Resenha: A Bolsa Amarela

13/11/2019


A Bolsa Amarela é um livro infantil lançado pela primeira vez lá nos anos 70. O que me chamou a atenção para a leitura foi na sinopse onde está escrito que a personagem tem uns desejos, e um desses é de que ela gostaria de ser um menino. Muito engana eu fui achando que o livro, na verdade, se tratava de uma narrativa mais voltada para a identidade de gênero, sendo falada em uma época onde pouco se conhecia sobre este assunto. Mesmo com meu engano a obra não perdeu seu encanto.

Raquel é uma menina de uns 10 anos, bem criança mesmo, e fazendo jus a sua idade é extramente curiosa e por causa de seu jeitinho é um pouco ignorada por sua família. Claro, todos a ama, porém ela é a mais nova dos filhos e todos ali são velhos demais para ter uma prosa com ela. Por isso Raquel precisa exercitar a sua criatividade. Ela nos conta que tem alguns desejos e que esses desejos quanto mais forte mais eles engordam, até chegar o ponto que ela não consegue mais esconder. Imagina essa menina super engraçada narrando isso? Eu já me encantei pela obra aí mesmo.

Suas maiores vontades: Ser adulta, pois assim ela seria ouvida e respeitada pelas pessoas ao seu redor; Ser um menino, pois ninguém falaria coisas como "isso não é coisa de menina"; E por fim ela gostaria de ser escritora. Ah, mas isso ela faz muito bem. Raquel escreve um pequeno romance sobre um galo que não queria ser o rei do galinheiro e este galo ganha vida, se tornando seu amigo próximo, mas como esconder ele?? Claro, na bolsa amarela que veio de sobra da casa de sua tia.

O livro é infantil mas deveria ser lido por adultos para aprendermos a respeitar as crianças como seres humanos. Quantas vezes deixamos de dar atenção ao que uma criança quer simplesmente por ela ser criança? Me incomodou muito quando eles estavam em um almoço na casa da tia e todos ficavam importunando a menina para cantar, fazer coisas engraçadinhas, entende? E ela até pensa "se eu fosse adulta ninguém me obrigaria a isso". Pensei sobre minha atitude com crianças ao meu redor, que não são frequentes, e provavelmente eu fui chata assim em algum momento e dai é bom para já dar um basta nesta atitude, né? Dizer o mesmo da ideia da menina de ser menino, simplesmente porque menino pode sair para jogar bola, menino pode falar de um jeito que meninas não podem, meninos podem soltar pipa. Coisas tão insignificantes, mas que fazem toda a diferença. Hoje em dia, comparando com os anos 70, as meninas tem muito mais autonomia para fazer certas coisas, praticar alguns esportes, mas ainda sim não estamos livres desse sexismo. Deixa a criança ser criança, deixa disso de coisa de menino e coisa de menino, deixe-os se divertir, ok?

Apesar de parecer politicagem do livro ele é muito mais uma fantasia infantil do que qualquer outra coisa. As coisas que a menina coloca na bolsa além do galo nos diverte, sem contar as histórias que ela inventa relacionando todos esses objetos. Leitura mais do que recomendada para ler para crianças.

Título: A Bolsa Amarela • Autora: Lygia Bojunga • Editora: Casa Lygia Bojunga

Um motivo para usar Méliuz

11/11/2019


Não, esse post não é publi. Exceto se uma publi para mim conta, ai sim é, mas a Méliuz não está me patrocinando neste post.

Se você, assim como eu, ama comprar coisas pela internet (principalmente livros) deveria conhecer o Méliuz, que é um site que devolve uma porcentagem do valor da sua compra. Como assim? Vamos supor que você gastou lá R$100 na Amazon, atualmente o site está devolvendo 7% deste valor assim que a Amazon confirmar a sua compra. Legal, né?

Mas perai, isso realmente funciona?
Pois é, eu tive meu momento de desconfiança quando vi esse site pela primeira vez, mas eis que quando completei o valor minimo de resgate, que no momento é de R$20,00, eu recebi sim a grana de volta.

Alguns dos sites que tem cashback
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Úrsula é irmã de Tritão, o pai de Ariel, e por muitos anos viveu longe do reino de sua família. Ela foi acolhida por um pescador e viveu como humana, onde amou aquele homem como se fosse seu próprio pai e ele a amava como sua própria filha, mas Úrsula sentia que não pertencia aquele lugar, até o ponto em que não pode mais segurar quem é de verdade e todo o vilarejo tentou mata-la. Para tentar defende-la o pescador acabou morrendo e com isso ela sentiu o desejo de se vingar de todos. Após esse incidente Tritão apareceu e levou Úrsula para seu reino, onde ela vivia de favor e infeliz, por Tritão não a aceitava como ela era e sim a obrigava a ter a forma de sereia. Você acha que esta é a história deste livro? Você está completamente enganada.

