Resenha: Teto para Dois

29/06/2020



Eu morro de medo de um livro ser muito hypado pois, as vezes, ele entra para a minha lista de odiados. Então quando vi a respeito de Teto Para Dois quando ele foi lançado no final de 2019 por mais que estivesse curiosa com a leitura eu evitei ler por mais de 7 meses. Este mês ele entrou para a leitura do Abandonados da LC e então usei essa desculpa para finalmente ler e acho que tenho uma opinião razoável.

Acredito que não vi ninguém criticando o livro de uma forma negativa, o que já é algo para me deixar com pé atrás, mas mesmo assim eu queria fazer essa leitura pois a premissa do livro é muito boa. O que eu não esperava eram elementos na obra que a fizessem ser importante, como o relacionamento abusivo da Tiffy. Eu sempre me lamento por alguns livros não abordarem esse tema quando tem oportunidade ou até mesmo por abordar de uma forma ruim e o que acontece nesse romance é que o relacionamento de Tiffy foi bem abordado para que as leitoras pudessem até mesmo se identificar, caso tenham algum namorado abusivo. Primeiro Tiffy não sabia o que era isso, não entendia o poder que seu ex tinha sobre si e muito menos percebia os pequenos sinais de que o cara é problemático, mas aos poucos e, principalmente, após algumas sessões de terapia ela pôde cair na real sobre o que ela viveu por alguns anos com um boy lixo. Sério, isso no livro me agradou muito mesmo pois, como já disse, pode servir de alerta para algumas leitoras.

Agora sobre a história em um geral: Sim, o romance é super fofo e natural. Acho até estranho usar a palavra natural para descrever um romance, mas às vezes sinto que o casal meio que se força a estar juntos, sabe? E aqui não aconteceu isso. Não sei se foram as trocas de bilhetes ou a reação que ambos tinham a esses bilhetes, porém quando eu percebi eles já estavam juntos e eu achando aquilo tudo muito lindo. Leon é um personagem bastante resguardado, até mesmo extrovertido, e é claro sentir isso com a seus capítulos, mas acima de tudo ele é divertido de ser ler. Tiffy já é bem louquinha, tem um estilo diferentão e assim como eu ela ama DIY (mas ao contrário de mim ela, de fato, faz esses DIY). Os dois são o casal mais improvável e que ficam lindos juntos.

Ao contrário do que parece eu não amei o livro. Amei sim alguns pontos dele, mas no geral não foi um livro que eu acabei favoritando, pois acho que para mim não bastava só ter um elemento de relação abusiva, mas talvez explorar mais isso... Claro que a intenção não era essa, então eu não deveria exigir isso, mas quando a autora decide colocar algumas situações com o ex-namorado louco fazendo umas coisas até criminosas eu achei que a atitude dos personagens foram totalmente superficiais e os diálogos bem teen, sabe?  Além disso tem uma outra situação envolvendo o irmão de Leon que me incomodou bastante. O personagem foi inserido para dar um plot maior ao Leon, mas achei um pouco perdido na história de um modo geral. Houve sim uma tentativa de nos fazer ter empatia por Richie mas para mim não funcionou por mais que ele seja um personagem divertido.

Teto para Dois é um livro divertido de ler sim, mas algumas coisas deixaram a desejar em um contexto geral da história. Se você procura só um casal super fofo então esse livro é 100% para você.

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Título: Teto Para Dois (The Flatshare) • Autora: Beth O'leary
Editora: Intrínseca • Tradução: Carolina Selvatici

TAG: Bandeira LGBTQ

19/06/2020


Hellow! O mês de Junho é o mês mais colorido do ano, sem sombras de dúvidas e só pelo título do post é óbvio saber o motivo. Meu amigo Alisson está fazendo um especial muito bacana no blog e no instagram sobre o pride month e eu acho que todos deveriam dar uma conferida. Ele me convidou para fazer essa tag da bandeira LGBTQ e também é uma ótima oportunidade para saber o significado das cores.

