Resenha: Carrie, a Estranha

Stephen King livros

Para todos os efeitos Carrie é o primeiro romance de Stephen King, o autor conhecido hoje como Mestre do Horror. Não sei qual foi a reação das leitores na época, vendo um novo autor escrevendo algo como Carrie, mas eu sendo uma leitora hoje deste clássico moderno posso dizer que a minha reação foi surpresa.

Ao contrário do que podemos pensar Carrie não é um livro de terror que deixa o leitor morrendo de medo do que vai encontrar na trama. Sim, ele nos da medo mas o medo é do que irá acontecer com Carrie, a adolescente que vive com a mãe fanática religiosa — em outras palavras: louca. Apesar de frequentar a escola Carrie vive em seu mundinho sozinha, pois sofre bullying de todos, não tem nenhuma amiga que seja tão deslocada quanto ela. Carrie é a mais deslocada das deslocadas tudo por causa do modo de vida que vive com sua mãe, que aliena tanto a jovem que quando esta teve sua primeira menstruação pensou que estava, na verdade, tendo uma hemorragia e morrendo.

Em uma análise crua Carrie conta a história de uma jovem que sofre bullying na escola, além de ser constantemente repreendida dentro de casa, que descobre que é telecinética e acaba usando deste poder quando chega em seu limite, causando uma destruição; Mas em outa análise, e claro partindo do meu ponto de vista, Carrie fala sobre sexo na adolescência, além do bullying e suas consequências. Eu sei, ele foi escrito nos anos 70, onde esses assuntos eram debatidos de uma forma diferente de hoje em dia, mas ainda assim nesta época era um tabu e esse tabu é representado pela própria mãe de Carrie, que é uma fanática religiosa que abdicou do sexo até mesmo dentro de seu casamento, e claro pelas suas colegas de escola. O Bullying é a questão mais óbvia da trama, que causa toda a ruptura dos poderes de Carrie, mas o livro ainda tem uma pegada a respeito da figura feminina na sociedade. Como uma mulher feminista acho ridículo um homem falar sobre esse assunto, mas devo admitir que Stephen King soube tratar do assunto na temática fantástica do livro de um jeito que está longe de ser machista ou estereotipada, mas que tem uma visão deturpada sim principalmente se levarmos em conta as atitudes da mãe de Carrie.

Ao contrário do que parece Carrie não é um romance/novela e sim como se fosse um livro jornalistico, com dossiê. Tem a história da adolescente e tem relatos sobre ela em forma de outros livros, ou algum documento com depoimento de pessoas após os acontecimentos da obra. É uma narrativa super bacana pois ele deixa o leitor bastante curioso para saber o que aconteceu com Carrie na sua escola que se tornou um assunto tão comentado na comunidade cientifica. Essa narração pode ser estranha para quem não está habituado, mas ela é muito tranquila para leitura após as 10 primeiras páginas.

Este é um livro que pode causar diferentes sensações nas pessoas, vai de revolta a medo, vai de empatia até ódio. Carrie e sua vida escolar tem pontos que podem ser semelhantes aos nossos próprios anos escolares, assim como a repreensão dentro de casa (não necessariamente a parte religiosa) e mais uma vez King nos entrega um livro maravilhoso e reflexivo. E melhor ainda é a ideia de que Carrie tem ligação com outros livros do autor, sendo um deles até O Instituto, lançado recentemente. Eu, particularmente, tenho minhas ressalvas na ligação direta entre os dois, mas pelas teorias fazem sentido... Só que isso você tem que ler para tirar suas conclusões.

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Título: Carrie, a Estranha (Carrie) • Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras • Tradução: Adalgisa Campos da Silva
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Livro lido para a Leitura Coletiva de Stephen King do grupo #LCKING

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