Top 4 de 2019

30/12/2019


Como leitora é impossível não classificar livros como melhor ou pior, seja da vida, da semana, ou do ano. Este ano eu li coisas incríveis, li coisas que nunca imaginei que leria e sai muito satisfeita da maioria dessas leituras. Não peguei nenhuma lista para eleger os meus melhores do ano, vou só fazer de acordo com a vontade mesmo para relembrar desse 2019 posteriormente.

Uma biografia


Esse ano eu fui a louca das biografias. Li Eu Sou Malala, Livre para Voar, Carandiru, Lady Killers (que não deixa de ser uma biografia), entre outras. Só que essa se tornou especial pois a história de Maya é incrível em tantos aspectos. Ainda não coloquei resenha dele aqui, mas vou tentar postar em breve para vocês terem noção desse meu amorzinho. 

Uma personagem


Como eu adoro E. Lockhart qualquer personagem dela irá marcar meu ano, talvez até minha vida. Não foi diferente com Jule, que é manipuladora de tantas formas mas tantas formas que eu vou repetir: leiam este livro.

Um Suspense


Este ano eu li muuuitos livros de suspense e investigação. Eu amo e acredito que o ano foi favorável demais para isso, teve lançamentos incriveis, como A Paciente Silenciosa, A Corrente, sem contar O Homem de Giz e O Que Aconteceu com Annie; Mas eu não poderia deixar passar em branco essa belezinha chamada Sobre Meninos e Lobos. Se tornou um dos meus livros favoritos da vida. 

Melhor Casal


Não li muitos livros de romance este ano e os que li ou eram bons ou muito ruins rs. Só que essa belezinha aqui me surpreendeu tanto que não poderia deixar de fora. Tem um casal fofo e ao mesmo tempo tão real nessa obra que você nem precisa ser lgbt para se identificar com eles. 

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estatística do skoob feita no dia 12/12

Até 2020 

Resenha: A Nuvem

23/12/2019


Fato é que quando li O Ceifador eu fiquei muito louca pela continuação, entretanto mesmo após o livro ter sido lançado eu demorei quase um ano para ler a sequencia. Já tinha certeza de que o segundo livro me deixaria desesperada pelo terceiro e adiei o máximo que pude; Mas tem uma hora que não da mais para segurar, né? Peguei ele aqui e fui ler para ficar aqui sofrendo agora.

No primeiro livro somos inseridos em um mundo distópico diferente de outros que conhecemos na literatura infanto juvenil e agora o autor mostrou para que realmente veio com essa história. Todo aquele clima de que estamos conhecendo um mundo novo agora da espaço para criticas sociais que são atuais e, ao que parece, sempre será atemporal. Muito mais do que uma fantasia onde há assassinos especializados para acabar com a vida humana, sendo eles os únicos autorizados a isso, o livro nos mostra artimanhas politicas que pode ensinar a um leitor adolescente como funciona o nosso sistema eleitoral.
Com o tempo, toda tempestade se transforma em uma brisa agradável. 

As personagens que tanto me agradaram no inicio dessa trilogia voltaram muito melhor do que antes. Citra, agora Honorável Ceifadora Anastásia, prova para nós a todos os momentos o porque de ser tão especial, mas não de um jeito que faça-nos pensar que ela é desumilde, muito pelo contrário: Ela nunca quis ser ceifadora e justamente por isso ela é uma ceifadora incrível e misericordiosa com a sua coleta. Citra não é tratada pelo autor descaradamente como simbolo de algo, ou até sendo a mais especial de todas, ela é tratada como alguém justa e que por ser assim acabou tendo muitos inimigos (nem todos são declarados). Rowan agora é um fugitivo, mas que tomou seu lugar como Ceifador Lúcifer para acabar com a corrupção que presenciou na Ceifa durante o seu treinamento. Talvez seus métodos não sejam tão bons só que ele tinha uma opção e resolveu segui-la. Gostei muito da pessoa que ele se tornou. Pode parecer que ele tenha sido burro em determinado momento do livro só que para mim foi só uma reafirmação do menino que conheci no primeiro livro, que mesmo tendo passado por tanta coisa ainda tem os seus valores intactos.

Neste volume conhecemos sobre os Infratores, os Tonistas e a Interface da Autoridade (uma especie de representante humana da A Nimbo-Cúmulo) e juntamente com esses três grupos um novo personagem nos é apresentado, sem sombra de dúvidas o melhor deste volume e com certeza será o de extrema importância no volume três: Greyson Tolliver. Eu não quero falar desse personagem para não correr o risco de dar spoiler, mas ele é a antítese de Citra e Rowan. não como um vilão ou anti herói, e sim como algo necessário para complementar o que os outros dois representam ao leitor. Neal Shusterman não da pontos sem nó na hora de criar essa história e tudo se encaixa tão bom que tenho certeza que ele sabia o final desde o inicio do livro.
— O fim nem sempre justifica os meios, minha cara — ela disse [Curie] — Mas às vezes justifica. A sabedoria está em reconhecer essa diferença. 

Sua narrativa em terceira pessoa nos permite saber o que está acontecendo com a Ceifa, assim como os outros grupos existentes na trama e personagens que não daríamos importância caso tivéssemos uma narração em primeira pessoa. Dessa forma algumas pistas sobre os acontecimentos nos são dadas ao longo do livro, mas nada que não nos surpreenda ao final, pelo contrário. Inclusive os acontecimentos finais são incríveis, sério. O autor não poupou esforços para nos causar adrenalina durante a leitura das últimas páginas e eu só posso dizer (de novo) que tô muito ansiosa para o terceiro livro que chega em breve ao Brasil!!!

Agora o que é esses capítulos da A Nimbo-Cúmulo? Eu estava lendo e totalmente comparando-a com a idealização de Deus até que chega uma hora que ela mesma fala sobre isso e eu fiquei tipo "a senhora tá aqui????" kkk Sério, a construção dessa nuvem/comandante foi muito bem elaborada, com todas as explicações de sua existência e funcionamento, além de sabermos um pouco sobre suas frustrações e desejos, que nem se quer são sentimentos de uma inteligencia artificial, mas que ela consegue reproduzir tão bem a nós com a sua idealização disso através de algorítimos. Tudo que ela faz é planejado do inicio ao fim e eu acho que ainda irei me surpreender com ela no último livro, só espero que de uma forma boa. Só me resta esperar.

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Título: A Nuvem (Thunderhead) — Scythe #2 • Autor: Neal Shusterman
Editora: Seguinte • Tradução: Guilherme Miranda
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Resenha: Ascensão

19/12/2019


Mal consegui me recuperar de O Instituto e a Suma de Letras vem com mais uma obra do Stephen King traduzida: Ascensão. Desde seu anuncio eu não havia lido a sinopse, então não sabia nada sobre o conteúdo do livro (ou conto?) e então ao iniciar a leitura eu fiquei intrigada com o que estava acontecendo com Scott, o personagem principal, que vive em Castle Rock. Quem esta acostumado com o autor de longa data (não é meu caso, apesar de eu ama-lo ainda falta muito para eu ser especialista) conheça essa cidade e poderá ser mais um ponto para gostar tanto do livro. Eu ainda não conhecia e não defini ainda meus sentimentos em relação a ela.

Sempre vejo as pessoas falando que tem medo de ler algo do Stephen King, mas fazendo um comparativo com outras obras do autor eu até entendo o motivo. O fato é que Ascensão é diferente. Ela não é de terror e nem horror. Este livro não irá te dar medo, mas irá te deixar triste pelos seus acontecimentos. Mesmo sendo curtinho Scott é um protagonista que conquista o leitor primeiro pela sua situação estranha: uma misteriosa perda de peso que não reflete em sua condição física real; Segundo pela forma como ele lida com essa situação e como gostaria de consertar algumas coisas que estão erradas em sua vida, por exemplo a implicância que tem dos cachorrinhos de suas vizinhas, que por acaso são um casal. Scott em nenhum momento mostra ser homofóbico em redenção, longe disso, mas não vou dizer que ele sempre foi uma pessoa que lutou por causas lgbt, por exemplo. Mas é visível que ele quer fazer daquela comunidade um lugar melhor para todos, inclusive para as vizinhas que estão com problemas sérios por não serem aceitas naquele ambiente.

Ascensão é um livro puramente sobre relações humanas e amizade. Tem fantasia? Claro que sim. Por mais que eu não seja lá muito fã King soube colocar esse elemento da forma correta para deixar a história crível, por mais impossível e estranho que seja uma pessoa perder peso daquela forma. E ainda é possível fazer interpretações sobre esse ocorrido. Eu, por exemplo, vejo essa perda de peso como se fosse uma metáfora para todas as coisas ruins que ele estava deixando para trás. Para ser mais especifica o processo vai se acelerando mais e mais e isso ocorre paralelamente com ele brigando num bar para defender as moças, ou quando ele da o primeiro passo para tentar uma amizade com elas, ou pensamentos sobre sua ex-esposa. Não é uma afirmação de que seja isso, mas devido ao que ocorre no final, na presença de quem ocorre, me deixa pensar nessa possibilidade e sinceramente eu adoro.

Se você quer começar ler algo do Stephen King comece por Ascensão, se você já gosta mas não leu tantas coisas (assim como eu) aproveita esse momento para ler Ascensão. Eu garanto que em ambos os casos a leitura será maravilhosa e irá te fazer refletir sobre o que levou Scott a ter essa condição; Tenho certeza que o final irá te emocionar, assim como a transformação desse personagem.

