumas parágrafos detalhados sobre si.

Não posso dizer que não fui avisada, até porque eu bem conheço as caracteristicas do autor em cada época de sua vida. Mas acabei tendo uma decisão infeliz de escolher essa leitura justo agora. Cujo é um livro que não irei abandonar e, possivelmente, não irei fazer resenha dele no blog por tanta raiva que eu estou sentido desse livro no momento. Mas eu precisava falar sobre a minha experiencia atual de ressaca literária pois não sei o quanto ela irá afetar minhas próximas semanas como leitora.

❓ O que te deixa com ressaca literária? 

Li até a página 100... e abandonei

maio 13, 2020

Há alguns meses iniciei a leitura do livro A Assombração da Casa da Colina, pois havia assistido a então adaptação da Netflix A Maldição da Residencia Hill (que não é bem uma adaptação, mas não vamos entrar nesse assunto agora). Gostei muito da série, pois ela conseguiu me assustar em alguns momentos e me deixar com medo em outros, além de todo o drama familiar que foi abordado e a depressão e vicio em drogas; Entretanto como não sabia sobre o livro quando o peguei para ler acabei me surpreendendo ao encontrar um enredo completamente diferente. Então aproveitando a tag "Li até a página 100" vou falar um pouco sobre o que me levou a abandonar essa leitura.

PRIMEIRA FRASE DA PÁGINA 100
"De verdade?", disse o doutor, encarando-a com interesse.

DO QUE SE TRATA O LIVRO?
No alto de uma colina existe uma casa onde, há rumores, de que é amaldiçoada. Um médico querendo fazer um experimento convida pessoas para passar uma temporada ali e contar suas experiencias. Uma das supostas moradoras tem um passado sombrio, que possivelmente está envolvido com a casa.

O QUE ESTÁ ACHANDO ATÉ AGORA?
Bom, como eu disse, eu abandonei a leitura deste livro. Não foi por me deparar com uma história completamente diferente da série da Netflix, mas abandonei pela narrativa que estava um pouco massante. A então protagonista, Eleanor, ao meu ver é muito avoada e parece que vive em um eterno chove e não molha. Os outros personagens até o momento não foram tão abordados, mas o pouco que foi mostrado não me fez ficar curiosa. A parte que deveria ser de terror e/ou suspense não me deixou intrigada.

O QUE ESTÁ ACHANDO DA PERSONAGEM PRINCIPAL?
Como eu falei ela é muito avoada. Não gosto dos pensamentos dela e da forma como ela está encarando a situação. A impressão que da é que a autora quis deixar ela super inocente e boa moça, mas para mim acabou não fazendo tanto sentido até o ponto da história em que eu li. 

VAI CONTINUAR LENDO?
Não. Cheguei no livro com muita sede ao pote e acabei me decepcionando logo nas primeiras páginas, então não vou prolongar mais essa leitura pois sinto que será uma perda de tempo. Não gosto de abandonar livros, mas acredito que temos que saber a hora de parar.

ÚLTIMA FRASE DA PÁGINA
 "Não acho que vou ler muito enquanto estiver aqui", ela declarou tentando não dar a entender que falava sério. "Não se os livros tiverem o cheiro da biblioteca."

🔹

É isso... Abandonar um livro nem sempre é fácil, mas às vezes é necessário. Eu, particularmente, luto muito para abandonar alguma leitura, tento deixar para algum outro momento, só que existem livros que parece que não foram feitos para nós e ficar insistindo não é saudável e pode gerar uma cobrança não muito legal. 

Me contem qual livro você abandonou e o motivo. 

Autores vencedores do Nobel para Ler

abril 27, 2020



Há 119 anos foi entregue o primeiro prêmio Nobel da Literatura e desde então todos os anos um autor ou autora de qualquer nacionalidade e idade é contemplado com o maior prêmio literário do mundo. Infelizmente ainda não tivemos nenhum brasileiro na lista, mas há autores(as) excepcionais com obras muito relevantes para a cultura mundial, literatura e história; E mesmo com várias polêmicas envolvendo a academia sueca responsável pela entrega do prêmio este ainda é um dos mais desejados e respeitados prêmios de literatura. Hoje vou falar 7 livros que quero ler de autores que ganharam o Nobel.


Hermann Hesse - O Lobo da Estepe

Já li duas obras de Hermann Hesse e gosto muito da literatura dele. Tem uma mistura de religião e filosofia e nos faz pensar muito, pois como leitores precisamos interpretar o que ele está nos contando, o que ele quer dizer, e o que isso significa. Mesmo tendo dificuldade com isso nas leituras anteriores, ainda assim, gostei muito de seus livros e agora preciso ler o seu maior sucesso.


