Resenha: O Feminismo é para todo mundo

31/01/2020


Boa tarde, pessoal. Por aqui seguimos sem nenhuma novidade com a Silviane lendo livros sobre feminismo, não é mesmo? Pois será assim por muito tempo ainda, já que eu ADOOOORO demais. O livro da vez é O Feminismo é Para Todo Mundo da bell hooks que li em Janeiro na leitura coletiva de #LendoAutorasNegras. Eu já tinha esse livro parado na estante há uns meses e estava ensaiando para ler e este não poderia ser um momento melhor, pois com esse grupo pude ter várias perspectivas diferentes do mesmo livro.

Bom, quem está um pouquinho engajada em leituras feministas com certeza já ouviu falar sobre a bell hooks em algum momento, mesmo que nunca tenha lido nada dela. Uma mulher que participou ativamente do movimento feminista nas universidades nos anos 70 não poderia deixar de ter publicações tão relevantes a respeito desse assunto e com essa obra ela fala sobre o feminismo de um jeito que foge um pouco do linguajar da academia.
A sororidade não seria poderosa enquanto mulheres estivesse em guerra, competindo umas com as outras.

O livro tem vários tópicos, desde relacionamento familiar, religião, classe, racismo, sexualidade, etc etc e mais um etc. Em cada tópico ela aponta seus argumentos que nos fazem refletir sobre a importância de feminismo, relacionando a sua história e principalmente a ideia de que sim: o feminismo é para todo mundo. Ainda hoje (e talvez principalmente hoje, com a era da internet e da direita) o feminismo é visto como um movimento anti-homem e bell hooks diz várias vezes que muito pelo contrário, o feminismo está muito longe de ser um movimento de ser anti-homens, ele é um movimento anti-sexismo, anti patriarcal, um movimento que luta pelos direitos iguais entre homens e mulheres. Particularmente eu nunca consegui aceitar a ideia de que não precisamos de homens no feminismo e a bell hooks fez com que eu me sentisse aliviada em ter esse pensamento e expressou em palavras o que eu não conseguia expressar quando pensava que os homens também são importantes na nossa luta.
"'Feminismo é um movimento para acabar com sexismo, exploração sexista e opressão'... Adoro essa frase porque afirma de maneira muito clara que o movimento não tem a ver com ser anti-homem. Deixa claro que o problema é o sexismo. E essa clareza nos ajuda a lembrar que todos nós, mulheres e homens, temos sido socializados desde o nascimento para aceitar pensamentos e ações sexistas."

Além de abordagens já conhecidas a obra tem outras que eu nunca tinha imaginado como o relacionamento familiar, como o feminismo funciona dentro de casa, principalmente com os filhos. A autora defende a tese de que até mesmo relacionamentos abusivos entre mães e filhos, pais e filhos, estão diretamente relacionados ao sexismo, a cultural patriarcal em que vivemos. O que mais me surpreendeu foi o fato de ela relacionar diretamente o feminismo ao capitalismo e principalmente a luta de classes. Quem já leu algo sobre feminismo negro entende que o feminismo da mulher branca funciona de forma diferente com o feminismo da mulher negra e mais uma autora coloca seu ponto de vista nesse tópico de uma forma que é impossível não falar que existe racismo nesse mundo e que a vida da mulher negra é muito mais difícil do que a da mulher branca; Além do mais ela ainda nos coloca em um entendimento entre a mulher rica e a mulher pobre, pois sim... claro que existem diferenças ainda hoje.

Este livro é uma grande lição de feminismo e história a qualquer pessoa que se interesse a ler e eu acho que todos deveriam ler, pois além de ser uma leitura enriquecedora é também esclarecedora sobre um movimento que é, infelizmente, tão mal visto na nossa sociedade. Se as pessoas se interessassem um pouco sobre esse assunto muitas brigas nem se quer existiriam e teríamos pessoas vivendo melhor. Leia bell hooks, leia "O Feminismo é para todo mundo".

