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Resenha: Ritos de passagem

23/05/2022


Olá, leitoras. Como vocês estão? A resenha de hoje é do livro Ritos de Passagem, do autor William Golding (que já resenhei por aqui com o clássico O Senhor das Moscas).

A história, contada através de cartas, nos mostra a viagem de Talbot até a Austrália. Ele escreve essas cartas para um tio e que logo nas primeiras páginas conhecemos a personalidade um tanto quanto chata do rapaz. Vindo de uma família mais nobre ele acredita que as pessoas do barco devem lhe respeitar e até mesmo bajular, mas ao ver que isso não acontece acaba se irritando — principalmente com o capitão que pouco lhe da moral.

Mesmo sendo através de cartas, praticamente um diário de bordo, o livro não é tão fácil de ler. Há diversas expressões especificas da vida marítima, o narrador não é uma pessoa muito agradável de se acompanhar e, em alguns momentos, eu não sabia muito bem os objetivos do autor com essa história até que o verdadeiro conflito entre os personagens acontece e passa a ser estabelecido que há uma metáfora utilizando o barco como a sociedade e as pessoas ali cumprindo o seu papel nela. De certa forma pode-se comparar essa história com o próprio O Senhor das Moscas, apenas trocando a ilha pelo barco e os personagens crianças sendo designado a um adulto aqui.

É uma boa leitura, mas que em alguns momentos se torna lenta. Eu demorei muito para ler comparado com o clássico do autor, infelizmente, eu não gostei tanto assim. Mas sei que há muitas leitoras que adoram histórias marítimas e epistolas, então é uma ótima combinação.

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Título: Ritos de Passagem • Autora: William Golding
Editora: Alfaguara • Tradução: Roberto Grey
Compre o livro aqui

Resenha: Uma rosa só

02/05/2022


Olá, leitoras. Como vocês estão?

Hoje trago para vocês a resenha do livro Uma Rosa Só, da autora francesa Muriel Barbery que já fez sucesso no Brasil com A Elegância do Ouriço (cuja resenha você pode ler aqui). Já de inicio digo que a autora mantém a sensibilidade ao contar uma história, ainda que os dois livros sejam tão diferentes um do outro é possível reconhecer a escrita dela.

Nesta história acompanhamos Rose, uma mulher na faixa dos 40 anos que foi criada pela sua avó e só recentemente descobriu que tem um pai muito rico no Japão, cuja herança ela herdou após seu falecimento. Para isso ela viaja até o Japão, onde passa a conviver com alguns dos funcionários mais próximos de seu pai e seguindo um roteiro turístico deixado por ele.

O livro é narrado em terceira pessoa, mas o tempo todo temos a perspectiva da protagonista. De certa forma eu senti falta de estar dentro dos pensamentos dela lidando com essa mudança brusca de país, cultura e a ideia de que sua vida inteira teve um pai que se preocupou com ela mas nunca a procurou por causa de sua mãe.

Durante a viagem ela acaba ficando muito próxima de Paul e desconta algumas de suas frustrações em relação sua paternidade dele. Da mesma forma que acaba conhecendo seu pai através da admiração e palavras dele. Paul foi o meu personagem favorito da história, pois possui camadas que foram sendo reveladas aos poucos. Primeiro conhecemos seu lado profissional e com as páginas virando conhecemos seu lado familiar, carinhoso e romântico. Já deu para perceber que tem um romance na história, mas se você ama romances não se empolgue. O foco está longe de ser o relacionamento de Rose e Paul, mesmo que ela tenha sua relevância para a protagonista.

Um grande ponto que é destacado no livro é a cidade de Kyoto, uma importante cidade no Japão. A ideia principal é fazer com que a protagonista viagem e conheça essa cidade a fundo até o momento de receber sua herança, mas conforme as páginas foram passando a minha impressão é que ela estava sempre no mesmo lugar já que ela visita templos e restaurantes. Eu não sei o turismo que Kyoto proporciona, e apesar da personagem não ter ido lá a passeio eles são um ponto importante na trama, então eu esperei por mais descrições e lugares diferentes. Com exceção desse detalhe eu gostei muito do livro e acho que já posso considerar a autora como uma das minhas queridas do momento.

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Título: Uma Rosa só (Une Rose seulle) • Autora: Muriel Barbery
Editora: Companhia das Letras • Tradução: Rosa Freire d'Aguiar
Compre o livro aqui

O livro foi cedido em parceria com a editora. 

