Drácula (Bram Stoker)

21/05/2021

Qualquer fã de terror já se deparou em algum momento com Drácula, seja o filme, série ou referencias em outras obras. Eu sou uma dessas e confesso que nunca senti tentada a ler o livro original até comprar a coleção da Martin Claret que contém os livros O Médico e o Monstro e Frankenstein. Então aproveitei para colocar na minha lista de 2021 para conhecer essa história que conquistou muitas gerações e é uma referencia na literatura de terror.

Eu não esperava encontrar aqui uma história narrada em forma de diários e cartas. Esse não é um elemento narrativo que eu gosto muito, apesar de já ter lido boas histórias assim. Mesmo com muitos detalhes do que acontece na mansão do Conde Drácula e do que sucede posteriormente ainda gostaria de uma história linear narrada em terceira pessoa. Claro, estou basicamente exigindo que o livro seja do jeito que eu gostaria, ou esperasse, né? Mas as cartas e diários dão a impressão de deixar alguns detalhes de fora e, a maioria das vezes, colocar muito sentimentalismo dos personagens para com o remetente ou a si mesmo (no caso dos diários).
— Bem-vindo a minha casa. Entre por livre e espontânea vontade. Vá em segurança e deixe algo da felicidade.
Jonathan é um jovem assistente de advogado que precisa viajar para a Transilvânia e auxiliar um cliente de seu empregador que irá se mudar em breve para Londres. Esse cliente é o próprio Conde Drácula acaba aprisionando o jovem por algumas semanas e o deixa para morrer após sua mudança. O inicio do livro, quando Jonathan está na casa do Conde com certeza é uma das partes mais assustadoras da história; Mesmo eu conhecendo um pouco da história de Drácula e sabendo o que ele é, ao ver a incerteza do personagem e o medo que ele sente das coisas que vê naquela casa parece que eu estava sabendo da existência do conde pela primeira vez. Para mim o livro poderia se estender um pouco mais nessa parte, pois quando o Conde passa a viver em Londres e procurar formas de se alimentar lá a trama ficou muito morna e me fez questionar o motivo do livro ser tão aclamado no aspecto de terror ainda hoje.

As próximas cartas são da noiva de Jonathan, Mina, sua amiga Lucy e alguns de seus pretendentes a história passa a ser muito mais uma investigação sobre quem, ou o que, o Conde Drácula é. A presença de Van Helsing é uma boa adição na história, pois ele já tem pleno conhecimento da lenda que envolve o vampiro e como pode destrui-lo. Então aqui ficam algumas comunicações mais chatas, como Lucy contando para sua amiga sobre seus pretendentes e posteriormente esses homens todos reunidos para tentar matar o Conde. Além de conversas que em alguns momentos parece não levar a história para lugar algum. Entendo que faz parte da característica de cartas e diários, que as vezes o assunto pode ir até coisas irrelevantes, mas isso deixa faz com que o livro perca toda a ambientação de terror que deveria ter.

Acho que uma das coisas que mais espero em um livro de terror é o final e aqui não foi diferente. Eu acreditei que o encontro com a criatura seria épico, de dar medo e fazer com que o leitor se sentisse aflito, mas a jornada foi tão grande que o ápice não fez jus a ela. Cena de duas, três, páginas que são esquecíveis. Então ao contrário do esperado, infelizmente, Drácula é uma história bem morda.

🧛🏻‍♂️

Título: Drácula • Autor: Bram Stoker • Tradução: Maria Luísa Lago Bittencourt • Editora: Martin Claret

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Resenha: Fraude Legítima

17/05/2021


E. Lockhart tem o jeito de abalar as estruturas de qualquer leitora. Um forma de escrever que te faz querer mais e mais a cada capitulo e eu fiquei o tempo inteiro assim ao ler Fraude Legítima. Se você leu Mentirosos e acha que já sabe o que vem por aí digo que você está muuuito enganada. Enquanto em Mentirosos temos um plot twist no final do livro aqui temos várias pequenas reviravoltas que te deixam pensando "o que é isso???" com o sentimento de que está perdendo a própria sanidade.

