Top 4 de 2019

30/12/2019


Como leitora é impossível não classificar livros como melhor ou pior, seja da vida, da semana, ou do ano. Este ano eu li coisas incríveis, li coisas que nunca imaginei que leria e sai muito satisfeita da maioria dessas leituras. Não peguei nenhuma lista para eleger os meus melhores do ano, vou só fazer de acordo com a vontade mesmo para relembrar desse 2019 posteriormente.

Uma biografia


Esse ano eu fui a louca das biografias. Li Eu Sou Malala, Livre para Voar, Carandiru, Lady Killers (que não deixa de ser uma biografia), entre outras. Só que essa se tornou especial pois a história de Maya é incrível em tantos aspectos. Ainda não coloquei resenha dele aqui, mas vou tentar postar em breve para vocês terem noção desse meu amorzinho. 

Uma personagem


Como eu adoro E. Lockhart qualquer personagem dela irá marcar meu ano, talvez até minha vida. Não foi diferente com Jule, que é manipuladora de tantas formas mas tantas formas que eu vou repetir: leiam este livro.

Um Suspense


Este ano eu li muuuitos livros de suspense e investigação. Eu amo e acredito que o ano foi favorável demais para isso, teve lançamentos incriveis, como A Paciente Silenciosa, A Corrente, sem contar O Homem de Giz e O Que Aconteceu com Annie; Mas eu não poderia deixar passar em branco essa belezinha chamada Sobre Meninos e Lobos. Se tornou um dos meus livros favoritos da vida. 

Melhor Casal


Não li muitos livros de romance este ano e os que li ou eram bons ou muito ruins rs. Só que essa belezinha aqui me surpreendeu tanto que não poderia deixar de fora. Tem um casal fofo e ao mesmo tempo tão real nessa obra que você nem precisa ser lgbt para se identificar com eles. 

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estatística do skoob feita no dia 12/12

Até 2020 

Resenha: A Nuvem

23/12/2019


Fato é que quando li O Ceifador eu fiquei muito louca pela continuação, entretanto mesmo após o livro ter sido lançado eu demorei quase um ano para ler a sequencia. Já tinha certeza de que o segundo livro me deixaria desesperada pelo terceiro e adiei o máximo que pude; Mas tem uma hora que não da mais para segurar, né? Peguei ele aqui e fui ler para ficar aqui sofrendo agora.

No primeiro livro somos inseridos em um mundo distópico diferente de outros que conhecemos na literatura infanto juvenil e agora o autor mostrou para que realmente veio com essa história. Todo aquele clima de que estamos conhecendo um mundo novo agora da espaço para criticas sociais que são atuais e, ao que parece, sempre será atemporal. Muito mais do que uma fantasia onde há assassinos especializados para acabar com a vida humana, sendo eles os únicos autorizados a isso, o livro nos mostra artimanhas politicas que pode ensinar a um leitor adolescente como funciona o nosso sistema eleitoral.
Com o tempo, toda tempestade se transforma em uma brisa agradável. 

As personagens que tanto me agradaram no inicio dessa trilogia voltaram muito melhor do que antes. Citra, agora Honorável Ceifadora Anastásia, prova para nós a todos os momentos o porque de ser tão especial, mas não de um jeito que faça-nos pensar que ela é desumilde, muito pelo contrário: Ela nunca quis ser ceifadora e justamente por isso ela é uma ceifadora incrível e misericordiosa com a sua coleta. Citra não é tratada pelo autor descaradamente como simbolo de algo, ou até sendo a mais especial de todas, ela é tratada como alguém justa e que por ser assim acabou tendo muitos inimigos (nem todos são declarados). Rowan agora é um fugitivo, mas que tomou seu lugar como Ceifador Lúcifer para acabar com a corrupção que presenciou na Ceifa durante o seu treinamento. Talvez seus métodos não sejam tão bons só que ele tinha uma opção e resolveu segui-la. Gostei muito da pessoa que ele se tornou. Pode parecer que ele tenha sido burro em determinado momento do livro só que para mim foi só uma reafirmação do menino que conheci no primeiro livro, que mesmo tendo passado por tanta coisa ainda tem os seus valores intactos.

Neste volume conhecemos sobre os Infratores, os Tonistas e a Interface da Autoridade (uma especie de representante humana da A Nimbo-Cúmulo) e juntamente com esses três grupos um novo personagem nos é apresentado, sem sombra de dúvidas o melhor deste volume e com certeza será o de extrema importância no volume três: Greyson Tolliver. Eu não quero falar desse personagem para não correr o risco de dar spoiler, mas ele é a antítese de Citra e Rowan. não como um vilão ou anti herói, e sim como algo necessário para complementar o que os outros dois representam ao leitor. Neal Shusterman não da pontos sem nó na hora de criar essa história e tudo se encaixa tão bom que tenho certeza que ele sabia o final desde o inicio do livro.
— O fim nem sempre justifica os meios, minha cara — ela disse [Curie] — Mas às vezes justifica. A sabedoria está em reconhecer essa diferença. 