Lidos e Assistidos - Mar/22

08/04/2022

Olá, leitoras.

Como foi o seu último mês de leituras? Eu ainda estou em um ritmo beeem lento, mas essa semana já estou mais animadinha para ler algumas coisas. Enquanto isso fiquem aqui com o meu balanço de março de leituras, filmes e recebidos de bônus.

Lidos



Vocês já viram por aqui a resenha de A Biblioteca da Meia-Noite e Garota A? Pois vejam, pois são dois livros incríveis que eu dei 5 estrelas.

Assistidos

 

Uma soma de 25 filmes assistidos em Março. Ufa! Finalizei os filmes do Oscar que faltavam, e aproveitei para rever CODA (o meu queridinho da temporada) e claro que não perderia The Batman no cinema! Você já assistiu algum desses filmes? Tem uns antigos na lista, ein.

Recebidos

E esses foram os recebidinhos da parceira Companhia das Letras. Esses são os meus primeiros pedidos como parceira fixa e estou bem animada com essas leituras. <3

Maratona Oscar: 1987 e 1988

06/04/2022

Olá, leitoras!

Hoje trago mais uma atualização da minha pequena maratona de filmes do Oscar desde os anos 80. Confesso que os anos de 1987 e 1988 foram bem difíceis para mim dar continuidade, pois tem alguns filmes que eu não queria assistir de jeito nenhum e os que eu assisti acabei não gostando. Então essa lista, infelizmente, não vai ser positiva. Mas vamos lá para os comentários.

1987

  • Platoon 🏆
  • Children of a Lesser God (Filhos do Silêncio)
  • Hannah and Her Sisters (Hanna e suas irmãs)
  • The Mission (A Missão)
  • A Room with a View (Uma Janela para o Amor)

Platoon

Esse foi o grande vencedor da noite, totalizando 4 prêmios de 8 indicações. Incluindo melhor direção e melhor filme. Assisti esse filme praticamente na força do ódio, já que eu não gosto de filmes que retratam guerras.

O filme mostra um jovem soldado que se alista para a guerra do Vietnã e ali lida com todos os conflitos com colegas, uns mais cruéis que outros, e todas as coisas horríveis que uma guerra causa em ambos os lados. É um filme violento e, para mim, tem algumas cenas desnecessárias. Segundo o Wikipédia foi baseado nas experiências pessoais do diretor e roteirista, Oliver Stone.

Filhos do Silêncio

Filhos do Silêncio é um romance estrelado pelo, então casal, Marlee Matlin e Willian Hurt. Na história ele é um professor recém contratado em uma escola para surdos e ela uma ex-aluna rebelde. Como romance é bonito, mas a insistência do personagem em fazer ela aprender a falar irritava em alguns momentos.

O filme rendeu o Oscar a atriz e mais cinco indicações. Quem entregou a estatueta a ela foi o próprio Willian Hurt, que no ano anterior tinha vencido pelo filme O Beijo da Mulher Aranha. Ela se tornou a primeira (e até hoje) a única atriz surda a vencer o prêmio. Neste ano ela venceu um novo Oscar com o filme CODA, mas infelizmente não foi indicada como melhor atriz.

Uma Janela para o Amor

Mais uma romance da lista. Esse filme é bem bonitinho e água com açúcar, retratando uma amor quase proibido entre uma jovem rica e um rapaz dito como de espirito livre. Uma das melhores coisas desse filme foi o elenco, que tem Judie Dench, Maggie Smith, Daniel Day-Lewis e Helena Bonham Carter novíssima. 

Levou 3 Oscars de categorias técnicas, como roteiro adaptado, melhor figurino e melhor direção de arte, além de ter concorrido em melhor filme, melhor fotografia, melhor ator coadjuvante e melhor atriz coadjuvante.

Os ignorados...

Não assisti Hannah and Her Sisters e The Mission. O primeiro por ser dirigido por Woody Allen, que eu particularmente não suporto como pessoa. Até tentei colocar, mas quando vi que ele também atua no filme eu acabei desistindo.

Já The Mission eu acabei ignorando, pois não gostei muito da sinopse. Conta a história sobre um mercador de escravizados que em terras brasileiras passa a defender aqueles que ele escravizava. O elenco conta com Robert de Niro, Jeremy Irons e Liam Neeson.

