Releitura: Incendeia-Me, de Tahereh Mafi

 

Eis que após algumas semanas sumida eu voltei com mais um post da minha meta de reler (e ler) todos os livros da série Estilhaça-Me. Cheguei ao último livro daquilo que eu chamo de trilogia original, quando os fãs pensavam que não haveria mais livros da série e tiveram que se conformar com o final — que não é de todo ruim, apenas um pouco rápido.

Se você acompanhou as postagens anteriores viu que mesmo eu adorando a série não poupei criticas sobre alguns acontecimentos e até mesmo sobre os personagens. Eu continuo amando eles, mas a leitura do livro já na vida adulta muda um pouco de perspectiva. Neste livro não foi diferente, apesar de eu ter tido uma experiência completamente nova ao perceber que eu tinha uma ideia do livro que não é verdadeira em relação a cronologia. De alguma maneira na minha cabeça nesse livro Juliette e Warner passam muito tempo juntos como um casal e isso não é verdade. É até estranho quando eles, finalmente, decidem ficar juntos o livro já está quase no fim. Eu espero que não tenha muitos dramas no romance nos próximos livros, pois eu ficarei muito irritada.

Já estive aqui antes, digo a mim mesma. Já fui mais solitária do que isso, com menos esperança do que isso, mais desesperada do que isso. Já estive aqui antes e sobrevivi. Posso passar por isso.

Após o primeiro livro a autora praticamente esqueceu de toda a questão distópica da obra e isso me deixa bem irritada, pois é uma das coisas que eu sempre tive mais curiosidade de saber. Agora Juliette está de volta do QG de Warner e como está muito próxima dele, de inicio como amiga e depois como namorada, seria o momento certo para descobrir tudo isso, entretanto com os dramas do triângulo amoroso e seu desejo de matar Anderson mais uma vez essa questão é deixada de lado. Para ser justa algumas coisas pequenas sobre O Restabelecimento são reveladas, mas essas informações vem junto com outras antigas que acabam não fazendo tanta diferença assim.

O principal tema abordado nesse volume é o romance, pois após o término de Juliette e Adam ainda no Ponto Ômega ela acabou repensando sobre seus sentimentos. Eu sou a pessoa que acredita que um boooom tempo solteira faz bem para qualquer uma que saiu de um namoro conturbado (e olha que esse namorico dos dois durou nem 2 meses). Juliette e Warner finalmente começam a se entender e mais do que isso ela começa a se entender de uma forma como nunca tinha feito antes. Um pouco com a ajuda dele, mas grande parte sozinha e junto com essa perspectiva há uma forma de tornar Adam o vilão tóxico da coisa toda. Eu nunca na minha vida imaginei defender Adam nem um pouco, mas apesar de a autora ter pego pesado nessa transformação do personagem eu continuou com as mesmas impressões que acabei ficando do livro anterior: ele vê Juliette como algo bom de sua vida; E agora percebendo que está a perdendo de verdade, para sempre, é como se todo o mundo dele fosse ruir novamente. Isso faz com que ele entre em pânico e dê aquelas surtadas ridículas. Não quero passar pano para ele, pois as coisas que ele fala para ela são horríveis e pesadas, mesmo ele estando magoado nunca deveria agir daquela forma; entretanto eu não consigo deixar de sentir pena. Torço para que ele tenha uma conclusão melhor nos próximos livros, pois aqui ele mal teve um final.

Não sei qual versão minha o Adam gosta. Não sou agora a mesma pessoa que era quando estávamos na escola. Não sou mais aquela menina. Acho que ele quer isso — afirmo, levantando o olhar para Kenji. — Acho que ele quer fingir que sou a menina que não fala de verdade e passa a maior parte do tempo tendo medo. O tipo de menina que ele precisa proteger e de quem precisa cuidar o tempo todo. Não sei se ele gosta de quem eu sou agora.

Eu adoro a química entre Juliette e Warner. O relacionamento deles aqui passa a ser tão levinho e todas aquelas impressões negativas dele são justificadas como um "mal entendido". Claro, eu não vou cair nessa fácil e ouso dizer que provavelmente ele seria sim o vilão da série, mas provavelmente com a recepção do público em relação à ele e a mãozinha do agente ele acabou se tornando, enfim, o mocinho (nem tão mocinho ainda) da história. De toda forma como ele apoia Juliette em suas ideias, como ele a ajuda a se tornar uma líder (algo que ele sempre acreditou que ela fosse) é até lindo de ver, pois é justamente isso que um namorado deve fazer mesmo quando a outra pessoa quer fazer coisas que você discorda. Warner da a ela a liberdade de tentar fazer as coisas e ajuda-la a não quebrar a cara, mas se quebrar ele vai ajudar a superar sem ficar tacando as coisas na cara, sabe? O meu rancinho por ele do primeiro livro até passa nessas horas e eu amo tanto esse casal que quero guardar num potinho.

Mais uma vez eu vim aqui com um texto longo, mas tá difícil resumir tudo que eu acho, então vou reservar esse espaço só para falar daquilo na história além do romance: O plano de Juliette em acabar com Anderson. Ela tem apenas 17 anos e zero experiência com as coisas, afinal ficou uns 4 anos presa. Castle tem experiência em liderar pessoas, apesar de ser muito altruísta. Warner nem preciso falar, né? Ele é "só" o líder de um setor inteiro, mesmo tão jovem. Kenji e Adam (a contragosto) tem experiência militar. Todos ali simplesmente aceitam a ideia dela rápido e fácil. Sim, ela amadureceu muito desde o primeiro livro, mas isso não anula a falta de experiência e treinamento dela nesse novo mundo que ela está descobrindo; Então é aqui que Tahereh deu mais uma leve pecada na história. Assim como da primeira vez o final tem um gosto amargo na boca, uma necessidade de algo a mais e que talvez ela venha a entregar nos próximos volumes.

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Título: Incendeia-Me (Ignite Me) - Shatter Me #3 • Autora: Tahereh Mafi
Editora: Novo Conceito • Tradução: Bárbara Menezes

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