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Título: Ascensão (Elevation) • Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras • Tradução: Regiane Winarski

Uma TAG sem nome

17/12/2019


Hey, hey! Faz muuuuito tempo que eu não respondo uma tag aqui, então aproveita uma tag salva no instagram (vi no @luzcantoelivros) para fazer aqui. Lá não colocaram título na TAG e nem créditos, então infelizmente não tenho como saber isso.

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Uma protagonista forte



Alicia Berenson foi para mim uma grande surpresa neste ano. O livro é dividido em passado e presente e mesmo no presente ela não falar, por livre e espontânea vontade, a mulher ainda passa uma energia ao leitor que só me fazia gritar HINO DE PROTAGONISTA.

Um romance envolvente



Ao procurar uma resposta para essa parte da TAG percebi que tenho lido pouquíssimos romances nos últimos meses e, por um lado é bom mudar de ares, mas por outro os que eu li não me impactaram tanto. Acabei escolhendo esse pois gosto como tudo acontece com os protagonistas, mesmo que não seja um relacionamento perfeito, ainda assim foi um livro que me prendeu demais após algumas páginas.

Um shipper que derrete seu coração



Eu não posso negar que sou team Lara Jean e Petter Kavinsky desde 2015.

Um Thriller de arrepiar



Sinceramente, se você ainda não leu C J Tudor está perdendo tempo. A mulher sabe criar uma história envolvente, que te faz sentir como parte do enredo. O Homem de Giz ficou na minha cabeça por um tempo.

Um vilão que da ódio



Este livro é incrível, demais! Só que pensa numa vilã, que também é a protagonista, que passa o livro inteiro te dando nos nervos pelas coisas que ela faz? Claro que isso deixa o livro maravilhoso, mas convenhamos que o ódio é maior.

Crush perfeito



Warner sempre será o meu maior crush literário, pois faz parte de uma saga que eu amo demais além de ser o livro que me fez voltar a ler depois de alguns anos parada lá em meados de 2013. 

Triangulo Amoroso


Foto: pinterest
Essa trilogia é linda, sério, se você não leu vá ler o quanto antes. Eu não sou fã de triangulo amoroso, mas aqui ele funciona de uma maneira muito boa. Claro que há altos e baixos, e que o triangulo não dura para sempre, mas enquanto há um pequeno foco nisso é algo que me surpreendeu por eu ter gostado. 

Personagem confusa



Essa personagem passou por tanta coisa que é compreensível ela ter suas duvidas a respeito de tudo. Gosto muito dela, mas até tudo se encaixar em sua cabecinha leva um booom tempo.

Um personagem que queria ter como amiga




Olho para essa personagem e penso: 0 defeitos. Ela passa por várias coisas de adolescentes, mas de uma forma que eu nunca pude ver pessoalmente por não conhecer ninguém que seja assexual. Além de ser engraçada e talentosa, com um canal do ytube fazendo mini série de Anna Karienina??? Maravilhosa demais. 

Resenha: Kindred — Laços de Sangue

13/12/2019

Adicionar legenda

Esse foi o primeiro livro que li na leitura coletiva da Abandonados da LC, mesmo não tendo participado ativamente das atividades propostas pelo grupo por conta das minhas férias consegui terminar a leitura no prazo certinho. Não é para menos, já que o livro é maravilhoso (mesmo com algumas pontas soltas que irei explicar ao longo do texto).

Dana é uma mulher negra que vive em 1976. Ela e seu marido Kevin, um homem branco, estão de mudança para uma nova casa depois que um livro dele faz certo sucesso e ele passa a ganhar um pouco mais de dinheiro. O livro, na verdade, começa um pouco antes disso, com uma cena onde Dana simplesmente narra seu braço preso em uma parede e depois no hospital, obviamente sem o braço. Isso fica confuso até o final do livo. Durante a arrumação da mudança misteriosamente Dana viaja no tempo, para meados de 1800, onde a escravidão ainda existia, e lá ela salva uma criança branca de se afogar, que ela descobre mais tarde ser Rufus, um de seus ancestrais. Após a primeira vez Dana fará várias viagens exaustivas contra a sua própria vontade e nessas viagens coisas horríveis irá acontecer com ela e pessoas que, ela sabe, ser de sua família. 

Eu não fui pesquisar a fundo sobre o real significado da obra que a autora escreveu. Claro que vai falar sobre a escravidão e todo o sistema da época, mas ainda há uma questão ética muito grande a ser tratada neste livro., dentre tantas outras que eu posso não ter me identificado porque não é o meu lugar de fala. Então eu vou falar aqui sobre o que eu achei, minhas impressões pessoais, e se algo estiver errado sinta-se a vontade para me corrigir, vir conversar no privado, e tudo mais, pois a vida é um aprendizado né.

Primeiro, como leitora, fiquei sem entender o motivo que levou a viagem no tempo. Há uma forte ligação entre Dana e Rufus, que é um ancestral da protagonista, e o fato de ela fazer essas viagens sempre que ele está em uma situação de perigo mostra que, de uma forma ou de outra, essa família deveria existir. No ínicio da leitura eu acreditava que a presença de Dana na vida de Rufus iria mudar a forma como ele enxerga a escravidão, assim como as pessoas negras escravizadas e/ou livres, mas infelizmente é uma situação que Dana tem pouca influencia, já que ele vive nesse ambiente e época e é totalmente influenciado por ele, então para Rufus é normal um homem branco estuprar uma escrava, assim como é normal um escravo ser açoitado se tentar fugir, dentre outras coisas. Ao longo das viagens que Dana faz a convicção do que ele acredita fica mais e mais evidente, pois ele vai ficando mais velho e vai vivendo essa vida para se tornar o dono da fazenda de seu pai. Há pequenas situações em que Rufus me deu impressão de que seria diferente, mas infelizmente eu estava errada.

Ao mesmo tempo que deseja mudar toda a situação escravagista, Dana sabe que é impossível fazer isso, e apesar de todo o sofrimento ela sabe que não pode mudar aquele ambiente, pois se fazer algo poderá deixar de existir no futuro. Então ela tenta ser uma pessoa neutra naquele ambiente. Apesar de ser uma escrava (ela é livre, mas vive como uma escrava) Rufus tem um grande carinho por ela e a trata com mais benevolência, mas quanto mais velho ele fica mais ameaçador ele se torna, Danta tanto sabe disso que se preparar para o pior cada vez mais. Por causa dessa relação dos dois Dana acaba sendo mal vista entre os escravos da fazenda, onde eles a julgam por ficar tão próxima das pessoas brancas dali, mas claro sem entender o real motivo. Ela tem medo, muito medo, não somente por si, mas por Kevin (que em certo momento viaja com ela) e pelas pessoas que ali vivem e que poderiam sofrer muito mais algumas coisas se não fosse por ela. O pior de tudo mesmo é ver Dana sendo "cúmplice" dos estupros contínuos de Alice, a genitora de seu ancestral. Ao mesmo tempo que Dana odeia o que esta acontecendo com moça pensa que não deve mudar o passado. Por mais que ela tente dizer a Alice que ela tem escolha de ir ou não a Rufus, ela sabe e Alice faz questão de dizer que não há escolha, ela é uma escrava e assim a opção é essa, ou ser açoitada, ou até mesmo morrer. Sinceramente eu não sei o que eu faria nessa situação toda.
Ela havia feito a coisa mais segura, aceitado uma vida de escravidão por sentir medo. Era o tipo de mulher que poderia ser chamada de "aia preta" em outras casas. Era o tipo de mulher que seria desdenhada durante a militante década de 1960. A aia preta, o lenço na cabeça, a versão feminina do Pai Tomás; a mulher assustada e sem poder que já tinha perdido tudo o que poderia perder e que sabia tão pouco sobre a liberdade do Norte quando sabia a respeito do viria a partir de agora. 

É fato que o livro irá te prender de um jeito que nenhum outro te prenda. Dana é a protagonista forte que todos procuramos na literatura, e não é para menos. Mas é bom estar preparada para essa leitura, por ela é um pouco forte demais, pode ser um gatilho para algumas pessoas. Entretanto eu indico fortemente, principalmente em leituras coletivas e clube do livro. O debate que esse livro gera pode ir para várias vertentes.

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Título: Kindred — Laços de Sangue • Autora: Octavia E. Butler
Editora: Morro Branco • Tradução: Carolina Caires Coelho

Resenha: Pequeno Manual Antirracista

11/12/2019


Deu para perceber que minhas últimas leituras foram sobre racismo, escravidão, feminismo negro, e tudo o mais que fale sobre o papel da pessoa negra na sociedade e em como as enxergamos, né? Senão deu para perceber provavelmente agora você percebeu rs. E claro que eu fiquei extremamente interessada nesse livro da Djamila que é super didático para você dar à aquele amiguinho que fala que racismo não existe. Claro que está não é a única função, longe disso, Pequeno Manual Antirracista trata de coisas simples mas importantes para nós que, mesmo buscando conhecimento sobre a luta de igualdade das pessoas negras no Brasil (e até no mundo, ainda estamos com certos pensamentos racistas enraizados na mente.

Como uma pessoa branca eu te falo: Leia este livro. Eu tenho certeza que você, por mais desconstruída que seja, ainda tem alguns pensamentos sociais que não refletiu ainda para ter chance de mudar. Ou, talvez, você tenha até refletido sobre algum assunto mas não entendeu direito o porque de esse assunto ser importante. Falo isso por experiencia própria e afirmo que a Djamila irá, em poucas páginas, provar argumentos que são tão óbvios que você irá se odiar um pouco ao final. Não acho que essa seja a real intenção dela, mas é assim que funcionou para mim.

