Resenha: A Elegância do Ouriço


A Elegância do Ouriço é um livro que estava em minha de leitura há alguns meses e pensa na minha tristeza após a finalização desse livro me dar conta que eu demorei demais para inicia-lo? Ficou estranha frase, né? Mas acho que deu para entender.

Esse livro é incrível. Posso ter falado isso de outros livros e juro que foi de coração, mas agora sei que poucos livros superam esse livro que eu vou categorizar como "dramédia". Pode parecer meio boba assim, mas vai por mim, A Elegância do Ouriço é tipo de livro que irá  fazer o leitor rir e se sentir triste por saber o quanto a elite é ridícula, preconceituosa e presunçosa (não que não saibamos disso, mas parece que não nos importamos no dia a dia).

O livro é narrado por duas personagens: Reneé, a concierge de um condomínio de luxo em Paris e Paloma, uma jovem de 12 anos que mora nesse condomínio. Reneé é uma mulher extremamente simples, mas muito, muito inteligente. Ela ama ler romances, livros de história e filosofia. Uma mulher extremamente culta, mas que esconde isso de todas as pessoas que moram no condomínio. Ela quer que eles a vejam apenas como a porteira, a mulher de recados, e não se imagina nem perdendo tempo com essas pessoas que são tão mesquinhas que nunca nem imaginariam que ela é mil anos mais inteligente do que todos eles juntos; Assim como Paloma, que com apenas 12 anos se faz de débil para seus familiares e na escola pois sabe que a sua inteligencia ali naquele meio só irá chamar a atenção das pessoas de uma forma errada, além do mais pelas suas observações acredita que a vida adulta é extremamente chata e desprezível e por isso planeja se matar no dia de seu aniversário de 13 anos.

A Elegância do Ouriço vai falar sobre como a elite acredita estar no topo da cadeia alimentar e que claramente, principalmente por meio da narração de Reneé, estão longe de ser isso. Reneé vê aquelas pessoas diariamente a tratando como nada somente por ela ser uma funcionária do codomínio; pedem para ela fazer trabalhos que não lhe pertencem e até em horários que ela esta fora de trabalho, sem falar que vão toda hora no apartamento dela para tratar de assuntos irrelevantes. Honestamente, se eu fosse Reneé eu teria dado no pé ao invés de ficar aguentando aquelas pessoas, mas apesar dos pesares ela gosta da sua vida ali e tem por perto uma amiga muito querida, com quem compartilha seus pensamentos sem medo de ser feliz e apesar de Manuela não entender muito das coisas que ela fala as duas se dão super bem.

O ponto em que a história vai para um novo caminho é quando um novo morador se estabelece no condomínio e atiça a curiosidade de todos ali. Paloma ama cultura japonesa então vê essa oportunidade de conversar com alguém que pode compartilhar desse mesmo gosto (o novo morador é japonês) e Reneé, que inicialmente não demonstra interesse no homem acaba deslizando em seus disfarces e descobrindo ai uma nova amizade, que por sinal se torna uma amizade muito linda entre os três.


Uma obra que me emocionou e me alegrou, que me botou para refletir sobre o quanto a vida adulta é um pouco chata e principalmente em como gostamos de achar que sabemos mais do que realmente sabemos sobre as coisas. Além de ser muito rico em cultura e diálogos divertidos.

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Título: A Elegância do Ouriço (L'élégance du hérisson) • Autora: Muriel Barbery
Editora: Companhia das Letras • Tradução: Rosa Freire Aguiar

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