Vermelho significa vida. Um personagem entusiasmado e sempre motivado


Mary não é uma personagem que sempre foi entusiasmada e motivada, entretanto com o decorrer da trama ela vai se tornando essa garota e por isso a escolhi para a cor vermelha. Mary, assim como seu primo, descobriu a vida juntos.


Laranja significa cura. Um personagem que sofre, mas, volta mais forte



Malala não é exatamente uma personagem e sim uma pessoa real e eu escolho ela para a cor laranja pois ela é um grande exemplo de pessoa que sofreu por um ideal e quase morreu por ele, mas quando se recuperou voltou muito mais forte do que seus algozes poderiam imaginar.

Amarelo significa a luz do sol. Um personagem que não tem vergonha de suas origens ou de quem ou que ele é



Lady Hollis não tem lá motivos para ter vergonha de suas origens, mas mesmo quando ela resolve tomar as redes de sua vida e que alguém ou algo poderia fazer com que ela sentisse vergonha ela ainda sente orgulho de ser quem é. Não é uma das minhas personagens favoritas, mas ela tem esse mérito. 

Verde significa a natureza. Um personagem que ame ou tenha conexão com a natureza



Alice tem grande conexão com a natureza de uma forma peculiar, ainda mais vivendo em um mundo de magia como ela vive. 

Azul significa harmonia. Um personagem que sempre desfaz conflitos e traz a paz



Kathy H é aquela personagem que nunca entrará em conflito com ninguém mesmo que aquilo significa que ela irá sofrer, da mesma forma que ela sempre tenta manter a paz no ambiente em que vive. Por isso escolho ela para a cor azul.

Violeta significa o espírito. Um personagem determinado e que nunca desiste



Celie sofreu muito durante toda a sua vida, mas nunca perdeu a esperança de reencontrar a sua irmã e um dia poder ser feliz. Acho que não existe personagem melhor para representar a cor violeta. 

E é isso! As pessoas que irei marcar para essa tag estarão no Instagram. 

Cujo e o monstro da ressaca literária

17/06/2020

Autor Stephen King e o livro Cujo

No dia 3/06 eu iniciei a leitura de Cujo e desde então tenho lutado para conseguir terminar esse livro. Faltando um pouco mais de 100 páginas para o fim eu sinto que eu nunca mais conseguir terminar essa leitura e muito menos conseguir ler qualquer outra coisa nesse mundo. Pois é, eu estou vivendo o que nós chamamos de ressaca literária e não está sendo legal. Acredito que até hoje essa tem sido a minha pior crise e o que me deixa mais frustrada é por ser com um livro de um autor que eu gosto e admiro muito. Infelizmente Cujo não é um livro para mim ou é um livro que decidi ler na hora errada da minha vida. Acabei de sair da quarentena falsa do interior de São Paulo e voltei a trabalhar, tirando o fato de as aulas não terem voltado ainda a vida está bastante normal aqui em Marília.

Quando eu era criança assisti a adaptação de Cujo e morria de medo, inclusive minhas lembranças do filme só era das cenas em que o São Bernardo estava alucinado tentando matar uma mulher e uma criança no carro; Então quando  decidi ler o livro que deu origem ao filme esperava algo nesse sentido, a sensação de medo e pavor por toda a trama, e assim como tantos outros livros do Stephen King escritos no século passado Cujo é muito mais sobre o ser humano do que o monstro em si. E é claro que isso não é uma coisa ruim, desde que você esteja preparada para  cenas "enroladas" de acontecimentos que passam a impressão de serem aleatórios dentro da história, assim como personagens coadjuvantes que só deixaram de fazer uma única coisa e ainda assim ganharam algumas parágrafos detalhados sobre si.