Kazuo Ishiguro - Não me Abandone Jamais

Eu conheci Não me Abandone Jamais através de sua adaptação de 2010, mas só descobri que era uma adaptação em 2017, quando Ishiguro ganhou o Nobel e reconheci o nome do livro na lista de obras publicadas no Brasil. Desde então procuro uma oportunidade para ler, pois é uma história muito emocionante e que, acredito eu, tenha muito mais a contar além do filme.


Svetlana Aleksiévitch - A Guerra Não tem Rosto de Mulher

Todas as pessoas que conheço que leram esse livro falaram sobre ele ser muito pesado e de difícil de leitura, mas sendo um assunto tão interessante de ser entendido e estudado eu me peo com vontade de ler as obras da autora. Além deste quero ler Vozes de Tchernóbil.


Toni Morrison - Amada

Eu ainda não tive a oportunidade de ler nenhum romance da Toni Morrison, mas li um livro de ensaios maravilhoso e nem posso imaginar o que esperar de um romance. A primeira mulher negra a ganhar um Nobel (e até hoje a única) marcou uma época da literatura negra, não somente com suas colaborações, mas principalmente com o apoio a publicação de outros autores.

+ Conheça a Obra: A Origem dos Outros


José Saramago - O Evangelho Segundo Jesus Cristo

Minha identificação com José Saramago vai um pouco além da admiração por sua obra (que eu só li um livro, até o momento, mas já amo); Vai também em encontro com suas opiniões, sobre o que ele fala com seus livros, e até atitudes pessoais. O Evangelho Segundo Jesus Cristo foi lançado em 1991, o livro tem a minha idade, e ainda hoje é considerado... profano, por assim dizer.


William Golding - O Senhor das Moscas

Para ser sincera O Senhor das Moscas nunca foi um livro que tenha me chamado tanta atenção ao longo da vida, mas eu sempre acabo me deparando com referencias dele de alguma forma e por isso me sinto quase na obrigação de ler. Todos que conheço e que leram gostaram muito e tenho expectativa com ele.



Olga Tokarczuk - Sobre os Ossos dos Mortos

Ao contrário dos outros autores a Olga para mim foi uma descoberta inédita. Ela foi a última contemplada com o prêmio e eu não conheço nada sobre ela e sua obra, portanto minha vontade de ler seu livro é para conhece-la e formar uma opinião.

📚

E é isso!
Você já leu algum autor(a) que ganhou Nobel? Fala aqui um pouquinho da sua experiencia. 

Hábitos de leitura

fevereiro 07, 2020


Desde que passei a me reconhecer como uma leitura na sociedade muitas vezes vi pessoas incrédulas em como tenho coragem de ler um livro, ou em como eu sou inteligente por ler livros, e outras frases que provavelmente todas as leitoras que lêem esse blog já devem ter ouvido. O que essas pessoas, infelizmente, não sabem é que a leitura não é só um sinônimo de coragem e inteligente, mas é um prazer e que nós fazemos isso para ter essa sensação tão gostosa que é a de ler e conhecer diferentes lugares, pessoas, culturas, e até mesmo para conhecer histórias reais, pessoas reais, e etc.

Nem sempre eu fui uma leitora, apesar de gostar de livros desde a pré-adolescência. Eu nunca tive incentivo dentro de casa, pois a minha família via os livros como algo caro — o que não deixa de ser verdade quando você deve escolher entre gastar R$50,00 em um livro para uma criança da casa ou R$50,00 em mantimentos para alimentar quatro ou cinco pessoas. Então quando descobri a biblioteca da escola tudo mudou, pois passei a ler e gostar de ler, mas o processo não foi muito rápido mesmo nessa idade. Hoje em dia eu sei que preciso ler nas horas que estou mais desperta, sei que posso estabelecer uma meta diária de leitura para manter um ritmo e ler tudo (ou quase tudo) que quero, mas nessa época eu não podia nem pensar em fazer isso pois mais seria uma obrigação que outra coisa. Por isso que, apesar de achar eficiente, acho problemático querer estabelecer metas para as pessoas que estão começando a gostar da leitura na vida adulta.

Hoje gosto de estabelecer metas diárias de leitura, que vão de segunda a sexta. A minha ideia principal é ler um livro por semana, portanto sempre que pego um livro novo divido o número de páginas pelo número de dias em que pretendo finalizar a leitura para ter uma ideia do que tenho que ler diariamente. Não coloco os finais de semana na contagem pois, geralmente, são dias que gosto de pensar em vida social e dormir, então nem sempre consigo ler e se leio conto como um extra. Para controlar o prazo eu estou usando uma agenda, onde todos os dias marco o quanto li para saber se bati a meta ou passei dela. Quando passo da meta não significa que no dia seguinte eu irei ler menos, a quantidade é sempre a mesma independente do dia anterior, e a vantagem é que posso acabar o livro mais cedo do que esperava e poder ler mais coisas depois.