Sua narrativa em terceira pessoa nos permite saber o que está acontecendo com a Ceifa, assim como os outros grupos existentes na trama e personagens que não daríamos importância caso tivéssemos uma narração em primeira pessoa. Dessa forma algumas pistas sobre os acontecimentos nos são dadas ao longo do livro, mas nada que não nos surpreenda ao final, pelo contrário. Inclusive os acontecimentos finais são incríveis, sério. O autor não poupou esforços para nos causar adrenalina durante a leitura das últimas páginas e eu só posso dizer (de novo) que tô muito ansiosa para o terceiro livro que chega em breve ao Brasil!!!

Agora o que é esses capítulos da A Nimbo-Cúmulo? Eu estava lendo e totalmente comparando-a com a idealização de Deus até que chega uma hora que ela mesma fala sobre isso e eu fiquei tipo "a senhora tá aqui????" kkk Sério, a construção dessa nuvem/comandante foi muito bem elaborada, com todas as explicações de sua existência e funcionamento, além de sabermos um pouco sobre suas frustrações e desejos, que nem se quer são sentimentos de uma inteligencia artificial, mas que ela consegue reproduzir tão bem a nós com a sua idealização disso através de algorítimos. Tudo que ela faz é planejado do inicio ao fim e eu acho que ainda irei me surpreender com ela no último livro, só espero que de uma forma boa. Só me resta esperar.

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Título: A Nuvem (Thunderhead) — Scythe #2 • Autor: Neal Shusterman
Editora: Seguinte • Tradução: Guilherme Miranda
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Resenha: Ascensão

19/12/2019


Mal consegui me recuperar de O Instituto e a Suma de Letras vem com mais uma obra do Stephen King traduzida: Ascensão. Desde seu anuncio eu não havia lido a sinopse, então não sabia nada sobre o conteúdo do livro (ou conto?) e então ao iniciar a leitura eu fiquei intrigada com o que estava acontecendo com Scott, o personagem principal, que vive em Castle Rock. Quem esta acostumado com o autor de longa data (não é meu caso, apesar de eu ama-lo ainda falta muito para eu ser especialista) conheça essa cidade e poderá ser mais um ponto para gostar tanto do livro. Eu ainda não conhecia e não defini ainda meus sentimentos em relação a ela.

Sempre vejo as pessoas falando que tem medo de ler algo do Stephen King, mas fazendo um comparativo com outras obras do autor eu até entendo o motivo. O fato é que Ascensão é diferente. Ela não é de terror e nem horror. Este livro não irá te dar medo, mas irá te deixar triste pelos seus acontecimentos. Mesmo sendo curtinho Scott é um protagonista que conquista o leitor primeiro pela sua situação estranha: uma misteriosa perda de peso que não reflete em sua condição física real; Segundo pela forma como ele lida com essa situação e como gostaria de consertar algumas coisas que estão erradas em sua vida, por exemplo a implicância que tem dos cachorrinhos de suas vizinhas, que por acaso são um casal. Scott em nenhum momento mostra ser homofóbico em redenção, longe disso, mas não vou dizer que ele sempre foi uma pessoa que lutou por causas lgbt, por exemplo. Mas é visível que ele quer fazer daquela comunidade um lugar melhor para todos, inclusive para as vizinhas que estão com problemas sérios por não serem aceitas naquele ambiente.

Ascensão é um livro puramente sobre relações humanas e amizade. Tem fantasia? Claro que sim. Por mais que eu não seja lá muito fã King soube colocar esse elemento da forma correta para deixar a história crível, por mais impossível e estranho que seja uma pessoa perder peso daquela forma. E ainda é possível fazer interpretações sobre esse ocorrido. Eu, por exemplo, vejo essa perda de peso como se fosse uma metáfora para todas as coisas ruins que ele estava deixando para trás. Para ser mais especifica o processo vai se acelerando mais e mais e isso ocorre paralelamente com ele brigando num bar para defender as moças, ou quando ele da o primeiro passo para tentar uma amizade com elas, ou pensamentos sobre sua ex-esposa. Não é uma afirmação de que seja isso, mas devido ao que ocorre no final, na presença de quem ocorre, me deixa pensar nessa possibilidade e sinceramente eu adoro.