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Título: O Feminismo é para todo mundo: politicas arrebatadoras (Feminism is for everybody: passionate politics)Autora: bell hooks
Editora: Rosa dos Ventos • Tradução: Bhuvi Libânio
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Essa leitura faz parte da LC #LendoAutorasNegras

Resenha: As Sombras de Outubro (O Homem das Castanhas)

24/01/2020


Eu amo livros de suspense, ainda mais quando há uma investigação policial por trás da coisa toda. Li alguns títulos do gênero ao longo do ano e então quando vi a sinopse de As Sombras de Outubro fiquei ansiosa a respeito dele, principalmente por ter uma detetive mulher, uma ministra, e que claramente os crimes estão relacionados ao feminicídio; Além do detalhe da história se passar na Dinamarca, um local totalmente fora dos cenários literários.

Apesar de ter adorado toda essa premissa do livro, infelizmente, o livro em si não me agradou. Ocorrem crimes horrendos e, claro, que é isso que eu espero de um livro de suspense onde há mortes. Se você gosta desse gênero saiba que aqui irá encontrar membros amputados de mulheres que foram mortas sem um motivo aparente, assim como crianças traumatizadas pelos piores motivos que podemos imaginar. Sim, nesse aspecto o livro é pesado, mas não tão descritivo (o que é ótimo, pois com o pouco que é falado ali já fiquei enojada). Entretanto o que o autor soube inserir bem em relação aos crimes ele pecou totalmente com os seus detetives. Eu esperava que Thullin seria a detetive incrível e girl power da coisa toda, mas acaba que ela é apenas mediana, cética demais para correr atrás de pistas, até mesmo submissa em sua função. Os seus melhores momentos se dão por algo que Hess, seu parceiro, faz ou fala e ainda assim ela bate o pé em não ver o óbvio. Isso me deixou um pouco irritada, pois por mais que eu seja apenas uma expectadora dessa história é óbvio que existem coisas que precisam ser investigadas e é cansativo ter que ler o tempo todo somente um personagem insistindo nisso e sendo taxado como chato por todos ali.

Talvez por eu ser leitora de suspense eu tenha a impressão de que já vi de tudo, então até uns 70% do livro parece que nada novo foi escrito. Cenas de perseguição que dão para um falso suspeito, assim como o clichê do assassino que se esconde nas sombras, e missões que provam que os policias estão três passados atrás do assassino. É clara a intenção do autor em colocar pequenos plot twists, e talvez isso se deva ao fato de ele ser roteirista para uma série de TV, onde precisa dessas reviravoltas para entreter os expectadores a cada episódio, mas sua tentativa no livro foi falha, já que só passou a impressão de estar enrolando a investigação e deixando os detetives mais burros.

Claro que nem tudo esta perdido, já que o livro tem um ótimo plot twist com a revelação do assassino. Admito que eu nunca imaginei ser a pessoa que o autor escolheu e em nenhum momento ele nos deu pistas. A resolução do caso acabou sendo muito bem elaborada e crível; Ao contrário de muitos outros livros não foi um final onde tudo aconteceu rápido, pelo contrário, ele usou uns bons 30% do livro se dedicado as revelações finais, simultaneamente com três personagens, e isso me deixou um pouco ansiosa para saber o que iria acontecer. Tudo o que me desagradou durante o livro me deixou contente ao final da leitura.

As Sombras de Outubro foi a aposta da Suma de Letras para o inicio de ano mais sombrio e mesmo com as minhas impressões não sendo 100% positivas é um livro que indico para quem procura um suspense mais pesado e surpreendente ao final.

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Título: As Sombras de Outubro (The Chestnut Man) • Autor: Søren Sveistrup

Opinião: Leave best-sellers alone

22/01/2020

a sutil arte de ligar o foda-se


Recentemente divulgaram uma lista com os 15 livros mais vendidos no Brasil no ano de 2019 (você pode ver a materia no site do Estadão) e houveram algumas reações negativas por parte dos leitores e, obviamente, não leitores a respeito desta lista. Com base nisso resolvi dar a minha opinião sobre o assunto, já que estou aqui para falar de livros e dar opiniões que ninguém pediu.

