Resenha: Um Mundo sem Príncipes


Eis que depois daquele final lindo e surpreendente de A Escola do Bem e do Mal as coisas ainda não terminaram para Agatha e Sophie. O conto de fadas delas ainda está sendo escrito, porém agora com um problema muito maior do que afirmar qual garota é do bem e qual é do mal (mesmo que este ainda é um assunto abordado neste volume). Eu não achei que o autor conseguiria dar uma boa sequencia para a história mesmo tendo gostado tanto do primeiro. Como leitora não consegui imaginar que caminho ele iria tomar na história das meninas e fui surpreendida a cada capitulo deste volume. Acredito que pela primeira vez acabei amando a sequencia de uma trilogia logo de cara, já que geralmente temos a tal maldição do segundo livro, né?

Em Um Mundo Sem Príncipes não mostra apenas a mudança que a escola do bem e do mal sofreu com a atitude inesperada de Agatha no livro anterior, mas a transformação de pessoas. E neste caso eu nem me refiro as protagonistas. Antes tínhamos meninas do Bem que só se preocupavam com seus príncipes e aparências e as do Mal querendo ser bruxas grandiosas, cada uma estudando para construir a sua própria história e fazer seu lado vencedor, porém agora temos todas unidas contra os meninos. O que isso pode remeter? Bom, talvez para algumas pessoas nada, mas para mim pareceu um grande grupo de meninas com atitudes misândricas. Tudo vai de interpretação, mas conhecendo um pouquiiiinho o autor já da para perceber que ele poderia sim querer mostrar algo assim em sua obra. O papel das protagonistas acaba ficando na missão de manter o equilíbrio deste mundo. As mulheres não podem odiar os homens, assim como os homens não podem odiar as mulheres. Todos devem se respeitar e tá tudo bem se o sonho de uma menina é ter seu príncipe encantado, mas tá tudo bem também se o sonho dela é não ter, entende?

“Cale a boca”, rugiu Hester, virando-se de volta para Agatha. “Ninguém gosta de meninos! Nem mesmo mesmo as garotas que gostam de meninos conseguem suporta-los. Eles são fedorentos, falam demais, bagunçam tudo, e estão sempre com a mão dentro das calças, mas isso não significa que podemos ir a escola sem ele. É como os stymphs sem ossos! Como bruxas se verrugas! Sem meninos A VIDA NÃO FAZ SENTIDO!”

Sophie não mudou muito de um livro para outro. Suas atitudes ainda mostram uma garota mimada que esta sempre se esforçando demais para fazer o bem. Seu desejo de ser o centro das atenções é o que, inicialmente, da o desenrolar da trama mas que logo irá se transformando em algo mais. Este é um livro que visa em mostrar a ela que nem tudo pertence a ela e somente a ela, que a vida não é preto e branco. Neste volume senti Agatha um pouco mais apagada, apesar de grande parte da história ser baseada no que ela fez no final do primeiro livro. Mesmo assim a menina sempre muito altruísta visa fazer o que é o certo e consequentemente o bem para todos. A grande lição que ela tem que aprender neste volume é a confiança e principalmente seguir seus instintos.

Pode parecer que este é um livro juvenil que irá ser apenas um contos de fadas, mas abordando amizade, amor, feminismo, e até mesmo homossexualidade A Escola do Bem e do Mal mostra-se um livro muito mais voltado para os adultos do que o publico juvenil. Uma forma fácil e simples de ensinar algo aos leitores que, por algum motivo, tem convicções não tão respeitosas sobre diversos assuntos tratados nos dias atuais da sociedade. É uma obra que vale a pena ser lida e eu garanto que o autor sabe muito bem a hora de inserir um cliffhanger e um plot twist. As vezes não aguentamos nem um em um livro e este vai lá e coloca os dois, mas garanto que a leitura é prazerosa. Estou super ansiosa para ler a sequencia.


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