Tag da discórdia

29/08/2018


Além de fazer um tempo que eu não postava de forma empolgada nesse bloguinha também faz um tempo que não posto uma TAG. E ai vi no twitter a Ana Clara do Roendo Livros compartilhando o post dela e fiquei empolgada com esse tema e resolvi fazer também. :3

Resenha: Caraval

27/08/2018

Caraval foi um dos últimos livros que a Novo Conceito lançou no Brasil e na época de seu lançamento houve grande comoção por parte da equipe de marketing da editora para mostrar esse livro nas redes socias. A capa é maravilhosa e acredito que a parte física dele seja tão bacana quanto (eu li no Kindle, então não posso falar com certeza) mas é uma pena que a obra não seja tão legal quanto parece.

Sim, Caraval é um livro um tanto diferente. Ele tem todo esse aspecto circense que eu nunca tinha visto em outra obra além de toda a magia e duvida que envolve o jogo (que leva o título do livro). Um grande ponto positivo é que ele conseguiu me deixar intrigada mesmo quando eu não estava gostando da leitura, pois a curiosidade de saber o que é real e o que faz parte do jogo é muito maior do que a vontade de abandonar o livro. Sim, como deu para perceber eu não gostei mesmo do livro e coloco a culpa nos personagens.

Foto: Roendo Livros
Scarlett é aquela personagem típica de livros YA. A garota inocente, que sofre na vida e quer fugir de alguma coisa. Nesse caso é de seu próprio pai (extremamente abusivo e violento) e acha que um casamento arranjado sera sua salvação. Sonha com o Caraval a vida toda e quando tem a chance de ir fica de mimimi. Nem preciso falar que me irritei com ela logo nas primeiras páginas. Não consegui enxergar a evolução dela como personagem e nem seu amadurecimento durante o jogo. Acho que ela apenas mudou de planos, usou de uma paixão repentina para lhe mostrar aquilo que ela já devia saber desde o inicio. A história a acompanha 100% das páginas, então mesmo que seja narrada em terceira pessoa a impressão que temos dos outros personagens tem grande influencia do que Scarlett acha e por isso também não tive simpatia por Julian, que era mentiroso e manipulador e nem por Tella que só pensava em si mesma.

Gosto do fato da autora ter colocado alguns plot twists na história. Isso acaba me empolgando um pouco mais mesmo que por pouco tempo. Confesso que mesmo com a critica os últimos 20% do livro me fizeram devora-lo justamente por conta das revelações e das situações inesperadas, porém o final decepcionou um pouco pela autora escolher o caminho fácil para não deixar os leitores bravos. É um livro que acredito que irá agradar leitores de fantasia e romance, pois ele tem esses dois elementos, e também leitores de mistério (dos leves).

Resenha: 172 Horas na Lua

24/08/2018

Três jovens tem a grande oportunidade de suas vidas de irem para a lua em 2018. Seria perfeito se, como de praxe, o Governo e a NASA não escondessem coisas da população e dos próprios jovens; Desde o inicio do livro o leitor sabe algo muito errado aconteceu em outras viagens do homem à lua e por isso não deve esperar que agora as coisas funcionem as mil maravilhas (infelizmente). Os três jovens foram escolhidos através de um sorteio feito a nível mundial; Até então nenhum deles se conheciam ou se quer imaginavam que um estariam indo para a lua. Quem imaginaria, né? Mas desde que eles foram escolhidos coisas estranhas começaram a acontecer com eles entretanto nada que pudesse deixa-los preocupados de verdade.

172 Horas na Lua é narrado em terceira pessoa e não foca apenas nos três jovens ou no restante da tripulação enquanto eles estão na viagem. O que eu achei um erro do autor, já que em alguns momentos ele deu destaque em um personagem ou outro que pouco acrescentou para a leitura (eu achei sem sentindo esses personagens, mas talvez eu não tenha entendido direito o que o autor quis dizer ao coloca-los ali). Além disso achei a narrativa bastante lenta, levando mais da metade do livro até eles finalmente irem para a lua. O autor ficou falando um pouco sobre a vida dos jovens, o momento em que eles decidiram se inscrever na promoção e até o dia que chegaram a Houston, porém uma das partes mais interessantes que seria o treinamento deles até o dia da viagem foi deixado totalmente de lado. Sinceramente, como leitora de um livro que vai tratar de uma viagem espacial eu estou muito mais interessada em saber, além da viagem em si, como foi o treinamento dessas pessoas.
 