Antes de tudo segue a lista:
  • A Sutil Arte De Ligar O F*da-Se, de Mark Manson (Intrínseca)
  • O Milagre da Manhã, de Hal Elrod (Best Seller)
  • Do Mil Ao Milhão. Sem Cortar o Cafezinho, de Thiago Nigro (HarperCollins Brasil)
  • Seja Foda!, de Caio Carneiro (Buzz)
  • Brincando com Luccas Neto, de Luccas Neto (Pixel)
  • As Aventuras na Netoland com Luccas Neto, de Luccas Neto (Nova Fronteira)
  • O Poder da Autorresponsabilidade, de Paulo Viera (Gente)
  • Os Segredos da Mente Milionária, de T. Harv Eker (Sextante)
  • Me Poupe!, de Nathalia Arcuri (Sextante)
  • O Poder da Ação: Faça sua Vida Ideal Sair do Papel, de Paulo Vieira (Gente)
  • Pai Rico, Pai Pobre - Edição de 20 Anos: Atualizado e Ampliado de Robert Kiyosaki (Alta Books)
  • Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, de Dale Carnegie (Nacional)
  • Mindset, de Carol S. Dweck (Objetiva)
  • O Poder do Hábito, de Charles Duhigg (Objetiva)
  • Mais Esperto Que o Diabo, de Napoleon Hill (CDG)

De cara esta lista pode parecer estranha, já que não há nenhum livro de ficção/literatura e muito menos livros sobre história/sociologia, visando nosso cenário politico atual. Mas o que, infelizmente, não percebemos e relacionamos é que indiretamente esta lista reflete cem por cento o nosso cenário atual, já que mais e mais as pessoas estão buscando: 1) enriquecer; 2) a felicidade plena e 3) mudanças interpessoais. 

Longe de mim defender essas leituras, quem acompanha o blog sabe que eu não gosto de autoajuda e quando resenhei um só falei mal e recentemente fiz um desafio pessoal para colocar um autoajuda na minha lista de leituras de 2020; Só que onde esses livros vai levar, de fato, as pessoas que o lêem? Quer dizer: você realmente conhece alguém que leu esses livros sobre dinheiro e conseguiram, de fato, enriquecer com facilidade como eles podem propor? Ou que alguém tenha mesmo ligado o foda-se para as coisas sem a ajuda de uma terapia? Qual é!! Claro que a critica não são as pessoas que consomem esse tipo de material, apesar de pessoalmente eu achar que grande parte dessas pessoas são todas iludidas. Mas sim uma critica ao que o nosso sistema nos obriga a acreditar e seguir.

Vamos analisar juntos: se houvessem mais mobilizações para que as pessoas entendessem a importância de uma terapia, você acha que alguns desses títulos seriam best-seller? Eu trabalho em uma livraria e vi ao longo dos dois anos em que estou lá pessoas buscando ajuda real nesses livros, sendo que é claro que todos eles estão longe de fazer isso. Não da para negar que o livro pode vir a ser uma ferramenta para algo que um terapeuta irá falar ao seu paciente, mas ele nunca deve ser visto como a ajuda que aquela pessoa precisa. 

Mas Silviane, achei que você iria defender os livros pelo título da postagem. Bom, o problema em si não são os livros, né? Muito menos o livro arbítrio de quem os consomem. Já vi gente que nunca pegou um livro na vida decidindo que irá começar a ler e acaba começando com algum desses da lista. E é isso que eu defendo. O que pode ser um lixo para nós pode ser a oportunidade de surgir novos leitores, por mais que venha a ser um processo longo até essa pessoa ler algo de qualidade. Sem falar que se os leitores que se acham cult pode ler ficção e livros de qualidade de fato comprassem esses livros poderíamos ter uma lista bem diferente. Uma pessoa que consome os livros da lista, pela minha experiencia em atendimento em livraria, não tem habito de procurar livros grátis na internet, ao contrário de nós que baixamos muita coisa e compramos em uma escala menor. 

