Resenha: Conectadas

Eu adoro um bom YA, com um romance fofo e personagens divertidos e Conectadas tem isso. Além de uma ambientação do mundo de jogos online que eu tenho acompanhado nos últimos anos por namorar um viciado.
Raíssa, infelizmente, descobriu logo cedo que o mundo dos jogos online é um ambiente tóxico para meninas e para tentar se proteger dos haters e do assédio ela passou a jogar como um personagem masculino, passando a ser reconhecida pelas suas habilidades no jogo. Durante uma partida ela conhece Ayla, com quem passa a jogar diariamente. O problema é que Raíssa, ao perceber que estavam se tornando amigas, não disse que era uma menina se passando por menino para fugir de certas situações, ela mentiu mais. Passou a fingir que é Léo, seu melhor amigo, para conversar com Ayla por chamada de voz e vídeo (sim, Léo acabou ajudando Raíssa nessa mentira) e com o tempo Raíssa se apaixonou por Ayla e Ayla se apaixonou por.. Léo.
O amor-próprio é o alimento da alma.

Eu adoro essas histórias com confusão de relacionamento, pois às vezes geram boas risadas e suspiros quando as coisas começam a dar certo. E isso acontece aqui, ainda bem. Todas as caracteristicas são bem trabalhadas pela autora, pois eu consegui rir de todas as vezes que Raíssa precisou usar seu amigo para fingir na frente da câmera e quando elas se conheceram e passaram a se dar bem — mesmo Ayla não sabendo que Raíssa é Léo — as coisas entre elas foram tão fofas e naturais. Mas ao mesmo tempo que é gostoso acompanhar isso é angustiante vendo a mentira durando mais e mais tempo. O livro é narrado pelas duas personagens em capítulos alternados, então ao saber as coisas que Ayla passa em casa e na importância que ela dá para essa amizade com "Léo" não tem como não se angustiar com a mentira tomando proporções cada vez maiores.

Uma grande evento do jogo acontece em basicamente metade do livro e essa maneira de criar um conflito para as personagens se conhecerem pessoalmente foi muito bom. Eu nunca fui em um evento muito grande de jogos eletrônicos, mas por ter ido em um pequeno de card game que meu namorado jogava (hoje em dia ele joga outro) eu adorei todas as descrições do local e público ali descritas. Não sei se Clara Alves é gamer, e imagino que seja, mas toda a ideia tanto do jogo quanto do evento foi muito bem aproveitada na história. Afinal, o livro é um romance, mas também é sobre a critica de uma comunidade que ao mesmo tempo que te acolhe também é tóxica (até estranho falar assim, mas é um ambiente complexo de for analisar socialmente). Bom, nesse evento Ayla conhece Raíssa como sendo irmã de Léo e por notas diferenças entre o Léo da internet e o Léo da real life ela acaba ficando amiga de Raíssa, mas ao perceber que está interessada nela as coisas vão mudando um pouco. Então tem todo aquele drama da descoberta da verdade mas que depois se torna uma descoberta sobre si mesma e quando eu falo isso eu nem me refiro a sexualidade delas, que apesar de ser uma característica do livro não é algo que eu vou ficar mencionando aqui pois acho que a gente não precisa mais ficar falando nas resenhas que o livro é lgbtqi+, afinal romance é romance.

Além das protagonistas o livro tem personagens que eu gosto bastante. O próprio Léo, que apesar de ser citado o livro inteiro ainda acho que ele merece uma história sua, pois raramente vemos pessoas assexuais na literatura YA. E eu ainda fiquei torcendo bastante para que ele e Gabi tivesse um romance, pois para mim é muito óbvio que ela gosta dele. Talvez é interessante a ideia de trabalhar com um personagem assexual lidando romanticamente com uma personagem que não é assexual e como esse conflito se resolve no relacionamento. A amizade de Léo e Raíssa é muito bonita e sincera, mas eu passei alguns nervosos ao ver que ele estava se sentindo mal com todas as mentiras da amiga e principalmente por fazer parte dela. Achei bem triste ela perder de curtir o evento com seu melhor amigo porque estava presa nisso, sabe? E mesmo ela percebendo seu egoísmo em vários momentos da história ela demorou muito tempo para tomar um atitude (a na verdade ela acabou nem fazendo nada). Mas ao mesmo tempo isso mostra o que amigos fazem pelo outro, mesmo de uma forma torta.

Então se você gosta de um YA diferente e inteligente, com uma boa representatividade, Conectadas é um livro que eu tenho certeza que você irá gostar. Clara Alves além de criar uma história que qualquer leitora apaixonada romance vai adorar, ela também consegue fazer isso com uma narrativa bastante fluida. Já dei uma olhada em outros títulos dela e vou colocar na listinha de leituras.

📚

Título: Conectadas • Autora: Clara Alves • Editora: Seguinte

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CONVERSATION

4 Comments:

  1. Deve ser bem interessante esse livro, gostei da sua resenha.

    Big Beijos,
    Lulu on the sky

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  2. Eu já havia visto uma pequena indicação desse livro, e por mais que eu não seja fã de romances, gostei do fato de o livro trazer uma história baseada em sexualidade e descobertas, além é claro, do pano de fundo com games, que não é algo muito explorado na literatura.
    Enfim, amei sua resenha. Já falei que tu escreve muito bem? Se não, é isso. Suas resenhas são ótimas.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

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  3. Silviane!
    Gosto muito de romances com representatividade, embora faça um tempinho que nõ leia um YA. Estava achando todos com a mesma 'fórmula' que me enjoou um pouco, entretanto, gostei muito do enredo desse, embora não seja ligada em jogos eletrônicos.
    cheirinhos
    Rudy

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  4. Deve ser uma leitura bem leve de ler ,mas não curto muito YA ,então dessa vez deixo passar a dica.,
    otima resenha

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