1988

  • The Last Emperor  (O Último Imperador)🏆
  • Broadcast News (Nos Bastidores da Notícia)
  • Fatal Attraction (Atração Fatal)
  • Hope and Glory (Esperança e Glória)
  • Moonstruck (Feitiço da Lua)

Broadcast News

Este é um filme de comédia romântica também digno de Sessão da Tarde. A rotina de uma emissora de telejornal nos é contado sob a ótica da produtora de Jane Craig. Seu melhor amigo, Aaron Altman, que tem o desejo de se tornar o âncora e o novato no jornalismo, Tom Grunnick.

É uma história interessante, mas que não trás nada de novo. Surpreendentemente o filme recebeu 8 indicações, mas não levou nada para casa.

Atração Fatal

Atração Fatal é um grande clássico dos anos de ouro do Supercine (Globo). Um advogado casado acaba se relacionando com uma nova colega de trabalho, mas não esperava que a mulher se tornasse obcecada por ele. O que poderia ser um filme de romance acaba virando um suspense psicológico, onde a mulher acaba perseguindo ele no trabalho, na rua e até na própria casa.

Acho que antigamente as pessoas assistiam o filme falando que a mulher é louca (e bom, ela não é muito normal mesmo), mas eu já fiquei com raiva do homem traindo a esposa e depois ainda querendo dar uma de louco para cima da amante. É um bom filme, mas causa frustrações.

O Feitiço da Lua

Definitivamente 1988 foi o ano dos romances e O Feitiço da Lua é mais um da lista. O filme estrelado por Cher (que ganhou o Oscar) me surpreendeu ao mostrar uma mulher de família italiana que irá se casar pela segunda vez e tem a missão de convencer o irmão de seu noivo a comparecer ao casamento.

Como um romance é um filme gostoso de assistir, mas parece que o tempo deles é diferente do tempo mostrado a nós e da uma sensação que estamos perdendo algo mesmo tudo acontecendo na nossa frente. Confesso que também fiquei um pouco triste, pois acreditava que o filme seria um musical ou que teria, pelo menos, uma apresentação musical da Cher.

Os ignorados...

Não assisti Hope and Glory e o grande vencedor da noite, The Last Emperor (que levou 9 prêmios). O primeiro fala sobre a Segunda Guerra Mundial e é um tema que eu não gosto e o segundo fala sobre o império Chinês. É uma produção estadunidense, mas que conta com elenco e algumas pessoas da equipe orientais.

📽️

Tá ficando difícil assistindo os filmes, pois esses enredos antigos são um pouco cansativos. Ainda mais com algumas histórias de guerra e dramas longos. Particularmente torço para que a partir dos anos 90 melhore um pouco mais, porém eu estou ansiosa para chegar logo nos anos 2000 que sei que vai ter filmes que eu já assisti e gosto.

Resenha: Carrie

04/04/2022

Para todos os efeitos Carrie é o primeiro romance de Stephen King, o autor conhecido hoje como Mestre do Horror. Não sei qual foi a reação das leitores na época, vendo um novo autor escrevendo algo como Carrie, mas eu sendo uma leitora hoje deste clássico moderno posso dizer que a minha reação foi surpresa.

Ao contrário do que podemos pensar Carrie não é um livro de terror que deixa o leitor morrendo de medo do que vai encontrar na trama. Sim, ele nos da medo mas o medo é do que irá acontecer com Carrie, a adolescente que vive com a mãe fanática religiosa — em outras palavras: louca. Apesar de frequentar a escola Carrie vive em seu mundinho sozinha, pois sofre bullying de todos, não tem nenhuma amiga que seja tão deslocada quanto ela. Carrie é a mais deslocada das deslocadas tudo por causa do modo de vida que vive com sua mãe, que aliena tanto a jovem que quando esta teve sua primeira menstruação pensou que estava, na verdade, tendo uma hemorragia e morrendo.