No livro há tópicos que falam sobre cotas, que ainda hoje é tão discutida; e por mais que eu tenha sempre sido a favor das cotas raciais só agora eu entendi o real propósito dela, assim como todo aquele lance de meritocracia. O que mais gosto da Djamila é que ela nunca inviabiliza a luta de outra minoria, ela só irá pontuar o porque das lutas negras também serem importantes historicamente. Outra coisa que eu nunca tinha pensando, ninguém nunca tinha me corrigido, e agora irei usar, é o termo escravizados. Temos costume de falar que os negros eram escravos, mas usar o termo dessa forma não condiz com a real condição dele: Eles foram escravizados. Entende mais ou menos?

Este livro deveria ser obrigatório, seja em escolas, cursos, universidades. É uma pena ter que falar isso, mas ele é tão importante que é errado as pessoas não lerem. Com certeza uma obra que eu indicarei a todos quando o assunto for racismo, assim como sempre falo de Sejamos todos Feministas da Chimamanda quando o assunto é feminismo. Djamila é excepcional.

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Título: Pequeno Manual Antirracista • Autora: Djamila Ribeiro
Editora: Companhia das Letras

Conheça a Obra: A origem dos outros

09/12/2019


Este é um livro que li na maciota na livraria onde trabalho, cada dia lendo um texto diferente e tentando entender e refletir sobre eles. O post não entrará na categoria resenha pois acho que Conheça a Obra combina mais com a proposta dele, que é justamente uma reflexão. Eu, como pessoa branca, e ainda com conhecimento limitado quando o assunto é a luta negra, me surpreendi com diversos pontos textos e principalmente sobre pontos históricos e cultural que a autora cita.

O subtitulo do livro é seis ensaios sobre racismo e literatura e este não poderia ser uma melhor descrição. Nos ensaios Toni analisa algumas obras clássicas, assim como alguns autores, para exemplificar como o racismo funciona e como a literatura tem influencia nesse aspecto, tanto para o bem quanto para o mal. Há uma passagem falando sobre A Cabana do Pai Tomás que me deixou muito interessada em ler a obra clássica, que foi um livro extremamente importante para a luta abolicionista nos EUA.
Na minha opinião, por mais impressionante, temente e repulsivos que sejam esses incidentes de violência, a questão que surge, bem mais reveladora do que a severidade da punição, é quem são essas pessoas? Como elas se esforçam para definir o escravizado como desumano e selvagem, quando na verdade a definição de desumano descreve em grande parte quem pune. Quando precisam descansar exaustas entre duas sessões de chibatadas, a punição é mais sádica do que corretiva.
Se uma surra demorada cansa quem açoita, e a pessoa precisa de uma série de pausas para poder prosseguir, de que serve a duração para o açoitado? Essa dor extrema parece destinada ao prazer de quem segura a chibata.

Todos os ensaios são curtos, na verdade o livro é bem pequeno e vem com edição capa dura. O ensaio onde a autora falando sobre a romantização da escravidão é de revirar o estomago, assim como fetiche da cor. Ambos os textos vem bater na nossa cara sobre como vemos os negros em sociedade e como eles realmente são tratados perante delas. Imagine, em um exemplo bem simples, a respeito da mulher negra que é vista como sensual, boa de cama, mas que não é considerada o tipo de mulher que um homem (branco) se casaria, simplesmente porque ela só serve para sexo; Não diferente de como as escravas eram tratadas pelos donos das fazendas que estupravam mulheres negras diariamente. Há uma passagem no livro onde Toni faz citação do diário de um dono de fazenda que anotava quando estuprava as suas escravas simplesmente como uma transação comercial, sem nenhuma importância.
Como uma pessoa se torna racista, ou sexista? Já que ninguém nasce racista, e tampouco existe qualquer predisposição fetal ao sexismo, aprende-se a Outremização não por meio do discurso ou da instrução, mas pelo exemplo.

Eu recomendo muito este livro para quem quer ler algo que fale sobre racismo de um jeito rápido e real, assim como para quem ainda não conhece autoras clássicas do gênero — Toni foi a primeira mulher negra a ganhar um prêmio Nobel de literatura.

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Título: A origem dos outros — seis ensaios sobre racismo e literatura (The Origin of Others)
Autora: Toni Morrison • Editora: Companhia das Letras • Tradução: Fernanda Abreu

Resenha: Sobre Meninos e Lobos

06/12/2019


Sabe quando você assiste um filme em sua juventude e depois de alguns anos descobre que ele era, na verdade, uma adaptação? Foi isso que aconteceu comigo em 2015 quando eu li (e resenhei, leia aqui) Ilha do Medo, do autor Dennis Lehane, e logo descobri que ele é o autor de Sobre Meninos e Lobos, que ganhou uma adaptação em 2003 e me deixou surpresa demais quando eu assisti pela primeira vez. Então, mesmo após anos da minha tal descoberta o livro nunca saiu da minha lista de desejos e quando ele deu as caras na livraria onde eu trabalho precisei comprar antes que chegasse algum cliente e tirasse essa chance de mim. rs

Eu não sou muito fã de resumos nas minhas resenhas, mas é bom eu lhes apresentar, pelo menos, os três protagonistas da história: Sean mora com sua família em um bairro de classe média, entretanto ele não é rico. O pai dele trabalha no escritório de uma firma e tem como amigo do pai de Jimmy, que mora em um bairro mais pobre. Jimmy e Sean se encontram todos os finais de semana, juntamente quando seus pais resolvem ouvir jogos de futebol americano e tomar umas cervejas juntos. O terceiro elemento é Dave, que faz parte desse trio por ser um garoto solitário e que "pega no pé" de Jimmy para eles serem amigos. Em um sábado os meninos estavam brincando na rua quando um carro se aproximou, com dois homens dentro, e fizeram uma pressão nas crianças, se passando por policias e que eles estavam importunando as pessoas na rua. Esses homens então levaram Dave, com a desculpa de que o levaria para a casa, mas então Dave desapareceu por 4 dias e nunca mais foi o mesmo. Após cerca de 30 anos a filha de Jimmy é brutalmente assassinada e esses três homens irão se reencontrar.
Ferrado. Foi o que o pai de Jimmy disse a sua mãe na noite anterior: "Ainda que o achem vivo, o menino está ferrado. Nunca mais sera o mesmo".

Sean se tornou policial e sem saber é escalado para descobrir quem foi o assassino. Ele tem uma vida pessoal conturbada, por causa de seu possível divórcio, e por vários momentos eu achei que ele não iria aguentar a pressão de ter alguém de sua infância lhe cobrando respostas pelo que houve com sua filha e ter que lidar com sua esposa, que fugiu grávida de sete meses. Entretanto Sean é extremamente profissional e sagaz, suas sacadas estão nos detalhes onde nós nem imaginamos em perceber durante a história, coisas que estavam ali gritando na nossa cara, sabe? Já Jimmy dava indícios desde a infância que seria um criminoso, ficou preso uns anos e quando saiu da prisão decidiu se tornar um homem de família para cuidar de Katie, sua filha, que ainda era uma criança quando ele ficou livre. Ele acaba se tornando o personagem favorito dos leitores pois existe toda uma ideia de coragem e redenção em cima dele. Vamos combinar que isso sempre deixam os personagens melhores e quando eles passam por um trauma, quando algo ruim lhes acontece (como a perda de uma filha de 19 anos) é impossível não torcer para esse homem ter sua vingança consumada, pois sabemos que no fundo no fundo o sistema policial nem sempre funciona como deveriam ou como gostaríamos.

Já Dave é o personagem essencial para a trama toda acontecer, mesmo que Jimmy possa dar o ar de ser, de fato, o protagonista. Apesar do que ocorreu na infância ele teve uma boa adolescência, foi jogador de futebol americano, se casou e tem um filho. As aparências tudo é lindo, mas somente Dave entende o que se passa em sua cabeça. O Menino ainda esta internalizado dentro dele, aquele garoto que entrou no carro, de fato, nunca mais foi o mesmo e cresceu cheio de marcas que nada poderá apagar e são justamente essas marcas que ainda podem afeta-lo. O autor não da, em nenhum momento, detalhes do que ocorreu com Dave e isso torna tudo muito pior, nossa imaginação se encarrega de fazer isso através de frases ou diálogos, assim como durante toda a leitura nossa mente nos prega peças com o rumo que achamos que a história irá tomar.

Dennis Lehane é um escrito extremamente talentoso. Tudo o que acontece no livro tem um motivo, não há pontas soltas; E tudo o que acontece tem uma consequência, assim como na vida. Dennis tanto sabe disso que coloca essa reflexão em um diálogo entre Sean e Jimmy e criou o Jimmy todo em cima dessa premissa. Este pode parecer um livro policial, mas se trata muito mais de um drama onde relacionamentos são postos a prova a todo instante e, infelizmente, a realidade como a história é tratada nos mostra que esses relacionamentos em sua maioria são fracos. Este pode ser um livro que te emocione de tantas formas ou que te surpreenda de outras, assim como pode ser os dois. Eu fiquei bastante chocada com o desfecho, não só pela descoberta do assassino que é uma surpresa, mas sim por tudo o que acontece com esses três homens. Acredito que dificilmente irei ler um drama policial da mesma forma após este livro e sempre irei ter como referencia esse autor quando for livros desse gênero.
Eu sou você, o Menino dizia em tom amigável. Eu sou você.