Se você quer começar ler algo do Stephen King comece por Ascensão, se você já gosta mas não leu tantas coisas (assim como eu) aproveita esse momento para ler Ascensão. Eu garanto que em ambos os casos a leitura será maravilhosa e irá te fazer refletir sobre o que levou Scott a ter essa condição; Tenho certeza que o final irá te emocionar, assim como a transformação desse personagem.

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Título: Ascensão (Elevation) • Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras • Tradução: Regiane Winarski

Uma TAG sem nome

17/12/2019


Hey, hey! Faz muuuuito tempo que eu não respondo uma tag aqui, então aproveita uma tag salva no instagram (vi no @luzcantoelivros) para fazer aqui. Lá não colocaram título na TAG e nem créditos, então infelizmente não tenho como saber isso.

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Uma protagonista forte



Alicia Berenson foi para mim uma grande surpresa neste ano. O livro é dividido em passado e presente e mesmo no presente ela não falar, por livre e espontânea vontade, a mulher ainda passa uma energia ao leitor que só me fazia gritar HINO DE PROTAGONISTA.

Um romance envolvente



Ao procurar uma resposta para essa parte da TAG percebi que tenho lido pouquíssimos romances nos últimos meses e, por um lado é bom mudar de ares, mas por outro os que eu li não me impactaram tanto. Acabei escolhendo esse pois gosto como tudo acontece com os protagonistas, mesmo que não seja um relacionamento perfeito, ainda assim foi um livro que me prendeu demais após algumas páginas.

Um shipper que derrete seu coração



Eu não posso negar que sou team Lara Jean e Petter Kavinsky desde 2015.

Um Thriller de arrepiar



Sinceramente, se você ainda não leu C J Tudor está perdendo tempo. A mulher sabe criar uma história envolvente, que te faz sentir como parte do enredo. O Homem de Giz ficou na minha cabeça por um tempo.

Um vilão que da ódio



Este livro é incrível, demais! Só que pensa numa vilã, que também é a protagonista, que passa o livro inteiro te dando nos nervos pelas coisas que ela faz? Claro que isso deixa o livro maravilhoso, mas convenhamos que o ódio é maior.

Crush perfeito



Warner sempre será o meu maior crush literário, pois faz parte de uma saga que eu amo demais além de ser o livro que me fez voltar a ler depois de alguns anos parada lá em meados de 2013. 

Triangulo Amoroso


Foto: pinterest
Essa trilogia é linda, sério, se você não leu vá ler o quanto antes. Eu não sou fã de triangulo amoroso, mas aqui ele funciona de uma maneira muito boa. Claro que há altos e baixos, e que o triangulo não dura para sempre, mas enquanto há um pequeno foco nisso é algo que me surpreendeu por eu ter gostado. 

Personagem confusa



Essa personagem passou por tanta coisa que é compreensível ela ter suas duvidas a respeito de tudo. Gosto muito dela, mas até tudo se encaixar em sua cabecinha leva um booom tempo.

Um personagem que queria ter como amiga




Olho para essa personagem e penso: 0 defeitos. Ela passa por várias coisas de adolescentes, mas de uma forma que eu nunca pude ver pessoalmente por não conhecer ninguém que seja assexual. Além de ser engraçada e talentosa, com um canal do ytube fazendo mini série de Anna Karienina??? Maravilhosa demais. 

Resenha: Kindred — Laços de Sangue

13/12/2019

Adicionar legenda

Esse foi o primeiro livro que li na leitura coletiva da Abandonados da LC, mesmo não tendo participado ativamente das atividades propostas pelo grupo por conta das minhas férias consegui terminar a leitura no prazo certinho. Não é para menos, já que o livro é maravilhoso (mesmo com algumas pontas soltas que irei explicar ao longo do texto).

Dana é uma mulher negra que vive em 1976. Ela e seu marido Kevin, um homem branco, estão de mudança para uma nova casa depois que um livro dele faz certo sucesso e ele passa a ganhar um pouco mais de dinheiro. O livro, na verdade, começa um pouco antes disso, com uma cena onde Dana simplesmente narra seu braço preso em uma parede e depois no hospital, obviamente sem o braço. Isso fica confuso até o final do livo. Durante a arrumação da mudança misteriosamente Dana viaja no tempo, para meados de 1800, onde a escravidão ainda existia, e lá ela salva uma criança branca de se afogar, que ela descobre mais tarde ser Rufus, um de seus ancestrais. Após a primeira vez Dana fará várias viagens exaustivas contra a sua própria vontade e nessas viagens coisas horríveis irá acontecer com ela e pessoas que, ela sabe, ser de sua família. 