Atualmente estou tentando usar um bujo para marcar todo o inicio de mês o que irei ler, pois como tenho leituras coletivas e livros de parceria preciso conseguir focar na meta para dar conta de tudo no prazo correto. Claro que nada disso é certeiro, pois não é uma ciência exata. Às vezes uma leitura flui tão bem que termino em três dias e às vezes é tão denso que acaba se estendendo um pouco mais, nem sempre vai dar certo mas a ideia é somente conseguir controlar para as coisas não saírem tão fora de controle, sabe?

Minha meta esse ano é ler 50 livros, em Janeiro já consegui ler 5. Sim, se eu conseguir manter esse número mensal vou conseguir bater a meta com tranquilidade, mas eu sei que terão meses que não conseguirei ler tantos títulos, então não vou aumentar a meta e sim focar no que preciso ler de urgente por causa de compromissos que firmei, seja com as LCs ou com os parceiros. A única obrigação que tenho é de não parar de ler, nem que seja alguns minutos por dia (mesmo sem bater a meta de páginas, a de tempo também pode ser uma opção).

Opinião: Leave best-sellers alone

janeiro 22, 2020
a sutil arte de ligar o foda-se


Recentemente divulgaram uma lista com os 15 livros mais vendidos no Brasil no ano de 2019 (você pode ver a materia no site do Estadão) e houveram algumas reações negativas por parte dos leitores e, obviamente, não leitores a respeito desta lista. Com base nisso resolvi dar a minha opinião sobre o assunto, já que estou aqui para falar de livros e dar opiniões que ninguém pediu.

Antes de tudo segue a lista:
  • A Sutil Arte De Ligar O F*da-Se, de Mark Manson (Intrínseca)
  • O Milagre da Manhã, de Hal Elrod (Best Seller)
  • Do Mil Ao Milhão. Sem Cortar o Cafezinho, de Thiago Nigro (HarperCollins Brasil)
  • Seja Foda!, de Caio Carneiro (Buzz)
  • Brincando com Luccas Neto, de Luccas Neto (Pixel)
  • As Aventuras na Netoland com Luccas Neto, de Luccas Neto (Nova Fronteira)
  • O Poder da Autorresponsabilidade, de Paulo Viera (Gente)
  • Os Segredos da Mente Milionária, de T. Harv Eker (Sextante)
  • Me Poupe!, de Nathalia Arcuri (Sextante)
  • O Poder da Ação: Faça sua Vida Ideal Sair do Papel, de Paulo Vieira (Gente)
  • Pai Rico, Pai Pobre - Edição de 20 Anos: Atualizado e Ampliado de Robert Kiyosaki (Alta Books)
  • Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, de Dale Carnegie (Nacional)
  • Mindset, de Carol S. Dweck (Objetiva)
  • O Poder do Hábito, de Charles Duhigg (Objetiva)
  • Mais Esperto Que o Diabo, de Napoleon Hill (CDG)

De cara esta lista pode parecer estranha, já que não há nenhum livro de ficção/literatura e muito menos livros sobre história/sociologia, visando nosso cenário politico atual. Mas o que, infelizmente, não percebemos e relacionamos é que indiretamente esta lista reflete cem por cento o nosso cenário atual, já que mais e mais as pessoas estão buscando: 1) enriquecer; 2) a felicidade plena e 3) mudanças interpessoais. 

Longe de mim defender essas leituras, quem acompanha o blog sabe que eu não gosto de autoajuda e quando resenhei um só falei mal e recentemente fiz um desafio pessoal para colocar um autoajuda na minha lista de leituras de 2020; Só que onde esses livros vai levar, de fato, as pessoas que o lêem? Quer dizer: você realmente conhece alguém que leu esses livros sobre dinheiro e conseguiram, de fato, enriquecer com facilidade como eles podem propor? Ou que alguém tenha mesmo ligado o foda-se para as coisas sem a ajuda de uma terapia? Qual é!! Claro que a critica não são as pessoas que consomem esse tipo de material, apesar de pessoalmente eu achar que grande parte dessas pessoas são todas iludidas. Mas sim uma critica ao que o nosso sistema nos obriga a acreditar e seguir.

Vamos analisar juntos: se houvessem mais mobilizações para que as pessoas entendessem a importância de uma terapia, você acha que alguns desses títulos seriam best-seller? Eu trabalho em uma livraria e vi ao longo dos dois anos em que estou lá pessoas buscando ajuda real nesses livros, sendo que é claro que todos eles estão longe de fazer isso. Não da para negar que o livro pode vir a ser uma ferramenta para algo que um terapeuta irá falar ao seu paciente, mas ele nunca deve ser visto como a ajuda que aquela pessoa precisa. 