Título: Sobre Meninos e Lobos (Mystic River) • Autor: Dennis Lehane
Editora: Companhia das Letras • Tradução: Luciano Vieira Machado
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Desafio 2020: Saindo da zona de conforto

04/12/2019


Oi, gente! Chega final de ano começamos a fazer nossos desafios para 2020. Eu estou em dois grupos de leitura coletiva, sendo um deles só para ler Stephen King, e quero fazer um projeto pessoal em que eu irei sair da minha zona de conforto literária. Mas como assim? Fácil, fácil.

A ideia é ler livros de gêneros que, normalmente, eu não leio e até fujo. O motivo? Bom, o mundo literário é cheio de coisas flexíveis para todos os gostos, certo? E eu andei reparando nos blogs literários que visito e nos bookstagrams que muitos desses gêneros eu nem passo perto, eu só critico, eu simplesmente não dou chance. Não quero ser esse tipo de leitora, pois eu acredito que o hábito de leitura é importante para as pessoas e sei pelas estatísticas que o brasileiro ainda não tem hábito de ler tantos livros e sendo assim quem sou eu para criticar os gêneros que os outros estão lendo visando que o mais importante é que ele está lendo?

Pensando nisso eu separei 6 gêneros literários que eu, dificilmente, coloco nas minhas listas. O livro de cada gênero ainda não foi definido, pois pode ser que venha algum lançamento que eu queira encaixar no desafio, então só fiz a lista com os gêneros por enquanto.

1) ROMANCE DE ÉPOCA


Imagem: Google

Para ser sincera não entra na minha cabeça essa amor todo que vocês sentem por romances de época. Já li dois e resenhei aqui (O Duque e EuO Beijo Traiçoeiro) e ambos esses livros eu até que gostei, mas por mais que tenha tido curiosidade de ler outros dessa série da Julia Quinn, por exemplo, nunca foi uma grande necessidade. Após algum tempo eu passei a ver romances de época como um retrocesso na literatura feminina, pois eles nos apresentam homens que nem do século passado são, o que é muito pior. E ai me sinto triste quando vejo as leituras passando pano para esses machos, mas ok... Vou me render um pouco só para sair da minha zona de conforto.

2) ROMANCE HOT


Imagem: Freepik 
Outro fenômeno que passa longe de mim é o de romance hot, mas ao contrário de romance de época eu entendo o motivo desse gênero fazer tanto sucesso e adoro a ideia. Gosto de ver mulheres lendo coisas que as façam ser livres e que de alguma forma as ajude a se conhecerem melhor. Eu tenho certeza que muitas leitoras de romance hot antes mal sabiam algumas coisas a respeito de sexo e esse tipo de livro deu-lhes a chance de saber um pouco mais e, até mesmo, instigar vontade de praticar algumas coias. Eu, particularmente, não gosto pois acho as histórias iguais. Então eu li uns três, até hoje, e sinto que já li tudo; Mas nunca é tarde para tentar descobrir algo novo. 

3) AUTOAJUDA


Imagem: Freepik
Este com certeza será o gênero mais chato. Desculpa, leitores de autoajuda, e produtores de livros de autoajuda. Acho que se eu tivesse que escolher um gênero para dizer "odeio", provavelmente seria de autoajuda. Só que vou me atentar ao objetivo do desafio e a justificativa do inicio do post e com certo curto irei ler algum livro de autoajuda. Provavelmente será algum best-seller e com esses foda-se que estão na moda. 

4) CLÁSSICO DA LÍNGUA PORTUGUESA


Imagem: Freepik
Eu descobri que gosto de clássicos, mas ainda não descobri clássicos da língua portuguesa que me atraem. Todo mundo sabe que são livros com linguagem "rebuscada" e de difícil leitura, mas de que adianta ficar lendo clássicos mundiais e não ler os da minha própria língua, que tanto tem a dizer sobre a história do Brasil? Então lerei um clássico da língua portuguesa sem falta para esse desafio (e se eu passar na faculdade tenho certeza que terei que ler também outros).

5) POESIA


Imagem: Freepik
Poesia é uma coisa que sempre evitei de ler. Claro que eu vi essas moderninhas, que fizeram sucesso na internet e foram publicadas depois e acabei adorando. As que falam de dores, abusos, família e aceitação realmente me atraem, entretanto existe uma infinidade de autores clássicos de poesia que eu sempre torço o nariz sem motivo algum. É uma leitura que parece fácil mas nos demanda muita atenção, pois para compreender uma poesia temos que entender o conceito a respeito dela, sua história e até a história do autor. Pretendo ler algo desse gênero mesmo que o significado do texto fique perdido em minha mente. 

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Então é isso. Deixei o desafio bem pequeno pois eu me conheço e tenho certeza que mesmo estando fácil assim eu vou deixar alguma coisa passar durante o ano. A ideia é ter, pelo menos, dois meses para ler cada gênero. Vai que eu pego algo muito chato e resolvo ficar enrolando, né?

Resenha: Vermelho, Branco e Sangue Azul

02/12/2019


Vermelho, Branco e Sangue Azul será, provavelmente, o romance lgbt mais fofo que você lerá este ano. Isso porque os protagonistas da história são ninguém mais, ninguém menos, do que o filho da presidente dos EUA e o Príncipe Herdeiro da Inglaterra. Já é possível saber que, além de um romance, o livro também tem uma pegada politica que deixa o leitor mais ansioso para saber o desfecho do namoro proibido.

Apesar de ser narrado em terceira pessoa acompanhamos a história cem por cento do tempo pelo ponto de vista de Alex, o primeiro-filho dos EUA. Ele é um estudante universitário que aos 18 teve sua vida virada de cabeça para baixo quando sua mãe foi eleita presidente. Ele ama politica, então adora estar nesse meio, mas odeia a exposição que tem na midia com sua irmã, June, e sua melhor amiga Nora. Alex desde os 12 anos sente um ódio profundo por Henry, o Príncipe da Inglaterra, e após um mal entendido no Casamento Real do irmão de Henry eles são obrigados a aparecer na mídia como amigos, com diversos encontros de fachada e conversinhas nas redes sociais falsas, então à partir daí eles descobrem que estão apaixonados.

Só o enredo inicial já é claro que a história é fofinha demais e com certeza o sonho de muitos garotos que, por muitos anos, viram os príncipes e sonhavam em algo com eles, mas infelizmente um sonho impossível se tratando de uma família real que precisa manter todas as aparências possíveis. Henry é contra as aparências e julga a história da família real em muitas conversas que tem com Alex, toda a hipocrisia e mentiras que são contas para manter a "ordem" e deixar o povo conservador feliz. Eu ficava o tempo todo pedindo para Henry ter coragem de enfrentar o sistema mesmo com seu medo e ao mesmo tempo aflita por saber que ele não poderia. Alex, por sua vez, tem toda a liberdade de ser quem é dentro de casa mas seu medo é com a reeleição de sua mãe. Ele não é assumido, e na verdade sempre se considerou hétero, já que tem atração por mulheres também; Gostei muito por ele ser bi, mas ao mesmo tempo parece ser uma alternativa fácil para não deixar o escândalo ainda maior. Não foi citado pela família dele que seria uma "fase", mas poderia sim ser uma desculpa para ele ser julgado.

Vivendo em uma relacionamento escondido por alguns meses os dois passam por diversas situações de perigo e ao mesmo tempo fofas. Essa ideia de amor proibido, com cartas sendo escritas através de e-mail, da até uma impressão de Romeu e Julieta moderno, mas ao invés de serem separados pela família eles são separados pela politica que, aparentemente, exige que as pessoas sejam de tal modo para funcionar e por causa disso há tanta hipocrisia com políticos que lutam pela família serem na verdade um gay que nunca conseguiu sair do armário e por isso acaba usando de sua posição politica para abusar de pessoas.

Este é um livro fofo com personagens marcantes por seus diálogos, é um livro que com certeza irá fazer as pessoas se apaixonarem mais por príncipes e por jovens politicos que não tem medo de ser quem é.

Título: Vermelho, Branco e Sangue Azul (Red, White and Royal Blue) • Autora: Casey McQuiston
Editora: Seguinte • Tradução: Guilherme Miranda
Essa resenha foi postada originalmente no blog Roendo Livros

Resenha: A Bolsa Amarela

13/11/2019


A Bolsa Amarela é um livro infantil lançado pela primeira vez lá nos anos 70. O que me chamou a atenção para a leitura foi na sinopse onde está escrito que a personagem tem uns desejos, e um desses é de que ela gostaria de ser um menino. Muito engana eu fui achando que o livro, na verdade, se tratava de uma narrativa mais voltada para a identidade de gênero, sendo falada em uma época onde pouco se conhecia sobre este assunto. Mesmo com meu engano a obra não perdeu seu encanto.

Raquel é uma menina de uns 10 anos, bem criança mesmo, e fazendo jus a sua idade é extramente curiosa e por causa de seu jeitinho é um pouco ignorada por sua família. Claro, todos a ama, porém ela é a mais nova dos filhos e todos ali são velhos demais para ter uma prosa com ela. Por isso Raquel precisa exercitar a sua criatividade. Ela nos conta que tem alguns desejos e que esses desejos quanto mais forte mais eles engordam, até chegar o ponto que ela não consegue mais esconder. Imagina essa menina super engraçada narrando isso? Eu já me encantei pela obra aí mesmo.