Toda a aura de mistério que o autor foi criado ao longo do livro (que não é muita) se intensifica tão logo que eles chegam ao seu destino. Confesso que foi somente quando eles chegaram à lua que o livro me conquistou de verdade e eu passei a entender todos os comentários positivos que li sobre a obra em outros blogs. À partir dai o livro não se torna apenas misterioso e sim assustador. Eu fiquei com muito medo pelos tripulantes e mesmo que os personagens não tenham sido muito bem trabalhos pelo autor eu senti a tristeza de perde-los ao longo da jornada. Mas o medo foi muito maior quando ainda não sabia o que, realmente, estava acontecendo ali. À partir do momento em que percebemos do que se trata e quando o autor explica o que está acontecendo a aura de medo acabou se perdendo para mim (apesar de eu ainda ter ficado paranoica com as coisas ao meu redor, mas isso é coisa de gente medrosa). Achei a ideia inserida muito boa mas pouco trabalhada. O que eu senti foi mais ou menos isso: O que ele enrolou para chegar até a viagem ele acabou correndo na tentativa de traze-los de volta a Terra.

Eu acho que reli o final do livro umas três vezes e ainda não consegui ver muito sentido nele. Isso é algo que, até onde eu percebi, só aconteceu comigo então eu não vou agregar texto sobre esse assunto. Talvez eu realmente não tenha entendido, talvez a obra seja demais para mim ou talvez eu não estava no momento certo para entende-la cem por cento. Caso alguém que já tenha lido queira debater sobre o livro eu vou aceitar de bom grado. A leitura não foi desagradável mas acho que para mim teria funcionado muito melhor se fosse um filme.


Resenha: Menina Boa Menina Má

21/08/2018

Nunca imaginei uma história contada pela filha de uma serial killer e por isso fiquei extremamente intrigada com Menina Boa Menina Má. O que leva uma filha, ainda adolescente, entregar a única figura familiar que ela tem à policia? Claro que a resposta parece óbvia, mas justamente por essa mulher ser a única figura familiar que ela conhece é curioso pensar no que fez Milly finalmente querer cortar as amarras que a prendia nessa vida.


O livro começa com Milly na delegacia conversando com policias sobre sua mãe. Eles parecem duvidas do que ela está contando, mas são tantos detalhes que eles não pode ignorar e então naquela mesma noite prendem a mulher. À partir daí somos levados a Milly chegando em sua nova casa, com uma família temporária no serviço de proteção a testemunha e também um acompanhamento psicológico para ajuda-la a passar por tudo isso sem criar mais traumas, além da possibilidade de ela ter que depor no julgamento de sua mãe. Nesta nova casa Milly espera encontrar uma família que a ame e a queira não apenas temporariamente e é a junção desse desejo e de suas lembranças que a história é feita.

O livro é narrado pela própria Milly e nesta narração ela está conversando com sua mãe. É como se ela estivesse contando, ainda dando satisfação de sua vida a esta mulher, tudo o que acontece. Em alguns momentos esperando ser punida em outros desafiando essa figura que ela vê como uma autoridade e às vezes expressando seu medo. Aos poucos vamos sabendo de todas as atrocidades que ela cometeu e que Milly foi obrigada a ver durante toda sua vida. Mas o pior de tudo são as coisas que ela obrigou Milly e fazer e as coisas que ela fez com a própria Milly. Pois bem, essa é uma parte da história que é interessante o leitor descobrir durante o livro, mas adianto que são abusivos físicos e psicológicos além do que se é imaginado só vendo pela sinopse.

Eu amei o livro. A forma como a autora faz com que o leitor se sinta na pele da própria Milly é incrível. Durante a maior parte da narrativa ela se questiona sobre o quanto ela pode ser boa e o quanto ela pode ser má, o que ela tem de parecido com a mãe e o que ela tem de diferente, as coisas que ela é capaz de fazer e até onde pode ou deve ir para ter o que deseja. Os relacionamentos que Milly vai criando nesse novo lar, tanto os bons quanto os ruins, revelam muito sobre ela mas ao mesmo tempo causa uma certa confusão. Me peguei várias vezes questionando a sanidade dessa personagem e se ela teria um final bom ou ruim com todos aqueles pensamentos e desejos conturbados.

É um livro que tem uma abordagem sobre o ser humano, o quanto influencias de terceiros podem nos afetar e o quanto podemos lutar para mudar quem somos ou para não nos tornarmos aquilo que não queremos ser, além do que somos capazes de fazer para ter que aquilo que tanto queremos. Um livro que faz o leitor ficar preso na história muito além das páginas.