Resenha: A Fogueira


Conhecida (e até adorada) mundialmente por interpretar Jéssica Jones na série original da Netflix, Krysten Ritter resolveu dar mais um passo em sua carreira e lançou seu primeiro romance: A Fogueira. Um thriller psicológico narrado pela advogada Abby Williams que retorna a sua cidade natal depois de 10 anos longe.

Abby praticamente fugiu da cidade quando completou 18 anos. Foi fazer sua faculdade, construir sua vida e sua carreira mas sempre viveu a sombra de Barrens, seu pai que justificava seus atos com religião, e colegas de escola que nunca a respeitaram. Por anos ela tentou esquecer suas origens mas seu passado sempre a perseguia, principalmente por ela não saber o que levou a desaparecimento de Kaycee Mitchell, a líder do grupo de garotas populares da escola. Em meio a tudo isso ela precisa trabalhar no caso contra uma empresa que, possivelmente, está poluindo a água da pequena cidade.

A escrita de Krysten Ritter me surpreendeu muito. Eu já imaginava que este seria um bom livro e que me agradaria, mas eu não poderia prever que ela seria uma ótima autora (até porque eu não sou muito fã dela como atriz). É uma história que mescla entre passado e presente e os flashbacks da personagem foram escritos de uma forma que não da a impressão de ser apenas uma narração de seu passado e das coisas que ela mais temia, mas sim nos faz sentir as mesmas coisas que ela sentia anos antes... É quase como quando nós lembramos coisas de nosso próprio passado, entende? Poucos autores conseguem isso, ou pelo menos causam essa sensação em mim durante as leituras que eu tenho, e para mim foi um dos pontos altos nesta obra.
Barrens tem raízes em mim. Se eu quiser que desapareça para sempre, precisarei arranca-las. 
 Abby é uma personagem feminina que as mulheres deveriam conhecer, mesmo que não goste muito do gênero que o livro apresenta ou do tipo de narração. Mas ela é uma personagem forte, que mesmo com suas lembranças do passado e coisas que ela ainda odeia em si mesma, segue em frente e sempre procura se superar mesmo que inconscientemente. Seus medos lhe dá mais força, assim como seus objetivos. Poucas protagonistas são como ela. E eu, particularmente, ficava imaginando o tempo todo que ela é uma "extensão" ou que foi, pelo menos em algum ponto, inspirada na própria Jessica Jones. Enfim, uma comparação boba mas que pode fazer um certo sentido para quem viu a série.

Postar um comentário

0 Comentários