Eu nunca fui uma fã de histórias da Disney, principalmente das princesas com todas as suas escolhas suspeitas. Mas como negar a sagacidade de todos os vilões, por mais que eles sempre percam no final? É à partir dessa premissa que surgiu a série oficial da Disney sobre os vilões e eu tive a oportunidade de ler Úrsula, a bruxa d'A Pequena Sereia e eu gostei tanto, mas tanto, que fiquei com vontade de assistir a animação novamente (e juro que A Pequena Sereia é a que eu menos gosto de todas).

Úrsula sempre foi muito reprimida por tentar ser quem é, uma criatura com tentáculos e não "bela" como uma sereia, e por anos sofreu com o sentimento que de algo faltava em sua vida, até perceber que era ela mesma. Apesar de ter se tornado uma bruxa ela não tinha a maldade em si desde o início. Podemos perceber que o que aconteceu com ela deixou sequelas terríveis e irreversíveis, não que justifique a sua maldade e sede de vingança, mas passamos a compreender um pouco mais seus motivos. Principalmente o porque de ela odiar tanto Tritão e usar a Ariel para a sua vingança.

Sei que o livro faz parte da coleção Vilões da Disney, mas essa foi a minha primeira experiencia com a série e algumas coisas ficaram confusas, por exemplo: Quem é Circe? Talvez isso tenha sido explicado melhor em outros livros e, sim, gostaria de lê-los em algum momento, mas são pontas soltas demais para uma série que não especifica, por exemplo, qual volume ler primeiro, entende? Essa critica é bem pessoal minha, talvez isso não tenha atrapalhado outras pessoas na leitura, o que é ótimo, mas eu senti um pouco de falta dessa parte bem explicadinha.

De todo mais este é um infanto-juvenil excelente para qualquer pessoa que goste dos clássicos da Disney e que sempre julgou os vilões, até porque esses são os primeiros vilões que conhecemos na nossa vida e ainda na fase adulta os julgamos por suas atitudes, né?

A leitura foi feita em parceria com a Universo dos Livros, que desafio os parceiros a lerem algum livro dessa série. Eu pude conhecer a Fernanda, do Daily Books, e a Glaucia do Blog Mais que Livros, e fizemos um debate sobre a leitura, com uma experiencia muito bacana com as meninas.

Título: Úrsula — A história da bruxa da Pequena Sereia (Vilões da Disney) • Autora: Serena Valentino
Editora: Universo dos Livros • Tradução: Monique D’Orazio
Livro cedido em parceria com a editora Universo dos Livros.
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A virgindade supervalorizada em YA e NA

06/11/2019


Eu tenho certeza que se você é uma leitora (ou leitor) de romances já se deparou com aquela personagem que mal beijou alguém na boca e, obviamente, é virgem. Mas por qual motivos essas garotas são tão valorizadas na literatura young adult e new adult?

Vamos deixar claro, antes de qualquer coisa, que esta não é uma critica a pessoas e até mesmo personagens que escolhem ser virgem, independente da idade. Em casos de livro young adult se a personagem tem 14 anos é óbvio que é normal ela ser virgem, mas convenhamos que personagens de 16, 17, 18 anos é muito mais fora do comum, pois sabemos que a realidade não é bem assim. O problema em si não é a personagem ser virgem, longe disso, mas sim o que as autoras fazem com essa virgindade: Bota um rapazinho fofo que vai lá desflorar a garota. Vamos combinar: Isso é legal?

Eu li Crepúsculo quando tinha 15 anos, 16 no máximo, e quando li o primeiro livro não era mais virgem e em certos aspectos me sentia incomodada por ver o medo do Edward em transar com Bella, uma coisa que ela claramente queria e demonstrou em vários momentos. Vocês conhecem a história e sabem que eles transaram só após o casamento. Eu me perguntava o porque daquilo ser tão importante, mesmo que a Bella não mudasse aos olhos dele, entende? E pelo amor de Deus, não vai me falar que ele tinha medo por eles serem diferentes, ok? Vamos nos poupar.