Suas maiores vontades: Ser adulta, pois assim ela seria ouvida e respeitada pelas pessoas ao seu redor; Ser um menino, pois ninguém falaria coisas como "isso não é coisa de menina"; E por fim ela gostaria de ser escritora. Ah, mas isso ela faz muito bem. Raquel escreve um pequeno romance sobre um galo que não queria ser o rei do galinheiro e este galo ganha vida, se tornando seu amigo próximo, mas como esconder ele?? Claro, na bolsa amarela que veio de sobra da casa de sua tia.

O livro é infantil mas deveria ser lido por adultos para aprendermos a respeitar as crianças como seres humanos. Quantas vezes deixamos de dar atenção ao que uma criança quer simplesmente por ela ser criança? Me incomodou muito quando eles estavam em um almoço na casa da tia e todos ficavam importunando a menina para cantar, fazer coisas engraçadinhas, entende? E ela até pensa "se eu fosse adulta ninguém me obrigaria a isso". Pensei sobre minha atitude com crianças ao meu redor, que não são frequentes, e provavelmente eu fui chata assim em algum momento e dai é bom para já dar um basta nesta atitude, né? Dizer o mesmo da ideia da menina de ser menino, simplesmente porque menino pode sair para jogar bola, menino pode falar de um jeito que meninas não podem, meninos podem soltar pipa. Coisas tão insignificantes, mas que fazem toda a diferença. Hoje em dia, comparando com os anos 70, as meninas tem muito mais autonomia para fazer certas coisas, praticar alguns esportes, mas ainda sim não estamos livres desse sexismo. Deixa a criança ser criança, deixa disso de coisa de menino e coisa de menino, deixe-os se divertir, ok?

Apesar de parecer politicagem do livro ele é muito mais uma fantasia infantil do que qualquer outra coisa. As coisas que a menina coloca na bolsa além do galo nos diverte, sem contar as histórias que ela inventa relacionando todos esses objetos. Leitura mais do que recomendada para ler para crianças.

Título: A Bolsa Amarela • Autora: Lygia Bojunga • Editora: Casa Lygia Bojunga

Um motivo para usar Méliuz

11/11/2019


Não, esse post não é publi. Exceto se uma publi para mim conta, ai sim é, mas a Méliuz não está me patrocinando neste post.

Se você, assim como eu, ama comprar coisas pela internet (principalmente livros) deveria conhecer o Méliuz, que é um site que devolve uma porcentagem do valor da sua compra. Como assim? Vamos supor que você gastou lá R$100 na Amazon, atualmente o site está devolvendo 7% deste valor assim que a Amazon confirmar a sua compra. Legal, né?

Mas perai, isso realmente funciona?
Pois é, eu tive meu momento de desconfiança quando vi esse site pela primeira vez, mas eis que quando completei o valor minimo de resgate, que no momento é de R$20,00, eu recebi sim a grana de volta.

Alguns dos sites que tem cashback
A Méliuz tem parceria com centenas de lojas e algumas são lojas físicas. Então pelo app você consegue ver se tem alguma perto de você e quando realizar a compra só avisar que é cliente Méliuz e passar seu número de celular. Muito bom, né?

Para não perder nenhuma oportunidade de compra pelo seu navegador o site disponibiliza uma extensão que te avisa sempre que um site tem cashback, dai é só ativar e comprar.

Então não perca tempo e faça seu cadastro, pois com a Black Friday chegando você não vai querer perder! Basta clicar na imagem!


Úrsula é irmã de Tritão, o pai de Ariel, e por muitos anos viveu longe do reino de sua família. Ela foi acolhida por um pescador e viveu como humana, onde amou aquele homem como se fosse seu próprio pai e ele a amava como sua própria filha, mas Úrsula sentia que não pertencia aquele lugar, até o ponto em que não pode mais segurar quem é de verdade e todo o vilarejo tentou mata-la. Para tentar defende-la o pescador acabou morrendo e com isso ela sentiu o desejo de se vingar de todos. Após esse incidente Tritão apareceu e levou Úrsula para seu reino, onde ela vivia de favor e infeliz, por Tritão não a aceitava como ela era e sim a obrigava a ter a forma de sereia. Você acha que esta é a história deste livro? Você está completamente enganada.

Eu nunca fui uma fã de histórias da Disney, principalmente das princesas com todas as suas escolhas suspeitas. Mas como negar a sagacidade de todos os vilões, por mais que eles sempre percam no final? É à partir dessa premissa que surgiu a série oficial da Disney sobre os vilões e eu tive a oportunidade de ler Úrsula, a bruxa d'A Pequena Sereia e eu gostei tanto, mas tanto, que fiquei com vontade de assistir a animação novamente (e juro que A Pequena Sereia é a que eu menos gosto de todas).

Úrsula sempre foi muito reprimida por tentar ser quem é, uma criatura com tentáculos e não "bela" como uma sereia, e por anos sofreu com o sentimento que de algo faltava em sua vida, até perceber que era ela mesma. Apesar de ter se tornado uma bruxa ela não tinha a maldade em si desde o início. Podemos perceber que o que aconteceu com ela deixou sequelas terríveis e irreversíveis, não que justifique a sua maldade e sede de vingança, mas passamos a compreender um pouco mais seus motivos. Principalmente o porque de ela odiar tanto Tritão e usar a Ariel para a sua vingança.

Sei que o livro faz parte da coleção Vilões da Disney, mas essa foi a minha primeira experiencia com a série e algumas coisas ficaram confusas, por exemplo: Quem é Circe? Talvez isso tenha sido explicado melhor em outros livros e, sim, gostaria de lê-los em algum momento, mas são pontas soltas demais para uma série que não especifica, por exemplo, qual volume ler primeiro, entende? Essa critica é bem pessoal minha, talvez isso não tenha atrapalhado outras pessoas na leitura, o que é ótimo, mas eu senti um pouco de falta dessa parte bem explicadinha.

De todo mais este é um infanto-juvenil excelente para qualquer pessoa que goste dos clássicos da Disney e que sempre julgou os vilões, até porque esses são os primeiros vilões que conhecemos na nossa vida e ainda na fase adulta os julgamos por suas atitudes, né?

A leitura foi feita em parceria com a Universo dos Livros, que desafio os parceiros a lerem algum livro dessa série. Eu pude conhecer a Fernanda, do Daily Books, e a Glaucia do Blog Mais que Livros, e fizemos um debate sobre a leitura, com uma experiencia muito bacana com as meninas.

Título: Úrsula — A história da bruxa da Pequena Sereia (Vilões da Disney) • Autora: Serena Valentino
Editora: Universo dos Livros • Tradução: Monique D’Orazio
Livro cedido em parceria com a editora Universo dos Livros.
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A virgindade supervalorizada em YA e NA

06/11/2019


Eu tenho certeza que se você é uma leitora (ou leitor) de romances já se deparou com aquela personagem que mal beijou alguém na boca e, obviamente, é virgem. Mas por qual motivos essas garotas são tão valorizadas na literatura young adult e new adult?

Vamos deixar claro, antes de qualquer coisa, que esta não é uma critica a pessoas e até mesmo personagens que escolhem ser virgem, independente da idade. Em casos de livro young adult se a personagem tem 14 anos é óbvio que é normal ela ser virgem, mas convenhamos que personagens de 16, 17, 18 anos é muito mais fora do comum, pois sabemos que a realidade não é bem assim. O problema em si não é a personagem ser virgem, longe disso, mas sim o que as autoras fazem com essa virgindade: Bota um rapazinho fofo que vai lá desflorar a garota. Vamos combinar: Isso é legal?

Eu li Crepúsculo quando tinha 15 anos, 16 no máximo, e quando li o primeiro livro não era mais virgem e em certos aspectos me sentia incomodada por ver o medo do Edward em transar com Bella, uma coisa que ela claramente queria e demonstrou em vários momentos. Vocês conhecem a história e sabem que eles transaram só após o casamento. Eu me perguntava o porque daquilo ser tão importante, mesmo que a Bella não mudasse aos olhos dele, entende? E pelo amor de Deus, não vai me falar que ele tinha medo por eles serem diferentes, ok? Vamos nos poupar.

Já na minha fase adulta passei a ler Estilhaça-Me, e alguns outros romances, como da autora Colleen Hoover, Obsidiana, Divergente, e Para Todos os Garotos que Já Amei. Sim, há uma mistura de livros de romance e fantasia, mas todos tem um casal que estão ali querendo transar e que não transam porque a personagem é virgem e existe toda uma responsabilidade a respeito disso. Ok, a autora se preocupar em fazer disso algo positivo para a personagem é ótimo, mas vamos ser realistas? Perder a virgindade é ruim, uma das piores experiencias que uma garota pode ter na vida e porque os livros não podem mostrar isso de uma forma mais realística? Eu nunca fui enganada pela literatura a respeito disso, mas e as jovens que estão ali lendo esses livros e imaginando que sua primeira vez vai ser tão linda assim?