Em uma análise crua Carrie conta a história de uma jovem que sofre bullying na escola, além de ser constantemente repreendida dentro de casa, que descobre que é telecinética e acaba usando deste poder quando chega em seu limite, causando uma destruição; Mas em outa análise, e claro partindo do meu ponto de vista, Carrie fala sobre sexo na adolescência, além do bullying e suas consequências. Eu sei, ele foi escrito nos anos 70, onde esses assuntos eram debatidos de uma forma diferente de hoje em dia, mas ainda assim nesta época era um tabu e esse tabu é representado pela própria mãe de Carrie, que é uma fanática religiosa que abdicou do sexo até mesmo dentro de seu casamento, e claro pelas suas colegas de escola. O Bullying é a questão mais óbvia da trama, que causa toda a ruptura dos poderes de Carrie, mas o livro ainda tem uma pegada a respeito da figura feminina na sociedade. Como uma mulher feminista acho ridículo um homem falar sobre esse assunto, mas devo admitir que Stephen King soube tratar do assunto na temática fantástica do livro de um jeito que está longe de ser machista ou estereotipada, mas que tem uma visão deturpada sim principalmente se levarmos em conta as atitudes da mãe de Carrie.

Ao contrário do que parece Carrie não é um romance/novela e sim como se fosse um livro jornalistico, com dossiê. Tem a história da adolescente e tem relatos sobre ela em forma de outros livros, ou algum documento com depoimento de pessoas após os acontecimentos da obra. É uma narrativa super bacana pois ele deixa o leitor bastante curioso para saber o que aconteceu com Carrie na sua escola que se tornou um assunto tão comentado na comunidade cientifica. Essa narração pode ser estranha para quem não está habituado, mas ela é muito tranquila para leitura após as 10 primeiras páginas.

Este é um livro que pode causar diferentes sensações nas pessoas, vai de revolta a medo, vai de empatia até ódio. Carrie e sua vida escolar tem pontos que podem ser semelhantes aos nossos próprios anos escolares, assim como a repreensão dentro de casa (não necessariamente a parte religiosa) e mais uma vez King nos entrega um livro maravilhoso e reflexivo. E melhor ainda é a ideia de que Carrie tem ligação com outros livros do autor, sendo um deles até O Instituto, um dos últimos lançamentos dele e que já saiu no Brasil pela Suma. Eu, particularmente, tenho minhas ressalvas na ligação direta entre os dois, mas pelas teorias fazem sentido... Só que isso você tem que ler para tirar suas conclusões.

Sobre a nova edição de Carrie, que faz parte da Biblioteca Stephen King, só posso dizer que ficou incrível. Eu amo o trabalho de capa que a editora tem dado aos clássicos do autor com relevo nos nomes e detalhes. A Regiane Winarski, acredito eu, já é a tradutora oficial de King no Brasil e mais uma vez fez um trabalho muito bom. Eu já tinha lido anteriormente o livro, com uma tradução mais antiga, e agora está muito melhor. Recomendo!
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Título: Carrie • Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras • Tradução: Regiane Winarski
Compre o livro

Livro cedido pela editora.

Favoritos da A24

31/03/2022

 

A A24 é uma produtora e distribuidora de filmes que nasceu em 2012 e desde então tem conquistado um público fiel. Pode parecer até estranho pensar que as pessoas são fãs de uma "marca", mas é isso que acontece e eu sou uma dessas pessoas. Sempre que vejo a mão da A24 em um filme já vou com a confiança que será algo muito bom. E hoje quero mostrar para vocês alguns dos meus favoritos deles.

O Maravilhoso Agora

Esse foi o primeiro filme que assisti da A24, mesmo antes de saber o que é A24, e adorei a história. Aqui temos dois adolescentes diferentes que se conhecem por acaso (mesmo estudando na mesma escola). Shutter não mede consequências de seus atos e suas atitudes e Aimee parecia que estava sem rumo na vida. Juntos eles descobrem coisas sobre si que nem sempre são positivas.

A Lenda do Cavaleiro Verde

Baseado em uma lenda arturiana este filme vai nos mostrar a jornada de Sir Gawain para encontrar, e enfrentar, o Cavaleiro Verde. Está obra nos mostra muito sobre honra e comprometimento e o que um homem pode fazer para ter aquilo que deseja. Além de tudo tem uma fotografia incrível, que vale a pena ver só pelos quadros.

Lamb

Esse filme me enganou e surpreendeu. Por algum motivo eu achava que ele seria um filme de terror/suspense, mas acaba sendo um drama familiar sensível ao tratar sobre o luto de uma mãe. Maria vive com seu marido em uma fazenda isolada de tudo e uma noite é surpreendida em ver que uma de suas ovelhas deu a luz a uma cordeira hibrida. O resto só você assistir para saber.