Eu não fui pesquisar a fundo sobre o real significado da obra que a autora escreveu. Claro que vai falar sobre a escravidão e todo o sistema da época, mas ainda há uma questão ética muito grande a ser tratada neste livro., dentre tantas outras que eu posso não ter me identificado porque não é o meu lugar de fala. Então eu vou falar aqui sobre o que eu achei, minhas impressões pessoais, e se algo estiver errado sinta-se a vontade para me corrigir, vir conversar no privado, e tudo mais, pois a vida é um aprendizado né.

Primeiro, como leitora, fiquei sem entender o motivo que levou a viagem no tempo. Há uma forte ligação entre Dana e Rufus, que é um ancestral da protagonista, e o fato de ela fazer essas viagens sempre que ele está em uma situação de perigo mostra que, de uma forma ou de outra, essa família deveria existir. No ínicio da leitura eu acreditava que a presença de Dana na vida de Rufus iria mudar a forma como ele enxerga a escravidão, assim como as pessoas negras escravizadas e/ou livres, mas infelizmente é uma situação que Dana tem pouca influencia, já que ele vive nesse ambiente e época e é totalmente influenciado por ele, então para Rufus é normal um homem branco estuprar uma escrava, assim como é normal um escravo ser açoitado se tentar fugir, dentre outras coisas. Ao longo das viagens que Dana faz a convicção do que ele acredita fica mais e mais evidente, pois ele vai ficando mais velho e vai vivendo essa vida para se tornar o dono da fazenda de seu pai. Há pequenas situações em que Rufus me deu impressão de que seria diferente, mas infelizmente eu estava errada.

Ao mesmo tempo que deseja mudar toda a situação escravagista, Dana sabe que é impossível fazer isso, e apesar de todo o sofrimento ela sabe que não pode mudar aquele ambiente, pois se fazer algo poderá deixar de existir no futuro. Então ela tenta ser uma pessoa neutra naquele ambiente. Apesar de ser uma escrava (ela é livre, mas vive como uma escrava) Rufus tem um grande carinho por ela e a trata com mais benevolência, mas quanto mais velho ele fica mais ameaçador ele se torna, Danta tanto sabe disso que se preparar para o pior cada vez mais. Por causa dessa relação dos dois Dana acaba sendo mal vista entre os escravos da fazenda, onde eles a julgam por ficar tão próxima das pessoas brancas dali, mas claro sem entender o real motivo. Ela tem medo, muito medo, não somente por si, mas por Kevin (que em certo momento viaja com ela) e pelas pessoas que ali vivem e que poderiam sofrer muito mais algumas coisas se não fosse por ela. O pior de tudo mesmo é ver Dana sendo "cúmplice" dos estupros contínuos de Alice, a genitora de seu ancestral. Ao mesmo tempo que Dana odeia o que esta acontecendo com moça pensa que não deve mudar o passado. Por mais que ela tente dizer a Alice que ela tem escolha de ir ou não a Rufus, ela sabe e Alice faz questão de dizer que não há escolha, ela é uma escrava e assim a opção é essa, ou ser açoitada, ou até mesmo morrer. Sinceramente eu não sei o que eu faria nessa situação toda.
Ela havia feito a coisa mais segura, aceitado uma vida de escravidão por sentir medo. Era o tipo de mulher que poderia ser chamada de "aia preta" em outras casas. Era o tipo de mulher que seria desdenhada durante a militante década de 1960. A aia preta, o lenço na cabeça, a versão feminina do Pai Tomás; a mulher assustada e sem poder que já tinha perdido tudo o que poderia perder e que sabia tão pouco sobre a liberdade do Norte quando sabia a respeito do viria a partir de agora. 

É fato que o livro irá te prender de um jeito que nenhum outro te prenda. Dana é a protagonista forte que todos procuramos na literatura, e não é para menos. Mas é bom estar preparada para essa leitura, por ela é um pouco forte demais, pode ser um gatilho para algumas pessoas. Entretanto eu indico fortemente, principalmente em leituras coletivas e clube do livro. O debate que esse livro gera pode ir para várias vertentes.

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Título: Kindred — Laços de Sangue • Autora: Octavia E. Butler
Editora: Morro Branco • Tradução: Carolina Caires Coelho

Resenha: Pequeno Manual Antirracista

11/12/2019


Deu para perceber que minhas últimas leituras foram sobre racismo, escravidão, feminismo negro, e tudo o mais que fale sobre o papel da pessoa negra na sociedade e em como as enxergamos, né? Senão deu para perceber provavelmente agora você percebeu rs. E claro que eu fiquei extremamente interessada nesse livro da Djamila que é super didático para você dar à aquele amiguinho que fala que racismo não existe. Claro que está não é a única função, longe disso, Pequeno Manual Antirracista trata de coisas simples mas importantes para nós que, mesmo buscando conhecimento sobre a luta de igualdade das pessoas negras no Brasil (e até no mundo, ainda estamos com certos pensamentos racistas enraizados na mente.