Há necessidade de consciência de que, apesar de o brasileiro estar lendo errado pelo menos ele está lendo alguma coisa e o que ele deve entender que apesar da sua leitura ter uma proposta milagrosa ela é somente uma ideia que pode ou não dar certo, assim como algum ou outro argumento ali pode ser utilizado outros devem ser descartados. 

Resenha: Os Testamentos

20/01/2020


Fato que assim que vi o primeiro anuncio de Os Testamentos eu entrei em desespero para ler este livro, que prometeu ter as respostas para algumas questões deixadas em O Conto da Aia (segundo a própria autora) e já chego aqui exaltando essa maravilha da literatura contemporânea! Honestamente, se você não leu está perdendo seu tempo aqui, inclusive está perdendo seu tempo na vida. Essa leitura é, além de tudo, uma forma de mostrar a sociedade qual caminho ela esta seguindo sem muito esforço e divagações.

O livro irá nos contar três histórias paralelas que em determinado ponto se cruzam. A primeira é da tão temida Tia Lydia, a segunda é da filha de um poderoso Comandante e a terceira é de uma jovem que mora no Canadá. De inicio a cronologia fica um pouco confusa, mas como o livro em si segue aquele mesmo padrão do primeiro (parece um diário) logo fica fácil entender quando e onde cada história acontece.

Diferentemente das minhas outras resenhas eu não irei focar aqui sobre as personagens (com exceção da Tia Lydia), pois qualquer detalhe facilmente poderá ser spoiler. O bom é que o livro é tão além das personagens que elas se mostram ser apenas uma pequena peça em tudo que envolve Gilead. Começando, claro, por toda sua hipocrisia. O maior exemplo de dominação masculina que podemos ter atualmente está neste livro, assim como exemplo do quanto os homens temem as mulheres e querem provar sua masculinidade em cima de nós. Caso você nunca tinha lido O Conto do Aia ou tenha visto a série posso te colocar como comparativo sociedades onde as mulheres são submissas aos homens por causa de religião e para piorar, assim como nessas religiões, há casamentos arranjado entre meninas de 13 anos e homens de +40.

É revoltante ler um livro como este sabendo que as coisas ali descritas, que deveriam ser distópicas, na verdade estão acontecendo nesse exato momento e que as pessoas que ali vivem precisam fazer o que for necessário para garantir a sua própria sobrevivência, pois nem todos tem coragem de tirar a própria vida para acabar com o sofrimento (e claro que isso está longe de ser a solução). Mais revoltante é ter a prova de que a sociedade, principalmente a sociedade conservadora, na verdade tem interesse somente em seu próprio poder e dominação, capaz de eliminar todo e qualquer empecilho de seu caminho ainda alegando que é vontade de deus.
Toda mudança de governo pela força é seguida de um movimento para esmagar a oposição. A oposição é liderada por pessoas instruídas, logo quem tem instrução é eliminado primeiro. 

Eu gosto muito da forma como Margaret conta essa história, pois ela realmente nos faz refletir sobre o que estamos vivendo e o que poderíamos fazer para que não entremos em colapso. Por mais que o tema do livro seja extremamente forte a autora sabe como nos contar essas histórias de forma sutil, o maior exemplo disso é quando uma personagem está contando para outra sobre o abuso sexual que sofreu do próprio pai ainda na primeira infância. Causa sim repulsa, raiva; Mas ela sabe que não precisa dar detalhes para que nós entendamos o que aconteceu.

Fico muito contente de ver a outra face de Tia Lydia neste livro, pois após odiá-la tanto no Conto da Aia e na série eu tinha até deixado de vê-la como humana, sabe? Mas assim como as outras mulheres ela tinha um vida antes da queda dos EUA e o que não vimos anteriormente é o quanto ela sofreu para chegar até li. Sua posição respeitada e de poder em Gilead não é por uma crença na palavra divina, não é porque ela realmente acredita em todos aqueles discursos que já a vimos dar, mas é puramente seu instinto de sobrevivência falando mais alto do que qualquer coisa e eu só consegui pensar: Será que eu seria uma Tia Lydia? Ou será que eu resistiria e morreria antes? Quando se trata de situações extremas cada pessoa age de uma forma diferente e agora me sinto muito mais empática com ela.
A verdade pode ser um perigo para aqueles que não deveriam conhece-la. 