Um Cadáver Para Sobreviver

Eu assisti esse filme há muuuito tempo, então não lembro tantos detalhes dele. Mas é um dos meus favoritos pela sua simplicidade, mensagem e elenco. Adoro o Paul Dano e aqui ele está em um de seus ápices, atuando praticamente sozinho tento que interagir com um cadáver o tempo todo. É um filme sobre sobrevivência, ainda que mostre os personagens na natureza.

Tem outros filmes deles que valem a pena assistir, como A Bruxa, O Sacrificio do Cervo Sagrado, A Tragédia de Macbeth, e uma grande lista que você pode conferir aqui. Tenho certeza que você já assistiu algum filme deles sem saber.

Se você já conhecia a A24 me conta o seu favorito deles. <3

Resenha: Garota A

29/03/2022

Olá, leitoras.

Quem acompanha o blog há algum tempo sabe que eu adoro um suspense e que há algum tempo não li um que me prendia até a última página, então quando minha amiga me emprestou Garota A com a promessa que esse livro iria me agradar eu logo fui ler para ver se finalmente me prendia em alguma leitura neste ano. Fico feliz que ela tinha razão, pois mesmo demorando mais de uma semana para ler (eu estou em um ritmo muito fraco) e me pegava curiosa sobre a história sempre que não estava lendo.

Garota A é narrado em primeira pessoa pela própria Garota A, ou Alexandra Gracie. Aos 15 anos ela fugiu de casa. Mas ao contrário do parece não foi por rebeldia. Ela fugiu de casa pois seus pais a deixavam acorrentada, passando fome, vivendo junto de suas próprias excreções. Além dela seus irmãos e irmãs também viviam na mesma condição precária e sua fuga acabou sendo a salvação deles.

A história se passa nos dias atuais, onde ela é advogada e tem uma carreira de sucesso e feliz com seus amigos e luxos em NY. Mas sua rotina acaba sendo abalada quando sua mãe, que estava presa há anos, morre e ela é chamada para lidar com algumas questões burocráticas como ficar responsável pela "Casa dos Horrores" (como ficou conhecida a casa em que as crianças eram mantidas em cárcere) e poder dar algum fim aquele lugar horrível. Intercalando em sua viagem e encontro os irmãos para resolver as coisas Lex acaba relembrando do seu passado desde a primeira infância em um modo de compreender como que a família, antes tida como perfeita, chegou naquele ponto.

Eu acho que com essa breve descrição eu nem preciso dizer que o livro contém diversos gatilhos, né? Ainda que a autora teve a sensibilidade de não dar detalhes nada só de falar brevemente sobre algo acaba embrulhando o estômago (e olha que eu não sou sensível a essas coisas). Nesta história podemos ver os limites das pessoas quando são presas em seus pensamentos religiosos de forma exagerada e as consequências que toda uma família (crianças!!) sofrem por causa desse pai tão rigoroso e fanático. Quanto a mãe chega em um momento que eu tentei não julga-la com tanto ódio como fazia com o pai. Uma mulher sempre submissa ao seu marido nunca conseguia se expressar da forma como queria, vivendo a sombra daquela situação e tendo que sempre gerar um filho com a expectativa de formar uma família perfeita. Lex tem muito ressentimento dela, com razão, e por isso ignora todas as possíveis coisas ruins que sua mãe sofreu em segredo e por ela ser a narradora da história nós podemos imaginar o pior.

Apesar de gostar do livro senti falta de um mistério a ser resolvido, como é de praxe em livros assim. Não havia ninguém morrendo ou desaparecendo e o único personagem que poderia dar algum problema nesse sentido acabou tendo destaque somente em um capítulo e raras menções durante a história. Há um plot twist no fim, mas não houve a sensação de que a autora estava nos preparando para isso, então ele acabou ficando um pouco sem graça para mim. Também senti falta do ponto de vista dos irmãos sobre o passado, nem que fosse em um diálogo mais profundo. Muito difícil em confiar apenas em uma narradora, ainda mais diante de uma situação traumática, e naquela casa todos sofreram abusos psicológicos e físicos diferentes, então entender como isso os afetou para que eles se tornassem as pessoas que são na vida adulta seria interessante.

Recomendo essa leitura para todas e todos que amam um suspense, mas se você for sensível ao tema vai com cuidado. É uma boa história, mas não vale a pena estragar sua saúde mental.