Como uma pessoa branca eu te falo: Leia este livro. Eu tenho certeza que você, por mais desconstruída que seja, ainda tem alguns pensamentos sociais que não refletiu ainda para ter chance de mudar. Ou, talvez, você tenha até refletido sobre algum assunto mas não entendeu direito o porque de esse assunto ser importante. Falo isso por experiencia própria e afirmo que a Djamila irá, em poucas páginas, provar argumentos que são tão óbvios que você irá se odiar um pouco ao final. Não acho que essa seja a real intenção dela, mas é assim que funcionou para mim.

No livro há tópicos que falam sobre cotas, que ainda hoje é tão discutida; e por mais que eu tenha sempre sido a favor das cotas raciais só agora eu entendi o real propósito dela, assim como todo aquele lance de meritocracia. O que mais gosto da Djamila é que ela nunca inviabiliza a luta de outra minoria, ela só irá pontuar o porque das lutas negras também serem importantes historicamente. Outra coisa que eu nunca tinha pensando, ninguém nunca tinha me corrigido, e agora irei usar, é o termo escravizados. Temos costume de falar que os negros eram escravos, mas usar o termo dessa forma não condiz com a real condição dele: Eles foram escravizados. Entende mais ou menos?

Este livro deveria ser obrigatório, seja em escolas, cursos, universidades. É uma pena ter que falar isso, mas ele é tão importante que é errado as pessoas não lerem. Com certeza uma obra que eu indicarei a todos quando o assunto for racismo, assim como sempre falo de Sejamos todos Feministas da Chimamanda quando o assunto é feminismo. Djamila é excepcional.

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Título: Pequeno Manual Antirracista • Autora: Djamila Ribeiro
Editora: Companhia das Letras

Conheça a Obra: A origem dos outros

09/12/2019


Este é um livro que li na maciota na livraria onde trabalho, cada dia lendo um texto diferente e tentando entender e refletir sobre eles. O post não entrará na categoria resenha pois acho que Conheça a Obra combina mais com a proposta dele, que é justamente uma reflexão. Eu, como pessoa branca, e ainda com conhecimento limitado quando o assunto é a luta negra, me surpreendi com diversos pontos textos e principalmente sobre pontos históricos e cultural que a autora cita.

O subtitulo do livro é seis ensaios sobre racismo e literatura e este não poderia ser uma melhor descrição. Nos ensaios Toni analisa algumas obras clássicas, assim como alguns autores, para exemplificar como o racismo funciona e como a literatura tem influencia nesse aspecto, tanto para o bem quanto para o mal. Há uma passagem falando sobre A Cabana do Pai Tomás que me deixou muito interessada em ler a obra clássica, que foi um livro extremamente importante para a luta abolicionista nos EUA.
Na minha opinião, por mais impressionante, temente e repulsivos que sejam esses incidentes de violência, a questão que surge, bem mais reveladora do que a severidade da punição, é quem são essas pessoas? Como elas se esforçam para definir o escravizado como desumano e selvagem, quando na verdade a definição de desumano descreve em grande parte quem pune. Quando precisam descansar exaustas entre duas sessões de chibatadas, a punição é mais sádica do que corretiva.
Se uma surra demorada cansa quem açoita, e a pessoa precisa de uma série de pausas para poder prosseguir, de que serve a duração para o açoitado? Essa dor extrema parece destinada ao prazer de quem segura a chibata.

Todos os ensaios são curtos, na verdade o livro é bem pequeno e vem com edição capa dura. O ensaio onde a autora falando sobre a romantização da escravidão é de revirar o estomago, assim como fetiche da cor. Ambos os textos vem bater na nossa cara sobre como vemos os negros em sociedade e como eles realmente são tratados perante delas. Imagine, em um exemplo bem simples, a respeito da mulher negra que é vista como sensual, boa de cama, mas que não é considerada o tipo de mulher que um homem (branco) se casaria, simplesmente porque ela só serve para sexo; Não diferente de como as escravas eram tratadas pelos donos das fazendas que estupravam mulheres negras diariamente. Há uma passagem no livro onde Toni faz citação do diário de um dono de fazenda que anotava quando estuprava as suas escravas simplesmente como uma transação comercial, sem nenhuma importância.
Como uma pessoa se torna racista, ou sexista? Já que ninguém nasce racista, e tampouco existe qualquer predisposição fetal ao sexismo, aprende-se a Outremização não por meio do discurso ou da instrução, mas pelo exemplo.