Não vamos esquecer do ponto principal deste texto: O motivo de as personagens que são virgem sempre serem tratadas como fofas e garotas de família, e quando a amiga dela que já transou com metade da escola/faculdade é retratada como a safada, para não dizer vadia? Como uma mulher bem entendida de mim mesma e que crê que as mulheres tem o direito de fazer o que bem entender sem serem julgadas isso é extremamente incomodo, entende? Não acho que a personagem adolescente tem que sair transando com todo mundo sem responsabilidade, mas vamos encarar a realidade: meninas de 16, 17, 18 anos transam e muitas transaram com mais de um cara e tudo bem desde que ela esteja fazendo isso porque quer e com responsabilidade. O nosso papel social é de ensina-las o que é certo e o que é errado, o nosso papel é conscientiza-las de que ela não deve aceitar ser tratada mal por um homem, que ela deve descobrir antes de tudo o que ela quer, gosta e deseja, para não acabar caindo nas mãos de macho lixo por aí, entende? E porque os livros não podem nos passar essa mensagem sem uma romantização do sexo? Vamos tentar refletir sobre isso por algum momento.

Resenha: O Azul Entre o Céu e a Água

05/11/2019


Eu só precisei ler a palavra "Palestina" para me interessar por esse livro, que conta a história dos irmãos Nazmiyeh, Mamdouh e Mariam — do mais velho para o mais novo. Ainda muito jovens, eles se veem obrigados a partirem para Gaza com a mãe, viúva, e o restante da família quando Beit Daras, a vila em que viviam, é bombardeada por forças Israelenses.

Sou obrigada a dizer que O Azul Entre o Céu e a Água demorou um pouco para me conquistar, principalmente porque a história não estava fazendo muito sentido para mim até pelo menos a página 50. Muitos personagens eram citados sem nem mesmo terem sido introduzidos à história e, apesar de obedecer uma certa ordem cronológica, muitos fatos eram simplesmente jogados nas páginas — coisas que só fui entender muitos capítulos depois.

Quando eu já estava achando que a história não ia engatar por nada e que eu ia ter que desistir de ler quando uma coisa acontece com Nazmiyeh e dá um rumo totalmente diferente para o livro. Ela, de certa forma, se torna o ponto central, um elo que liga uma rede de irmãos, filhos e netos que dão voz a uma história maravilhosa, mesmo que muito triste.
— As histórias são muito importantes. Somos compostos por elas. O coração humano é feito das palavras que a gente põe nele. Se um dia alguém disser coisas cruéis pra você, não deixe que essas palavras entrem no seu coração. Tome cuidado pra não pôr palavras cruéis no coração dos outros também. — pág. 83 

O Azul Entre o Céu e a Água é narrado em terceira pessoa, intercalando os pontos de vista de, na maior parte, Nazmiyeh, sua filha Alwan e sua sobrinha-neta Nur. Susan Abulhawa vai do Oriente Médio à America do Norte em uma virada de página, percorrendo culturas e nos dando informações que provavelmente não encontraríamos em nenhum outro lugar. 

Pesquisando um pouco mais sobre Susan Abulhawa, descobri que ela nasceu em um campo de refugiados em  1967, quando Israel capturou o que restava da Palestina, incluindo Jerusalém. É justamente por isso que acredito que, assim como em A Cicatriz de David, sua publicação mais famosa, há muito dela mesma em O Azul Entre o Céu e a Água também.

Não acredito que esse livro é uma história sobre guerra, apesar de ela estar presente em praticamente todas as páginas. Fala muito mais sobre família, amor e luto. Existem muitos trechos tristes e emocionantes e muitos que nos fazem pensar também, mas acima de tudo, O Azul Entre o Céu e a Água passa uma mensagem super importante de união.

Título: O Azul Entre o Céu e a Água (Blue Between Sky) • Autora: Susan Abulhawa
Editora: Bertrand Brasil • Tradução: Jeane D. Clack
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A Ana Clara é do blog Roendo Livros ♥ 


Outubro, para mim, foi o mês das leituras relacionadas a Disney, enquanto todos estavam na pegada de halloween eu estava neste mundo encantado. Neste clima que participei da Leitura Coletiva promovida pela Universo dos Livros que foi organizada pela Glaucia do blog Mais que Livros e por mim, usando o Blogueiras Cansadas. Conversamos sobre o livro e a unanimidade é que: ele merece uma adaptação. Não é para menos, com situações que ficariam engraçadas na tela, e outras que dariam aquela emoção que só quem assiste filme no cinema sabe, o livro nos faz entrar em um outro lado da história da Cinderela que, nunca, poderíamos (e nem tentamos) imaginar: O que aconteceu com sua madrasta e suas duas meia-irmãs?

O livro é narrado em terceira pessoa e foca em Isabelle, mesmo que Tavi (a outra meia-irmã) também seja uma personagem importante para o desenvolvimento da obra. Isabelle sente mal pelo que fez para Ella durante anos, todas as maldades, as vezes que a tratou mal e a desprezou, mas ao mesmo tempo sempre teve o desejo de ser como ela. Sim, Isabelle tem inveja da beleza de Ella e de toda a sua bondade sem fim e isso a corrói muito. Apesar de parecer que ela seja mesquinha e malvada por natureza eu já adianto que isso de longe é uma característica da Isabelle. Não vou contar quais são as suas qualidades aqui, pois para descobrir você vai ter que ler (e descobrir junto com ela), mas a menina é um ser humano com seus defeitos e qualidades, assim como todos nós, mas que acredita que a única coisa que deixa uma pessoa ser bela é a beleza física. Com essa crença ela consegue atrair a mesma fada madrinha que apareceu para Ella no dia do baile e fez o desejo de ser bela e então a fada a desafia a encontrar os pedaços perdidos de seu coração. Quais são esses pedaços?

Uma obra cheia de descobertas pessoais que nos ensina o poder da amizade, aquele amor que temos por nossos amigos e o poder que eles tem de nos mudar para o bem, por sempre abrir nossos olhos para coisas que não queremos enxergar, que estavam ali o tempo inteiro. Tavi, a irmã de Isabelle, é uma garota incrível, super inteligente e talentosa, que era obrigada a fazer coisas de "menina" para conquistar um marido ideal. Hugo, um garoto que viveu a vida inteira a margem do tratamento de sua mãe, sonha em casar com Odette, uma moça cega que tem como única caracteristica ser cega, já que a sociedade não tem capacidade de ver tudo o que ela realmente é.

Deu para perceber que o livro tem personagens secundários marcantes, certo? Não citarei todos aqui, pois alguns tem plot próprio e que dão uma emoção para a história. Quando eu falo emoção eu me refiro ao livro ir para aquela pegada de ação, sabe? Onde as coisas precisam acontecer mais rapido pois caso não tenha esse andamento tudo pode dar errado. Eu amo isso em livros e nesta obra funcionou muito bem. Tudo que eu não queria é um livro onde a personagem só ficava se lamentando pelos cantos e Isabelle nunca fez isso, pois a cada pequeno arco ela estava indo atrás de algo, planejando algo, ou fazendo algo e geralmente eram coisas que deixam nós, leitores, segurando o livro com força e pensando "minha filha, vai que é tua". E eu aviso desde já que se você esta procurando um romance, daqueles meloso, pode ir passando longe de Stepsister. O livro nos mostra que romance é a última coisa que uma protagonista precisa para ser feliz, o livro nos mostra que romance é a última coisa que nós, mulheres, precisamos para ser feliz.

Stepsister não é um livro oficial da Disney, mas já conquistou muitas fãs que estão loucas para uma adaptação. No grupo da LC, pelo menos todas pediram e eu não posso discordar de que o livro ficaria maravilhoso no cinema. O fato é que os direitos já foram comprados e agora nos resta aguardar esse filme sair sair do papel.

Título: Stepsister: A História Da Meia Irmã Da Cinderella  • Autora: Jennifer Donnelly
Editora: Universo dos Livros • Tradução: Michelle Gimenes
Livro cedido em parceria com a editora

Resenha: O Diário de Jack, O Estripador

31/10/2019


Eu não sou a pessoa mais ligada na história do famoso serial killer Jack, O Estripador, mas quando vi esse livro fiquei muito curiosa por se tratar de um diário, ou seja, eu teria a oportunidade de ler as palavras do próprio. É claro que a identidade do assassino mais famoso da história ainda é um mistério, e provavelmente continuará sendo por muito tempo, mas um dos suspeitos tem uma história bem louca e uma mente perturbada.

Ao contrário do que eu achei o livro não é somente o diário de um dos suspeitos de ser Jack, o comerciante de algodão James Maybrick. Ele conta com toda uma história a respeito de Jim, de sua família, e principalmente sobre os vários estudos que foram feitos no diário desde que ele foi entregue a Shirley Harrison. Confesso que eu demorei um pouco mais do que gostaria para ler este livro, pois o texto em si é bem denso e com diversas informações sobre as analises laboratoriais, depoimentos de pessoas, analise do próprio James e detalhes sobre os assassinatos (que muitas vezes nos deixa horrorizadas, mesmo nos dias atuais.


Independente da minha dificuldade de leitura eu gostei muito da obra. Mesmo acreditando fielmente de que o diário não é uma farsa a autora colocou todos os pontos de vista possíveis com os resultados e comentários feito a respeito do livro e do relógio, que teoricamente, pertenceu a James.