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Título: Garota A • Autora: Abigail Dean
Editora: Verus Editora • Tradução: Ryta Vinagre
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Resenha: A Biblioteca da Meia-Noite

14/03/2022

O primeiro lido de Março não poderia ter sido melhor. Depois de tanto ver pessoas comentando sobre surtos com essa história no Twitter eu decidi ler A Biblioteca da Meia-Noite do autor Matt Haig e eu me apaixonei muito, muito por essa história.

Nora é uma mulher de mais ou menos 30 anos, é muito inteligente, vive sozinha com seu gato Voltaire e trabalha em uma loja de instrumentos musicais. Em uma noite um conhecido distante bate em sua porta para lhe dar a noticia de que encontrou seu gatinho morto na rua e a partir desde acontecimento Nora acaba percebendo que sua vida não tem mais sentido em ser vivida. Que na verdade ela não está vivendo, só está esperando o tempo passar sozinha e cheia de arrependimentos de não ter feito as coisas que (provavelmente) estava destinada a fazer. Então na noite seguinte Nora decide tirar sua própria vida.

O livro não esconde em nenhum momento, logo nas primeiras páginas, sobre o suicídio de Nora. Não cheguei ler a sinopse, mas acredito que esse fato deve ser citado já que é a partir dele que a personagem vai para A Biblioteca da Meia-Noite. Uma espécie de purgatório e/ou limbo entre a vida e a morte em que ela terá a oportunidade de rever todos os seus arrependimentos e visitar realidades paralelas em que ela tomou rumos completamente diferentes do qual tem em sua "vida raiz" (como ela passa a chamar a sua realidade original).

Enquanto o velho Scrooge se redimiu de seus erros revisitando o passado e conhecendo o futuro, Nora tem a chance de saber como seria sua vida se tivesse continuado no time de natação que o seu pai tanto a incentivava, ou se tivesse se casado com seu ex-noivo, ou se estivesse ficado na banda de rock de seu irmão, além de muitas outras possibilidades que ela nunca tinha se quer cogitado que seria possível. O que mais gostei nessa história é justamente essa ideia de que existem milhares versões de nós e que umas podem estar felizes com algo que nunca imaginamos fazer ou tristes com aquele que seria o nosso maior sonho. Ao saber o destino de suas possibilidades Nora precisava se dar conta de que não importa onde ela esteja, que vida estivesse vivendo, a única que importava era a sua vida raiz, pois essa é sua vida. É nessa vida que ela tomou X decisão que mudou todo o seu curso e que só cabe a ela melhorar ou não essa vida. Será que a beira da morte ainda da tempo?

Claro que não poderia deixar de falar que amei a bibliotecária, guia de Nora nessa jornada. Uma senhorinha maravilhosa e sempre com uns mistérios na manga. Suas metáforas sobre livros e a biblioteca são ótimas e serviu para, de fato, guiar Nora no seu destino.

A partir de agora o post terá⚠️ Spoiler ⚠️ do livro.

Adorei acompanhar Nora em todas as suas vidas e fiquei esperando por mais e mais, cada uma diferente da outra. Ainda que o livro tenha sido maravilhoso tem algumas coisas que achei desnecessárias, como inserir um personagem "slider" (como é chamado na história) como ela que apareceu somente duas vezes e não acrescentou nada para a trama. A ideia de ser comum quando pessoas estão a beira da morte ficar viajando entre todas as suas vida é muito boa, mas só jogar essa ideia na história e não desenvolver muito bem deixa isso apenas como uma ponta solta.

O final me deixou com uma sensação de "buraco" a ser preenchido. Faz todo sentido ela mudar o rumo de sua vida depois de ter uma segunda chance de viver em sua vida raiz, mas eu torci para que ela tivesse ido atrás de Ash e tomar aquele café recusado há tantos anos principalmente sabendo que a vida com ele seria boa, tranquila, saudável e feliz. Ela quer um novo rumo para sua vida e tudo bem, mas já tendo um pequeno spoiler porque não arriscar?

Fim do ⚠️ Spoiler ⚠️ do livro.

Essa é uma história que me encantou muito e já se tornou um dos meus queridinhos do ano. Quero saber se você já leu esse livro e o que achou. Me conta tudo nos comentários.

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Título: A Biblioteca da Meia-Noite (The Midnight Library) • Autor: Matt Haig
Editora: Bertrand  • Tradução: Adriana Fidalgo