A virgindade supervalorizada em YA e NA


Eu tenho certeza que se você é uma leitora (ou leitor) de romances já se deparou com aquela personagem que mal beijou alguém na boca e, obviamente, é virgem. Mas por qual motivos essas garotas são tão valorizadas na literatura young adult e new adult?

Vamos deixar claro, antes de qualquer coisa, que esta não é uma critica a pessoas e até mesmo personagens que escolhem ser virgem, independente da idade. Em casos de livro young adult se a personagem tem 14 anos é óbvio que é normal ela ser virgem, mas convenhamos que personagens de 16, 17, 18 anos é muito mais fora do comum, pois sabemos que a realidade não é bem assim. O problema em si não é a personagem ser virgem, longe disso, mas sim o que as autoras fazem com essa virgindade: Bota um rapazinho fofo que vai lá desflorar a garota. Vamos combinar: Isso é legal?

Eu li Crepúsculo quando tinha 15 anos, 16 no máximo, e quando li o primeiro livro não era mais virgem e em certos aspectos me sentia incomodada por ver o medo do Edward em transar com Bella, uma coisa que ela claramente queria e demonstrou em vários momentos. Vocês conhecem a história e sabem que eles transaram só após o casamento. Eu me perguntava o porque daquilo ser tão importante, mesmo que a Bella não mudasse aos olhos dele, entende? E pelo amor de Deus, não vai me falar que ele tinha medo por eles serem diferentes, ok? Vamos nos poupar.

Já na minha fase adulta passei a ler Estilhaça-Me, e alguns outros romances, como da autora Colleen Hoover, Obsidiana, Divergente, e Para Todos os Garotos que Já Amei. Sim, há uma mistura de livros de romance e fantasia, mas todos tem um casal que estão ali querendo transar e que não transam porque a personagem é virgem e existe toda uma responsabilidade a respeito disso. Ok, a autora se preocupar em fazer disso algo positivo para a personagem é ótimo, mas vamos ser realistas? Perder a virgindade é ruim, uma das piores experiencias que uma garota pode ter na vida e porque os livros não podem mostrar isso de uma forma mais realística? Eu nunca fui enganada pela literatura a respeito disso, mas e as jovens que estão ali lendo esses livros e imaginando que sua primeira vez vai ser tão linda assim?

Não vamos esquecer do ponto principal deste texto: O motivo de as personagens que são virgem sempre serem tratadas como fofas e garotas de família, e quando a amiga dela que já transou com metade da escola/faculdade é retratada como a safada, para não dizer vadia? Como uma mulher bem entendida de mim mesma e que crê que as mulheres tem o direito de fazer o que bem entender sem serem julgadas isso é extremamente incomodo, entende? Não acho que a personagem adolescente tem que sair transando com todo mundo sem responsabilidade, mas vamos encarar a realidade: meninas de 16, 17, 18 anos transam e muitas transaram com mais de um cara e tudo bem desde que ela esteja fazendo isso porque quer e com responsabilidade. O nosso papel social é de ensina-las o que é certo e o que é errado, o nosso papel é conscientiza-las de que ela não deve aceitar ser tratada mal por um homem, que ela deve descobrir antes de tudo o que ela quer, gosta e deseja, para não acabar caindo nas mãos de macho lixo por aí, entende? E porque os livros não podem nos passar essa mensagem sem uma romantização do sexo? Vamos tentar refletir sobre isso por algum momento.

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7 Comentários

  1. Comparação idiota da minha parte: levantar da cama e beijar o companheiro ou companheira. Cara...não consigo nem imaginar isso.. rsss
    Mas brincadeiras a parte, acho que é mais ou menos isso. O romantizar a virgindade,como também romantizam a maternidade.
    Ambos são momentos lindos e únicos sim e com sua importância na vida de quem as vive. Mas e a parte ruim?? A dor?? O cansaço?? O medo?? Nada disso é falado,mas é vivido aqui fora. Penso que sim, romantismo é lindo, mas ser real também!!!rs
    Adorei!!!
    Beijo

    Rubro Rosa/ O Vazio na flor

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  2. Acho que esta questão, faz parte de uma cultura antiga, que agora começa a ser discutida com mais força. A maioria dos autores que voce citou são de uma época mais diatante, foram educados por esta romantização.

    Acho que talvez, qua do as gorotas e os garotos de agora, que se sentem livres para fazer o que querem, se tornem escritores, talvez tenhamos um cenário diferente
    .Entende?

    Sua colocação é muito válida, mas acredito que temos que pensar também nesta questão cultural que ainda é real para muitas pessoas. Estamos vivendo numa grande revolução cultural. E agora o conta mais, na minha opinião,é o respeito e a paciência.


    Abraço!

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  3. Oi, entendo o que você quer dizer, a perda da virgindade é um momento importante mas, como você bem disse, pode estar muuuuito longe do momento lindo e maravilhoso que é descrito nesses livros, e essa realidade tão diferente da ficção pode causar uma séries de problemas para adolescentes e jovens.

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  4. Acredito que esse tema é muito polemico não vejo a perda da virgindade como uma coisa tão sagrada quanto era antes, pelo contrário acho que em muitos casos ela simplesmente acontece de forma bem menos significativa do que a própria pessoa espera. Porém é claro devemos ver por todos os ângulos muitas mulheres e homens ainda considero o assunto um tabu, que deve ser levado muito a sério, talvez por questão de cultura mesmo que vem sendo passada desde de muito tempo atrás sabe.

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  5. Muito boa a reflexão, realmente é de se pensar sobre a supervalorização da virgindade nos livros YA. Até porque ser virgem ou não deve ser uma escolha e não um fator determinante para a personagem.
    Beijos
    Mari
    Pequenos Retalhos

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  6. Olá, tudo bem? É uma temática a ser pensada realmente. Não vejo uma supervalorização sobre o assunto, admito, até porque já li MUITOS jovens adultos e novos adultos que as protagonistas tem outro tipo de visão sobre a temática. Talvez os livros que você pegue é que estejam trabalhando repetidamente nisso, no entanto vejo uma vertente e diversidade bem grande atualmente nos gêneros, o que é ótimo. Entendo seu ponto de vista perfeitamente, e talvez sejam as obras que tenham mais destaques dentro o estilo, contudo temos que exaltar obras que também caminha para o lado oposto. Ótimo bate papo!
    Beijos,
    http://diariasleituras.blogspot.com/

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  7. Obrigada por essa publicação hahahha
    Sempre paro para pensar a respeito quando leio um YA. Isso quando a autora insiste em jogar um romance do nada e esquece do foco do livro.

    Sai da Minha Lente

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