Fraude Legítima começa do final. A leitura se inicia no capítulo 18 e a história é contada de forma reversa, então já ficamos sabendo o fim logo nas primeiras páginas. Mas a maior questão é como que as coisas aconteceram daquela forma? A personagem principal se chama Jule e está em uma viagem no México, cheia de luxos, daquele jeito que todo mundo sonha. Até que percebe que uma policial está seguindo-a. Com a regressão da história ficamos sabendo que ela veio de Londres e que estava de luto por uma amiga. A história passa a girar em torno dessa amizade que parece ser perfeita mas descobriremos que tem seus altos e baixos com mais baixos. Ciúmes e inveja são uma das principais caracteristicas que encontramos nas personagens.

Não quero falar muito da história pois este é um livro que as coisas vão acontecendo aos poucos, com cada capitulo te dando uma pista sobre Jule, sua vida, seu passado, além da sua personalidade. Além do mais é uma obra que vai te dando perspectivas diferentes sobre conceito de amizade e o inicio da vida adulta, é o exemplo perfeito de que nunca conhecemos alguém cem por cento, nem as mais próximas, muito menos as que achamos que nos ama.

O que eu posso falar dessa autora além de que ela é perfeita? Pensa em uma mulher que pensa em detalhes para descrever as personagens, além de sutilmente mostrar sua posição feminista na obra, colocando mulheres fortes e dando outras caracteristicas. Sem contar que para contar essa história de trás pra frente precisou de uma puta de uma criatividade e memória, pois tinham detalhes que eu me perdia em alguns momentos (mesmo tudo estando registrado com datas). Enfim, é uma leitura maravilhosa que eu recomendo para quem gosta de um suspense com drama.

Título: Fraude Legítima (Genuine Fraud) • Autora: E. Lockhart
Editora: Seguinte • Tradução:  Flávia Souto Maior

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Desafio dos 100 filmes #5

13/05/2021

 

Oi, pessoal. Vocês estão curtindo o desafio? Se você assistir algum dos filmes que eu já coloquei em um post anterior me conta o que achou.

21 — Algum filme que te faça rir



Não importa a idade eu sempre vou adorar Os Batutinhas. Fez parte da minha infância e da mesma forma que eu me divertia e ria antes eu também faço agora.

22 — Um filme bom com um final péssimo



Sabe quando você assiste um filme e fica o tempo inteiro pensando: "Isso é incrível"? Foi assim que aconteceu comigo quando assisti Pieces of a Woman. O filme inteiro é maravilhoso, mas quando chega no final ele não entrega um final digno de toda a grandeza do restante.

23 — Um filme que você gostou mas tem vergonha de falar



Eu acho que nunca deixei de admitir que gosto de algum filme por vergonha, mas já que é para colocar um que seja Como se Fosse a Primeira Vez. Esse filme é uma vergonha alheia, né? Mas é bem fofo.

24 — Um filme que te dá medo



Invocação do Mal é um filme que eu assisti uma vez para nunca mais. Tá juntinho com O Exorcista de filmes que me dão medo. 

25 — Um curta-metragem



Muito atual e interessante o atual vencedor do Oscar de melhor curta-metragem é Dois Estranho. Ele mostra a luta diária de uma pessoa negra enfrentando a policia pelos motivos mais banais. São 30 minutos excelentes que eu indico para todos.

Resenha: Conectadas

12/05/2021

Eu adoro um bom YA, com um romance fofo e personagens divertidos e Conectadas tem isso. Além de uma ambientação do mundo de jogos online que eu tenho acompanhado nos últimos anos por namorar um viciado.
Raíssa, infelizmente, descobriu logo cedo que o mundo dos jogos online é um ambiente tóxico para meninas e para tentar se proteger dos haters e do assédio ela passou a jogar como um personagem masculino, passando a ser reconhecida pelas suas habilidades no jogo. Durante uma partida ela conhece Ayla, com quem passa a jogar diariamente. O problema é que Raíssa, ao perceber que estavam se tornando amigas, não disse que era uma menina se passando por menino para fugir de certas situações, ela mentiu mais. Passou a fingir que é Léo, seu melhor amigo, para conversar com Ayla por chamada de voz e vídeo (sim, Léo acabou ajudando Raíssa nessa mentira) e com o tempo Raíssa se apaixonou por Ayla e Ayla se apaixonou por.. Léo.
O amor-próprio é o alimento da alma.