Mas Silviane, achei que você iria defender os livros pelo título da postagem. Bom, o problema em si não são os livros, né? Muito menos o livro arbítrio de quem os consomem. Já vi gente que nunca pegou um livro na vida decidindo que irá começar a ler e acaba começando com algum desses da lista. E é isso que eu defendo. O que pode ser um lixo para nós pode ser a oportunidade de surgir novos leitores, por mais que venha a ser um processo longo até essa pessoa ler algo de qualidade. Sem falar que se os leitores que se acham cult pode ler ficção e livros de qualidade de fato comprassem esses livros poderíamos ter uma lista bem diferente. Uma pessoa que consome os livros da lista, pela minha experiencia em atendimento em livraria, não tem habito de procurar livros grátis na internet, ao contrário de nós que baixamos muita coisa e compramos em uma escala menor. 

Há necessidade de consciência de que, apesar de o brasileiro estar lendo errado pelo menos ele está lendo alguma coisa e o que ele deve entender que apesar da sua leitura ter uma proposta milagrosa ela é somente uma ideia que pode ou não dar certo, assim como algum ou outro argumento ali pode ser utilizado outros devem ser descartados. 

A virgindade supervalorizada em YA e NA

novembro 06, 2019

Eu tenho certeza que se você é uma leitora (ou leitor) de romances já se deparou com aquela personagem que mal beijou alguém na boca e, obviamente, é virgem. Mas por qual motivos essas garotas são tão valorizadas na literatura young adult e new adult?

Vamos deixar claro, antes de qualquer coisa, que esta não é uma critica a pessoas e até mesmo personagens que escolhem ser virgem, independente da idade. Em casos de livro young adult se a personagem tem 14 anos é óbvio que é normal ela ser virgem, mas convenhamos que personagens de 16, 17, 18 anos é muito mais fora do comum, pois sabemos que a realidade não é bem assim. O problema em si não é a personagem ser virgem, longe disso, mas sim o que as autoras fazem com essa virgindade: Bota um rapazinho fofo que vai lá desflorar a garota. Vamos combinar: Isso é legal?

Eu li Crepúsculo quando tinha 15 anos, 16 no máximo, e quando li o primeiro livro não era mais virgem e em certos aspectos me sentia incomodada por ver o medo do Edward em transar com Bella, uma coisa que ela claramente queria e demonstrou em vários momentos. Vocês conhecem a história e sabem que eles transaram só após o casamento. Eu me perguntava o porque daquilo ser tão importante, mesmo que a Bella não mudasse aos olhos dele, entende? E pelo amor de Deus, não vai me falar que ele tinha medo por eles serem diferentes, ok? Vamos nos poupar.

Já na minha fase adulta passei a ler Estilhaça-Me, e alguns outros romances, como da autora Colleen Hoover, Obsidiana, Divergente, e Para Todos os Garotos que Já Amei. Sim, há uma mistura de livros de romance e fantasia, mas todos tem um casal que estão ali querendo transar e que não transam porque a personagem é virgem e existe toda uma responsabilidade a respeito disso. Ok, a autora se preocupar em fazer disso algo positivo para a personagem é ótimo, mas vamos ser realistas? Perder a virgindade é ruim, uma das piores experiencias que uma garota pode ter na vida e porque os livros não podem mostrar isso de uma forma mais realística? Eu nunca fui enganada pela literatura a respeito disso, mas e as jovens que estão ali lendo esses livros e imaginando que sua primeira vez vai ser tão linda assim?

Não vamos esquecer do ponto principal deste texto: O motivo de as personagens que são virgem sempre serem tratadas como fofas e garotas de família, e quando a amiga dela que já transou com metade da escola/faculdade é retratada como a safada, para não dizer vadia? Como uma mulher bem entendida de mim mesma e que crê que as mulheres tem o direito de fazer o que bem entender sem serem julgadas isso é extremamente incomodo, entende? Não acho que a personagem adolescente tem que sair transando com todo mundo sem responsabilidade, mas vamos encarar a realidade: meninas de 16, 17, 18 anos transam e muitas transaram com mais de um cara e tudo bem desde que ela esteja fazendo isso porque quer e com responsabilidade. O nosso papel social é de ensina-las o que é certo e o que é errado, o nosso papel é conscientiza-las de que ela não deve aceitar ser tratada mal por um homem, que ela deve descobrir antes de tudo o que ela quer, gosta e deseja, para não acabar caindo nas mãos de macho lixo por aí, entende? E porque os livros não podem nos passar essa mensagem sem uma romantização do sexo? Vamos tentar refletir sobre isso por algum momento.


 
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