Você vai me desculpar pelo discurso, mas tem tantas coisas que eu poderia falar deste livro! O medo de dar spoiler é grande, então tentei ser um pouco superficial. A história é maravilhosa, mas acima de tudo a lição social que tem nessas 400 e tantas páginas é tudo o que precisamos atualmente e por isso que você precisa ler. Principalmente se você for mulher.

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Título: Os Testamentos (The Testaments) • Autora: Margaret Atwood

Editora: Rocco • Tradução: Simone Campos

Faça uma maratona: Brooklyn Nine-Nine

17/01/2020


Há alguns anos eu vejo a galera comentando a respeito de Brooklyn Nine-Nine nas redes sociais, mas não de um jeito que me fazia pensar que a série é chata e sim que só era uma moda. Entretanto os memes foram surgindo e como eu sempre achei eles engraçados eu acabei ficando curiosa para conhecer a série. Não preciso nem dizer o óbvio, né? Só vou listar uns motivos para vocês assistirem esse hino.

Comédia politicamente correta



Eu sei que esse termo é muito odiado pelas pessoas, mas eu particularmente acho necessário. Não sou de assistir muitas séries de comédias e minhas favoritas são Friends e HIMYM, por exemplo, mas vamos combinar que ambas as séries tem seus viés sexistas, às vezes homofóbicas e bom... Todos os personagens são brancos, nem preciso falar mais nada, né? Isso não acontece com B-99, muito pelo contrário. Além de ter personagens negros, gays, e dã... mulheres a série sabe fazer as piadas de forma que não ofende a ninguém. Além do mais todo o desenvolvimento das personagens vão ao caminho inverso para qualquer coisa que possa soar ofensiva a algum expectador.

Odiar personagem? Nunca mais!



É comum assistirmos séries e ter aquele personagem que odiamos; aquele que só faz bosta e até mesmo aquele que só serve para cumprir tabela. Bom, aqui isso não acontece. Até os personagens que são secundários acabam sendo incríveis. Eu, particularmente, não consigo definir qual meu personagem favorito da série pois todos fazem e dizem coisas que me agradam e nunca me decepcionaram em nenhum episódio.

Espirito de amizade (e sororidade) acima de tudo



É engraçado uma série que se passa em um ambiente de trabalho onde as pessoas não competem entre si e falando sobre realidade principalmente as mulheres. Acredito que isso deva existir em outras séries em peso mas aqui isso não acontece, muito pelo contrário. Várias vezes as meninas comentando sobre estarem ali se apoiando principalmente por estarem em um local majoritariamente masculino. É lindo de ver. 

Casal mais fofo que você verá 



Nesse quesito eu não preciso falar mais nada, né? Amo casais de séries mas Amy e Jake superam todos pois acho que nunca vi relação mais saudável do que essa. ♥

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Você já assistiu B-99? Conta aí nos comentários o que você mais curte na série. 

Papelaria: Um caminho sem volta

13/01/2020


Caneca do Darth Vader

Quando eu era criança sempre ficava super ansiosa para o mês de Janeiro pois sabia que neste mês eu iria comprar meu material escolar. Entretanto, nem sempre, eu pude ter as coisinhas fofas que via na época (lembrando que as opções há uns 15 anos atrás eram bem menores que as atuais). Então fui crescendo, trabalhando e com o meu próprio dinheiro passei a ter autonomia de comprar coisas que eu gosto em todos os aspectos, como livros, comida, roupas e papelaria. O problema foi quando passei a trabalhar em uma livraria. Óbvio que meu consumo de livros aumentou mas a papelaria se tornou um novo vício que não posso mais deixar de passar um mês sem comprar algo desse setor. Hoje vou mostrar para vocês os itens que mais gosto de usar e como uso eles com meus livros e na tentativa de fazer um bujo neste novo ano que se inicia.