Não posso dizer que não fui avisada, até porque eu bem conheço as caracteristicas do autor em cada época de sua vida. Mas acabei tendo uma decisão infeliz de escolher essa leitura justo agora. Cujo é um livro que não irei abandonar e, possivelmente, não irei fazer resenha dele no blog por tanta raiva que eu estou sentido desse livro no momento. Mas eu precisava falar sobre a minha experiencia atual de ressaca literária pois não sei o quanto ela irá afetar minhas próximas semanas como leitora.

❓ O que te deixa com ressaca literária? 

Resenha: (Des)conectados

12/06/2020


Quando li a sinopse de (Des)conectados pela primeira vez achei que seria um livro distópico com uma pegada mais adulta, entretanto ao iniciar a leitura já percebi que estava de longe de ser o que imaginei. Apesar de conter tecnologias que não existem, ou não conhecemos, o livro é bastante contemporâneo ao lidar com o tema tecnologia e seres humanos. 


Sloane tem um profissão peculiar: Ela prevê quais são as próximas tendencias tecnológicas mundiais, um dos exemplos foi o touch screen, no inicio dos anos 2000. Além de tudo ela é uma mulher contra maternidade e por isso também tem uma fama polêmica, já que sempre discursou sobre isso e defendeu seu ponto de vista, além de ter um relacionamento sério com um homem francês que, além de concordar com ela, atualmente defende uma politica contra sexo sem penetração. Sim, parece tudo bem estranho, mas o livro não foca nessa parte da vida de Sloane e sim quando ela volta para os Estados Unidos para um novo trabalho e sente que não é mais a mulher que já foi um dia.

Cortar o cordão umbilical nem sempre se trata de se separar completamente de alguém, mas de nos separarmos da repetição de um relacionamento que não enriquece mais nossa vida. 

A proposta do livro é maravilhosa, pois é muito fácil observar nos dias atuais essa ideia de que as pessoas não se relacionarão pessoalmente da mesma forma que sempre se relacionaram, seja sexualmente, com família ou amigos. Nós temos as redes sociais e apps em nossas mãos e acreditamos fielmente que eles são o futuro e que eles vieram para nos ajudar em tudo; Mas infelizmente não é bem assim, por mais que há benefícios em todas as tecnologias nós não sabemos usa-la sem afetar nossos relacionamentos interpessoais e o livro, no caso, falha em tentar mostrar isso. Primeiro com o relacionamento de Sloane, onde eles não fazem sexo há quase dois, onde não há palavras de amor, apesar de Roman admirar a mulher que está a seu lado e defender suas ideias. Segundo com o relacionamento familiar de Sloane, que ruiu completamente com ela sempre agindo na defensiva e evitando sua mãe e sua irmã. Ela percebe que foi deixada de lado mas nunca tentou mudar isso.

Eu gostei bastante da temática do livro, porém o decorrer da história me fez sentir que não havia nada crível ali. A personagem não é cativante e senti uma falta de narração em primeira pessoa para tentar entender um pouco mais suas ideias, tanto as antigas quanto as atuais. A autora quis contar uma boa história, mas não soube desenvolver a personagem que nos faria conhecer essa história, então como leitora senti mais o livro só tentou criticar a evolução tecnológica e a falta de conexão entre as pessoas, mas não se sustentou ao exemplificar com uma pessoa.

Leitores desse blog sabem que o que mais aprecio na literatura são os personagens, inclusive os secundários; E eu odeio quando os autores não desenvolvem um único personagem direito. Falo isso agora pois nesta obra nem os personagens secundários acabam cativando os leitores. Ela colocou ali um carro tecnológico com uma IA chamada Anastacia e que poderia ter uma relevância na discussão e a única coisa que ela faz é "medir a pressão" de Sloane e fazer café no carro. Exemplos na literatura de relacionamento entre IA e ser humano não faltam e infelizmente a autora não soube desenvolver com base nesses exemplos (tô supondo que ela tenha essas referencias).