Eu adoro essas histórias com confusão de relacionamento, pois às vezes geram boas risadas e suspiros quando as coisas começam a dar certo. E isso acontece aqui, ainda bem. Todas as caracteristicas são bem trabalhadas pela autora, pois eu consegui rir de todas as vezes que Raíssa precisou usar seu amigo para fingir na frente da câmera e quando elas se conheceram e passaram a se dar bem — mesmo Ayla não sabendo que Raíssa é Léo — as coisas entre elas foram tão fofas e naturais. Mas ao mesmo tempo que é gostoso acompanhar isso é angustiante vendo a mentira durando mais e mais tempo. O livro é narrado pelas duas personagens em capítulos alternados, então ao saber as coisas que Ayla passa em casa e na importância que ela dá para essa amizade com "Léo" não tem como não se angustiar com a mentira tomando proporções cada vez maiores.

Uma grande evento do jogo acontece em basicamente metade do livro e essa maneira de criar um conflito para as personagens se conhecerem pessoalmente foi muito bom. Eu nunca fui em um evento muito grande de jogos eletrônicos, mas por ter ido em um pequeno de card game que meu namorado jogava (hoje em dia ele joga outro) eu adorei todas as descrições do local e público ali descritas. Não sei se Clara Alves é gamer, e imagino que seja, mas toda a ideia tanto do jogo quanto do evento foi muito bem aproveitada na história. Afinal, o livro é um romance, mas também é sobre a critica de uma comunidade que ao mesmo tempo que te acolhe também é tóxica (até estranho falar assim, mas é um ambiente complexo de for analisar socialmente). Bom, nesse evento Ayla conhece Raíssa como sendo irmã de Léo e por notas diferenças entre o Léo da internet e o Léo da real life ela acaba ficando amiga de Raíssa, mas ao perceber que está interessada nela as coisas vão mudando um pouco. Então tem todo aquele drama da descoberta da verdade mas que depois se torna uma descoberta sobre si mesma e quando eu falo isso eu nem me refiro a sexualidade delas, que apesar de ser uma característica do livro não é algo que eu vou ficar mencionando aqui pois acho que a gente não precisa mais ficar falando nas resenhas que o livro é lgbtqi+, afinal romance é romance.

Além das protagonistas o livro tem personagens que eu gosto bastante. O próprio Léo, que apesar de ser citado o livro inteiro ainda acho que ele merece uma história sua, pois raramente vemos pessoas assexuais na literatura YA. E eu ainda fiquei torcendo bastante para que ele e Gabi tivesse um romance, pois para mim é muito óbvio que ela gosta dele. Talvez é interessante a ideia de trabalhar com um personagem assexual lidando romanticamente com uma personagem que não é assexual e como esse conflito se resolve no relacionamento. A amizade de Léo e Raíssa é muito bonita e sincera, mas eu passei alguns nervosos ao ver que ele estava se sentindo mal com todas as mentiras da amiga e principalmente por fazer parte dela. Achei bem triste ela perder de curtir o evento com seu melhor amigo porque estava presa nisso, sabe? E mesmo ela percebendo seu egoísmo em vários momentos da história ela demorou muito tempo para tomar um atitude (a na verdade ela acabou nem fazendo nada). Mas ao mesmo tempo isso mostra o que amigos fazem pelo outro, mesmo de uma forma torta.

Então se você gosta de um YA diferente e inteligente, com uma boa representatividade, Conectadas é um livro que eu tenho certeza que você irá gostar. Clara Alves além de criar uma história que qualquer leitora apaixonada romance vai adorar, ela também consegue fazer isso com uma narrativa bastante fluida. Já dei uma olhada em outros títulos dela e vou colocar na listinha de leituras.

📚

Título: Conectadas • Autora: Clara Alves • Editora: Seguinte

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Resenha: A Letra Escarlate

10/05/2021

Na minha TBR do Desafio 30 livros antes dos 30 anos, por algum motivo, eu coloquei A Letra Escarlate. Esse é um livro que sempre ouvi falar, mas não através de resenhas e divulgações, e sim por algumas referencias em outros livros, filmes e séries, então acho que minha curiosidade ficou um pouco atiçada. Ainda bem que coloquei ele sem muita expectativa na lista, pois o livro me surpreendeu bastante. A protagonista, Hester Prynne é considerada uma das primeiras "heroinas" da literatura estadunidense e o livro sendo escrito em meados de 1800 não é de se surpreender que tenha grande relação com a igreja e com a ideia de uma mulher meretriz. 