Deixando de lado a ideia de que James pode ou não ser Jack e o diário sendo real ou não a história da Família Maybrick é extremamente conturbada. E uma pessoa me chamou muito atenção nessa história toda: Florie, a esposa de James. Ela era anos e anos mais nova do que ele, mas aceitou se casar com este homem para acabar vivendo uma vida infeliz. Sim, era uma outra época, mas mesmo nesses tempos Florie se mostrou ser um pouco além de seu tempo. Ela queria se separar, mas não podia por causa dos filhos; Florie tinha um amante e segundo relatos do diário James se excitava com a ideia de outro homem transando com sua esposa; No final de tudo Florie foi acusada de matar James envenenado (segundo o diário ele era viciado em arsênico) e ela sofreu tanto, por tantos anos na prisão. Perdeu o afeto de seus filhos e só teve próxima de si sua mãe. É impossível não ler este livro e não se sentir triste por esta mulher.


Se você gosta de livros de história, investigação e biografia então pega essa dica. O livro tem essa mistura de gêneros e tenho certeza que para quem adora o tema serial killer é uma leitura obrigatória, afinal esse é um dos mais famosos e mais antigos que temos conhecimento. Acho que a leitura será prazerosa, mas é bom alternar com outras coisas mais leves pois ele é bem tenso em alguns pontos.


Título: O Diário de Jack, O Estripador (The Diary of Jack the Ripper - The Chilling Confessions of James Maybrick) Autora: Shirley Harrison • Editora: Universo dos Livros • Tradução: Felipe CF Vieira
Livro cedido em parceria com a editora
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Vamos falar sobre parcerias?

30/10/2019


Meu blog nasceu há anos, tinha outro nome, mas a mesma proposta: Falar sobre livros, no geral resenhas. Antes disso eu participei de outros dois blogs, apenas como colunista e nunca havia me preocupado em fazer esses blogs crescer, assim como há algum tempo quis fazer com o meu próprio. Nesses anos houveram muitas parcerias, seja com escritores independentes , editoras pequenas e até editoras grandes e que as pessoas sonham em ter parceria (algumas delas foram só de ação, mas muito boa para mim) e é claro que, como blogueiras literária e amante de livros, eu gostaria sim de ter parcerias ainda hoje, mas a questão principal é: Como filtrar essas parcerias?

Pensa comigo: Você gostaria de ter uma parceria só fizesse exigências? Não descaradas, mas há algumas que só te pedem divulgação e mais divulgação e não te dão nada em trocar, sabe? É uma parceria, como o próprio nome diz, da mesma forma que você faz o seu trabalho de blogueira o escritor ou a editora precisa ter dar algo em troca, e em alguma casos até te divulgar. Eu não vou citar nomes aqui, certo? Mas eu vi algumas coisas no Instagram recentemente que me deixaram passada e foi isso que me fez querer compartilhar esse texto com vocês.

Tá lá uma página X, pode ser de autor ou editora, e faz um post escrito lindamente: Seleção de parcerias para o mês e nas regras consta que a pessoa que está concorrendo a essa parceria precisa compartilhar essa seleção em seus stories, pois assim sua inscrição não é contabilizada. Tipo assim, gente, vamos combinar que você tá ali fazendo a divulgação de graça! Não que a gente tenha que fazer as coisas só por interesse, mas convenhamos que na seleção final só fica quem tem +20k de seguidores, no minimo. Nesses anos todos acompanhando blogs o que mais vejo é em época de resultado de parceria a galera reclamando que a editora selecionou apenas os blogs que tem muitos seguidores. Então gente, vamos acordar, ou você faz o blog e/ou instagram por amor ou vai continuar lutando para ter parcerias e muitas vezes sem conseguir e se frustrando mais e mais.

Sim, receber um livro novo, lançamento do mês, na sua casa todos os meses é a coisa mais gostosa do mundo. Falo por experiencia orópria, mas vamos lembrar que existe um mudo gigante de livros que já foram lançados e que você, provavelmente tem na sua prateleira, e ainda não conseguiu ler e nunca vai conseguir quando tiver um monte de parcerias. Convenhamos, se vocês acreditam que vai conseguir ler os lançamentos do mês de umas três editoras que tenham parceria "trabalhando" sozinha você está bem enganada, mocinha.


Resenha: O Jardim Secreto

29/10/2019


Passei muitas tardes no inicio dos anos 2000 assistindo Sessão da Tarde e muitos filmes marcaram minha memória e um deles foi a adaptação do livro O Jardim Secreto. Por muitos anos eu não tinha ideia de que era uma adaptação e quando descobri depois de adulta tive que comprar o livro para ler. Já tinha esquecido completamente de como era o filme, então a leitura foi sem influencia negativa ou positiva. Claro que amei a leitura desta obra e fico indicando para todas as crianças que já lêem livros mais complexos.

Mary é uma criança mimada que viveu a vida inteira na Ìndia, apesar de ser inglesa. Sua família era rica e por isso ela sempre teve tudo, exceto a atenção e afeto de seus país. Mary vida sua mãe de vez em nunca e foi criada por babás que nunca contestavam suas ordens. Até que todos em sua casa morreram após um surto de cólera e Mary permanece viva somente porque mal tinha contato com as pessoas dali. Ela é enviada então para a Inglaterra para viver com seu tio, que não passa de um homem rico e triste após a morte prematura de sua esposa. Naquele local, onde Mary além de não conhecer ninguém tem criados que não a obedecem ela passa a ficar entediada e muito curiosa com histórias que sua babá conta e uma dessas histórias envolve seu irmão mais novo, que é "encantador de animais" e um jardim que supostamente existe escondido na mansão. O Jardim é um mistério que Mary decide resolver. Ela começa a passear por toda a extensão do quintal até encontra-lo, muitas vezes em vão, e em outras ocasiões ela passa a explorar a casa e é quando encontra um primo tão mimado quanto ela e que é muito doente. A história cerca essas três crianças que se tornam amigos inseparáveis atrás de um objetivo.

Este livro é incrivel. Eu não sou uma fã de livros infantis, mas além de esta obra ser saudosista para mim ela é tão encantadora com sua lição de vida. É muito estranho quando um livro tão bobinho, com crianças que só querem brincar nos ensina tanto.

Mary aprendeu através do afeto de pessoas desconhecidas que nem tudo na vida é como ela quer, que nem tudo na vida é ter alguém a servindo, mas que também há todo um mundo a ser explorado e tantas pessoas diferentes vivendo nele. Mary passa dar valor para seus novos amigos e ensinando e aprendendo com eles. Dickson, o encantador de animais, é um menino muito pobre e irmão da babá de Mary; Ele é um garoto simplista mas inteligente, que mostra a Mary tantas coisas que ela não conhecia sobre animais e família e isso a vai mudando aos poucos e quando ela conhece Colin, seu primo, o trio está completo. Colin é um menino tão doente e tão fraco que nunca sai de sua cama, mas com todas as histórias que Mary e Dickson conta a ele o menino desperta para uma nova vida, onde vai recuperando a sua saúde aos poucos.

Gente, vocês conseguem imaginar um trio tão peculiar assim? É um livro que nos mostra o poder de amizade e o quanto ela pode nos mudar, o quanto ter alguém que se preocupa conosco pode mudar a forma como lidamos com as dificuldades da vida. O Jardim é um mero detalhe diante da trama toda, pois o livro trata muito mais desses relacionamentos do que o jardim propriamente dito e é demais. Apenas um único objetivo despertou essas crianças para algo diferente em suas vidas.

Se você tem irmãos, primos ou crianças próximas que lêem bastante e conseguem pegar um romance então dê O Jardim Secreto. É muito maravilhoso, a leitura é fácil e gostosa e tem tantas passagens divertidas que até o riso é garantido.

Título: O Jardim Secreto (The Secret Garden) • Autora: Frances Hodgson Burnett
Editora: Ciranda Cultural • Tradução: João Sette Camara
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Resenha TBT: O Poder

24/10/2019




Você já imaginou como o mundo seria se fosse totalmente dominado por mulheres? Bom, Naomi Alderman imaginou e nos presenteou com esse livro incrível.

Em O Poder a autora nos da um vislumbre de uma sociedade onde as mulheres desenvolvem uma "trama" relacionada a eletricidade e com consciência desse poder, literalmente, nas mãos, elas passam a dominar o mundo de uma forma que nem nos nossos melhores sonhos imaginamos. É obvio que a obra é feminista, mas mais do que isso ela é um deboche a nossa sociedade patriarcal atual. E porque isso? Bom, vou explicar: Ao iniciar a leitura e com o decorrer dos acontecimentos eu passei a julgar a obra como femista, mas como toda leitura requer uma grande reflexão por parte do leitor, algum tempo depois eu percebi que ela usa de todos os exemplos que temos nos dias atuais em mãos para colocar nas mão das mulheres. Mulheres são estupradas? Lá estão mulheres estuprando homens com sua trama. Mulheres são proibidas de dirigir? Agora nós dominamos, vamos proibir os homens. E olha que esses dois exemplos são os mais óbvios.  

O livro é narrado em terceira pessoa e nos mostra diversos lados desse novo mundo. Mulheres que se tornam lideres, lideres que descobrem o quanto a liderança realmente é valida com o poder em mãos, homem que está no centro dos acontecimentos do lado das mulheres mas que depois temem a presença dela e crianças que junto com seu medo e coragem (sim, os dois juntos) vão descobrir como dominar as pessoas ao seu redor. Sério, é um livro incrível pra caralho que vale a leitura. 

Nem tudo são flores. Apesar de eu ter amado demais o livro eu achei a passagem de tempo dele confusa. Mas não atrapalhou, necessariamente, a minha leitura e entendimento. Foi só algumas momentos que me senti perdida com os acontecimentos mas logo tudo se acertava após alguns diálogos que acontecimentos. 