Agenda / Planner


Agenda da Tilibra 2020 Barata

Todos os anos eu compro uma agenda ou um planner e nunca uso. Esse ano comprei a agenda mais barata da loja, da linha Pepper da Tilibra, e o planner eu peguei em formato de calendário para deixar na mesinha, pois é mais prático e sei que assim irei usar obrigatoriamente. O sketchbook da West Village irei usar como bujo voltado as minhas leituras, metas de leituras, controle de leituras coletivas, etc. Não sei se vou conseguir dar conta, de fato, mas vou tentar.

Calendário Planner

Brush Pen



Eu entrei na onda do leterring e acabei comprando brush pen, entretanto não gastei horrores pois estou em fase de treinamento e não quero comprar as brush caras e acabar desistindo de vez depois. Então estou me virando com essa da Newpen. Eu não conhecia a marca, mas não me arrependi. Ela é simples mas consigo fazer meu treinamento tranquilo com ela. 


Outra brush que uso bastante, mas somente na cor preta e para textos pequenos, é essa da Uni Pin. Ela é bem firme, sabe? Para quem tá começando usar brush acho que é uma boa, pois os danos são menores. rs



Blocos Adesivos



Sou viciada nisso. Uso nos livros, ano passado usei nas apostilas, e este ano pretendo usar no material da faculdade caso eu faça alguma. Aquele unicórnio ao fundo também é bloco adesivo e apesar de eu não ter tanta coragem de usar com desenhos (tenho dó) eu achei ele super fofo e vou tentar aderir ao dia a dia.

Caneta de ponta fina




Eu não sou muito fã de caneta de ponta fina, confesso. Mas elas são ótimas para fazer lettering, pois eu sempre deixo detalhes passar e acabo arrumando com elas. No meu bujo estou usando bastante pois elas são fáceis de usar no pontilhado. Além dessa da Faber eu tenho o conjunto da Jocar. 

Marca-Texto


amo papelaria

Amo papelaria

Amo Papelaria

De todos os materiais o meu favorito, de longe, são os marca-texto. Gente, eu tenho muitos mas ainda acho que são poucos. rs Eu mostrei os que tenho de conjuntos, mas tenho de outras marcas que nem conheço e agora quero comprar aqueles em formatos diferentes, como de sorvetinho, carinhas, etc. Nos dois vídeos abaixo vou mostrar o teste te marca-texto apagável (tanto no meu sketchbook quanto em um livro, pois sei que muita gente gosta de usar em livros). 



Mostrei aqui só o básico, mas ainda tenho algumas canetas gel, além de esferográficas com design diferente, e comecei a comprar washi tape. Gosto de clipes coloridos e sou muito apaixonada em sketchbook, apesar de quase não usar (na foto mostro os que ganhei de editoras e guardo com dó de usar). 

amo papelaria


Agora me diz ai:
Quais são seus itens de papelaria favoritos?

Resenha: Um de Nós Está Mentindo

10/01/2020


Neste livro, conhecemos quatro adolescentes, Nate, Addy, Cooper e Bronwyn, que estão sendo acusados de assassinato. Durante uma detenção em que os quatro alunos estavam presentes, Simon sofre um choque anafilático e falece instantes depois. Porém, a polícia chegou à conclusão que sua morte não foi acidental, já que o copo onde Simon bebeu água pouco antes de morrer continha traços de óleo de amendoim, alimento do qual ele era alérgico. A partir daí, todas as pistas do suposto crime levam aos quatro adolescentes que estavam presentes naquela sala.

Parece totalmente injusto colocar a culpa nos meninos, mas cada um deles tem um motivo para odiar Simon e querê-lo morto. Assim, como o título do livro já indica, algum dos personagens da história está mentindo e fica muito difícil confiar em alguém. Até certa ponto, esse "pequeno detalhe" acaba gerando uma grande tensão, já que os capítulos são narrados intercalando os pontos de vista dos quatro adolescentes. Porém, com o decorrer da leitura, a gente começa a ter sentimentos super contraditórios em relação à eles, porque, querendo ou não, vamos conhecendo o interior de cada um, como eles se sentem, como estão lidando com tudo. 