Já na minha fase adulta passei a ler Estilhaça-Me, e alguns outros romances, como da autora Colleen Hoover, Obsidiana, Divergente, e Para Todos os Garotos que Já Amei. Sim, há uma mistura de livros de romance e fantasia, mas todos tem um casal que estão ali querendo transar e que não transam porque a personagem é virgem e existe toda uma responsabilidade a respeito disso. Ok, a autora se preocupar em fazer disso algo positivo para a personagem é ótimo, mas vamos ser realistas? Perder a virgindade é ruim, uma das piores experiencias que uma garota pode ter na vida e porque os livros não podem mostrar isso de uma forma mais realística? Eu nunca fui enganada pela literatura a respeito disso, mas e as jovens que estão ali lendo esses livros e imaginando que sua primeira vez vai ser tão linda assim?

Não vamos esquecer do ponto principal deste texto: O motivo de as personagens que são virgem sempre serem tratadas como fofas e garotas de família, e quando a amiga dela que já transou com metade da escola/faculdade é retratada como a safada, para não dizer vadia? Como uma mulher bem entendida de mim mesma e que crê que as mulheres tem o direito de fazer o que bem entender sem serem julgadas isso é extremamente incomodo, entende? Não acho que a personagem adolescente tem que sair transando com todo mundo sem responsabilidade, mas vamos encarar a realidade: meninas de 16, 17, 18 anos transam e muitas transaram com mais de um cara e tudo bem desde que ela esteja fazendo isso porque quer e com responsabilidade. O nosso papel social é de ensina-las o que é certo e o que é errado, o nosso papel é conscientiza-las de que ela não deve aceitar ser tratada mal por um homem, que ela deve descobrir antes de tudo o que ela quer, gosta e deseja, para não acabar caindo nas mãos de macho lixo por aí, entende? E porque os livros não podem nos passar essa mensagem sem uma romantização do sexo? Vamos tentar refletir sobre isso por algum momento.

Resenha: O Azul Entre o Céu e a Água

05/11/2019


Eu só precisei ler a palavra "Palestina" para me interessar por esse livro, que conta a história dos irmãos Nazmiyeh, Mamdouh e Mariam — do mais velho para o mais novo. Ainda muito jovens, eles se veem obrigados a partirem para Gaza com a mãe, viúva, e o restante da família quando Beit Daras, a vila em que viviam, é bombardeada por forças Israelenses.

Sou obrigada a dizer que O Azul Entre o Céu e a Água demorou um pouco para me conquistar, principalmente porque a história não estava fazendo muito sentido para mim até pelo menos a página 50. Muitos personagens eram citados sem nem mesmo terem sido introduzidos à história e, apesar de obedecer uma certa ordem cronológica, muitos fatos eram simplesmente jogados nas páginas — coisas que só fui entender muitos capítulos depois.

Quando eu já estava achando que a história não ia engatar por nada e que eu ia ter que desistir de ler quando uma coisa acontece com Nazmiyeh e dá um rumo totalmente diferente para o livro. Ela, de certa forma, se torna o ponto central, um elo que liga uma rede de irmãos, filhos e netos que dão voz a uma história maravilhosa, mesmo que muito triste.
— As histórias são muito importantes. Somos compostos por elas. O coração humano é feito das palavras que a gente põe nele. Se um dia alguém disser coisas cruéis pra você, não deixe que essas palavras entrem no seu coração. Tome cuidado pra não pôr palavras cruéis no coração dos outros também. — pág. 83 

O Azul Entre o Céu e a Água é narrado em terceira pessoa, intercalando os pontos de vista de, na maior parte, Nazmiyeh, sua filha Alwan e sua sobrinha-neta Nur. Susan Abulhawa vai do Oriente Médio à America do Norte em uma virada de página, percorrendo culturas e nos dando informações que provavelmente não encontraríamos em nenhum outro lugar. 

Pesquisando um pouco mais sobre Susan Abulhawa, descobri que ela nasceu em um campo de refugiados em  1967, quando Israel capturou o que restava da Palestina, incluindo Jerusalém. É justamente por isso que acredito que, assim como em A Cicatriz de David, sua publicação mais famosa, há muito dela mesma em O Azul Entre o Céu e a Água também.

Não acredito que esse livro é uma história sobre guerra, apesar de ela estar presente em praticamente todas as páginas. Fala muito mais sobre família, amor e luto. Existem muitos trechos tristes e emocionantes e muitos que nos fazem pensar também, mas acima de tudo, O Azul Entre o Céu e a Água passa uma mensagem super importante de união.