Enfim, gente... O livro é muito interessante, principalmente pensando no contexto pré-pandemia onde algumas coisas dali realmente estavam a ponto de acontecer. Com a quarentena acho que nossas relações pessoais vão mudar de acordo com a nova previsão de Sloane e isso é uma coisa boa. Podemos usar tecnologias mas de forma consciente, né?

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Título: (Des)conectados (Touch) • Autora: Courtney Maum
Editora: Record • Tradução: Caroline Simmer

Resenha: Do que Estamos Falando Quando Falamos de Estupro

10/06/2020


Sohaila Abdulali  é a primeira mulher indiana que em meados dos anos 80 foi estuprada por quatro homens desconhecidos na frente de seu melhor amigo e teve coragem de falar sobre isso. Como bem exemplifica a autora uma semana após ela ter sido estuprada leu uma história no jornal sobre uma mulher que também foi vitima de estupro coletivo, enquanto estava passeando com o marido, e no dia seguinte ao voltar para a casa se matou para não desonrar a sua família e o próprio nome. Situações como essas são bem comuns em países do oriente, entretanto Sohaila tem o que a maioria das mulheres não tem: uma família que a apoia sem julgamentos. Pode parecer estranho, por se tratar de uma família religiosa e conservadora, mas apesar disso eles sabem que a culpa não é da vítima pelo abuso sofrido.
Na Índia, o estupro em comunidades fechadas é, na realidade, uma das justificativas para o casamento de crianças. É melhor que a garota vá morar com os pais e parentes do noivo enquanto ainda é virgem, e que seja legalmente estuprada, do que um tio ou vizinho chegar primeiro.

Por mais que Sohaila tenha uma história para contar ela não passa o livro focando em si mesma, pois existem tantas nuances e diferenças de estupros, abusos e vitimas que poderiam ser escritos vários e vários livros para abordar cada um dos temas. Um ponto especifico que eu poucas vezes havia parado para refletir é a respeito dos homens que são estuprados e em como isso afeta sua vida. Há neste livro um homem especifico que levou anos para superar seu abuso e enfim construir sua vida e uma afamilia de forma saudável e uma tragédia acabou levando a filha dele, de apenas 9 anos. Este homem, apesar de sofrer tanto pela sua perda ainda explica que o abuso foi muito pior, pois ele não tinha ninguém para consola-lo, ele não tinha ninguém para dividir essa tristeza. Claro que em nenhum momento ele disse que não sofre pela morte de sua filha, mas que neste caso a dor é dividida com sua esposa, parentes e amigos, é uma rede de apoio com essa tragédia e nós sabemos que muitas vitimas de estupro nunca contam a ninguém que foram estupradas, entende?

A autora pode, para alguns, criar uma pequena polemica ao falar sobre a humanidade dos estupradores, mas ao argumentar conosco ela é muito especifica sobre o que quer dizer e, mais uma vez, é um ponto de vista que eu nunca tinha refletido. Nós temos costume de enxergar esses homens como monstros, mas o que eles são é nada mais do que seres humanos que tem uma escolha a ser feita: estuprar ou não estuprar. E eles escolhem a primeira alternativa, isso não faz deles monstros, mas fazem deles pessoas más que precisam ser julgadas como tal. Presumir que eles são monstros é tirar a responsabilidade deles como seres humanos ao tomar uma decisão. Seu embasamento se da, principalmente, com o relatos do caso Thordis e Tom (resumindo Thordis foi estuprada por Tom quando tinha 16 anos e 9 anos depois eles passaram a se corresponder por e-mail onde ele admitiu o que fez com ela e contou sobre o quanto isso o assombra; eles escreveram um livro juntos).

Esse é um livro importante para o contexto social e mesmo que ali não tenha nenhuma história de uma brasileira ainda assim devemos considerar todos os casos próximos a nós, já que no Brasil a cada 11 minutos há uma denuncia de estupro e nós temos aqui nossa própria cultura de estupro, além de atualmente um governo que claramente não respeita das mulheres e suas decisões. É um livro muito necessário para exemplificar todas as formas de estupro e abusos, e todas as formas que os estupradores e abusadores são visto na sociedade. As únicas que, raramente, são vistas com ambiguidade são as vitimas, não importa em qual situação.