Eu recomendo muito este livro para quem quer ler algo que fale sobre racismo de um jeito rápido e real, assim como para quem ainda não conhece autoras clássicas do gênero — Toni foi a primeira mulher negra a ganhar um prêmio Nobel de literatura.

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Título: A origem dos outros — seis ensaios sobre racismo e literatura (The Origin of Others)
Autora: Toni Morrison • Editora: Companhia das Letras • Tradução: Fernanda Abreu

Resenha: Sobre Meninos e Lobos

06/12/2019


Sabe quando você assiste um filme em sua juventude e depois de alguns anos descobre que ele era, na verdade, uma adaptação? Foi isso que aconteceu comigo em 2015 quando eu li (e resenhei, leia aqui) Ilha do Medo, do autor Dennis Lehane, e logo descobri que ele é o autor de Sobre Meninos e Lobos, que ganhou uma adaptação em 2003 e me deixou surpresa demais quando eu assisti pela primeira vez. Então, mesmo após anos da minha tal descoberta o livro nunca saiu da minha lista de desejos e quando ele deu as caras na livraria onde eu trabalho precisei comprar antes que chegasse algum cliente e tirasse essa chance de mim. rs

Eu não sou muito fã de resumos nas minhas resenhas, mas é bom eu lhes apresentar, pelo menos, os três protagonistas da história: Sean mora com sua família em um bairro de classe média, entretanto ele não é rico. O pai dele trabalha no escritório de uma firma e tem como amigo do pai de Jimmy, que mora em um bairro mais pobre. Jimmy e Sean se encontram todos os finais de semana, juntamente quando seus pais resolvem ouvir jogos de futebol americano e tomar umas cervejas juntos. O terceiro elemento é Dave, que faz parte desse trio por ser um garoto solitário e que "pega no pé" de Jimmy para eles serem amigos. Em um sábado os meninos estavam brincando na rua quando um carro se aproximou, com dois homens dentro, e fizeram uma pressão nas crianças, se passando por policias e que eles estavam importunando as pessoas na rua. Esses homens então levaram Dave, com a desculpa de que o levaria para a casa, mas então Dave desapareceu por 4 dias e nunca mais foi o mesmo. Após cerca de 30 anos a filha de Jimmy é brutalmente assassinada e esses três homens irão se reencontrar.
Ferrado. Foi o que o pai de Jimmy disse a sua mãe na noite anterior: "Ainda que o achem vivo, o menino está ferrado. Nunca mais sera o mesmo".

Sean se tornou policial e sem saber é escalado para descobrir quem foi o assassino. Ele tem uma vida pessoal conturbada, por causa de seu possível divórcio, e por vários momentos eu achei que ele não iria aguentar a pressão de ter alguém de sua infância lhe cobrando respostas pelo que houve com sua filha e ter que lidar com sua esposa, que fugiu grávida de sete meses. Entretanto Sean é extremamente profissional e sagaz, suas sacadas estão nos detalhes onde nós nem imaginamos em perceber durante a história, coisas que estavam ali gritando na nossa cara, sabe? Já Jimmy dava indícios desde a infância que seria um criminoso, ficou preso uns anos e quando saiu da prisão decidiu se tornar um homem de família para cuidar de Katie, sua filha, que ainda era uma criança quando ele ficou livre. Ele acaba se tornando o personagem favorito dos leitores pois existe toda uma ideia de coragem e redenção em cima dele. Vamos combinar que isso sempre deixam os personagens melhores e quando eles passam por um trauma, quando algo ruim lhes acontece (como a perda de uma filha de 19 anos) é impossível não torcer para esse homem ter sua vingança consumada, pois sabemos que no fundo no fundo o sistema policial nem sempre funciona como deveriam ou como gostaríamos.

Já Dave é o personagem essencial para a trama toda acontecer, mesmo que Jimmy possa dar o ar de ser, de fato, o protagonista. Apesar do que ocorreu na infância ele teve uma boa adolescência, foi jogador de futebol americano, se casou e tem um filho. As aparências tudo é lindo, mas somente Dave entende o que se passa em sua cabeça. O Menino ainda esta internalizado dentro dele, aquele garoto que entrou no carro, de fato, nunca mais foi o mesmo e cresceu cheio de marcas que nada poderá apagar e são justamente essas marcas que ainda podem afeta-lo. O autor não da, em nenhum momento, detalhes do que ocorreu com Dave e isso torna tudo muito pior, nossa imaginação se encarrega de fazer isso através de frases ou diálogos, assim como durante toda a leitura nossa mente nos prega peças com o rumo que achamos que a história irá tomar.