Mas para ficar mais fácil o entendi é melhor da uma resumida na história: Hester é uma jovem que inicia o livro sendo levada a um cadafalso com um bebê no colo. Ela é acusada de adultério e possui uma letra A na cor escarlate bordada no peito, e essa marca ela precisará carregar para o resto de sua vida. Na noite em que ela é liberada do cadafalso um homem que se diz médico aparece para ajuda-la e ali é revelado que ele é na verdade o marido dela, que estava desaparecido há algum tempo e pede a ela para não revelar a cidade sua verdadeira identidade e ao questionar a respeito do pai da criança ela recusa-se a revelar, mas ele promete que irá descobrir.

(...) por mais arrogante que fosse sua postura, Hester possivelmente agonizava diante daqueles que se aglomeravam para vê-la, como se seu coração tivesse sido atirado no meio da rua para que todos escarnecessem dele e o pisoteassem.

Apesar do o livro não ser nem de perto um favorito eu gostei dele com algumas ressalvas. Eu sempre pensei que a história fosse super machista, levando em conta até mesmo o contexto histórico, mas ele não é bem assim. O autor sempre faz questão de falar sobre a força da personagem e de como ela aguenta tudo aquilo diante das pessoas e até mesmo ao longo dos anos, e em outros momentos há a sua fraquezas, sua submissão em relação a aquilo. É interessante essa ambiguidade, já que ao mesmo tempo que ela pode ser forte e aguentar aquilo ela também é um ser humano, tem seus sentimentos e acha que precisa obedecer aqueles que são mais fortes pelas suas posições sociais. A premissa de que Hester é uma heroína vai além do seu papel no livro, já que ela acaba tendo pequenas conquistas ao longo do livro que vai contra tudo o que seus algozes esperam dela. Hester consegue criar sua filha sozinha, ela tem uma carreira que é requisitada por todos daquela cidade e mesmo de forma sutil ganha o respeito das pessoas. Em certo momento eles até consideram livra-la da letra escarlate.

Assim como qualquer livro clássico a narrativa é um pouco chata em alguns momentos. Eu tenho um problema com histórias que me passam a impressão de estar enrolando leitor, sabe? E aqui eu senti um pouco disso em alguns diálogos que eram repetitivos e cenas que demoravam para ter um objetivo, mas de qualquer forma o livro não é longo e da para aguentar isso tranquilamente. Acho que A Letra Escarlate vale muito a pena ler para conhecer essa personagem tão diferente daquelas retratadas em sua época e principalmente para ter mais um vislumbre de hipocrisia e intolerância que a igreja tinha (e ainda tem) em relação as mulheres. 

Leia também:

Bom, muitas coisas poderiam ser faladas nesse livro. Acho que o que eu mais queria falar diz respeito a parte final da obra, mas ai seria um spoiler que acho mais interessante vocês lerem para descobrir. De qualquer maneira é um livro que da para analisar de várias formas e vai de cada leitor. Sei que muitos não gostam de clássicos, mas eu indico muito. Vale a pena.

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Título: A Letra Escarlate • Autor: Nathaniel Hawthorne • Tradução: Christian Schwartz • Editora: Penguin Companhia

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Resenha: O Senhor das Moscas

07/05/2021

 

Quando se fala em clássicos da literatura universal O Senhor das Moscas é um dos livros menos lembrados pelos leitores brasileiros. O romance de estreia do autor britânico William Golding é um dos livros mais fluidos e fáceis de ler dessa leva de clássicos do século XX, afinal sua trama é de fácil interpretação, mas que também carrega tantas outras para serem analisadas.