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Título: Do que Estamos Falando Quando Falamos de Estupro (What We Talk About When We Talk About Rape)
Autora: Sohaila Abdulali • Editora: Vestígio • Tradução: Luis Reyes Gil

Resenha: A Tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca

08/06/2020

Livro teatral

Hamlet é uma das peças mais famosas de William Shakespeare e ainda hoje é grande influencia para livros, filmes e adaptações teatrais, sem mencionar na cultura pop no geral; Assim como qualquer outra obra dele. Justamente por isso eu decidi, há algum tempo, ler algo do autor e a oportunidade surgiu quando a Oasys Cultural me fez esse convite. A edição, publicada pela Chiado Books, conta com a tradução de Leonardo Afonso (escritor e pesquisador acadêmico em estudos Shakespearianos) e um linguagem mais acessível, o que para uma leitora de teatro e William Shakespeare de primeira viagem foi excelente.

Hamlet é um jovem que perdeu o pai recentemente, o rei da Dinamarca, e poucos meses após a morte de seu pai vê sua mãe casando com seu próprio tio que acaba se tornando o novo rei. Para ele nada naquilo é normal e quando reconhece seu pai em um fantasma ele percebe que tinha razão em seus pensamentos e passa a planejar sua vingança. O problema é que a vida dele não é tão simples quanto só uma vingança, já que Hamlet é um garoto mórbido que, de certa forma, contempla a morte ao mesmo tempo que a deseja para si. Eu não sei, de verdade, se essa minha opinião tem alguma relação com a obra em si, com o que Shakespeare queria dizer ao retrata-lo dessa forma, mas me pareceu muito uma pessoa depressiva caminhando para a decisão de tirar a própria vida. Mesmo fazendo parte da elite ao perceber que seu pai foi assassinado e sua mãe logo foi se casando com outro, que além de tudo possivelmente é o assassino de Hamlet pai, ele se deu conta de que ali há um jogo também de poder.

HAMLET
A Dinamarca é uma prisão
(...)
Uma bela  prisão, na qual há muitas celas, alas e masmorras, a Dinamarca sendo uma das piores.

Uma coisa que me intrigou muito na história foi a relação de Hamlet e sua mãe, pois é extremamente conturbada principalmente com o casamento dela antes mesmo de deixar o corpo do falecido rei esfriar. Ele carrega uma grande magoa de sua mãe e isso me fez questionar, por exemplo, a questão de liberdade feminina. Certo ou errado o que ela fez? A rainha tem um grande amor por seu filho, mas diante das demonstrações dele de loucura e da influencia que o novo rei exerce nela mãe e filho se afastam cada vez mais.

Apesar de ser uma tragédia eu posso dizer que teve certos momentos que me diverti muito com os diálogos, principalmente aqueles carregados de dramas, pois são dramas tão profundos que foi difícil eu até crer neles em alguns momentos. Sendo bem honesta eu não acho que tenha entendido a obra muito bem, pois em vários momentos durante a leitura eu me vi perdida nos diálogos e principalmente nos monólogos do personagem, que sempre é repleto de pensamentos mais filosóficos. Infelizmente não posso dizer que me adaptei a leitura de uma peça tentando criar todas as imagens em minha mente sem auxilio de descrições. Mesmo com meus altos e baixos como leitora ao realizar essa leitura é uma obra que gostei de conhecer e que valeu a pena a experiencia.

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Título: A Tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca (The Tragedy of Hamlet Prince of Denmark)
Autor: William Shakespeare • Editora: Chiado Books • Tradução: Leonardo Afonso


Resenha: Amor(es) Verdadeiro(s)

01/06/2020

Foto do Kindle

Que a autora Taylor Jenkins Reid se tornou a favorita do universo literário no último ano não é segredo algum. São vários elogios aos seus livros e a própria autora. Eu, tentando evitar um pouco a fama de Evelyn Hugo optei então por ler Amor(es) Verdadeiro(s) lançado recentemente pela Paralela e acabei me apaixonando.