Dennis Lehane é um escrito extremamente talentoso. Tudo o que acontece no livro tem um motivo, não há pontas soltas; E tudo o que acontece tem uma consequência, assim como na vida. Dennis tanto sabe disso que coloca essa reflexão em um diálogo entre Sean e Jimmy e criou o Jimmy todo em cima dessa premissa. Este pode parecer um livro policial, mas se trata muito mais de um drama onde relacionamentos são postos a prova a todo instante e, infelizmente, a realidade como a história é tratada nos mostra que esses relacionamentos em sua maioria são fracos. Este pode ser um livro que te emocione de tantas formas ou que te surpreenda de outras, assim como pode ser os dois. Eu fiquei bastante chocada com o desfecho, não só pela descoberta do assassino que é uma surpresa, mas sim por tudo o que acontece com esses três homens. Acredito que dificilmente irei ler um drama policial da mesma forma após este livro e sempre irei ter como referencia esse autor quando for livros desse gênero.
Eu sou você, o Menino dizia em tom amigável. Eu sou você.

Título: Sobre Meninos e Lobos (Mystic River) • Autor: Dennis Lehane
Editora: Companhia das Letras • Tradução: Luciano Vieira Machado
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Desafio 2020: Saindo da zona de conforto

04/12/2019


Oi, gente! Chega final de ano começamos a fazer nossos desafios para 2020. Eu estou em dois grupos de leitura coletiva, sendo um deles só para ler Stephen King, e quero fazer um projeto pessoal em que eu irei sair da minha zona de conforto literária. Mas como assim? Fácil, fácil.

A ideia é ler livros de gêneros que, normalmente, eu não leio e até fujo. O motivo? Bom, o mundo literário é cheio de coisas flexíveis para todos os gostos, certo? E eu andei reparando nos blogs literários que visito e nos bookstagrams que muitos desses gêneros eu nem passo perto, eu só critico, eu simplesmente não dou chance. Não quero ser esse tipo de leitora, pois eu acredito que o hábito de leitura é importante para as pessoas e sei pelas estatísticas que o brasileiro ainda não tem hábito de ler tantos livros e sendo assim quem sou eu para criticar os gêneros que os outros estão lendo visando que o mais importante é que ele está lendo?

Pensando nisso eu separei 6 gêneros literários que eu, dificilmente, coloco nas minhas listas. O livro de cada gênero ainda não foi definido, pois pode ser que venha algum lançamento que eu queira encaixar no desafio, então só fiz a lista com os gêneros por enquanto.

1) ROMANCE DE ÉPOCA


Imagem: Google

Para ser sincera não entra na minha cabeça essa amor todo que vocês sentem por romances de época. Já li dois e resenhei aqui (O Duque e EuO Beijo Traiçoeiro) e ambos esses livros eu até que gostei, mas por mais que tenha tido curiosidade de ler outros dessa série da Julia Quinn, por exemplo, nunca foi uma grande necessidade. Após algum tempo eu passei a ver romances de época como um retrocesso na literatura feminina, pois eles nos apresentam homens que nem do século passado são, o que é muito pior. E ai me sinto triste quando vejo as leituras passando pano para esses machos, mas ok... Vou me render um pouco só para sair da minha zona de conforto.

2) ROMANCE HOT


Imagem: Freepik 
Outro fenômeno que passa longe de mim é o de romance hot, mas ao contrário de romance de época eu entendo o motivo desse gênero fazer tanto sucesso e adoro a ideia. Gosto de ver mulheres lendo coisas que as façam ser livres e que de alguma forma as ajude a se conhecerem melhor. Eu tenho certeza que muitas leitoras de romance hot antes mal sabiam algumas coisas a respeito de sexo e esse tipo de livro deu-lhes a chance de saber um pouco mais e, até mesmo, instigar vontade de praticar algumas coias. Eu, particularmente, não gosto pois acho as histórias iguais. Então eu li uns três, até hoje, e sinto que já li tudo; Mas nunca é tarde para tentar descobrir algo novo. 

3) AUTOAJUDA


Imagem: Freepik
Este com certeza será o gênero mais chato. Desculpa, leitores de autoajuda, e produtores de livros de autoajuda. Acho que se eu tivesse que escolher um gênero para dizer "odeio", provavelmente seria de autoajuda. Só que vou me atentar ao objetivo do desafio e a justificativa do inicio do post e com certo curto irei ler algum livro de autoajuda. Provavelmente será algum best-seller e com esses foda-se que estão na moda. 