Na trama um avião com vários meninos, entre 6 e 12 anos, cai em uma ilha deserta. Sem rastro do avião e de qualquer adulto de inicio esses meninos acreditam que irão viver uma aventura, semelhante há tantos livros de ilha perdida (como Robinson Crusoé), e um desses meninos percebe de imediato que eles precisam se organizar para conseguirem viver ali até serem resgatados. Porquinho, como passa a ser chamado, se torna a única voz da razão naquele lugar onde começa uma disputa de líderes. Ralph, acaba se tornando o líder eleito do grupo, mas quais responsabilidades tem crianças para votar? Ele se prende a ideia de que o grupo precisa manter uma fogueira acesa caso um navio passe, uma esperança que ele carrega durante toda a narrativa. Todos os conflitos da história, de modo geral, acontecem justamente por essa fogueira, já que o grupo de Jack acredita que a maior necessidade dos meninos é de comer carne. Claro, os conflitos são resumidos nesses dois aspectos mas o maior de tudo é a clara disputa dos dois meninos para liderar, a necessidade de ter uma posição de respeito em meio a outros. Em meio ao conflito de sobrevivência do grupo um monstro assusta as crianças menores, medo esse que com o passar do tempo irá assombrar também os maiores.

O problema quando você é o chefe é que precisa pensar, dizer a coisa certa. Aí a ocasião chega e você precisa tomar uma decisão. Por isso é que você tinha que pensar; porque o pensamento é uma coisa valiosa, que produz resultados...

Em um primeiro momento eu não gostei do livro. Algumas partes são confusas e outras acontecem muito rápido, mas conforme a leitura vai avançado é mais fácil de entender as decisões do autor para a  história. Em uma ideia de colocar dois meninos disputando uma liderança, mesmo que até certo momento isso não seja óbvio, o autor acaba fazendo essas crianças perdendo toda a sua inocência e os leitores perdem ali sua fé na humanidade, já que ao mostrar esses meninos que deveriam se ajudar brigando por algo superficial naquela situação incomum nós percebemos que a natureza humana não é isso que vemos na sociedade e que aqui ela fica apenas mascarada pelas nossas leis, regras, senso comum, e tudo mais. Ao usar crianças para provar essa ideia parece que ele quer fazer com que fiquemos até depressivos e odiando a humanidade, mas de certa forma não deixa de ser verdade. Nós podemos ver, como exemplo, alguns reality shows que mostram o homem na natureza, ou até mesmo em uma casa de luxo onde o pior de alguns ficam a mostra e que a situação só não é pior porque alguns dias da semana há influencia externa.

Com um elemento de fantástico na ilha há um monstro, que desde o primeiro dia é comentado pelos meninos. Após algumas páginas esse monstro fica na cabeça de uma porca que foi dada como sacrifício a ele, rodeado de moscas o livro apresenta o então Senhor das Moscas, também conhecido como Belzebu, um dos demônios mais poderosos do inferno. À partir dai parece que a história vai se tornar algo de terror, mas isso não acontecer. Apesar da entidade conversar com um dos meninos e atormentar tantos outros, mesmo que indiretamente, pouco ela é citada depois. Ao falar que ela não é citada não significa que ela não faz parte da história, pois os garotos sempre citam seu medo da ilha. Acho que de certa forma eu queria algo mais explicito sobre a criatura, mas é interessante tê-la somente como um elemento importante na cabeça dos meninos.

Leia mais 

Acho importante falar sobre os personagens, pois eles transmitem toda a ideia do livro. Para mim Porquinho é o melhor, não apenas por ser a voz da razão, mas ele é inteligente e subestimado pelos outros. Um menino de 12 anos que tem asma e deixa de fazer as coisas porque a doença é muito grave. Apesar de eu achar um pouco improvável ele ficar ali tanto tempo sem um ataque ainda assim é um garoto que demonstrou coragem até quando morria de medo. Ralph é altruísta, acho que esse é o único adjetivo que consigo dar a ele. Claro, ele não é perfeito, chega um momento em que ele briga e de certa forma ele tem a necessidade dessa liderança, mas ainda assim ele sempre tentou pensar no coletivo com as limitações dele. Sua fixação com o fogo pode ser um tanto quanto idiota, mas é a única esperança que ele tem de salvar o grupo no caso de um navio passar por ali. Inclusive, o próprio fogo/fogueira é um personagem da história, tamanha a sua importância. Se pensarmos na representatividade do fogo para a história da humanidade faz todo o sentido ser aquilo que os garotos mais necessitam. Jack já é aquele que alguns podem considerar um vilão, mas assim como Ralph e Porquinho ele é apenas uma criança. Para ele a maior necessidade do grupo é o alimento, a carne, e por ser a necessidade que todos mais sentem ficou fácil para ele se provar. Apesar de odiar suas atitudes ainda acho importante seu antagonismo na história.