Você, mulher, que quer ler obras feministas não pode deixar de ler O Poder e refletir sobre como seria caso nós dominássemos o mundo.

Título: O Poder (The Power) • Autora: Naomi Alderman
Editora: Planeta de Livros • Tradução: Rogério Galindo
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Resenha originalmente publicada por mim no blog Pobre Leitora

Conheça a Obra: O Médico e o Monstro

23/10/2019


O conto de Dr. Jekyll e Mr. Hyde é, desde seu lançamento em 1886, uma referencia em ficção cientifica e transtornos psicológicos. Justamente por causa desses referencias eu conhecia a história muito e muito tempo antes de ler e se tem uma coisa que acho perfeita em clássicos é que, mesmo sabendo o final, a história ainda é cheia de surpresas ao longo da obra.

A obra é narrada em terceira pessoa e nos insere na era vitoriana, onde os homens andam com bengala e aqueles chapéu bacana, além do famigerado mustache e é com essas caracteristicas bem marcantes é que eu imagino o Dr. Jekyll, um médico muito bem reconhecido pela sociedade, de grande influencia e com amigos de todas as áreas da cidade e um deles é o estranho Mr. Hyde, um homem resguardado que, segundo as fofocas, está envolvido em um caso de agressão e assassinato. É justamente isso que o advogado Utterson decide investigar por conta própria, sendo À partir daí que a história se torna uma grande perseguição que nos lembra os filmes do inicio do século XX. 

Eu sei que a história é considerado uma obra de terror e ficção cientifica, mas eu não consigo deixar de considerar também uma obra cômica e não de um jeito ruim. É sempre bom, ao ler clássicos, fazer o comparativo cultural em relação ao período em que a obra foi a escrita e que está sendo lida e essa é a graça maior. Como eu disse, lembra aqueles filmes do início do século XX pois Utterson fazer uma corrida para tentar descobrir o que esta acontecendo com seu amigo Jekyll e na tentativa de descobrir quem é Hyde que, ignora, o que está embaixo de seu nariz. Em uma época em que toda a comunicação era feito por cartas são justamente elas que nos revelam o grande plot twist da obra e que o pobre advogado deixou passar por sua sede de ódio. 

Falando especificamente sobre o seu legado foi o ponto inicial para nos dar a referencia completa de bem e mal em obras de ficção, seja na literatura, teatro e posteriormente cinema e televisão; Basta lembrar de personagens icônicos como Duas Caras e Hulk, e o mais querido desde os anos 2000: Gollum. O mundo literário como vemos hoje seria muito diferente sem esta obra, que em sua época causou duvidas sobre a mensagem real em que ela queria passar as pessoas e até hoje pode ser analisada de várias formas, bastando um pouco de atenção aos detalhes que o autor coloca no conto. 

Atualmente a obra está em domínio publico e pode ser lida em qualquer lugar, inclusive na Amazon para quem tem Prime Reading e Kindle Unlimited, além do mais a Darkside está lançando uma versão de luxo deste conto e outros do autor que está lindona demais, então se você é colecionador desta editora aproveita que agora é a hora. 

Resenha: Todas as suas (im)perfeições

22/10/2019


É um fato que, pelo menos, uma vez ao ano preciso ler algo da CoHo. Ela é uma autora que tem a capacidade de me tirar de qualquer zona de conforto literária que eu esteja, qualquer ressaca literária, e sempre, sempre, sempre me faz sofrer com suas personagens. Muito me surpreende eu ficar assim com Quinn, que tem o desejo de engravidar, que todos os meses sofre quando sua menstruação desce. Eu nunca penso em filhos e definitivamente maternidade não é algo que eu quero para mim, então eu tinha tudo para não sentir empatia nenhuma por essa mulher que estava usando o seu marido para apenas um fim. Mas como não se solidarizar com ela? Quinn esta representando neste livro todas as mulheres que sonham em ter filhos e não podem, todas as mulheres que estão sofrendo neste momento pois sabem que nunca irão poder gerar uma criança sua e mesmo eu não querendo ter filhos, tipo nunca, eu sofri com ela em todos os momentos, pois eu tenho opção e ela nunca terá.


O livro é narrado em duas linhas do tempo: Antes, onde temos Quinn noiva de um cara muito rico, mas alheia as suas traições até conhecer Graham no corredor do apto de seu noivo e o Agora, onde Quinn já esta casada com Graham há 7 anos e sabe, há pelo menos uns 5, que sua chance de ter uma família com sua alma gêmea é nula. Não é a primeira vez que CoHo nos mostra situações diferentes de uma mesma personagem e ela sempre consegue faze isso tão bem que, mesmo quem pode estar lendo distraidamente e não perceber que são duas linhas do tempo no livro percebe a mudança drástica de comportamento, atitudes, e até nas próprias falas. Quinn, mesmo após descobrir a traição do tal ex-noivo lá, ainda tinha uma coisa dentro de si que não a abalava; Seus diálogos eram alegres e sempre havia o lado positivo de tudo. A Quinn do Agora é amarga, ressentida consigo mesma, e não demonstra mais nenhum sentimento pelo seu esposo, mesmo que o ame muito. É muito fácil odiar ela quando não nos colocamos em seu lugar, pois ela é uma personagem que nos incomoda ao ler, que nos faz querer deixar o livro de lado e ler algo mais feliz, mas sabemos que não podemos abandona-la naquele estado, sabe?

Graham é aquele personagem perfeito (eu amo os homens perfeitos que a CoHo cria). Quando descobriu a traição de sua namorada com o ex-noivo de Quinn tudo que conseguiu fazer foi ser gentil com ela, foi ajuda-la a passar por aquilo como se ele mesmo não estivesse sofrendo. Graham é tão altruísta que eu sentia raiva me perguntando o porque de ele não ser um cuzão como tantos homens que vemos por ai, mas como ele seria amando tanto Quinn? Ele sempre acreditou, desde o Antes, que eles são alma gêmeas, que todas as coisas fizeram com que ele se encontrasse exatamente naquele momento no corredor e depois de alguns meses em um restaurante. É tudo tão lindo que eu até renovo minha fé nessas coincidências. Tudo o que ele quer é fazer Quinn feliz e se sente arrasado ao vê-la nesta situação. Suas tentativas de agrada-la, de demonstrar seu amor acabam comigo todas as vezes, pois é impossível ele fazer algo para amenizar a dor dela quando só há um objetivo. Mesmo no momento em que ele vacilou eu não consegui odia-lo, pois existem causas e consequências para tudo e naquela situação toda ninguém é culpado de nada a não ser a própria natureza.


Este livro é tão sensível ao mostrar o relacionamento deles antes do casamento e como tudo era tão lindo e perfeito, mas ao ver como tudo ficou ao passado essa leitura mexeu muito comigo e nunca vou deixar de gostar desses personagens que tanto me ensinaram em poucas páginas. Prometi a mim mesma, como leitora, de que nunca deixarei de me colocar no lugar das personagens antes de julga-las por suas atitudes, pois tem coisas que só quem tá na pele sabe como é, só quem ta na pele pode explicar seus rancores.

Título: Todas as suas (im)Perfeições (All Your Perfects) • Autora: Collen Hoover
Editora: Galera Record • Tradução: Adriana Fidalgo

Série: Slasher — 3ª Temporada: O Solstício

18/10/2019


Leia meus comentários sobre a 1ª temporada e 2ª temporada de Slasher

Eu sou uma pessoa que assiste séries para sofrer. Às vezes com os personagens, às vezes porque a série é muito boa, ou às vezes porque a série é tão ruim que quero me torturar assistindo suas temporadas. Então sim, mesmo não tendo gostado tanto das temporadas anteriores de Slasher eu acabei dando uma chance para a terceira temporada, que leva o subtítulo de O Solstício, pois o primeiro assassinato da trama se passa no dia de solstício no hemisfério norte.

A série foca em um condomínio simples, onde existem vários tipos de pessoa. A mocinha boazinha, mas que não se envolve com as pessoas ali pois é muçulmana e sofre preconceito; Tem a menina com esteriótipo de "puta" e que faz bullying com a mocinha; Há a família que sofreu um trauma, onde há um relacionamento lésbico e os filhos são negros; E etc, etc, deu para entender que a série pega todos os esteriótipos de pessoas e coloca ali e, no caso de alguns personagens, até nos da a impressão de visibilidade, mas ao longo dos episódios percebemos que é uma forma deliberada de tentar atingir um novo publico, porém é muito forçado e acaba sendo, mais uma vez, estereotipado. 


Verdade seja dita, a questão da violência tem melhorado na série. Quer dizer, se eu estou indo assistir um série de assassinato/serial killer, então eu quero sim ver as cenas correspondentes aos assassinados, e as temporadas anteriores haviam pecado um pouco com isso. Desta vez acertaram a mão e tiveram algumas cenas que me deram muita aflição só pelo que estava ocorrendo ali. Misturava isso e as reações das pessoas que estavam vendo aquilo, os gritos de desespero de algumas e as reações absurdas de outras que pensam primeiro em pegar o celular. 

Slasher diminuiu a quantidade de referencias a filmes clássicos do gênero e aumentou a critica social mesmo não sendo algo muito obvio. É um diálogo, é um olhar, uma atitude. Nisso eles acertam bem para compensar as atuações medianas. Se você quer assistir algo para passar o tempo enquanto faz a unha esta é uma boa série e vai te entreter um pouco, ajudar a passar o tempo, mas não espere algo muito surpreendente.