4) CLÁSSICO DA LÍNGUA PORTUGUESA


Imagem: Freepik
Eu descobri que gosto de clássicos, mas ainda não descobri clássicos da língua portuguesa que me atraem. Todo mundo sabe que são livros com linguagem "rebuscada" e de difícil leitura, mas de que adianta ficar lendo clássicos mundiais e não ler os da minha própria língua, que tanto tem a dizer sobre a história do Brasil? Então lerei um clássico da língua portuguesa sem falta para esse desafio (e se eu passar na faculdade tenho certeza que terei que ler também outros).

5) POESIA


Imagem: Freepik
Poesia é uma coisa que sempre evitei de ler. Claro que eu vi essas moderninhas, que fizeram sucesso na internet e foram publicadas depois e acabei adorando. As que falam de dores, abusos, família e aceitação realmente me atraem, entretanto existe uma infinidade de autores clássicos de poesia que eu sempre torço o nariz sem motivo algum. É uma leitura que parece fácil mas nos demanda muita atenção, pois para compreender uma poesia temos que entender o conceito a respeito dela, sua história e até a história do autor. Pretendo ler algo desse gênero mesmo que o significado do texto fique perdido em minha mente. 

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Então é isso. Deixei o desafio bem pequeno pois eu me conheço e tenho certeza que mesmo estando fácil assim eu vou deixar alguma coisa passar durante o ano. A ideia é ter, pelo menos, dois meses para ler cada gênero. Vai que eu pego algo muito chato e resolvo ficar enrolando, né?

Resenha: Vermelho, Branco e Sangue Azul

02/12/2019


Vermelho, Branco e Sangue Azul será, provavelmente, o romance lgbt mais fofo que você lerá este ano. Isso porque os protagonistas da história são ninguém mais, ninguém menos, do que o filho da presidente dos EUA e o Príncipe Herdeiro da Inglaterra. Já é possível saber que, além de um romance, o livro também tem uma pegada politica que deixa o leitor mais ansioso para saber o desfecho do namoro proibido.

Apesar de ser narrado em terceira pessoa acompanhamos a história cem por cento do tempo pelo ponto de vista de Alex, o primeiro-filho dos EUA. Ele é um estudante universitário que aos 18 teve sua vida virada de cabeça para baixo quando sua mãe foi eleita presidente. Ele ama politica, então adora estar nesse meio, mas odeia a exposição que tem na midia com sua irmã, June, e sua melhor amiga Nora. Alex desde os 12 anos sente um ódio profundo por Henry, o Príncipe da Inglaterra, e após um mal entendido no Casamento Real do irmão de Henry eles são obrigados a aparecer na mídia como amigos, com diversos encontros de fachada e conversinhas nas redes sociais falsas, então à partir daí eles descobrem que estão apaixonados.

Só o enredo inicial já é claro que a história é fofinha demais e com certeza o sonho de muitos garotos que, por muitos anos, viram os príncipes e sonhavam em algo com eles, mas infelizmente um sonho impossível se tratando de uma família real que precisa manter todas as aparências possíveis. Henry é contra as aparências e julga a história da família real em muitas conversas que tem com Alex, toda a hipocrisia e mentiras que são contas para manter a "ordem" e deixar o povo conservador feliz. Eu ficava o tempo todo pedindo para Henry ter coragem de enfrentar o sistema mesmo com seu medo e ao mesmo tempo aflita por saber que ele não poderia. Alex, por sua vez, tem toda a liberdade de ser quem é dentro de casa mas seu medo é com a reeleição de sua mãe. Ele não é assumido, e na verdade sempre se considerou hétero, já que tem atração por mulheres também; Gostei muito por ele ser bi, mas ao mesmo tempo parece ser uma alternativa fácil para não deixar o escândalo ainda maior. Não foi citado pela família dele que seria uma "fase", mas poderia sim ser uma desculpa para ele ser julgado.

Vivendo em uma relacionamento escondido por alguns meses os dois passam por diversas situações de perigo e ao mesmo tempo fofas. Essa ideia de amor proibido, com cartas sendo escritas através de e-mail, da até uma impressão de Romeu e Julieta moderno, mas ao invés de serem separados pela família eles são separados pela politica que, aparentemente, exige que as pessoas sejam de tal modo para funcionar e por causa disso há tanta hipocrisia com políticos que lutam pela família serem na verdade um gay que nunca conseguiu sair do armário e por isso acaba usando de sua posição politica para abusar de pessoas.

Este é um livro fofo com personagens marcantes por seus diálogos, é um livro que com certeza irá fazer as pessoas se apaixonarem mais por príncipes e por jovens politicos que não tem medo de ser quem é.

Título: Vermelho, Branco e Sangue Azul (Red, White and Royal Blue) • Autora: Casey McQuiston
Editora: Seguinte • Tradução: Guilherme Miranda
Essa resenha foi postada originalmente no blog Roendo Livros