O livro não entrou na minha lista de favoritos, mas com certeza é um livro que irei reler novamente em alguns anos. A forma como ele pode ser interpretado, além do que foi dito aqui, vai sempre mudar de acordo com cada leitor. Alguns podem falar sobre religião, outros sobre inicio da humanidade, há também que já usou o livro para falar de politica. Então esse é um dos livros que eu tenho que dizer: leia, tire suas conclusões. Depois me diz se gostou ou não.

📚

Título: O Senhor das Moscas (Lord of the Flies) • Autor: William Golding • Tradução: Geraldo Galvão Ferraz • Editora: Nova Fronteira (Coleção Biblioteca Folha)

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Desafio dos 100 Filmes #4

05/05/2021

 

Olá! Como vocês estão?

Essa semana o Desafio dos 100 Filmes chega mais cedo. Ando muito ocupada vendo série e como a Globoplay será cancelada com o fim do BBB eu preciso conseguir finalizar as temporadas disponíveis na plataforma a tempo. Estou basicamente dia e noite só assistindo as coisas.

16 — Um filme que utilizou de cenas reais



Bom, não utilizou exatamente cenas reais, mas é um filme que tem pessoas reais contando sua história, então considerei para a tag. Nomadland é meu queridinho do momento e eu adoro como o elenco de não-atores deixou o filme muito mais real do que podemos imaginar.

17 — Um filme que ganhou o Oscar merecidamente



2020 foi o ano de Parasita e não é para menos. O filme que tem alta critica ao capitalismo e diferenças de classes não poderia ser mais atual, né? Eu torci muito por esse filme e vibrei quando ele ganhou.

18 — Um filme que você nunca assistiria de novo



Eu até tenho m gosto duvidoso para filmes, mas o filme The Tusk foi uma das piores coisas que eu já assisti na vida. A história é até interessante e poderia funcionar se fosse bem executado, mas as motivações e os efeitos são horríveis. 

19 — O melhor documentário



Eu até gosto de documentários, mas tenho pouca paciência para assistir, então um dos poucos que esta na minha lista de assistidos é o brasileiro Democracia em Vertigem que fala sobre cenário politico do país na Era PT e como ele ruiu, até chegar na triste que estamos hoje (no caso lá para 2018, 2019).

20 — Um filme que possui uma excelente trilha sonora



Não é um filme que eu goste muito. Acho que na Era de filmes adolescentes dos anos 90 esse é o que eu menos gosto, entretanto tem a melhor trilha sonora. Enquanto os filmes desse gênero apostavam em bandas punk, Segundas Intenções colocou os melhores clássicos da década na sua trilha.

Ainda falta muuuito para a lista acabar. Enquanto isso eu quero saber: você tem alguma indicação de filme para mim?

Resenha: Confesso: a autobiografia

03/05/2021

 
Rob Halford é vocalista de uma das bandas de metal mais importantes da Grã-Betanha: Judas Priest. Prestes a completar 70 anos de idade ele nunca imaginou passar por uma pandemia que o impossibilitasse de fazer o que ele mais ama: estar nos palcos perto de seus fãs. Mas esse período infinito em que estamos vivendo o fez revirar suas memórias e confessar seus pecados nesse biografia, em que ele conta detalhes sobre sua vida pessoal que, provavelmente, nenhum fã fervoroso da banda saiba. Eu não me considero fã do Judas Priest, porém cresci ouvindo bandas que foram inspiradas por eles e que me mostraram o que é adorar uma banda e ser uma headbanger, portanto não há como negar a importância deles para a formação do meu gosto musical e mais do que isso a importância da representação de Rob Halford para o metal. Além de ser um cantor excepcional, e eu convido vocês a ouvirem algumas músicas após a leitura do post, sua história de vida é de deixar qualquer pessoa perplexa e, muitas vezes, duvidando como que ele conseguiu chegar até aqui.