A narrativa de McManus é muito envolvente, extremamente fluida, tanto que é uma leitura extremamente rápida. O tema, que tem de tudo para ser um enorme clichê, foi conduzido de uma forma magistral pela autora. A única coisa que me incomodou um pouco foi que muitas vezes eu não conseguia identificar qual personagem estava narrando naquele momento. Então, na minha opinião, faltou dar diferentes "vozes" aos personagens, sabem?

Apesar dessa atmosfera de mistério, o young adult está presente no decorrer das páginas, tendo espaço até mesmo para aquele romance adolescente que a gente adora. Para ser sincera, as minhas partes preferidas eram as dos personagens que formaram o casal — no caso eu não vou contar para vocês sentirem exatamente o que eu senti durante a leitura. Outro ponto bacana de citar é o amadurecimento dos personagens no decorrer da trama, quando começam a se aceitar e perceber que todo mundo erra, até mesmo a pessoa mais perfeita. 

Eu tinha diversas teorias para o desfecho da história dos adolescentes e, quando eu já estava quase lá, descobri o que realmente aconteceu com Simon, mas isso não fez com que eu gostasse menos do livro. Acredito que, quando um autor deixa pistas para o leitor, é porque realmente quer que ele desvende o mistério. A história criada por McManus é um maravilhosa, com temas atuais que levantam ótimas discussões. Um de Nós Está Mentindo com certeza tem a capacidade de conquistar os leitores desde as primeiras páginas.

Título: Um De Nós Está Mentindo (Um de nós está mentindo)  • Autora: Karen M. McManus
Editora: Galera • Tradução: André Gordirro
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Cadê meu Fone? #13

08/01/2020



Um dos problemas em trabalhar em shopping, além dos horários, é ouvir diariamente as mesmas músicas até cansar e cansar e cansar mais e mais e mais. Foi nessa canseira que eu conhecia SIA. Sim, por mais que ela seja uma cantora super famosa eu ainda não conhecia ou evitava conhecer e agora me vejo, até certo ponto, viciada nessa voz incrível e maravilhosa. Então para a volta do meu "quadro musical" trarei algumas músicas dela que provavelmente todos já conhecem.


A culpa de tudo é dessa música e eu amo cantar ela errado para meu namorado. rs


Agora sinceramente esse é meu vídeo favorito de todos que já vi dela. Gosto da química entre Maddie e o Shia e a forma como eles contam uma história com esses passos e as expressões de desespero em diversos momentos.


Eu vejo a Maddie nesse vídeo e só grito TALENTO PURO. Inclusive o vídeo todo com dançarinos incríveis e as crianças deus amado quero apertar tudo. Se você precisa se sentir motivada um dia ouve essa música e veja esse vídeo pois ele é tudo.



E o que falar quando ela canta Diamonds???? Tudo para mim.


Estamos em 2020 e ainda existem debates sobre profissões para mulheres, mercado de trabalho em geral e, claro, igualdade de salário entre os gêneros. Imagina esses debates no inicio do século XX? Pois bem, é isso mesmo que temos nesses artigos de Virginia Woolf. Esta foi a minha primeira experiencia com a autora e já amei muito a forma como ela se expressa: tão sutil, tão honesta e ainda assim com uma certa raiva dentro de si por viver em um mundo injusto para as mulheres.

De cara levamos a uma reflexão sobre o que é uma profissão para mulher. Eu digo isso pois pensando na sociedade da época em que os artigos foram escritos, de fato, quais eram as profissões femininas? Mal existia a profissão "secretária" ou "professora" que foi muito popular após os anos 50. Então a autora explica algo óbvio: o porque de as mulheres terem tido um certo sucesso como autoras ao invés de outras profissões. E sendo bem feminista falando isso a culpa é do patriarcado. Virginia explica que a única coisa que as mulheres tinham em mãos, pelo menos as que eram alfabetizadas, era papel e caneta. Um material barato que os homens não se importariam de gastar com mulheres.