Título: O Azul Entre o Céu e a Água (Blue Between Sky) • Autora: Susan Abulhawa
Editora: Bertrand Brasil • Tradução: Jeane D. Clack
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A Ana Clara é do blog Roendo Livros ♥ 


Outubro, para mim, foi o mês das leituras relacionadas a Disney, enquanto todos estavam na pegada de halloween eu estava neste mundo encantado. Neste clima que participei da Leitura Coletiva promovida pela Universo dos Livros que foi organizada pela Glaucia do blog Mais que Livros e por mim, usando o Blogueiras Cansadas. Conversamos sobre o livro e a unanimidade é que: ele merece uma adaptação. Não é para menos, com situações que ficariam engraçadas na tela, e outras que dariam aquela emoção que só quem assiste filme no cinema sabe, o livro nos faz entrar em um outro lado da história da Cinderela que, nunca, poderíamos (e nem tentamos) imaginar: O que aconteceu com sua madrasta e suas duas meia-irmãs?

O livro é narrado em terceira pessoa e foca em Isabelle, mesmo que Tavi (a outra meia-irmã) também seja uma personagem importante para o desenvolvimento da obra. Isabelle sente mal pelo que fez para Ella durante anos, todas as maldades, as vezes que a tratou mal e a desprezou, mas ao mesmo tempo sempre teve o desejo de ser como ela. Sim, Isabelle tem inveja da beleza de Ella e de toda a sua bondade sem fim e isso a corrói muito. Apesar de parecer que ela seja mesquinha e malvada por natureza eu já adianto que isso de longe é uma característica da Isabelle. Não vou contar quais são as suas qualidades aqui, pois para descobrir você vai ter que ler (e descobrir junto com ela), mas a menina é um ser humano com seus defeitos e qualidades, assim como todos nós, mas que acredita que a única coisa que deixa uma pessoa ser bela é a beleza física. Com essa crença ela consegue atrair a mesma fada madrinha que apareceu para Ella no dia do baile e fez o desejo de ser bela e então a fada a desafia a encontrar os pedaços perdidos de seu coração. Quais são esses pedaços?

Uma obra cheia de descobertas pessoais que nos ensina o poder da amizade, aquele amor que temos por nossos amigos e o poder que eles tem de nos mudar para o bem, por sempre abrir nossos olhos para coisas que não queremos enxergar, que estavam ali o tempo inteiro. Tavi, a irmã de Isabelle, é uma garota incrível, super inteligente e talentosa, que era obrigada a fazer coisas de "menina" para conquistar um marido ideal. Hugo, um garoto que viveu a vida inteira a margem do tratamento de sua mãe, sonha em casar com Odette, uma moça cega que tem como única caracteristica ser cega, já que a sociedade não tem capacidade de ver tudo o que ela realmente é.

Deu para perceber que o livro tem personagens secundários marcantes, certo? Não citarei todos aqui, pois alguns tem plot próprio e que dão uma emoção para a história. Quando eu falo emoção eu me refiro ao livro ir para aquela pegada de ação, sabe? Onde as coisas precisam acontecer mais rapido pois caso não tenha esse andamento tudo pode dar errado. Eu amo isso em livros e nesta obra funcionou muito bem. Tudo que eu não queria é um livro onde a personagem só ficava se lamentando pelos cantos e Isabelle nunca fez isso, pois a cada pequeno arco ela estava indo atrás de algo, planejando algo, ou fazendo algo e geralmente eram coisas que deixam nós, leitores, segurando o livro com força e pensando "minha filha, vai que é tua". E eu aviso desde já que se você esta procurando um romance, daqueles meloso, pode ir passando longe de Stepsister. O livro nos mostra que romance é a última coisa que uma protagonista precisa para ser feliz, o livro nos mostra que romance é a última coisa que nós, mulheres, precisamos para ser feliz.

Stepsister não é um livro oficial da Disney, mas já conquistou muitas fãs que estão loucas para uma adaptação. No grupo da LC, pelo menos todas pediram e eu não posso discordar de que o livro ficaria maravilhoso no cinema. O fato é que os direitos já foram comprados e agora nos resta aguardar esse filme sair sair do papel.

Título: Stepsister: A História Da Meia Irmã Da Cinderella  • Autora: Jennifer Donnelly
Editora: Universo dos Livros • Tradução: Michelle Gimenes
Livro cedido em parceria com a editora