Emma é uma mulher de 31 anos que está noiva do perfeito Sam, sua vida não poderia estar melhor até que ela recebe uma ligação de seu marido. Sim, marido e não ex-marido. Parece estranho, mas a questão é que Jesse estava desaparecido há cerca de quatro anos, inclusive sendo dado como morto, entretanto não foi isso que aconteceu com ele após um acidente de helicóptero. A vida de Emma se torna nesse momento um caos, onde ela não sabe o que fazer, como fazer e muito menos o que sentir. É uma premissa que pode despertar aos leitores a impressão de ser somente um triangulo amoroso, porém o livro está longe de ser isso. Emma é uma personagem cativante, pois para mim ela é um reflexo até mesmo de quem eu costumava ser em alguns aspectos aos 18 anos: odiava sua cidade natal, gostaria de conhecer o mundo, fazer coisas inimagináveis e ser livre. E ela fez isso isso ao lado de Jesse, seu amor da adolescência. Eles tinham uma vida muito feliz juntos e eu amei tanto quando ela nos conta como eles se conheceram na adolescência e como foi surgindo o sentimento entre eles, pois nada daqui me deu a impressão de ser uma história perfeita, sabe? Mas uma história bonita em que duas pessoas que se apaixonam decidem construir juntas. E é triste ver que essa história foi interrompida por um trágico acidente.

Após um longo período de luto, em que decide voltar para sua cidade natal e ajudar a sua família a cuidar da livraria Emma reencontra Sam, um amigo da infância e percebe que precisa se dar uma nova chance de ser feliz e de amar novamente e então uma nova história ela passa a construir ao lado dele. E clara a mudança de Emma ao longo da história e eu também gostei muito de sua versão ao lado de Sam, sabe? Uma versão calma, que deseja uma família, e ama uns pets, além de estar mais tranquila em relação a loucura das viagens e trabalho. Sem entrar em detalhes que Sam também é um ótimo noivo e o relacionamento deles é tão fofo, mas tão fofo, que parece até um romance água com açúcar.
Que engraçado, né? Os homens costumam ver a traição nas coisas que fazemos e não naquilo que sentimos.

Emma sabe que ama os dois homens, cada um de uma forma diferente, mas sabe que é amor verdadeiro, entretanto precisa fazer uma escolha. Ficar com seu marido ou se casar com Sam? Neste momento pode parecer que o livro gira em torno dessa escolha que ela precisa fazer, e de certo aspecto sim, mas não há um drama em torno disso. Emma é tão racional que mesmo no ápice de suas emoções ela consegue fazer a coisa certa, o que é até estranho quando estamos acostumadas com personagens que se levam o tempo todo pela emoção. A autora vai nos entregar uma grande história de amadurecimento e a percepção de que os relacionamentos passam por fases e que nem sempre essas fases precisam nos machucar ou machucar ao outro.

Em livros onde a protagonista gosta/ama duas pessoas ao mesmo tempo, geralmente, acabamos escolhendo um deles e eu não consegui escolher nenhum dos dois nessa trama, o que me fez gostar mais ainda de ter conhecido essa autora que está sendo tão aclamada nos blogs e intagrams literários. Não acho que teria uma escolha certa ou errada para ela, apesar de entender o que a levou a escolher quem ela escolheu. Qualquer um dos dois é uma representação de algo para Emma, assim como qualquer um dos dois a fariam feliz como ela merece. É um livro que eu amei muito e, claramente, vai me fazer ler outras obras dessa autora.

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Título: Amor(es) Verdadeiro(s) (One True Loves) • Autora: Taylor Jenkins Reid 
Editora: Paralela • Tradução: Alexandre Boide
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