O livro em si são resenhas literárias de livros escritos por homens que, de algum jeito ou de outro, falam mal sobre as mulheres e suas rotinas. Há um artigo sobre um autor/livro que acha que pode escrever melhor sobre a rotina de uma mulher do que a própria mulher e Virginia logo critica dizendo que não há maneira de isso ser possível, até porque as autoras mais famosas de épocas anteriores a ela fizeram sucesso escrevendo sobre a rotina feminina em suas obras pois era aquilo que elas viviam em sociedade. Isso me fez pensar sobre como em muitos romances de época (os de verdade) e até filmes que podem ou não ter sido adaptados mostram mulheres em rotinas tediosas em uma salinha de costura, sabe? Como poderia uma mulher escrever sobre o mundo sendo que ela mal poderia sair de sua própria casa?

Em outro texto há passagens incríveis sobre a impossibilidade da mulher ser algo mais quando não é lhes dada a oportunidade. Nem tudo nesse mundo é meritocracia e como uma mulher poderia colocar em pratica sua inteligencia se não tinha o direito de estudar da mesma forma que seus irmãos? O mais incrível para mim nesses momentos é ela refutando a ideia de que não existiam mulheres brilhantes na época e/ou mulheres que não fez nada notável/digno de atenção falando exatamente que não há como saber se não existiam simplesmente porque essas mulheres podem ter perdido a oportunidade de ser notável por causa de um casamento, pela impossibilidade de estudar.

Me pergunto muito como Virginia Woolf se sentiria vivendo em 2020. Sobre o que ela falaria a respeito desse assunto nos dias atuais? Eu tenho certeza que ela me obrigaria a refletir sobre algo que eu não pensei ainda, mas será que ela teria um pouco de orgulho do que conquistamos? Gosto de acreditar que sim, já que agora tem muitas mulheres notáveis em basicamente todos os ramos profissionais conhecidos e essa realidade está mudando mais e mais.

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Título: Profissões para mulheres e outros artigos feministas • Autora: Virginia Woolf
Editora: L&PM Pocket • Tradução: Denise Bottmann
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Leituras Coletivas de 2020

03/01/2020


Este ano eu resolvi extravasar e entrar em não em uma, mas sim em QUATRO leituras coletivas. Eu tô louca? CLARO QUE SIM. Mas acho que vai ser bem legal pois são de temas que eu me interesso bastante e preciso aproveitar a deixa para não enrolar nas leituras das obras.

Stephen King

Eu adoro demais Stephen King, todos sabem disso, mas infelizmente eu ainda não li nem metade da quantidade de livros que esse homem lançou e sei que dificilmente irei ler rs; Entretanto a gente tenta e com um empurrãozinho pelo menos esse ano uns 10 vai!! 

Lendo autoras negras


Li umas coisas que em 2019 que me abriram os olhos para o fato de que mulheres negras não são valorizadas na literatura (assim como em outros tantos ramos) e como leitora eu quero descobrir novas autoras, quero divulgar essa literatura aqui, e principalmente entender aspectos do mundo através dos livros; Por isso amei demais esse projeto quando o vi no Instagram por acaso.

Lendo Jane Austen

Vergonha na cara como se nunca li Jane Austen? Está mais do que na hora de começar e com essa LC eu vou conseguir ler pelo menos três títulos que tenho dela na minha estante. 

Abandonados da LC

No final do ano li Kindred com esse grupo e adorei as meninas. Vou participar este ano tentando ler o máximo de livros escolhidos possíveis. Aqui no caso não há uma programação pré-definida e os títulos são escolhidos por sugestão e votação das participantes para ficar mais dinâmico.

Gostaram?
Eu estou ansiosa para essas leituras e com medo ao mesmo tempo pois sempre abandono os projetos dos quais resolvo participar. Então vamos ver se consigo participar ativamente e principalmente fazer boas leituras.