Ele cresceu em uma pequena cidade próxima a Birmingham, na Inglaterra. Já no inicio do livro ele descreve esse lugar, que era uma cidade industrial, com o cheiro e o gosto do metal. Sua infância foi tranquila, mesmo com as brigas de seus pais ele diz que não carrega nenhum trauma em relação à isso, com exceção do seu medo de confrontamento. A vida de Rob começou a mudar quando ele percebeu, ainda com 10 anos, que é gay. Mesmo tendo plena consciência da sua sexualidade ele não entendia muito bem o que é ser um homem gay na sociedade, qual era o seu papel, e em algumas situações de abuso muitas vezes ele se questionou isso. "É isso que é ser gay?" se referindo à um homem mais velho que abusa de vulnerabilidade de outro mais jovem. Rob conta no livro todas as suas descobertas e relacionamentos que ele teve ao longo da vida, desde o primeiro bar gay, a primeira revista lgbt e o primeiro glory hole [buracos estrategicamente posicionados para que homens pudessem fazer sexo oral em banheiros públicos, muito comum na época], que inclusive se tornou um hábito que ele fazia sempre que estava na estrada.

Muito além de sua vida pessoal o livro conta um pouco da história da banda através das gravações dos álbuns e relatos da turnê, inclusive turnês na América do Sul onde ele relata sobre um estrelismo de Axl Rose no Rock in Rio II, em 1991. Para quem escuta a banda há anos deve ser muito bom ler relatos sobre algumas das composições mais importantes do cantor e poder saber, de fato, o que elas significavam para ele na época. Também é interessante ver todos os problemas que aconteceram com alguns álbuns para não ter sido muito bom, na critica e nas vendas. Rob não poupa o seu fã ao contar as verdades, mesmo que ela não seja boa de ler. Uma das melhores coisas para mim foi ver o carinho que ele tem por seus companheiros, da mesma forma que eles tem por Rob. Isso fica claro ao percebermos que mesmo que Rob nunca tenha contado, por muitos anos, sobre sua sexualidade, e que fosse óbvio para todos, eles sempre o trataram como igual, respeitando suas composições, sua vida pessoal e muitas vezes tendo que conviver com os amantes tóxicos do cantor. Claro que isso é o mínimo que esperamos das pessoas, mas considerando que é os anos 80 e eles são uma banda de metal (que tem uns fãs muito tóxicos, ainda nos dias atuais) é de acreditar que nada está perdido ainda. E acho que nem preciso falar do quão importante esse homem é para os fãs lgbtqia+ do metal, né? Eu gostaria de ter tido idade suficiente em 1999, quando ele se assumiu em plena MTV, para entender a importância que tem.
Quando você vive no armário, quando vive uma mentira, passa todos os dias da sua existência tão tenso e reprimido, que, quando enfim sai dele, recebe uma explosão de sinceridade e clareza.
Rob Halford conta aqui um pouco sobre todas as fases de sua vida e todas as consequências que isso trouxeram para ele, mas não apenas de coisa triste sua história é feita. Apesar de relacionamentos fracassados e o alcoolismo ele passou por coisas muito boas em sua vida e é grato por isso, é grato a banda por isso. Gosto de ler biografias para ver essas fases das pessoas ali retratadas e entender o que tal atitude representou e no caso de Rob eu quis compreender muito mais como foi para ele ser gay em um universo tóxico como o metal. Então ler tudo o que ele conta no livro, sua ruina por ter que se esconder por tantos anos, e vê-lo hoje em dia em seu Instagram sendo tão livre, usando salto alto ou com a bunda de fora, é simplesmente maravilhoso. Eu já admirava o cantor pelo seu talento, seja no Judas Priest ou nas participações que ele fez em músicas de bandas que eu adoro, hoje eu admiro também a pessoa. Vou torcer para que essa pandemia acabe logo para que Judas Priest possa vir ao Brasil com uma de suas turnês e, mais vez, Rob se impressione com o fanatismos do público latino-americano.
 
Antes de finalizar eu preciso falar que adoro o clichê Rob Halford fã de diva pop ♥. Ele conta sobre quando foi no show da Lady Gaga e quando soube que ela é uma grande fã do Judas Priest. Eu vejo essas coisas já fico doidinha esperando um feat um dia. E umas outras fofoquinhas e encontro de pessoas famosas (nada muito polêmico, o cara não quer ser processado, né kkk).

🤘🏻

Título: Confesso: a autobiografia (Confess: the autobiography) • Autor: Rob Ralford & Ian Gittins • Tradução: Paulo Alves • Editora: Belas-Letras

livro cedido pela editora Belas-Letras para resenha

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